sábado, 14 de julho de 2012

Uma importante manifestação dos professores portugueses

Teve lugar ontem, 12 de Julho, em Lisboa, uma manifestação nacional de professores de todos os graus de ensino, a qual teve um significado político muito relevante para o futuro da luta e das condições de vida e de trabalho deste sector profissional.

Numa altura em que as vozes mais oportunistas e retrógradas se empenham em difundir a ideia de que os professores não querem lutar e que estão dispostos a aceitar passivamente todas as malfeitorias que o governo e o ministro Crato sobre eles fazem abater, a manifestação de ontem, convocada pela Fenprof e apoiada por partidos, como o PCTP/MRPP e também pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior e por organizações e movimentos que lutam contra a precariedade no trabalho, foi o mais cabal desmentido dessas posições de capitulação.

A própria Fenprof, a maior organização sindical dos professores, levou muito tempo até reconhecer que os professores não fogem à luta e sabem que Nuno Crato, se é diferente da sua antecessora Maria de Lurdes Rodrigues, é para pior. Efectivamente, hoje ninguém tem dúvidas de que ambos – Crato e Rodrigues, Coelho e Sócrates – queriam e querem uma escola em que os professores sejam reduzidos ao mínimo em número e ao máximo na carga de trabalho, em que todos os direitos lhes são sonegados, em que o direito dos alunos a um percurso de aprendizagens de qualidade é completamente liquidado e em que o objectivo da máxima produtividade empresarial, com a consequente e pretendida concessão a prazo da gestão das instituições educativas públicas a interesses capitalistas privados, se tornou no leitmotiv de todas as medidas decretadas.

Na manifestação de ontem estiveram presentes cerca de 25.000 professores. É um número ainda reduzido face ao universo de cerca de 220.000 professores de todos os graus de ensino, do sector público e do sector privado, e em comparação com as gigantescas manifestações realizadas em Março e Novembro de 2008. A convocatória da manifestação nas escolas foi muito deficiente e, ao contrário das de 2008, a mesma teve na sua origem apenas uma – se bem que a mais representativa – das organizações sindicais dos professores. No entanto, esta manifestação constituiu, sem margem para dúvidas, o início de uma ampla mobilização dos professores, a qual apenas pode ser eventualmente travada por manobras de traição do tipo das ocorridas em 2008/2009 begin_of_the_skype_highlighting              2008/2009      end_of_the_skype_highlighting por parte das organizações sindicais (Fenprof incluída), para as quais todos os professores devem estar alerta. Para pôr cobro a tais manobras há que estar ciente de que o objectivo central da grande mobilização que agora se iniciou é, inequivocamente, o derrubamento do ministério de Nuno Crato e do governo de Passos Coelho. Sem que isto aconteça, nenhuma das reivindicações específicas dos professores poderá ser alcançada.

O discurso do secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, proferido no Rossio, na concentração que antecedeu a manifestação de ontem, deve ser saudado pelo seu conteúdo e pelo que representa para a luta dos professores. Sem que esta apreciação envolva qualquer espécie de ilusão e tibieza sobre a necessidade de denunciar prováveis tergiversações futuras por parte da direcção da Fenprof, cumpre assinalar os pontos do discurso de Mário Nogueira que os professores lhe deverão permanentemente cobrar no decurso dos grandes combates que terão de travar daqui para a frente.

