Mais do que uma luta contra a extrema-direita, precisamos de uma luta contra o capitalismo
Os problemas do Reino
Unido não são exclusivos. Desde que o boom do pós-guerra chegou ao fim na
década de 1970, todos os Estados do mundo enfrentam as consequências do
«declínio do crescimento» (ou seja, das taxas de lucro). A participação dos operários
no rendimento nacional em todos os países ricos tem vindo a diminuir há mais de
quatro décadas. Serviços como o Serviço Nacional de Saúde (NHS/SNS), os
orçamentos escolares, os benefícios sociais e as pensões — todos financiados
por deduções dos salários dos operários — sofreram cortes. Empresas de capital
financeiro que especulam nos mercados internacionais gerem as empresas de
serviços públicos, o que significa que pagamos contas mais elevadas, enquanto
os rios e as costas são poluídos com esgotos. Mas só se pensaria que «a
Grã-Bretanha está arruinada» se se desse ouvidos às mentiras de grupos como o
Reform ou o UKIP. Para eles, a causa é simples — a culpa é toda dos imigrantes
e dos requerentes de asilo. Uma «solução» simples que qualquer tolo consegue
compreender. E eles não desiludem.
A direita violenta,
racista, anti-islâmica e anti-imigrantes, que ganhou terreno entre os
defensores do «pequeno Reino Unido» no referendo do Brexit, abriu caminho para
que a EDL (Liga de Defesa Inglesa) de Tommy Robinson se transformasse na «Unite
the Kingdom». Graças à fácil mobilização através das redes sociais, para não
falar da considerável ajuda financeira e do apoio público de plutocratas como
Elon Musk, Robinson e companhia pretendem repetir a mobilização de Março, que
reuniu dezenas de milhares de «activistas de extrema-direita» no centro de
Londres, no dia 16 de Maio. Trata-se de uma provocação. Normalmente, é o dia em
que os palestinianos realizam o seu protesto tradicional contra a fundação do
Estado de Israel e a perda das suas terras em 1948, o Dia da Nakba
(Catástrofe). Este ano, no entanto, a Polícia Metropolitana não respondeu ao
seu pedido legal anual para realizar a marcha. Em vez disso, deu luz verde a
Robinson e companhia para percorrerem o centro de Londres.
Muitos «anti-fascistas»
bem-intencionados e aqueles que acreditam que o sistema está aberto a reformas
já se estão a preparar para uma repetição da enorme manifestação de Março
contra a extrema-direita em Londres. Como a história demonstra, não basta
opor-se apenas aos racistas de extrema-direita, mas sim ao sistema que os gera.
O capitalismo e os capitalistas não estão comprometidos com nenhum sistema
político específico – podem passar da democracia para a ditadura à vontade
(como aconteceu na Alemanha, em Itália e em muitos outros lugares entre as duas
guerras). O que lhes for mais conveniente para controlar a classe operária.
A nossa luta é contra o
capitalismo, o imperialismo e todos os lados nacionais nas guerras de hoje,
onde quer que elas ocorram. Não estamos nem do lado da Ucrânia nem da Rússia;
condenamos a agressão militar do imperialismo norte-americano contra o Irão,
mas não apoiamos, por isso, o Estado iraniano. Também não apoiamos os massacres
expansionistas sionistas em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano.
A crise do próprio
sistema capitalista está a trazer-nos pobreza, desigualdade massiva e guerras
bárbaras. Está na hora de acabar com isso.
O artigo acima é retirado da edição actual (n.º 75) do Aurora, boletim da
Organização dos Operários Comunistas.
Sexta-feira, 8 de Maio de 2026
Aurora é o jornal
principal das TIC para as intervenções entre a classe operária. É publicado e
distribuído em vários países e línguas. Até agora, tem sido distribuído no
Reino Unido, França, Itália, Canadá, EUA e Colômbia.
Fonte: More Than a Fight Against the Far-Right, We Need a Fight Against Capitalism | Leftcom
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
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