Uma académica portuguesa revela por que razão Marrocos baptizou uma estrada com o nome de Trump
Publicado em 28/07/2026
Texto gentilmente enviado pelo meu amigo René Naba
O
moribundo Mohammed VI multiplica os gestos de bajulação para com Donald Trump
D. R.
Por Mohamed K. –
Para a académica portuguesa Isabel Lourenço, especialista no Saara Ocidental na
Universidade do Porto, a decisão de Marrocos de baptizar uma auto-estrada de 1
055 quilómetros com o nome de Donald Trump não se enquadra nem no folclore
diplomático nem numa simples homenagem. Constitui, na sua opinião, uma peça
central de uma estratégia que visa consolidar a ocupação do Saara Ocidental e
consolidar, através das infraestruturas, uma soberania que o direito internacional
não reconhece.
Na
sua análise enviada ao Algeriepatriotique,
a investigadora considera que esta autoestrada, que liga Tiznit a Dakhla, não
pode ser dissociada do futuro porto de águas profundas de Dakhla Atlântico, dos
projectos energéticos desenvolvidos ao largo do território e do apoio político
concedido por Washington desde a declaração de Donald Trump, de 10 de Dezembro
de 2020, em apoio ao plano de autonomia marroquino no Saara Ocidental.
Isabel Lourenço
recorda que este reconhecimento por parte dos Estados Unidos não alterou o
estatuto jurídico do território, que continua inscrito pelas Nações Unidas na
lista de territórios não autónomos. Segundo ela, Rabat procura agora substituir
o direito por factos consumados, multiplicando estradas, portos, investimentos
e projectos industriais, a fim de tornar a ocupação irreversível.
A académica vê também
no desenvolvimento do porto de Dakhla Atlântico um projecto que ultrapassa
largamente as ambições económicas de Marrocos. Ela explica que esta
infraestrutura serve os interesses estratégicos norte-americanos na costa
atlântica africana, enquanto a participação de empresas israelitas na
exploração de petróleo e gás nas águas do Saara Ocidental ilustra o surgimento
de uma convergência de interesses entre Rabat, Washington e Telavive.
Para Isabel Lourenço,
esta arquitectura — auto-estrada, porto, concessões energéticas e parcerias
internacionais — persegue um mesmo objectivo: transformar progressivamente uma
ocupação contestada numa realidade económica e política. Mas, insiste ela,
nenhuma infraestrutura, nenhum investimento estrangeiro nem qualquer
reconhecimento unilateral podem substituir o direito do povo saharaui à auto-determinação
ou alterar o estatuto internacional do Saara Ocidental.
Na opinião dela, a «auto-estrada Donald Trump»
constitui, assim, muito mais do que um eixo rodoviário, na medida em que
representa o símbolo de uma estratégia que visa consolidar de forma duradoura a
ocupação do território, em benefício dos interesses marroquinos,
norte-americanos e israelitas, apesar de um litígio que, segundo o direito
internacional, continua por resolver. https://algeriepatriotique.dz/une-universitaire-portugaise-revele-pourquoi-le-maroc-a-baptise-une-route-du-nom-de-trump/
M. K.
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