O secretário-geral da Fenprof defendeu – e bem, embora não exactamente com estas palavras – que o objectivo da luta dos professores é precisamente o de derrubar o governo Coelho/Portas e o ministro Nuno Crato (“correr com a canalha que nos governa, sem demora e quanto mais depressa melhor”, foi a expressão a propósito utilizada). Por outro lado, na lista das principais reivindicações específicas dos professores, Mário Nogueira colocou à cabeça – e bem – a vinculação imediata dos professores contratados e a atribuição de componente lectiva a estes e a todos os professores do quadro, sem excepção. Outro ponto importante do discurso aqui em análise foi a afirmação clara de que esta manifestação marca o arranque de uma fase de mobilização intensa e massiva dos professores, para a qual foi dito que haverá, por parte da Fenprof, iniciativas permanentes (mesmo no período de férias escolares) que aprofundem e radicalizem essa mobilização. Finalmente, Mário Nogueira aludiu aos “erros” da Fenprof em lutas passadas e à disposição de os evitar no futuro. Não se sabe a que “erros” se quis referir o secretário-geral da Fenprof, mas aquilo que se exige da organização que dirige é que seja consequente na luta, que não troque os objectivos da mesma por qualquer negociação sem consequências práticas e que não vacile (como aconteceu em 2008) quando a questão do derrubamento do ministro e do governo se colocar – como irá certamente acontecer -, como passo incontornável para que a escola pública se afirme como esteio de uma educação democrática e de qualidade.

A luta dos professores é uma componente importante da luta de todo o povo trabalhador contra o governo de traição nacional PSD/CDS, pela expulsão da tróica e por um governo democrático patriótico. Como acontece com as demais lutas sectoriais dos trabalhadores, a obtenção de qualquer reivindicação específica dos professores pressupõe uma tomada de posição clara de recusa da chantagem da dívida pública. Sem tal recusa, nenhum objectivo pode ser alcançado. “Não pagamos!” uma dívida que não foi o povo que contraiu nem o foi em seu benefício – é este também o lema que deve nortear o combate político dos professores em defesa da dignidade da sua profissão e por um programa de efectivo desenvolvimento e melhoria da educação pública em Portugal.



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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tribunal Constitucional: quando a emenda é pior que o soneto!

Talvez pensando que os trabalhadores e o povo português são uma cambada de imbecis ou peças de adorno como o colectivo do tribunal a que preside, vem Rui Moura Ramos, futuro ex-presidente do Tribunal Constitucional, “esclarecer” aos microfones da Rádio Renascença, que o acórdão recentemente proferido por aquele “órgão de soberania”, considerando inconstitucional o confisco ilegal dos subsídios de férias e de natal que, até à data, “apenas” abrangeu os trabalhadores da função pública e os reformados e pensionistas, “foi mal interpretado”.
(Importa referir que este conselheiro votou vencido, defendendo a constitucionalidade do roubo em causa).

Tal calimero ou dama ofendida, vem então lamentar-se, dizendo que “a crítica da ligeireza parte de um postulado errado”, pois “o acórdão não se baseia na comparação entre titulares de rendimento de origem pública ou privada”, mas sim “na diferença entre titulares de rendimento”, isto é, conclui, “quando se chama a atenção para a comparação entre o público e o privado está-se a fazer uma leitura redutora do acórdão”, pois “este fala de titulares de rendimento, que não são só públicos ou privados…só do trabalho”, estando “também em causa os rendimentos do capital”.

Areia para os olhos! Primeiro de tudo, para “justificar” porque é que, considerando inconstitucional o confisco dos subsídios de férias e de natal que o OE 2012 impõe, não determinou a imediata devolução dos subsídios de férias já confiscados aos trabalhadores, reformados e pensionistas, nem determinou a revogação imediata de igual medida prevista para o roubo do subsídio de natal do corrente ano fiscal. A teoria deverá ser, porque esses “pagamentos”, esses confiscos, ficarão já…por conta!

Depois, porque tenta com este acórdão, que do ponto de vista da defesa dos interesses dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas é inócuo, “moralizar” as medidas terroristas e fascistas que, quer a tróica germano-imperialista, quer o governo PSD/CDS seu serventuário, estão a aplicar sobre os trabalhadores e o povo, obrigando-os a pagar uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício.

