Em plena ressaca da aprovação, na generalidade, da Lei do Orçamento para
2016 apresentada por António Costa e o PS na Assembleia da República, eis que
são conhecidos os montantes da dívida em finais de 2015 – 234,4 mil milhões de
euros!

Para quem assinalou que esta maioria
de esquerda constituía uma vital necessidade para que houvesse uma radical mudança de políticas, para que a aposta no crescimento e no emprego, fossem finalmente ganhas e as políticas de austeridade
promovidas pela tróica germano-imperialista e caninamente impostas pelo
anterior governo de traição nacional de Passos e Portas, tutelado pelo imbecil
de Boliqueime, tombassem,
Aí estão os números que comprovam que a permanência no euro, a manutenção
no espaço europeu onde tratados como os da união bancária e orçamental, entre
outros, retiram a soberania a qualquer estado que a eles se submeta, sobretudo
os de economia frágil e aberta, como Portugal, determinem a prossecução da
venda a pataca dos nossos mais preciosos activos, a preços de saldo e prossiga
a destruição do que resta do nosso tecido produtivo.
Apesar de, como folgam dizer os economistas,
politólogos, analistas e especialistas
do sistema, se verificar um congelamento
quanto aos números do desemprego em Portugal, o que é certo é que, entre desempregados oficiais – 620.400 -, desencorajados
– 242.900 -, subempregados -, ocupados IEFP – 158.000 -, aos quais
se tem de adicionar mais de 450.000 trabalhadores forçados a emigrar, o número
real de desempregados é de mais de 1.714.100
!!!

Desde logo, o estafado argumento a que todos eles – PS, PSD e CDS – deitam
mão, numa tentativa desesperada de alienar o povo e mistificar as verdadeiras causas – aquilo que foi escondido ou escamoteado nas contas dos governos
anteriores!
É hoje uma evidência que, desde que se iniciou a execução do plano de reajustamento, que era suposto fazer reduzir a dívida e o deficit do país, ambos os
factores não tem parado de aumentar, sendo certo que no final de 2015 a dívida
foi muito superior a 134% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma possibilidade
real, se o deficit revelar o aumento de Janeiro do ano que agora se inicia,
que no final de 2016, esse deficit possa vir a ultrapassar os 140%!
Desde que em 2011 PS, PSD e CDS assinaram o Memorando de
Entendimento com a tróica que vimos a denunciar
o facto de que o pacto que ele representava iria agravar e exponenciar a
condição de Portugal como protectorado ou colónia do imperialismo
germânico e que, enquanto se persistisse no objectivo de pagar uma dívida
ilegítima, ilegal e odiosa, nunca Portugal poderia ver-se livre dessa
humilhante condição para a qual aqueles traidores e vendidos atiraram o país e
o povo português.

Política que prosseguirá, e até se agravará, tudo indica, se a esquerda
parlamentar, mesmo que formal, não entender que, enquanto Portugal estiver
refém da dívida, manietado na sua soberania por tratados iníquos e sujeito a
uma moeda como o euro – o marco alemão travestido, uma evidência que já poucos
negam – é a quadratura do círculo a que está a sujeitar a classe operária, os
trabalhadores e o povo português.
A dependência do exterior a que Portugal está cada vez mais sujeito, traduz-se
no facto de termos, hoje, com o nosso tecido produtivo destruído, que importar
mais de 80% daquilo de que necessitamos para satisfazer as necessidades básicas
do povo e, simultâneamente, gerar economia, o que levará, sem apelo nem agravo,
a que o ciclo de endividamento se reproduza ininterruptamente, de forma sempre
crescente. O que, a par do agravamento dos juros faraónicos que a tróica
germano-imperialista e os grandes grupos financeiros e bancários – com os
alemães à cabeça – impõem, tornará a dívida, para além de crescente… IMPAGÁVEL!
A dívida impagável e a condição de protectorado perpétua! Isto porque,
mesmo que se acreditasse em milagres divinos e a dívida – em parte ou na
totalidade – viesse a ser paga, a condição de protectorado para a qual os sucessivos
governos PS e PSD, acolitados pelo CDS, atiraram Portugal – e que, pelos vistos, a
nova maioria de esquerda insiste em
replicar e legitimar - permanecerá inalterada por virtude do tão elogiado Tratado de Lisboa que visa criar o
famigerado governo económico europeu!

