quarta-feira, 27 de maio de 2020

A 4ª guerra mundial já começou ? (2ª parte)



por Robert Bibeau

Na semana passada demonstrámos, com o apoio de números, que o império Americano-Atlântico se estava a afundar económicamente criando as condições objectivas para a sua subjugação através de uma quarta Guerra mundial inevitável: https://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.com/2020/05/a-4-guerra-mundial-esta-em-marcha.html?fbclid=IwAR2CwKNuac0KAO9c56Q7wnXkIUe1USS5UlqTYvndIX-UZn37ieq48nq0W08

A ex-hegemónica superpotência americana e os seus aliados enfraquecidos travam uma guerra a prazo, uma guerra perdida antecipadamente, contra o desafiante - a Aliança de Xangai, liderada pela China. À “autoestrada da seda” chinesa, projecto de investimento multimilionário (milhares de biliões de dólares em trinta anos),  a América opõem as plataformas digitais da Gafam (Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft), que representam 50% do valor acumulado das grandes corporações do Dow Jones na Wall Street. O que o Tio Sam não imagina ainda é que os seus gladiadores se associarão ao vencedor no decurso da batalha que ele não pode ganhar, como não puderam ganhar as potências do Eixo ou o Império Soviético à potência americana ascendente que produzia naquela época metade dos produtos industriais do planeta.

Internautas um pouco ingénuos argumentaram que ainda não haviam visto passar a terceira Guerra mundial e que, até à data, nenhuma bomba nuclear havia destruído o Capitólio, o Eliseu, o Kremlin ou Pequim, o que, para eles marcaria o início de uma nova guerra mundial ...

A Cortina de ferro e a Guerra Fria

O mundo está a mudar como o demonstram os eventos do 11 de Setembro, e como o ilustra a pandemia viral e o confinamento policial mortal. A Terceira Guerra Mundial foi anunciada num discurso histórico em 1946 pelo criminoso de guerra Winston Churchill. Nesse discurso, uma verdadeira declaração de guerra, Churchill anunciou que o Ocidente imperialista iria erguer uma Cortina de ferro e organizar o bloqueio económico total contra o império soviético. Deve-se lembrar que em Yalta (1945) os dois campos vitoriosos imperialistas da Segunda Guerra Mundial colocaram a mesa para a Terceira Grande Guerra para partilhar o mundo, incluindo os impérios alemão e japonês derrotados, e os restos dos impérios francês e britânico decrépitos. A partir daquele dia macabro, os dois campos imperialistas entraram em conflito sob a terra, no mar, no ar e no espaço. O confronto foi total e global: militarmente, às vezes directamente (mísseis cubanos, Coreia), às vezes através de exércitos afiliados e mercenários patrocinados por ambos os lados (Al-Qaeda vs Mujahideen).

Essa guerra militar, de "baixas intensidades" (sic), foi duplicada com uma feroz guerra comercial, tecnológica, jurídica, diplomática, social e política de que a humanidade conheceu o resultado em 26 de Dezembro de 1991 pelo colapso do império soviético e o desmantelamento da URSS. Os historiadores burgueses, humoristas antes da época, designaram essa guerra mundial mortal, da qual os países do terceiro mundo pagaram os custos sacrificando milhões de combatentes e milhões de civis inocentes (Coreia, Vietname, Cambodja, Laos, Índia, China, Bangladesh, Paquistão, Médio Oriente, Angola, Moçambique, Argélia, Cuba, Nicarágua, Chile, América Latina, etc.) por Guerra Fria (sic).

Após o colapso de um dos beligerantes, especialistas, apologistas, cientistas geopolíticos e outros escribas encartados proclamaram que a partir de agora: "o mundo nunca mais será o mesmo. Entrámos no mundo unipolar do caos (sic). A humanidade será governada por um novo paradigma (resic) "e outros disparates bizarros. Seguiu-se um período de transição. O Império Americano bombeou o torso e continuou a sua descida aos infernos da deslocalização industrial, ao inflacionar dos seus défices catastróficos, concomitantemente com a desvalorização da sua moeda fetiche, ilustração da sua falência económica sob o "paradigma" capitalista globalizado. Ilustrámos abundantemente essa falência económica no nosso editorial anterior: "A 4ª Guerra Mundial começou? (1ª parte)”

Assim vai a economia, assim vão os serviços de saúde

Devemos lembrar que assim vai a economia – assim vai a política, a ideologia, a sociedade, o sistema de saúde, o sistema jurídico, a diplomacia e a guerra. Sob o modo de produção capitalista, o capital nunca sacrificará o lucro – o seu sangue e a sua vida - para privilegiar a vida e a saúde dos cidadãos, seja o que for o que pensa a pequena burguesia infectada. Se você espalhar essa ilusão, é porque o sistema o enganou.