E, já agora, seria interessante, no quadro de uma massiva transferência de activos públicos, de sectores e empresas de importância estratégica vital, para as mãos de privados, a preços de saldo e “limpos” de “gorduras” (leia-se, de trabalhadores “excedentários”), no quadro de uma cada vez maior facilitação do processo de acumulação do capital, à custa do desenfreado roubo dos salários e do trabalho, à custa da facilitação e embaratecimento dos despedimentos, à custa do exponencial aumento dos impostos – directos e indirectos –, à custa da dificultação do acesso à saúde e ao ensino para os trabalhadores e suas famílias, saber como é que o TC compagina o “ídilico” princípio de “distribuir” os “sacrifícios” entre o trabalho e o capital.

Para quem dúvidas ainda alimentava sobre a natureza de classe burguesa do Tribunal Constitucional, fica assim provado que este não é um órgão fiscalizador do cumprimento da constituição – há muito rasgada em mil pedaços pela classe dominante –, mas, cada vez mais, um órgão de consultadoria que indica ao governo de traição PSD/CDS as “soluções constitucionais” que melhor sirvam o objectivo de empobrecer o nosso povo, obrigando-o a pagar uma dívida que não contraiu, para assegurar o enriquecimento dos grandes grupos financeiros e bancários à custa dos fabulosos juros dos “empréstimos” para o “resgate” da “dívida” que têm sido um autêntico festim para estes.

Como o governo, o presidente da república e todos aqueles que, como o PS, compactuaram com a tróica germano-imperialista, o Tribunal Constitucional terá o mesmo destino: o seu enterro pelos trabalhadores e pelo povo, que constituirão um governo de unidade de todas as camadas populares, de esquerda, democrático e patriótico, cuja primeira medida será, precisamente, e sem rodeios, a de repudiar uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O que a luta dos mineiros de Aragão, Leão e Astúrias demonstra é que



O Núcleo dirigente da revolução é a Classe Operária!


Após uma marcha de mais de 400 kms, um numeroso grupo de operários mineiros das regiões de Aragão, Leão e Astúrias, em Espanha, chegaram à capital Madrid. Quando os trabalhadores e o povo de um país – neste caso, os povos de Espanha – se dispõe a dar uma condigna recepção a este grupo de operários que, graças à sua organização e combatividade, sem precedentes, tem conseguido alterar a seu favor a relação de forças com o governo de Mariano Rajoy que, tal como o governo Coelho/Portas, não passa de um governo de serventuários da tróica germano-imperialista, é porque reconhece que a classe operária é o núcleo dirigente da luta contra o capitalismo e contra as tentativas de o imperialismo germânico tornarem países como Espanha e Portugal, suas sub-colónias ou protectorados.
No preciso dia e momento em que os operários mineiros daquelas regiões chegavam a Madrid e eram recebidos por centenas de milhares de trabalhadores e de elementos do povo espanhol, o traidor Rajoy e o seu governo apresentavam um pacote de medidas terroristas e fascistas que visam fazer os trabalhadores e o povo pagarem uma divida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício. Medidas que os trabalhadores portugueses tão bem conhecem, bem como os seus resultados: mais fome, mais miséria, maior recessão e desemprego. Face à imediata revolta contra estas medidas manifestada nas ruas pelo povo espanhol, a receita da repressão cobarde e assassina foi a do costume. Milhares de esbirros da polícia de choque, como sempre “disparando balas de borracha” para o ar, feriram dezenas de operários e elementos do povo, ao mesmo tempo que procediam a detenções e agressões que em tudo fizeram recordar os tempos do regime fascista de Franco.
Mas, o que os operários mineiros de Espanha vierem demonstrar, sem qualquer margem para dúvidas, é que a luta é dura e prolongada, a luta não se compadece com o pacifismo oportunista, derrotista e desmobilizador que muitos sindicatos, partidos que se reclamam da esquerda e plataformas cidadãs, recorrentemente defendem com vista a derrotar o movimento operário e popular que se agiganta. O que estes operários vieram claramente dizer a Madrid, à sede do poder burguês e capitalista em Espanha, é que estão ali porque não têm medo do poder que os subjuga, estão ali porque estão dispostos, em unidade com os seus irmãos camponeses, com todos os trabalhadores espanhóis e com todos os povos de Espanha, a derrubar esse governo.
O que os trabalhadores e o povo de Madrid, e de toda a Espanha, reconheceram nestes operários mineiros foi que é a classe operária o núcleo dirigente de todas as lutas do trabalho contra o capital, porque é a única classe que, por nada ter a perder…NADA TEME!
O facto de toda a "comunicação social", em Espanha ou em Portugal, na Itália ou na Grécia, abafar tudo o que sejam notícias sobre lutas dos operários e dos trabalhadores, não quer dizer que elas não estejam a ocorrer.

