domingo, 7 de junho de 2026

[COMUNICADO] SOBRE AS GREVES DOS PROFESSORES DA COMUNIDADE VALENCIANA (ESPANHA)

 


[COMUNICADO] Sobre as greves dos professores DA COMUNIDADE VALENCIANA (ESPANHA)

 

Viva a luta da classe operária!

Em relação às greves dos trabalhadores da educação

Saudamos a greve por tempo indeterminado dos professores da Comunidade Valenciana, que teve início na segunda-feira, 11 de Maio, como parte da luta da classe operária por melhores condições de vida. As condições de trabalho do proletariado do ensino estão a deteriorar-se. Estamos sujeitos a jornadas de trabalho cada vez mais intensas, com rácios muito elevados de alunos por turma, com uma burocracia absurda ou com a precariedade e mobilidade das equipas e de muitos dos nossos colegas.

Mas, como proletários, temos de defender os nossos interesses de classe e fazê-lo a partir do nosso terreno, a partir da nossa independência. Os nossos camaradas são o conjunto dos trabalhadores, do ensino e de qualquer outro sector, incluindo os estudantes (futuros trabalhadores). É urgente romper com a lógica corporativa e estreita. Romper, por exemplo, com a separação da luta em diferentes comunidades autónomas. Nos últimos dois anos, houve lutas importantes em Madrid, nas Astúrias, na Cantábria e no País Basco. Neste momento, a luta desenrola-se na Catalunha e em Aragão, além da Comunidade Valenciana. Prevê-se agora uma greve por tempo indeterminado em Madrid no início do próximo ano lectivo. Além disso, nas creches está a decorrer uma greve muito importante, que é por tempo indeterminado em Madrid desde 7 de Abril. Somos uma classe que vive da luta e da sua unidade. A nossa força nasce da quebra das divisões corporativas e nacionais.

Da mesma forma, é necessário apelar à mobilização de todos os professores do ensino subvencionado e privado. São nossos colegas de classe. Eles não são responsáveis nem cúmplices do seu patrão, tal como nós não o somos do nosso, o Estado. Isto implica também romper com a lógica corporativa de todos os sindicatos que nos confina a ofícios, profissões e empresas (públicas e privadas). Significa aliar-nos a toda a nossa classe, o proletariado, submetido a uma deterioração geral das suas condições de vida motivada pela crise capitalista. Só procurando esse terreno, o do conjunto do proletariado, e não o da ideologia do público, é que a luta dos trabalhadores do ensino avançará.

Qual é o papel do ensino público no capitalismo? O seu papel é organizar a reprodução social do trabalho assalariado nesta sociedade. Trata-se de uma distribuição de diplomas para que os proletários possam competir, no futuro, no mercado de trabalho, vendendo a sua força de trabalho. Tudo isto enquanto se reproduz a ideologia dominante, se educa os estudantes na disciplina e na obediência social e se atribuem notas através de exames concebidos como baptismos burocráticos do saber. Como comunistas que lutamos por um mundo sem mercadorias, sem classes sociais e sem Estado, não temos nada a defender na educação pública.

Defender o «público» afasta-nos do nosso terreno de classe enquanto proletários (neste caso, do ensino). Aquilo a que chamam «público» não é mais do que o Estado, neste caso o Estado/patrão: aquele que nos contrata como proletários. Aquele que impõe a deterioração das nossas condições de vida. Aquele que nos explora com jornadas de trabalho cada vez mais insuportáveis, com uma burocracia que nos submete a protocolos absurdos. Não se trata apenas de um problema na Comunidade Valenciana, mas da clara deterioração salarial que temos vivido nos últimos anos. Estima-se que a perda média de poder de compra do corpo docente não universitário em Espanha desde a crise capitalista de 2010 seja de 22%, e tudo isto com base nos cálculos oficiais da inflação. O que demonstra que o problema não é estar no poder este ou aquele partido. Além disso, já sabemos que, pela mesma lógica capitalista, o custo de vida é muito superior.

Desde o início deste processo de greves, realizaram-se dezenas e dezenas de assembleias em muitos estabelecimentos de ensino secundário. Estas assembleias têm de ser o vector a partir do qual a nossa luta é orientada e alargada. Temos de ter paciência, sabendo que não é uma luta que terminará em breve. As assembleias têm de ser alargadas ao conjunto dos trabalhadores dos estabelecimentos, quebrando o corporativismo sindical dominante. Defendemos uma auto-organização que se estenda a todos os trabalhadores, que identifique a nossa luta com a deles: uma mesma luta contra um mesmo mundo, o capitalista, que deteriora as nossas condições de vida, tanto do corpo docente como dos alunos (basta pensar no enorme mal-estar que se manifesta na crise da «saúde mental») e nos conduz a um mundo dominado pela guerra imperialista.

Então, sim. Chega de esconder as nossas necessidades por trás da idealização do «público». Apresentemos as nossas reivindicações a partir de uma perspectiva de classe. Não há qualquer vergonha em exigir melhorias salariais e laborais. Não temos outro meio de subsistência além dos nossos empregos: fazemos parte do proletariado. Auto-organização e solidariedade para alargar a nossa luta, para generalizar o conteúdo do nosso combate contra este mundo que apodrece por dentro e nos ameaça enterrar dentro dele. 

                           Balance y Avante                 Grupo Barbaria

 

Fonte: https://barbaria.net/2026/05/31/octavilla-sobre-las-huelgas-de-los-trabajadores-de-la-ensenanza/?fbclid=IwY2xjawSSU_JleHRuA2FlbQIxMABicmlkETBYNkd4M1RSbGNZeUdGV1dJc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHkntghEb7LHpBBPZxxrKml0xuZ2if7XEejKAnXY09CLLKUP4ORDuvvZlGJnQ_aem_xS3SYNpOhFMe-9p2veWwLA

Este comunicado foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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