Existe, portanto, uma enguia sob o rochedo quanto ao início desta 4ª Guerra mundializada - inter-imperialista – comunicação social vendida e plutocratas desvairados que agitam este slogan: "É melhor paralisar a economia, perder lucros, atirar milhões de trabalhadores - produtores de mais-valia para a rua; é melhor fazer passar fome milhões de trabalhadores do que deixar morrer um paciente com coronavírus! ” Não são esses desajeitados, ricos com biliões de dólares, que atiçaram as guerras locais e que encheram as nossas vidas diárias desde o crash de 2008 e a eleição de Donald Trump que estão à frente do império moribundo? Não foram esses plutocratas que impuseram as políticas de austeridade que desmembraram os serviços hospitalares? Não há diferença entre o mundo de ontem e o mundo de hoje ... entre o "paradigma do caos" de ontem e o de hoje. Como esse mundo pós-Guerra Fria e 11 de Setembro parece confundir-se com o seu antecessor! Podemos apostar sem o risco de nos enganarmos que o mundo que se seguirá a este confinamento policial mortal será como o que existia antes da pandemia.

Quem beneficia com o crime?

Para entender esse paradoxo em que criminosos de guerra fingem sacrificar os seus lucros para salvar vidas, sugerem-me que tente resolver o dilema: "Quem beneficia com o crime?" Desconfio desta questão, porque ela insinua que tudo isso procede de uma vontade maléfica - reflectida - planeada - conspiratória, manipulada por uma seita de plutocratas que conduziriam a dança desde o seu início, não sendo esse começo a aparição do Covid-19 (escapado ou disseminado por laboratórios de pesquisa militar de novas armas). A 4ª Guerra Mundial começou com a crise financeira de 2008 - seguida pela eleição de Donald Trump à cabeça do decadente Império Atlântico. Donald Trump foi impulsionado para este posto como a resposta do grande capital americano a sua debandada instável. Explicámos isso no livro “Democracia nos Estados Unidos. Mascaradas eleitorais ”(2018)( La démocratie aux États-Unis. Les mascarades électorales» https://les7duquebec.net/archives/231044), por que e como Trump, o fantoche, foi a última esperança para impedir o desenvolvimento mecânico das contradições antagónicas no modo de produção capitalista moribundo.

É necessário relembrar que o principal mecanismo de um modo de produção é a contradição antagónica que opõe o desenvolvimento dos meios de produção (incluindo as forças produtivas assalariadas) e as relações sociais de produção, que num dado momento também são muito estreitas, demasiado restritas e incapazes de conter e de permitir que floresçam os meios de produção e as forças produtivas modernas, digitalizadas e robotizadas.

É neste contexto, transcendendo as conspirações e os conspiradores, liderados por contingências económicas - políticas - sociais que essa pandemia voluntária ou acidental ocorreu - não é importante do ponto de vista da luta de classes e da análise histórica das classes, uma vez que, sob um modo de produção dominante, é a classe dominante que assume a responsabilidade pelo desenvolvimento das relações sociais de produção. Assim, se durante esta pandemia foi necessário impor confinamento policial, foi para reduzir a pressão sobre o sistema hospitalar vítima da austeridade imposta pelo sistema económico e transmitida pelos capitalistas falidos, e toda a compaixão do mundo não vai mudar nada.

