sexta-feira, 8 de maio de 2026

Mais do que uma luta contra a extrema-direita, precisamos de uma luta contra o capitalismo

 


Mais do que uma luta contra a extrema-direita, precisamos de uma luta contra o capitalismo

Os problemas do Reino Unido não são exclusivos. Desde que o boom do pós-guerra chegou ao fim na década de 1970, todos os Estados do mundo enfrentam as consequências do «declínio do crescimento» (ou seja, das taxas de lucro). A participação dos operários no rendimento nacional em todos os países ricos tem vindo a diminuir há mais de quatro décadas. Serviços como o Serviço Nacional de Saúde (NHS/SNS), os orçamentos escolares, os benefícios sociais e as pensões — todos financiados por deduções dos salários dos operários — sofreram cortes. Empresas de capital financeiro que especulam nos mercados internacionais gerem as empresas de serviços públicos, o que significa que pagamos contas mais elevadas, enquanto os rios e as costas são poluídos com esgotos. Mas só se pensaria que «a Grã-Bretanha está arruinada» se se desse ouvidos às mentiras de grupos como o Reform ou o UKIP. Para eles, a causa é simples — a culpa é toda dos imigrantes e dos requerentes de asilo. Uma «solução» simples que qualquer tolo consegue compreender. E eles não desiludem.

A direita violenta, racista, anti-islâmica e anti-imigrantes, que ganhou terreno entre os defensores do «pequeno Reino Unido» no referendo do Brexit, abriu caminho para que a EDL (Liga de Defesa Inglesa) de Tommy Robinson se transformasse na «Unite the Kingdom». Graças à fácil mobilização através das redes sociais, para não falar da considerável ajuda financeira e do apoio público de plutocratas como Elon Musk, Robinson e companhia pretendem repetir a mobilização de Março, que reuniu dezenas de milhares de «activistas de extrema-direita» no centro de Londres, no dia 16 de Maio. Trata-se de uma provocação. Normalmente, é o dia em que os palestinianos realizam o seu protesto tradicional contra a fundação do Estado de Israel e a perda das suas terras em 1948, o Dia da Nakba (Catástrofe). Este ano, no entanto, a Polícia Metropolitana não respondeu ao seu pedido legal anual para realizar a marcha. Em vez disso, deu luz verde a Robinson e companhia para percorrerem o centro de Londres.

Muitos «anti-fascistas» bem-intencionados e aqueles que acreditam que o sistema está aberto a reformas já se estão a preparar para uma repetição da enorme manifestação de Março contra a extrema-direita em Londres. Como a história demonstra, não basta opor-se apenas aos racistas de extrema-direita, mas sim ao sistema que os gera. O capitalismo e os capitalistas não estão comprometidos com nenhum sistema político específico – podem passar da democracia para a ditadura à vontade (como aconteceu na Alemanha, em Itália e em muitos outros lugares entre as duas guerras). O que lhes for mais conveniente para controlar a classe operária.

A nossa luta é contra o capitalismo, o imperialismo e todos os lados nacionais nas guerras de hoje, onde quer que elas ocorram. Não estamos nem do lado da Ucrânia nem da Rússia; condenamos a agressão militar do imperialismo norte-americano contra o Irão, mas não apoiamos, por isso, o Estado iraniano. Também não apoiamos os massacres expansionistas sionistas em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano.

A crise do próprio sistema capitalista está a trazer-nos pobreza, desigualdade massiva e guerras bárbaras. Está na hora de acabar com isso.

O artigo acima é retirado da edição actual (n.º 75) do Aurora, boletim da Organização dos Operários Comunistas.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2026

Aurora é o jornal principal das TIC para as intervenções entre a classe operária. É publicado e distribuído em vários países e línguas. Até agora, tem sido distribuído no Reino Unido, França, Itália, Canadá, EUA e Colômbia.

Fonte: More Than a Fight Against the Far-Right, We Need a Fight Against Capitalism | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice





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