Ainda nem o estado de emergência foi decretado e já uma das
medidas que ele prevê – a requisição civil – foi avançada para tentar furar a
greve dos estivadores do porto de Lisboa. Vale a pena, porém, debruçarmo-nos
sobre quem serão os beneficiários desta medida fascista, abusiva e repressiva
do direito à greve dos estivadores, alegadamente imposta porque o governo
considera que estes não estarão a cumprir com os “serviços mínimos”.
Seguramente que à cabeça estarão os operadores privados de
estiva que vêm assim premiadas as suas manobras fraudulentas e corruptas para
se furtarem a acordos que, com pompa e circunstância, o anterior governo de
Costa/Centeno anunciaram há cerca de dois anos. Não só os operadores não
cumpriram um único dos clausulados negociados, como vieram anunciar que tinham
solicitado a insolvência.
Tal como havíamos denunciado no artigo publicado em 9 de
Março do corrente no artigo publicado no Órgão Central do nosso Partido, o Luta
Popular online, sob o título “Estivadores de Lisboa em Greve” - http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/2680-estivadores-de-lisboa-em-greve
- os estivadores do porto de Lisboa entraram em greve como resposta a uma
miserável provocação da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), que
decidiu solicitar a insolvência, alegando não ter condições financeiras para
fazer face ao cumprimento das cláusulas que havia negociado com os
estivadores... há mais de dois anos!

Num contexto em que os serviços mínimos que estavam a ser
assegurados são, como de costume, serviços máximos, o que Costa e o seu governo
de traição vem fazer, uma vez mais, é assegurar aos capitalistas – nacionais e
internacionais – que estejam tranquilos porque, quando se trata de defender os
seus interesses, estes nunca serão beliscados, porque o estado e a força de que
está investido cairão fragorosamente sobre os trabalhadores que ousam lutar
pelos seus direitos.
No já supracitado artigo, referia-se que “...a demonstração
mais cabal de que não tem qualquer fundamento o pedido de insolvência da
A-ETPL, é-nos dada pela reacção da Porlis – uma empresa de trabalho
portuário detida pelos diversos operadores de terminais no Porto de Lisboa –
que teve o desplante de anunciar o recrutamento de 30 estivadores na última
semana, a fim de assegurar operações de carga e descarga no porto da
capital...”
Pois, nem assim Costa e o seu governo entendem que é chegada
a hora de reverter o contrato que permitiu a privatização das operações de
estiva em todos os portos nacionais. A administração pública portuária, deixou
de ter um papel preponderante na gestão dos portos nacionais, como integrador,
coordenador e facilitador de todas as actividades que concorrem para uma boa
gestão portuária.
A solução de estabelecer convenções com privados para as
operações de estiva revela-se obsoleta e antagónica dos interesses de
trabalhadores e da economia do país. O crescimento da actividade portuária e a sua
importante percentagem no PIB, só será exponenciada no quadro de uma posição geoestratégica muito
particular, em que Portugal pode vir a ser a plataforma que assegura o
essencial da entrada e saída de mercadorias de e para a Europa. Ora, essa
gestão estratégica de activos tão importantes como a nossa rede de portos exige
a reversão dos contratos de concessão e uma visão de interesse nacional que os
privados nunca poderão assegurar pois o seu objectivo é o de potenciar e
maximizar os lucros e a repartição de dividendos.
Os portos nacionais devem voltar para mãos públicas e ser
geridos com a participação dos trabalhadores que neles operam – incluindo os
estivadores -, devendo os seus órgãos representativos – Comissões de
Trabalhadores e Sindicatos – ter um voto de qualidade sobre a gestão destes
activos.
Existe um velho ditado popular que diz que “nas costas dos
outros revejo o que dizem de mim”. A sabedoria popular devia merecer maior
atenção por parte dos operários e trabalhadores do nosso país.
A requisição civil que agora impende sobre os estivadores é
o prenúncio do que espera todos os sectores da classe operária e trabalhadora
que tenham a ousadia de lutar pelos seus direitos. A suspensão dos direitos
constitucionais que o decretar do estado de emergência possibilita – e onde se
integra a requisição civil – é isto mesmo e tem de ser combatida com toda a
firmeza.
Os estivadores do Porto de Lisboa vencerão!
Os trabalhadores dos portos nacionais vencerão!
Retirado de: http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/2684-greve-dos-estivadores-atacada-pela-primeira-requisicao-civil-no-contexto-de-emergencia-nacional
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