A diplomacia francesa é mais sionista do que Israel, a
entidade sionista e terrorista.
18
de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub e Robert Bibeau
Após os eventos de 7 de Outubro de 2023,
Emmanuel Macron viajou para Israel . De Telavive, o presidente francês
propôs "mobilizar a coligação internacional contra o ISIS para combater o
Hamas " . Este auto-proclamado
líder dos exércitos sionistas... este arrivista pediu inequivocamente a
destruição total do movimento de resistência palestiniano, apresentado como um
" inimigo absoluto da civilização ".
De 7 de Outubro à retórica de
erradicação, extermínio e genocídio.
Com essa declaração, Macron não está simplesmente a expressar solidariedade diplomática ao regime fascista israelita. Ele está a estabelecer uma equação política com consequências de longo alcance, colocando o Hamas em continuidade directa com o Estado Islâmico, que, além disso, o imoral Estado francês apoia na Síria ocupada pelos
jihadistas de Al-Julani .Macron situa o conflito israelo-palestiniano no âmbito
da guerra imperialista mundial contra o
terrorismo, financiada pelas potências ocidentais, que visa a
erradicação/extermínio de um povo e não a resolução política da
colonização/ocupação da Palestina .
Essa retórica não é neutra. Ela desloca o
conflito do âmbito do direito e da negociação para o da aniquilação militar.
Prepara as mentes para a ideia de que nenhum limite pode impedir o objectivo
declarado: eliminar o adversário palestiniano representado pelo Hamas. Assim,
já em Outubro de 2023, mais sionista do que os próprios sionistas, a França de
Macron falava da "destruição" do Hamas. Para Macron, o povo palestiniano
deve ser erradicado.
Paris é mais agressiva que Telavive…
pelo menos em palavras.
Contudo, dado que, na
lógica israelita e ocidental, a expressão "destruir o Hamas" é usada
deliberadamente sem distinção entre organização armada e população civil, ela
deixa de se referir à neutralização de um grupo armado e torna-se, na prática,
uma guerra total travada contra todo um território e os palestinianos que ali
vivem. De facto, a partir do momento em que Gaza é apresentada como inseparável
do Hamas, a linha divisória entre alvo militar e sociedade civil desaparece
automaticamente.
Um sinal revelador do alinhamento de Paris
com Telavive foi o facto de a França ter sido um dos primeiros países a usar o
termo "erradicação" do Hamas, enquanto o governo israelita falava
oficialmente em "objectivos militares" e na "neutralização"
de uma ameaça à segurança. Paris adoptou desde o início um vocabulário de
aniquilação, uma linguagem de guerra total, que Telavive, pelo menos nas suas
comunicações iniciais, formulou com maior cautela estratégica.
Criticar Israel: um tabu diplomático
francês
Fica, portanto, claro
que, já em Outubro de 2023, a diplomacia francesa se distinguiu pela sua
retórica radical e belicosa. Mais do que um mero alinhamento, tratava-se de uma
escalada militarista: a França de Macron não se limitava a apoiar Israel;
parecia manifestar-se com mais veemência do que o próprio Israel, defendendo
uma guerra total.
A escalada da retórica belicosa da França
surpreendeu até mesmo as chancelarias ocidentais. No próprio governo israelita,
alguns responsáveis mostraram-se mais cautelosos, cientes das implicações jurídicas
e políticas de tal linguagem. Mas Paris, por sua vez, não se preocupava com
nuances. Um primeiro paradoxo já começava a surgir: a diplomacia francesa,
supostamente personificando a voz do equilíbrio, demonstrava-se mais
intransigente do que a do Estado directamente envolvido no conflito: Israel.
O caso Francesca Albanese: uma escalada diplomática
Três anos depois, o
mesmo padrão repete-se. Em 11 de Fevereiro de 2026, o ministro dos Negócios Estrangeiros
(do país estrangeiro: Israel), o fracassado Jean-Noël Barrot, exige a renúncia
de Francesca
Albanese, Relatora
Especial das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados. O
motivo alegado: ela teria afirmado que " Israel é o inimigo comum da humanidade ". Uma
declaração truncada, repetida por inúmeros apoiantes do empreendimento genocida
levado a cabo por Telavive na Faixa de Gaza... e na Cisjordânia... que nós, por
nossa vez, apoiamos integralmente.
Mas essa frase jamais foi proferida.
