terça-feira, 5 de maio de 2026

A situação difícil dos trabalhadores no Afeganistão. E a chave para escapar dela.

 


A situação difícil dos trabalhadores no Afeganistão. E a chave para escapar dela.

5 de Maio de 2026 Robert Bibeau



Pela  Associação Social dos TrabalhadoresAfegãos (AWSA). afghanworkers@yahoo.com

No Afeganistão de hoje, o trabalho não é visto como um direito humano, mas sim, para muitos, como um destino imposto, repleto de sofrimento e injustiças. Milhões de trabalhadores — quer estejam em pequenas e grandes fábricas nas cidades, em minas perigosas, em estaleiros de construção ou na agricultura — enfrentam diariamente insultos e ameaças constantes de despedimento, para além da dor e da morte causadas pelas más condições de trabalho. Esta situação deplorável transformou a vida dos trabalhadores, levando-os para além da simples pobreza, numa luta constante pela sobrevivência.

Um dos factores mais importantes que coloca os trabalhadores afegãos numa posição de fraqueza é a vasta reserva de mão de obra ou de pessoas em situação de sub-emprego. Quando milhões de pessoas estão dispostas a trabalhar a qualquer preço, mesmo pelos salários mais baixos, os empregadores podem facilmente explorar essa oportunidade. Num mercado assim, um trabalhador não tem qualquer hipótese de negociar. Se um empregado se queixar de más condições de trabalho, o empregador despede-o imediatamente, sabendo que centenas de outras pessoas esperam à porta da fábrica. Este medo do desemprego é a maior arma dos empregadores para exercer mais pressão sobre os trabalhadores. O resultado é que um trabalhador tem de trabalhar longas horas sem horas extraordinárias, em condições opressivas, sem protestar.

As condições de trabalho em muitas fábricas e locais de trabalho no Afeganistão não são apenas injustas, mas muitas vezes desumanas. Os trabalhadores são obrigados a trabalhar em espaços exíguos e sujos, com ferramentas gastas, em condições em que o mais pequeno acidente lhes pode custar a vida. Nas minas de carvão e de outros minerais, os trabalhadores penetram profundamente no subsolo ou em longos túneis sem capacete, vestuário de segurança, máscaras respiratórias nem equipamento de proteção básico. O trabalho forçado em fornos de tijolos ou oficinas de materiais de construção, utilizando máquinas afiadas e pesadas sem respeitar os princípios de segurança, é comum. Gases mortais, poeira espessa, detritos que desabam e o risco de eletrocussão fazem parte do quotidiano dos trabalhadores.

Se ocorrer um acidente no local de trabalho — por exemplo, um desabamento numa mina, o desabamento do telhado de um edifício a meio da construção, o capotamento de um veículo não homologado, uma electrocussão ou uma queda em altura — o que acontece? Na maioria dos casos, o empregador limita-se a afastar-se e a dizer: «O trabalhador foi o responsável» ou «Foi um acidente imprevisto.» Não existe seguro de trabalho, nem fundo de apoio aos trabalhadores, nem entidade responsável, nem procedimento legal que obrigue o empregador a prestar cuidados, indemnização ou pensão à família de um trabalhador ferido, com deficiência ou falecido.

Consequentemente, a questão fundamental é: quem defende os direitos destes trabalhadores pobres? Vários governos, ao longo das últimas duas décadas, adoptaram leis para proteger os trabalhadores, mas essas leis raramente foram aplicadas. Após os recentes desenvolvimentos, os organismos de supervisão e defesa dos trabalhadores praticamente desapareceram. Os sindicatos foram enfraquecidos ou tornaram-se incapazes de funcionar eficazmente. As organizações de defesa dos direitos humanos enfrentam também severas restricções. Consequentemente, o trabalhador encontra-se completamente sozinho perante o empregador. Nem a lei nem a justiça o apoiam, não há conselho de supervisão, nem meios de comunicação independentes para amplificar a sua voz.

A conscientização e a união dos trabalhadores são a chave para sair dessa

Nestas condições difíceis e vulneráveis para os trabalhadores, só o esclarecimento, a auto-consciência e a unidade entre eles podem mudar esta situação. Enquanto os trabalhadores enfrentarem os empregadores individualmente e de forma dispersa, a sua derrota é certa.

Conhecer o número de horas de trabalho diárias, o salário mínimo, os diversos direitos de segurança social, o direito de reclamar, de protestar, de fazer greve, o direito de formar sindicatos, etc., é absolutamente essencial. Mesmo que não existam leis justas ou que estas não sejam aplicadas actualmente, conhecer os seus direitos é o primeiro passo para os reivindicar.

A unidade e a solidariedade não significam apenas a filiação a um sindicato formal — o que é difícil nas circunstâncias actuais — mas também a formação de conselhos de oficina nos locais de trabalho, de fundos cooperativos para ajudar as famílias das vítimas e de redes de solidariedade entre os trabalhadores das minas, da construção, dos municípios e de outros sectores. Onde quer que alguns trabalhadores se reúnam e decidam não ficar em silêncio perante uma injustiça, o núcleo da unidade já se formou.

A unidade e a organização conferem aos trabalhadores o poder de deixarem de ser mendigos perante o empregador. Os trabalhadores conscientes e unidos podem agir com sensatez e defender os seus direitos legais. Por exemplo, podem apresentar colectivamente as suas exigências mínimas, recorrer à paralisação como último recurso, apresentar queixas colectivas junto das autarquias locais e isolar um empregador infractor, atraindo a atenção da opinião pública. A experiência de muitos países demonstrou que os empregadores apreciam a exploração enquanto se deparam com trabalhadores dispersos, mas quando constam que os trabalhadores se uniram, são obrigados a recuar.

Tal como damos ênfase à consciência de classe e à unidade dos trabalhadores a nível nacional, a nível internacional, a solidariedade de classe de todos os trabalhadores contra a guerra, a tirania e o capitalismo é vital. Os trabalhadores afegãos, na sua luta pelos direitos sindicais e pela dignidade humana, precisam da solidariedade activa e do apoio concreto dos trabalhadores e sindicatos de outros países. Este apoio não é apenas um dever moral, mas também uma necessidade estratégica para a vitória da classe operária em todo o mundo.

 

·         Viva a solidariedade entre os operários no Afeganistão e em todo o mundo!

·         Viva o Dia do Trabalhador — a união dos operários por um mundo livre de opressão e exploração!

 

Associação Social dos Trabalhadores Afegãos (AWSA)

1º de Maio de 2026

Cabul, Afeganistão

afghanworkers@yahoo.com

 

Fonte: La situation difficile des travailleurs en Afghanistan. Et la clé pour s’en sortir – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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