A PILECA BOUALEM SANSAL: CAMPEÃO DOS PROGRAMAS DE TELEVISÃO, MAS UM FRACASSADO NAS LIVRARIAS
16 de Julho de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub.
No mundo das corridas
de cavalos, acontece por vezes que um proprietário abastado se apaixona por um
cavalo que acredita estar destinado às maiores vitórias. Os treinadores são
mobilizados, os jóqueis cuidadosamente seleccionados, as apostas alimentadas, a
imprensa especializada convocada. Antes mesmo de o cavalo entrar na pista, já
se anuncia o seu triunfo. A vitória parece garantida de antemão. O cavalo ainda
nem correu e já está coroado.
Foi exactamente este o cenário que a editora Grasset, agora integrada no império mediático de Vincent Bolloré, tentou encenar em torno do último livro de Boualem Sansal, La Légende.
A criação de um campeão de pacotilha
Durante meses, as equipas mediáticas de Bolloré estiveram em acção. Os
tratadores da opinião pública escovaram cuidadosamente a pelagem do campeão
designado, Sansal. Os comentadores multiplicaram os elogios a Sansal antes
mesmo do início da corrida às livrarias. Os artigos de opinião sucederam-se. Os
editorialistas anunciaram o evento literário do ano. Os jornalistas
apresentaram o lendário Boualem Sansal como um puro-sangue árabe excepcional,
cujo galope literário iria conquistar as livrarias e conquistar a adesão dos
leitores.
Tudo foi preparado como se fosse um prestigiado Prémio da América
editorial. O hipódromo mediático já estava em ebulição. Os correctores
ideológicos não escondiam a sua confiança no seu garanhão lendário, Boualem
Sansal. O público era instado a admirar o cavalo literário Sansal antes mesmo
de ter assistido à corrida.
O problema é que, tanto no mundo das
livrarias como no do hipismo, as previsões nunca substituem o veredicto da
pista. Quando as portas das livrarias se abriram, o resultado revelou-se menos
glorioso do que o previsto. Apesar do alvoroço nas bancadas, dos incentivos dos
proprietários e dos anúncios entusiásticos dos comentadores, o anunciado
campeão Sansal não alcançou o sucesso comercial esperado. Os primeiros números
de vendas de La Légende caíram como o cronómetro na chegada: apenas 17 000
exemplares vendidos na primeira semana. Um número irrisório.
O mais engraçado é que o patrão da equipa de Bolloré parecia convencido de ter adquirido um garanhão de excepção. Nos salões da comunicação social, já se analisava o seu pedigree ideológico. Elogiava-se a sua linhagem intelectual de puro-sangue árabe, recém-naturalizado francês. Avaliavam-se antecipadamente os lucros que traria à editora Grasset e ao seu proprietário, Bolloré. Os cronistas especializados anunciavam uma corrida sem suspense. Alguns já tinham até entregue os louros ao vencedor Sansal antes mesmo de este ter ultrapassado o primeiro obstáculo. Mas logo nas primeiras voltas à pista, o senil craque Sansal ficou sem fôlego. O galope triunfal anunciado transformou-se num trote ofegante. O cavalo Sansal, apresentado como uma maravilha dos haras intelectuais, revelou rapidamente os limites do seu passo.
No caso de um livro comum, o resultado poderia parecer honroso. Mas não estamos aqui a falar de um cavalo da província a participar numa modesta corrida dominical. Estamos a falar do suposto craque do ano, do puro-sangue árabe Sansal, apresentado como a própria encarnação do sucesso editorial anunciado, do cavalo em que uma imensa máquina mediática tinha apostado tudo.
As apostas da equipa de Bolloré desmentidas pelas livrarias
A discrepância entre as expectativas e o resultado é precisamente o que transforma o fraco desempenho numa desilusão. Pois a aposta em Sansal não era apenas uma aposta literária. Era uma aposta política. Uma demonstração de poder. Uma forma de mostrar que um grupo mediático podia criar um fenómeno literário à vontade, tal como um criador produz um campeão de competições. Os estrategas desta operação pareciam convencidos de que bastava ocupar os ecrãs, os jornais, as rádios e as redes sociais para garantir a chegada vitoriosa do cavalo Sansal. Mas nunca se faz de um cavalo de raça um cavalo de corrida.