Convém também recordar que PS, PSD e CDS, aceitaram os pressupostos desse
autêntico pacto de traição nacional, o Tratado Orçamental , um mecanismo que obriga todos os estados membros, particularmente os que
aderiram à zona euro, a incorporar nas
suas constituições a possibilidade de ser um organismo externo ao seu país, o tal governo económico europeu, a definir a política orçamental de cada um desses países e a tornar meros
serventuários dos ditames do directório europeu - onde a potência dominante é a
Alemanha - os governantes de cada um deles, autênticos tiranetes e traidores nacionais.
O espectáculo recente da chantagem e pressão exercida pela Comissão
Europeia – que levou, inclusive, a que o primeiro draft de orçamento apresentado pelo governo em Bruxelas fosse
liminarmente chumbado – é paradigmático dessa sujeição, dessa capitulação a uma
política orçamental – e não só – ditada, não pelos interesses e necessidades do
povo português, mas antes pela estratégia e pelos interesses de uma potência
como a Alemanha.
Convirá recordar, ainda, que para além da perda de soberania orçamental, a apressada proposta levada ao Parlamento Europeu pela deputada do PS, Elisa Ferreira,
naquele forum, de votação de um tratado
sobre a união bancária europeia – de que Portugal está a servir de cobaia com o
recente desmantelamento do Grupo GES/BES e da separação do banco mau do banco bom, o Novo Banco, que muita tinta ainda fará correr e, mais recentemente, com a resolução do BANIF-, estes miseráveis
traidores aceitaram que a banca portuguesa perdesse a pouca autonomia e
independência que lhe restava e o sistema bancário português passasse a ser uma
mera correia de transmissão dos interesses do
Deutsh Bank ou do BCE que por ele é dominado.
E para que a sujeição colonial ficasse completa, PS, PSD e CDS, aceitaram,
também, a imposição ao povo português da adesão de Portugal ao euro. Com
a consequente perda de soberania cambial. A sujeição de uma economia frágil e
fragilizada pela destruição maciça do seu tecido industrial – ditado pelos
sucessivos acordos que aqueles partidos subscreveram, primeiro com a CEE e,
depois, com a União Europeia -, a uma moeda que mais não é do que o marco
travestido de euro, uma moeda forte como convém a uma potência como a Alemanha,
não permite a Portugal utilizar os mecanismos de valorização ou desvalorização
da moeda conforme melhor satisfizesse os seus interesses económicos e
financeiros.
Neste contexto, a dívida é a argamassa ou o cimento que molda a estrutura
da dominação colonial, composta, por um lado, pela capacidade que este governo económico europeu tem em impôr a
política orçamental a todos os países que subscreveram o Tratado de Lisboa e, por outro, pelo marco travestido de
euro que rouba a autonomia da política cambial que melhor pudesse servir os
interesses de cada um desses países. Todos eles instrumentos de domínio e
chantagem manipulados por uma potência com um superavit industrial e financeiro
resultante, precisamente, da estratégia que conseguiu impôr aos outros países
europeus, de destruição dos seus tecidos produtivos – a Alemanha que consegue,
sem disparar um único tiro o que Hitler não conseguiu: dominar e subjugar a
Europa e posicionar-se como potência mundial de referência!
Daí defendermos que
não bastaria congregar todas as forças democráticas e patrióticas para derrubar o governo de Passos e Portas, tutelado por
Cavaco ou, no futuro próximo, acarinhado por Marcelo. Como não será suficiente
o repúdio do pagamento desta dívida. O governo que resultar da unidade dessas
forças terá de assegurar, para além da definição e execução de um plano
económico e financeiro rigoroso, que defenda os interesses do povo português e
a soberania nacional, que se rompa com o colete de forças que constituem os
instrumentos responsáveis pela perda de independência nacional e pelo
agravamento das condições de vida do povo, isto é, a dívida, o euro, a Unidade Europeia e os tratados que ela
tem vindo a impor para sujeitar e colonizar o povo português!
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