Como Resistir e Travar o
Impulso para uma Guerra Imperialista Generalizada?
Por um lado, o capitalismo mundial está a acelerar a sua marcha rumo a uma
guerra imperialista generalizada. A guerra no Irão e em todo o Médio Oriente,
desencadeada pelo capitalismo norte-americano, constitui um momento
particularmente significativo neste processo. Por outro lado, os ataques
generalizados às condições de vida e de trabalho — já severos e constantes,
pelo menos desde a crise financeira de 2008 — estão a intensificar-se. Isto
deve-se, em grande parte, aos preparativos para a guerra e, agora, à própria
guerra, particularmente a guerra no Irão e no Médio Oriente.
A espiral infernal rumo a uma guerra mundial mortal está a descontrolar-se.
O capitalismo mundial, a começar pelo capitalismo dominante dos EUA, é forçado
a acelerar o ritmo e o rumo para a guerra. Trump e Putin, para citar apenas
estes dois, são as figuras que cada potência imperialista — americana e russa,
respectivamente — escolheu para si. São um sinal dos tempos. As diatribes de
Trump são da mesma ordem que as proferidas por Hitler no seu tempo. E as suas
palhaçadas, na sua maioria sinistras, ultrapassam até as de Mussolini em termos
de absurdo. São, no entanto, carregadas de significado e tragédia. O tempo está
maduro para a guerra. O povo deve ser habituado à retórica nacionalista e de
ódio, por mais tola que seja.
Que não haja dúvidas: as outras
potências imperialistas — a China, em primeiro lugar, mas também as potências
europeias e asiáticas — não podem permitir que o capitalismo americano imponha
à força os seus termos e ditames económicos, políticos e imperialistas sem
tentarem resistir. Está em jogo a sua própria sobrevivência. Cada capital
nacional e cada burguesia luta até à morte para embarcar nos poucos botes
salva-vidas do navio antes que este se afunde.
Será possível travar a corrida para o abismo? A resposta à guerra que se aproxima não pode ser dada em nome da… paz. A guerra é intrínseca ao capital. As guerras mundiais — já vivemos duas — são meramente as expressões supremas das contradições do capital. São o resultado inevitável da sobreprodução geral de capital, forças produtivas e mercadorias, e da impossibilidade de absorver — de vender — essa sobreprodução no quadro das relações sociais capitalistas. Daí a luta pelos mercados através da concorrência económica acompanhada pela força militar, pelo imperialismo e, em última instância, pela destruição em massa através da guerra generalizada. A oposição à lógica da guerra não pode ser feita em nome do «ideal» da paz. Especialmente porque, sob o capitalismo, a paz é meramente um momento na preparação da guerra.
Anteriormente, os operários de todos os países eram chamados a pagar pelo impasse económico e pela crise do capitalismo. Hoje, além disso, estão a ser chamados a pagar a conta pela guerra que se aproxima— aquela para a qual se prepara, e agora a que já está aqui, a que se desenrola diante dos nossos olhos e derrama rios de sangue na Palestina, Líbano, Irão e Ucrânia. Os economistas alertam: a economia está a abrandar drasticamente, a inflação está a disparar e os despedimentos estão a aumentar de forma vertiginosa devido à guerra no Irão [1]. Em resumo, a classe operária também terá de pagar pelo bloqueio do Estreito de Ormuz; precisamente aquele que enriquece os especuladores—ou seja, os capitalistas—começando por Trump, Putin e as suas cliques, sem falar dos teocratas iranianos e da Guarda Revolucionária, e que lhes permite entregar-se à corrupção mais descarada e ao luxo mais obsceno.
A oposição real e potencialmente eficaz
à guerra em curso só pode surgir como resultado do proletariado afirmar os seus
interesses de classe no contexto do antagonismo material e histórico entre as
classes—entre a burguesia, que explora o trabalho do proletariado e beneficia
da redivisão imperialista do mundo, e o proletariado, que trabalha e é forçado
a ir para as trincheiras em prol da classe dominante. Há apenas uma maneira de
se opor à marcha em direcção à guerra hoje. A mesma que milhares de operários
numa greve massiva na Índia [2] estão-nos a mostrar
nestes dias, respondendo directamente às consequências materiais da guerra no
Irão sobre as suas condições de vida. O modo de luta para defender as condições
de vida e de trabalho dos assalariados, do proletariado. As condições dos operários
deterioraram-se ao longo de décadas, estão a ser ainda mais minadas hoje na
antecâmara da guerra e são atacadas directamente como consequência da guerra no
Irão. A crise capitalista e a guerra imperialista alimentam-se mutuamente à
custa do proletariado.
O lema de hoje: Não a sacrifícios pela guerra! Luta massiva e generalizada! Não à unidade nacional em torno do Estado capitalista e da burguesia nacional!
O lema de amanhã: O capitalismo
significa guerra—abaixo o capitalismo!
A Equipa Editorial, 22 de Abril de 2026
Notas:
[1] . Sem
mencionar os riscos de uma crise financeira ligada a bolhas especulativas que
se estão a acumular umas sobre as outras e estão todas ligadas a dívida
generalizada. A bolha do crédito privado poderá ser a primeira a rebentar:
credores preocupados estão cada vez mais a tentar recuperar o que investiram
nos fundos de investimento que a gerem. Além disso, os países do Golfo, que não
têm vendido o seu petróleo desde o bloqueio do Estreito de Ormuz, estão em
necessidade urgente de liquidez. Consequentemente, poderão sentir-se tentados a
vender os seus activos nos EUA — acções, obrigações e títulos do Tesouro.
Assim, poderemos em breve assistir a uma corrida de pânico em direcção ao
“dinheiro”, com todos a tentar limitar as suas “perdas” vendendo, causando
assim o rebentamento das bolhas. Não podemos elaborar mais aqui.
[2] .
Veja o artigo seguinte nesta edição (Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Vaga de lutas operárias na Índia
sobre as consequências económicas da guerra no Irão).
2014-2026 Révolution ou Guerre
Fonte: How
to Resist and Halt the Drive Toward Generalized Imperialist (...) - Révolution
ou Guerre
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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