Um partido
fascista não se reforma: dissolver o Rassemblement national?
7 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub .
Em França, o julgamento em recurso dos
dirigentes da Rassemblement national não é apenas um caso judicial. É um teste
moral para a sociedade francesa.
Durante mais de dez anos, milhões de euros de fundos públicos europeus foram
desviados para financiar a estrutura de um partido político. Dinheiro destinado
ao trabalho parlamentar foi usado para pagar militantes permanentes. Foram
assinados contratos fictícios. Regras elementares foram violadas. E tudo isso,
segundo a acusação, sob a autoridade directa de Marine Le Pen.
Não se trata de uma tontice. Não se trata de um erro administrativo. É uma
fraude organizada. O Ministério Público fala de um sistema «pensado e
estruturado». Descreve um mecanismo implementado para «optimizar» o uso dos
fundos europeus em benefício exclusivo do partido. Noutras palavras: roubar
legalmente o dinheiro do contribuinte e depois gritar perseguição quando a
justiça actua.
Este funcionamento, metódico, hierarquizado, oculto, deve-se menos à vida política normal do que a práticas mafiosas. Uma verdadeira máfia política foi instaurada no próprio coração de um partido supostamente respeitável: uma rede organizada para captar fundos públicos, desviá-los e reciclá-los em benefício de interesses profissionais privados.
Esta é, portanto, a realidade do chamado «partido anti-sistema»: um aparelho
que prospera graças ao dinheiro público que afirma denunciar, utilizando métodos
dignos do grande banditismo.
Ironia da história, o Rassemblement National passa o tempo a acusar os pobres e
os imigrantes de fraudar o dinheiro público. No entanto, os verdadeiros
fraudadores são eles. Aqueles que desviaram milhões de euros são os dirigentes
do RN. Aqueles que saquearam os fundos europeus são os quadros do RN. Os que
dão lições de integridade não passam de uma máfia política apanhada em
flagrante.
Em qualquer sociedade digna desse nome, um tal caso levaria a uma desqualificação imediata. Os responsáveis seriam banidos da vida pública. O seu partido seria atingido de indignidade.
Mas em França, país onde a impunidade dos poderosos se tornou uma segunda
natureza, os líderes implicados posicionam-se já como vítimas. Denuncia-se uma
«conspiração de juízes», fala-se de «intriga política», grita-se em defesa da
democracia – essa mesma «democracia» burguesa que permite ao RN perpetuar a sua
política de captação de dinheiro público, entre subsídios e fraudes repetidas.
O RN enriquece assim duplamente à custa dos contribuintes.
No entanto, os factos são teimosos. Milhões de euros desapareceram. Assistentes
trabalharam para o partido e não para os deputados. As provas de trabalho
parlamentar efectivo são inexistentes. Os testemunhos são esmagadores. Tudo
isto descreve um modo de organização tipicamente mafioso: opacidade, contratos
falsos, cadeias.hierárquicas ocultas, apropriação indébita de fundos públicos e
solidariedade entre clãs para proteger os responsáveis.
O partido Rassemblement National , que se diz um exemplo de integridade para o mundo, está a ser desmascarado pela sua própria duplicidade. A questão, portanto, não se resume a Marine Le Pen. É muito mais ampla: pode um partido político que desvia sistematicamente fundos públicos, agindo como uma máfia eleitoral, continuar a existir como se nada estivesse errado? A resposta deveria ser óbvia.
Uma verdadeira "democracia" não
pode simplesmente condenar alguns indivíduos enquanto deixa intacta a máquina
que possibilitou a fraude. Sancionar pessoas sem desmantelar a organização
seria como tratar os sintomas sem curar a doença. E a doença aqui é profunda:
trata-se de um sistema mafioso institucionalizado dentro de um partido liderado
pela família Le Pen há mais de meio século.
A inelegibilidade dos líderes é necessária. Mas não basta. Quando uma estrutura política opera como uma organização criminosa de desvio de dinheiro, quando adopta métodos comparáveis aos de uma máfia, a única sanção coerente é a sua dissolução completa e absoluta. A dissolução do Rassemblement National deveria ser o desfecho lógico deste escândalo.
O que se diria de uma associação reconhecida culpada de fraude maciça? Fechar-se-ia. O que se faria de uma empresa condenada por fraude organizada? Dissolver-se-ia. Porque é que um partido político que utiliza métodos mafiosos deveria ser poupado? Porque grita mais alto? Porque ameaça? Porque instrumentaliza o eleitorado popular que alega defender?
Ou porque a burguesia francesa precisa desta máfia política como espantalho
conveniente, como repelente eleitoral, como ferramenta de chantagem permanente
para dirigir os eleitores para os partidos do sistema em nome da alegada "defesa
da democracia" ameaçada pelo fascismo?
O povo trabalhador, ele, conhece uma outra realidade: tolerância zero para os humildes, indulgência máxima para os poderosos. Um desempregado que frauda alguns euros é punido sem piedade. Um partido que desvia milhões com métodos mafiosos exige desculpas. Alguns meios de comunicação, nomeadamente a CNews, chegaram mesmo a transformar esses políticos fraudadores em mártires. Que indecência. Esta hipocrisia deve acabar.
Um movimento político que construiu a sua ascensão sobre a mentira, a fraude e
práticas dignas de uma máfia não tem qualquer legitimidade para governar. Não
se trata de vingança. Trata-se de salubridade pública. Porque um partido
delinquente, gangrenado por comportamentos mafiosos, não se reforma: ele
dissolve-se.
E enquanto a França recusar esta evidência, continuará a afundar-se na
impostura «democrática» onde os ladrões do topo, organizados como uma máfia,
dão lições de moral aos de baixo.
Khider MESLOUB
Fonte: Un
parti fasciste ne se réforme pas: dissoudre le Rassemblement national ? – les 7
du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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