Seja como for,
a pista relembrou uma verdade elementar que qualquer apostador de corridas de
cavalos conhece: não é o barulho das bancadas que faz os cavalos correrem mais
depressa, muito menos o cavalo Sansal. Por frequentarem apenas os círculos
mediáticos comprometidos com a sua causa, Bolloré e os seus acólitos acabaram
por acreditar que toda a França apostava no cavalo Sansal. Confundiram os
aplausos do seu círculo com a adesão do público. Tomaram os elogios efusivos
dos jornalistas da «fachosfera» como prognósticos gravados em pedra.
Confundiram o barulho das bancadas mediáticas com o entusiasmo dos leitores e
os aplausos dos seus círculos com as vendas nas livrarias.
O caso Sansal revela,
assim, os limites de uma ilusão que se tornou frequente nos grandes grupos
mediáticos: acreditar que é possível transformar automaticamente a promoção
exagerada de Sansal num sucesso literário. Mas os leitores não são espectadores
passivos. Não seguem as recomendações dos meios de comunicação de Bolloré.
Podem observar o favorito anunciado, Sansal, e preferir apostar num outsider em
vez de no campeão designado pelas equipas mediáticas. Podem ouvir os auto-proclamados
especialistas nos programas de televisão e fazer ouvidos moucos às imposições
dos meios de comunicação. Podem até ignorar completamente a corrida literária
que os meios de comunicação de Bolloré apresentam como imperdível. O mais
marcante continua a ser, sem dúvida, o contraste entre a energia despendida em
torno do cavalo Sansal e o resultado obtido na pista comercial. Raramente um
cavalo literário terá beneficiado de tantos tratadores, promotores,
comentadores e encorajamentos antes mesmo do tiro de partida nas livrarias.
Raramente também a chegada terá desmentido tanto as profecias triunfalistas dos
«bookmakers» mediáticos.
A história recordará que a aposta Sansal foi menos um sucesso literário do que uma demonstração dos limites do poder mediático. O proprietário da cavalariça de Bolloré pensava possuir um craque capaz de pulverizar todos os recordes literários. Descobriu que não basta vestir um cavalo qualquer de puro-sangue para conquistar o Grande Prémio financeiro.
A pileca Sansal, fora dos circuitos habituais, na livraria
Os impérios mediáticos de Bolloré podem fabricar reputações. Podem
alimentar lendas sobre «A Lenda de Sansal». Podem até criar a ilusão de uma
vitória certa. Mas quando chega a hora da corrida, quando os leitores se tornam
os verdadeiros árbitros da prova, só uma coisa continua a contar: cruzar a
linha de chegada das vendas. E, desta vez, apesar das fanfarras, das trombetas
e do alvoroço nos estúdios de televisão e nas redacções, o cavalo favorito
Sansal não cumpriu as tão anunciadas promessas das livrarias.
Nos hipódromos, quando um favorito sobrevalorizado termina muito aquém das
expectativas, os apostadores falam de um «tocard» (falhado – NdT). A palavra é
cruel, mas descreve uma realidade simples: um cavalo cuja reputação foi
construída mais pelas previsões do que pelos seus desempenhos reais. O caso
Sansal assemelha-se a este contratempo. As «equipas» mediáticas de Bolloré
tinham anunciado um garanhão lendário. Os apostadores descobriram um cavalo
medíocre. O proprietário Bolloré sonhava com um triunfo no «Prix d’Amérique»
das livrarias. Acabou por ficar com um modesto lugar numa corrida literária
que, no entanto, estava certo de dominar. Como acontece frequentemente nos
hipódromos, o veredicto final não pertence nem aos comentadores nem às casas de
apostas. Pertence à pista. E a pista, desta vez, falou: o craque literário
Sansal anunciado não passava de um cavalo de segunda categoria sobrevalorizado.
É possível comprar uma editora. É possível comprar meios de comunicação. É
possível comprar campanhas promocionais. Mas não é possível comprar o
entusiasmo dos leitores para lhes vender o impostor literário Sansal.
Khider MESLOUB
Fonte: LE CANASSON
BOUALEM SANSAL : CHAMPION DES PLATEAUX TÉLÉ MAIS TOCARD DES LIBRAIRIES – les 7
du quebec

Sem comentários:
Enviar um comentário