quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Israel espalha pesticidas tóxicos sobre aldeias no sul do Líbano: um crime que ameaça os solos e a população


Israel espalha pesticidas tóxicos sobre aldeias no sul do Líbano: um crime que ameaça os solos e a população

11 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por  Amani Al-Maqhour  (Líbano)

No âmbito das suas repetidas violações e crimes contra o Líbano, a sua soberania e o seu povo, o inimigo terrorista israelita espalhou pesticidas químicos sobre aldeias fronteiriças do sul há dois dias. Esta acção agrava o seu historial de violações e crimes, passando do domínio militar para o domínio dos crimes ambientais e humanitários, numa tentativa sistemática de destruir a vida na região.

«Um crime ambiental e sanitário», foi assim que o presidente libanês Joseph Aoun resumiu as acções do inimigo. De acordo com informações obtidas pelo jornal Al-Akhbar, o inimigo terrorista israelita utilizou glifosato nas operações de pulverização de pesticidas realizadas no início da semana, conforme revelaram os resultados dos testes realizados pelo exército libanês e pelas forças da FINUL no sul do Líbano.

O que é o glifosato?

O glifosato é um herbicida amplamente utilizado em grandes quantidades em todo o mundo. Além de ser usado para combater ervas daninhas, também serve para destruir muitas espécies de árvores. De acordo com engenheiros agrónomos entrevistados pelo Al-Akhbar, a área pulverizada com herbicidas pela aviação sionista inimiga deve começar a amarelar em poucos dias, com as árvores e a vegetação a morrerem em 14 dias, no máximo. As folhas absorvem primeiro o glifosato, que depois se infiltra nas raízes, provocando a morte e o completo definhamento da planta.

Os herbicidas na guerra

Este acto não é um simples facto técnico, mas está profundamente enraizado na doutrina da guerra moderna, onde a própria natureza é transformada em arma. Os próprios Estados Unidos procuraram aniquilar os seus adversários utilizando tais ferramentas devido aos seus efeitos a longo prazo. Por exemplo, durante a Guerra do Vietname, entre 1955 e 1975, os Estados Unidos utilizaram o Agente Laranja (um herbicida químico), que provocou malformações congénitas e doenças crónicas cujos efeitos persistiram durante décadas.

Consequentemente, a Convenção sobre a Proibição do Uso Militar ou Hostil de Técnicas de Modificação Ambiental foi adoptada pelas Nações Unidas em 1976 e entrou em vigor em 1978. Essa convenção proíbe o uso de qualquer tecnologia militar que cause danos significativos ou duradouros, como foi o caso no Vietname.

Além disso, o artigo 8.º, n.º 2, alínea b), ponto 4, do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional estipula que «lançar intencionalmente um ataque sabendo que isso causará perdas de vidas humanas ou ferimentos involuntários de civis, ou danos a civis, ou danos significativos, duradouros e graves ao ambiente natural, manifestamente excessivos em relação à vantagem militar global concreta e directa esperada, constitui um crime de guerra se não for proporcional à vantagem militar esperada». (sic)


O surgimento dos direitos de terceira geração, reconhecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2022 como direitos universais, também chamados de direitos de solidariedade, abrange os direitos relativos ao ambiente, ao desenvolvimento sustentável e à paz, e visa garantir uma coexistência harmoniosa entre a humanidade e o ambiente. O que aconteceu no sul do Líbano constitui nada mais nada menos do que uma violação dos direitos desta geração, nomeadamente o direito a um ambiente saudável. Poluir o solo e a água equivale a condenar à morte as populações locais e constitui uma violação do Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais de 1966, em particular dos direitos à alimentação e à saúde.

Talvez não seja a primeira vez que o inimigo sionista/terrorista pulveriza herbicidas nas zonas florestais do Líbano, mas é a primeira vez que esta actividade aérea é documentada, segundo engenheiros agrónomos. Consequentemente, a sua previsão de que as chuvas recentes, ocorridas imediatamente após a pulverização, poderiam atenuar o impacto do glifosato não é tranquilizadora, pois este produto requer duas a seis horas de tempo seco após a aplicação para agir nas árvores e atingir as suas raízes.

Amani Al-Maqhour

Beirute, le 05 de Fevereiro de 2026

(Artigo publicado em ASSAWRA)

 

Fonte: Israël épand des pesticides toxiques sur des villages du Sud Liban: un crime qui menace les sols et la population – les 7 du quebec 

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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