quinta-feira, 30 de julho de 2026

Uma académica portuguesa revela por que razão Marrocos baptizou uma estrada com o nome de Trump

Uma académica portuguesa revela por que razão Marrocos baptizou uma estrada com o nome de Trump

Publicado em 28/07/2026

Texto gentilmente enviado pelo meu amigo René Naba

O moribundo Mohammed VI multiplica os gestos de bajulação para com Donald Trump D. R.

Por Mohamed K. – Para a académica portuguesa Isabel Lourenço, especialista no Saara Ocidental na Universidade do Porto, a decisão de Marrocos de baptizar uma auto-estrada de 1 055 quilómetros com o nome de Donald Trump não se enquadra nem no folclore diplomático nem numa simples homenagem. Constitui, na sua opinião, uma peça central de uma estratégia que visa consolidar a ocupação do Saara Ocidental e consolidar, através das infraestruturas, uma soberania que o direito internacional não reconhece.

Na sua análise enviada ao Algeriepatriotique, a investigadora considera que esta autoestrada, que liga Tiznit a Dakhla, não pode ser dissociada do futuro porto de águas profundas de Dakhla Atlântico, dos projectos energéticos desenvolvidos ao largo do território e do apoio político concedido por Washington desde a declaração de Donald Trump, de 10 de Dezembro de 2020, em apoio ao plano de autonomia marroquino no Saara Ocidental.

Isabel Lourenço recorda que este reconhecimento por parte dos Estados Unidos não alterou o estatuto jurídico do território, que continua inscrito pelas Nações Unidas na lista de territórios não autónomos. Segundo ela, Rabat procura agora substituir o direito por factos consumados, multiplicando estradas, portos, investimentos e projectos industriais, a fim de tornar a ocupação irreversível.

A académica vê também no desenvolvimento do porto de Dakhla Atlântico um projecto que ultrapassa largamente as ambições económicas de Marrocos. Ela explica que esta infraestrutura serve os interesses estratégicos norte-americanos na costa atlântica africana, enquanto a participação de empresas israelitas na exploração de petróleo e gás nas águas do Saara Ocidental ilustra o surgimento de uma convergência de interesses entre Rabat, Washington e Telavive.

Para Isabel Lourenço, esta arquitectura — auto-estrada, porto, concessões energéticas e parcerias internacionais — persegue um mesmo objectivo: transformar progressivamente uma ocupação contestada numa realidade económica e política. Mas, insiste ela, nenhuma infraestrutura, nenhum investimento estrangeiro nem qualquer reconhecimento unilateral podem substituir o direito do povo saharaui à auto-determinação ou alterar o estatuto internacional do Saara Ocidental.

Na opinião dela, a «auto-estrada Donald Trump» constitui, assim, muito mais do que um eixo rodoviário, na medida em que representa o símbolo de uma estratégia que visa consolidar de forma duradoura a ocupação do território, em benefício dos interesses marroquinos, norte-americanos e israelitas, apesar de um litígio que, segundo o direito internacional, continua por resolver. https://algeriepatriotique.dz/une-universitaire-portugaise-revele-pourquoi-le-maroc-a-baptise-une-route-du-nom-de-trump/

M. K.


Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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