França: Jack Lang, ou a protecção estatal patenteada
de bandidos burgueses
13 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub
A República Francesa gosta de se
apresentar como um templo da virtude, onde a lei burguesa se aplica
indiscriminadamente a todos. Mas basta uma figura proeminente ser apanhada em
flagrante delito para que essa fachada desmorone. O caso Jack Lang oferece mais uma demonstração
impressionante disso. Veja este artigo: https://www.pleinevie.fr/loisirs/celebrites/je-prefere-dire-la-verite-a-86-ans-jack-lang-devoile-le-montant-de-sa-retraite-et-il-est-indecent-191039.html
Alvo de uma investigação do Ministério Público Financeiro Nacional pelas suas ligações duvidosas com o predador sexual Jeffrey Epstein (o filantropo conhecido por atrair jovens em situação de vulnerabilidade) e por supostas irregularidades financeiras, o ex-ministro socialista teve que renunciar abruptamente à presidência do Instituto do Mundo Árabe (um instituto criado para promover o entendimento entre os povos, que, sob sua liderança, se transformou num ponto de encontro social dedicado a reunir figuras proeminentes cuja respeitabilidade havia diminuído). Ao mesmo tempo, foram abertos processos por "fraude fiscal agravada e lavagem de dinheiro" contra ele e a sua filha, Caroline.
Nada neste caso é mero detalhe
administrativo. Trata-se de suspeitas sérias e fundamentadas de transações
financeiras obscuras, vantagens indevidas e associações comprometedoras com um
dos criminosos mais notórios das últimas décadas. Noutras palavras, para
qualquer cidadão comum, a justiça já teria entrado em colapso: rusgas policiais
ao amanhecer, detenções humilhantes, rígido controle judicial, até mesmo prisão
preventiva, tudo acompanhado de um linchamento mediático em larga escala.
Mas Jack Lang não é " um qualquer ". E é aí que começa a farsa sinistra. Porque na França real, a França dos privilégios de casta e da cumplicidade discreta, as regras mudam radicalmente quando se trata de um representante proeminente da burguesia política. Em vez de algemas e celas, ele recebe o tratamento VIP da leniência institucional. Pior ainda: Jack Lang, implicado em graves crimes financeiros, beneficiou, juntamente com a sua filha, de forte protecção policial.
Assim, duas pessoas suspeitas de fraude fiscal
agravada são tratadas não como réus, mas como indivíduos a serem protegidos.
Escoltadas, protegidas, mimadas pelas autoridades. O mundo de cabeça para
baixo: a polícia a servir aqueles que deveria estar a monitorizar. A interrogar.
A processar. E, se necessário, a prender.
Essa protecção concedida a indivíduos sob
investigação criminal diz tudo sobre o verdadeiro regime que governa a França:
uma oligarquia coesa, unida em solidariedade consigo mesma, pronta para se
defender quando um dos seus vacila.
O Estado francês: um escudo para as
elites corruptas tanto da esquerda quanto da direita.
Enquanto os desempregados são perseguidos
por cada euro recebido indevidamente, enquanto os Coletes Amarelos são
mutilados por exigirem um mínimo de justiça social, enquanto pequenos
sonegadores de impostos são esmagados pelo governo, Jack Lang continua a ser
tratado como um servidor honrado do Estado. Privilégios para alguns, repressão
para outros. Esta é a verdade nua e crua da "República exemplar": um
sistema de justiça de duas classes. Para os pobres, os que vivem em situação
precária, os anónimos: suspeita constante, intimações humilhantes, às vezes
prisão e, sempre, estigmatização.
Para os poderosos: atrasos intermináveis,
acordos discretos, protecção institucional e deferência constante. Os primeiros
— anónimos, precários, sem redes de contactos — são considerados culpados mesmo
antes do julgamento. Os últimos permanecem respeitáveis até serem formalmente
acusados, às vezes até mesmo após a condenação.
O caso do ex-presidente Nicolas Sarkozy
ilustra isso de forma marcante. Condenado diversas vezes pelos tribunais,
principalmente por corrupção e tráfico de influência, ele de facto recebeu
penas de prisão. Mas essas penas foram modificadas, estendidas, atenuadas e
transformadas em prisão domiciliar com monitorização electrónica. Enquanto um
cidadão comum teria enfrentado prisão imediata, o ex-chefe de Estado beneficiou
de todas as concessões e acomodações possíveis, de todas as tácticas de
protelação imagináveis e de todos os privilégios reservados aos poderosos.
Ainda mais notável é que, mesmo condenado, ele continuou a ser recebido,
homenageado e tratado com extrema delicadeza pelas mais altas autoridades
políticas. Ministros visitavam-no, estúdios de televisão permaneciam abertos
para ele e as homenagens oficiais continuavam.
Dois sistemas de justiça, dois
tratamentos, dois mundos. De um lado, o cidadão comum preso sem hesitação por
uma infracção menor. Do outro, o nobre condenado cercado de cortesias e
consideração. Esta é a regra não escrita da República Francesa: clemência para
os que estão no topo, severidade para os que estão na base.
O escândalo, portanto, não se resume
apenas às supostas acções de Jack Lang e sua filha. Trata-se, sobretudo, de um
sistema inteiro que se mobiliza para proteger os seus próprios membros.
Este
caso revela a brutal realidade da ordem social francesa: um sistema de justiça
baseado em classes, feito sob medida para poupar criminosos de colarinho branco
e punir impiedosamente os delinquentes comuns.
Sob o verniz republicano dourado da França
burguesa, esconde-se uma máquina implacável: a lei para os humildes, a
clemência para os ricos; o cassetete para o povo, a protecção para os
poderosos. Esta é a verdadeira França: uma fortaleza onde o Estado dos ricos
vigia a sua própria elite acima de tudo.
Khider MESLOUB
Fonte: France : Jack
Lang ou la protection Étatique patentée des voyous bourgeois – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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