Compreender e explicar esta 4ª Guerra mundializada

Como explicar esta 4ª Guerra mundializada? Ela apresenta-se de formas diferentes: militar convencional em muitos lugares - guerras contra auto-proclamados jihadistas, guerras diplomáticas, guerras comerciais e bloqueio financeiro, guerras jurídicas para ratificar ou revogar tratados, guerras sociais para subjugar os revoltados, guerras políticas para eleger políticos corruptos, guerras monetárias para salvar o dólar desvalorizado ou para o substituir pelo cobiçado padrão ouro, guerra bolsista e financeira, guerra virológica e bacteriológica, guerra digital para impor o 5G e retorno à ameaça de guerra nuclear. https://www.msn.com/fr-ca/actualites/monde/washington-%c3%a9voque-un-projet-d-essai-nucl%c3%a9aire-le-premier-en-28-ans/ar-BB14uY9r?ocid=msedgdhp

Nesta fase, o que é que empurra o sistema económico para um confinamento policial assassino e eu ousaria dizer suicida, pelo menos na aparência? O que precipita o sistema em direcção ao seu colapso não é esta pandemia limitada (5 milhões de infectados em 6 meses de contágio em 7,7 biliões de indivíduos). Vítimas com as quais gozam os bilionários e os seus representantes políticos. O que levou à intensificação desta guerra imperialista que não revela o seu nome é o uso de uma arma virológica letal (insidiosa e invisível) e, acima de tudo, do confinamento policial - drástico ao qual a população se submeteu com complacência (!), tolerando mesmo ser registada, espionada, denunciada, verbalizada, reprimida e presa.

É fácil entender a submissão das populações paralisadas - programadas - às tácticas de confinamento policial - dada a propaganda histérica sofrida e a iminência da ameaça viral invisível. Essa adesão durará enquanto o desemprego em massa, os despejos, as falências pessoais e a fome em massa não tiverem sido muito duras em todos os continentes e não apenas na Índia, na Ásia e em África como de costume. Caberá a nós expor ao proletariado subjugado que essa miséria global, mundial e generalizada, não é fruto do destino, mas a consequência fatal do fracasso de um sistema económico inadequado - irrecuperável - não reformável - que o homem deve abolir para construir um novo, adaptado aos imensos meios de produção que edificámos colectivamente.

Por outro lado, é difícil entender e explicar o silêncio de sectores económicos inteiros, que terão dificuldade em recuperar desse confinamento mortal, como o turismo, a restauração, os hotéis, as linhas de cruzeiro, os operadores turísticos, o transporte aéreo, os imóveis, os seguros, o automóvel (1/4 da economia global), a aeronáutica, a aeroportuária, os portos, a confecção têxtil, etc., etc. para não mencionar a terrível recessão económica que atingirá todos os sectores de actividade e todas as classes sociais, os proletários e seus patrões.

Deve-se admitir,  no entanto, que cada grande guerra mundial aporta as suas consequências, as suas restrições, as suas depreciações e as suas depredações que toleram os sectores económicos capitalistas, e que suporta a carne para canhão proletária. Novas armas virológicas letais matam o excesso de capital variável (funcionários) sem destruir o capital constante necessário (máquinas caras e robôs digitais). Em cada guerra, essa destruição provocou a reconversão e reconstrução do modo de produção capitalista em torno de um novo eixo de produtividade e lucratividade, o que a esquerda-esquerda chama pomposamente de um novo "paradigma" (sic). A história repete-se, às vezes por meandros estranhos.

Finalmente, "Quem beneficia com o crime?" O regime económico capitalista como um modo de produção que, por destruições inimagináveis - terá restaurado a virgindade para relançar a exploração e a alienação do trabalho assalariado, a única fonte de mais-valia, o sangue  vivificante do capital vampírico.

 Que fazer então ?
Devemos interrogar-nos sobre a origem chinesa ou americana do Covid-19? Devemos procurar um bode expiatório: Macron, Trump, Xi Jin Ping, Merkel ou Trudeau? Seguramente que não! Se fosse tão fácil sair dessas crises económicas endémicas e guerras sem fim quanto votar num novo pateta, saberíamos há muito tempo, já que nos pediram para votar fútil durante anos. Esta nova guerra mundializada oferece aos proletários a oportunidade de se distanciarem do estado fetichista adulado pela pequena burguesia empobrecida. Devemos parar de confiar no estado fetiche dos ricos. Ele deve ser desconstruído e, assim, desarmar os plutocratas e os seus lacaios, abolir as suas atribuições e destruir as suas funções. Depois disso, um mundo inteiro terá que ser construído, não uma pseudo-Nova Ordem Mundial baseada nas mesmas leis do capital ... mas um Novo Mundo sem capital. https://les7duquebec.net/archives/254560



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