Albanese referiu-se, numa conferência, a um "inimigo comum" que,
segundo ela, havia possibilitado um " genocídio " em Gaza. Uma distinção
crucial, mas imediatamente apagada por uma campanha política e mediática
sionista destinada a desacreditá-la. Aqui, mais uma vez, a França de Macron apressa-se
em atacar com mais força do que o regime fascista de Netanyahu . A França de Macron demonstra mais
mentalidade de "Führer" do que Telavive. Algumas críticas a Israel
provocam uma reacção instantânea em Paris: declarações indignadas, pedidos de
sanções. Por outro lado, os repetidos bombardeamentos em Gaza e o elevado
número de vítimas civis não suscitam nem a mesma indignação nem a mesma
firmeza. Insultos verbais parecem provocar mais revolta do que a destruição
material e as perdas humanas palestinianas.
A França de Macron é mais sionista-reaccionária
do que os sionistas israelitas.
No exacto momento em
que advogados israelitas, organizações de direitos humanos em Israel e uma
parcela da população do país debatem abertamente os excessos da guerra em Gaza,
Paris opta pela intimidação e pela revogação. Enquanto vozes israelitas começam
a denunciar crimes de guerra, a França de Macron está determinada a silenciar
uma especialista da ONU, Francesca Albanese, cuja única falha é basear-se em factos
comprovados.
A Amnistia Internacional fala em
apartheid e crimes de guerra. A Human Rights Watch acusa Israel de
usar a fome como arma para cometer crimes de guerra. A UNICEF refere-se a uma
"guerra contra as crianças". A Corte Internacional de Justiça considera o
risco de genocídio "plausível" e ordena medidas provisórias. O Tribunal Penal Internacional abre
investigações por crimes contra a humanidade. Diante desse conjunto de
relatórios condenatórios, decisões judiciais e depoimentos, o que é que a
França de Macron faz? Não contesta os factos. Não questiona os números. Não
responde aos argumentos jurídicos. Exige a cabeça de quem os apresenta:
Francesca Albanese. Mesmo Israel, acostumado a críticas internacionais, nem
sempre chega a esse ponto no seu ataque frontal contra as instituições da ONU.
O governo Macron, cúmplice, no entanto, assume a responsabilidade de liderar a
ofensiva no seu lugar.
Assim, confirma-se uma constante: nos
últimos anos, em todas as situações, a França de Macron mostrou-se mais
sionista do que os próprios sionistas, mais israelita do que os israelitas.
A França de Macron: um actor diplomático
juvenil ou um retransmissor do sionismo?
Em 2023, a França de Macron pediu
inequivocamente a destruição total do movimento palestiniano Hamas, enquanto
Israel falava oficialmente em "neutralização". Em 2026, exigiu a
renúncia da Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese. O governo Macron
radicalizou a retórica ocidental, endureceu o tom, antecipou exigências e precaveu-se
contra críticas, como se quisesse provar ser o melhor defensor da linha
fascista pró-Israel. Esse zelo superou até mesmo as
expectativas de Telavive... porque para o imperialismo americano, o mentor por
trás de tudo isso, o Hamas faz parte da equação neo-colonial, tanto quanto a
OLP, o Irão, a Resistência Palestiniana, a elite empresarial árabe, o sionismo
fascista ou de esquerda e a entidade fascista de Israel.
A França macronista deixou de ser um
mediador. Já nem é sequer um aliado crítico. Tornou-se uma porta-voz ideológica
de Telavive. Esta atitude revela uma profunda deriva. A França macronista
aplica agora um direito
internacional com
geometria variável. Condena com firmeza implacável a agressão russa na Ucrânia
– invocando a soberania dos Estados, a protecção dos civis, o respeito pelas
convenções de Genebra – mas adopta um tom infinitamente mais cauteloso quando
os bombardeamentos massivos atingem Gaza e a sua população civil desarmada.
Onde fala de crimes de guerra na Europa, invoca, para a Palestina ocupada, o «direito
de Israel à defesa». (sic)
Ao insistir em provar a sua lealdade
inabalável ao regime fascista israelita, a França macronista acaba por perder
toda a autonomia política e toda a credibilidade moral, o que até nem é mau.
Fala mais alto do que o próprio governo fascista israelita, adopta posições
mais extremas do que as dos responsáveis israelitas e transforma-se em advogada
incondicional de uma política fascista que mesmo uma parte
"esquerdista" da sociedade sionista israelita contesta.
A verdade é esta: a França macronista deixou há muito de ser uma nação
independente. Não é mais do que um relé zeloso de uma linha pró-israelita
levada à caricatura. Mais sionista do que os próprios sionistas.
Khider MESLOUB
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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