sexta-feira, 1 de março de 2019

A Política Suicidária do Governo Português na Venezuela




Reproduzo o título que o meu saudoso camarada Arnaldo Matos – falecido a 22 de Fevereiro do corrente – decidiu dar a um conjunto de tuítes que publicou no dia 9 desse mesmo mês, em que denunciava a política de lacaios do governo de António Costa e Santos Silva, ao apoiar o golpe de estado que Espanha e os imperialistas americanos e europeus estavam a subvencionar quando decidiram acolher o seu fantoche, proclamado presidente interino, Juan Guaidó.

No supracitado conjunto de tuítes, o meu camarada Arnaldo Matos reproduzia as declarações de Luis Jorge Santos, Conselheiro das Comunidades Portuguesas, emigrado na Venezuela, numa entrevista que concedeu, nesse mesmo dia, ao semanário SOL :

“A decisão mais sensata do governo português era demitir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), o Secretário de Estado das Comunidades e o Embaixador da Venezuela”, sublinhando mais adiante que “...a decisão do governo em alinhar com Guaidó foi extemporânea e precipitada e vai ter consequências muito graves”. E está a ter como veremos mais adiante!

Os “frutos sinistros” que a “política estúpida do governo português de corte com o governo de Nicolás Maduro e de apoio ao presidente interino Juan Guaidó, fantoche dos americanos”, começaram a ser “colhidos”quase de imediato, conforme denunciava o meu saudoso camarada Arnaldo Matos, nos tuítes que publicou a 7 de Fevereiro naquela rede social.
Mormente a falta de “...medicamentos oncológicos prometidos pelo governo português aos nossos emigrados e luso-descendentes”, que deixaram de ser enviados para a rede de consulados na Venezuela – sobretudo os das especialidades mais caras – o que, segundo as associações portuguesas na Venezuela, já teria causado – à data – 35 mortes.

Ora, só gente acéfala e muito estúpida não perceberia que outras consequência se iriam seguir. E não foi preciso esperar muito tempo! Hoje mesmo, primeiro dia do mês de Março de 2019, o governo de Nicólas Maduro, através da sua vice-presidente Delay Rodriguez, anunciou, numa conferência de imprensa conjunta em Moscovo, com a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Sergei Lavrov, que como a “...Europa não garante o respeito pelos nossos activos...”, o governo venezuelano decidira transferir o Gabinete Europeu da petrolífera estatal PVDSA, até agora sediada em Lisboa, para Moscovo.

Alegou, ainda, que o objectivo era o de garantir a segurança desses activos, denunciando a vice-presidente Delcy Rodriguez o facto de os países capitalistas estarem a violar “...as suas próprias leis ao congelarem os bens da Venezuela que se encontravam em bancos ocidentais...”, acreditando que com esta e outro tipo de sanções fariam capitular o governo de Nicolás Maduro. A vice-presidente venezuelana chegou mesmo a considerar que tal prática constituía um autêntico “...roubo à mão armada...”.
 
Apesar do governo de António Costa ser um mero lacaio dos governos de Espanha e dos imperialistas ianques e europeus, impõe-se a imediata demissão do ministro acéfalo dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, devendo o governo português respeitar o princípio de que Portugal não se pode imiscuir ou interferir nos assuntos internos de outro país.

Deve igualmente ser denunciada a postura oportunista e vendida das muletas deste governo – PCP/BE e Verdes – que, apesar desta ingerência inqualificável, continuam a dar apoio a este governo de lacaios do imperialismo.

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