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Imagem retirada do Mural do Facebook de Núcleo de Odivelas da Associação Água Pública |
Para quem dúvidas subsistissem àcerca da política de Bloco Central que tem imperado, quer no governo central, quer no poder local,a questão da água – que há
uns tempos atrás já tinha dado lugar a um artigo sobre o tema da privatização
deste activo na cidade ribatejana do Cartaxo – é paradigmática dessa chaga que tem
constituído um permanente ataque aos interesses do povo e à liquidação e venda
de activos públicos estratégicos, a preços de saldo, a grandes grupos privados.
E, sempre e sempre, com o argumento economicista de não ser sustentável, no
quadro de uma profunda crise da dívida e do déficite, o estado ou o poder local
suportarem os custos de exploração que activos como a água provocam. Tal como aconteceu no passado recente na cidade do
Cartaxo, onde a aliança entre os correlegionários de Seguro do PS, de braço
dado com os correlegionários de Coelho do PSD, tentam impor a privatização da
água no concelho, também em Odivelas, em vésperas de eleições autárquicas e
contra a vontade da população da cidade, a Câmara Municipal de
Odivelas, lança concurso para a privatização da água, apoiada pela aliança
entre Susana Amador, actual presidente da CMO – que se recandidata apoiada pelo
PS - e Sandra Pereira, que se candidata nas próximas eleições autárquicas de 29
de Setembro, pelo PSD!
Desprezando de forma autocrática e
arrogante a vontade das populações deste importante concelho, PS e PSD advogam,
assim, um acto completamente desprovido de legitimidade democrática, visto que
nem sequer tiveram a coragem de colocar a debate público a questão.Pudera! A
avaliar pela imediata reacção do povo de Odivelas ao anúncio da aplicação deste
programa e desta decisão, este está mobilizado para lutar contra a efectivação
desta medida e, estamos certos, que a sua vontade será amplamente expressa nas
próximas eleições autárquicas, isolando partidos e personagens que tudo têm
feito para legitimar crimes desta natureza contra o povo.
A cidade de Odivelas e o concelho de que
é sede é um dos maiores pólos autárquicos do país. Esta decisão de privatizar
ou conceder a privados a exploração de um activo como a água insere-se na
estratégia mais global dos partidos que assinaram o memorando com a tróica
germano-imperialista de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem
dela retirou qualquer benefício.
Bem pode o PS, a nível central e a nível
autárquico, assegurar a
pés juntos que é contra a austeridade que
o governo de traição nacional Cavaco/Coelho/Portas tem imposto aos
trabalhadores e ao povo, bem podem verberar a agenda que o governo, a mando dos
grandes grupos financeiros e bancários que a tróica representa, tem levado a
cabo ao proceder ou propor a venda de activos e empresas públicas a preços de
saldo, que a prática está à vista. Caucionam a privatização da água, no Cartaxo
e em Odivelas, e onde mais se verá! Eis
um executivo camarário, controlado pelo PS, que perante um activo público da
importância estratégica e económica como o é a água, demonstra, a quem ainda
restassem dúvidas, que a cantilena até pode ser diferente da de Cavaco, Coelho
e Portas, mas a letra é a mesma.
Tal como a população de Odivelas, somos defensores do princípio de que a
água, bem como o saneamento, é um bem público, devendo a sua gestão ser pública
e não privada. Isto porque o direito à
água não se compagina com actividades e objectivos económicos que visam o
lucro e não a satisfação das necessidades do povo e de quem trabalha. Só uma
gestão pública, controlada pelas populações de cada concelho poderá assegurar
que os serviços públicos de água sejam universais e assentem nos princípios da
ética social, da solidariedade e da igualdade.
Os trabalhadores e o povo de Odivelas estão a demonstrar que já não
alimentam ilusões. Com a proximidade de eleições autárquicas, o povo saberá que
resposta dar aos partidos do arco do
poder que, na Câmara Municipal de Odivelas tentam privatizar a água e,a sós ou tacitamente unidos, nada mais têm feito do que satisfazer interesses contrários ao do povo
que dizem representar.
Lutar contra a privatização da água é lutar pela preservação de um activo
que pertence ao povo, é lutar por garantir o acesso universal, democrático e
justo a todos os que desse activo necessitarem, independentemente da sua
condição. É uma luta que deve congregar todas as forças e elementos, com ou sem
partido, que pugnem por esse princípio. É, enfim, lutar pela preservação dos
activos e empresas públicas, absolutamente vitais à prossecução de uma
estratégia económica que satisfaça os interesses do povo e de quem trabalha e
não de quem, sacrificando-os no altar de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa,
pretende colocar o povo e o país de joelhos perante quem os pretende subjugar e
colonizar.
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