 

O facto de alguns oportunistas que se reclamam de esquerda pouco ou nada divulgarem sobre elas, ou quando lhes fazem menção, fazerem-no para tentar manipulá-las e dar-lhe um sentido completamente diferente daquele que motivou a luta e a combatividade que esses operários e outros trabalhadores lhe imprimiram, não quer dizer que elas não se estejam a constituir como riachos de uma crescente contestação que há-de confluir no grande rio da revolta popular que há-de derrubar os governos vende pátrias de todos os países europeus que estão a aceitar os ditames da tróica germano-imperialista que os pretende subjugar, luta que há-de levar a constituir o governo que melhor se adeque aos interesses dos operários, dos trabalhadores e dos povos de cada país.

Torna-se cada vez mais premente denunciar e isolar algumas organizações que, reclamando-se embora como defensoras dos interesses de quem trabalha, e enchendo a boca com o seu "internacionalismo", ainda esta 4ª feira, quando os operários mineiros se batiam contra a polícia em frente ao Ministério da Indústria e demonstravam que estavam dispostos, com a solidariedade de dezenas de milhar de trabalhadores e elementos do povo espanhol, em continuar a sua luta em Madrid, as directivas oportunistas de algumas dessas organizações políticas e sindicais acabaram por vencer e eles regressaram às suas terras.

Mas, estamos certos de que, seja qual for o local onde, a cada momento, seja necessário que se encontrem, estes operários, unidos aos restantes trabalhadores e ao povo em geral, continuarão a OUSAR LUTAR e, certamente, OUSARÃO VENCER!

Primeiro dia de greve dos médicos praticamente a 100%


Uma importante vitória que importa consolidar e ampliar!


No que se tornou a mais ampla e vigorosa greve (logo no primeiro de dois dias) realizada pelos médicos em Portugal, estes trabalhadores do sector da saúde souberam dar uma enérgica e firme resposta, não apenas às provocações de um ministro escolhido a dedo para entregar o serviço nacional de saúde ao sector privado, como a uma política que não olha a meios para impor os ditames da Tróica.

Os mais de quatro mil médicos, e em particular os mais jovens, que se manifestaram em frente ao ministério da saúde fizeram questão em pôr em evidência que o que acima de tudo os mobiliza nesta luta e constituiu o motivo central da solidariedade e apoio que essa luta obteve dos restantes trabalhadores do sector e do povo que recorre aos cuidados de saúde, não é um problema de natureza salarial – com que o Macedo desesperadamente os quis subornar na véspera da greve - , mas a defesa da qualidade do serviço público que prestam e a dignidade da profissão que exercem, coisas que para o gestor deste ministério e para o governo Coelho/Portas não assume a mínima relevância para efeitos contabilísticos.

O êxito da entusiástica luta dos médicos portugueses que, no passado, souberam derrotar investidas semelhantes, está na unidade que souberem estabelecer com os trabalhadores que
 lutam contra o desmantelamento do serviço público de saúde e assistência – a que o ministro lacaio, obcecado pelos números da despesa que tem de apresentar à Tróica, chama de defesa da sustentabilidade – e, principalmente se tomarem consciência que a razão fundamental que motiva a politica contra a qual lutam é a do pagamento de uma dívida impagável e que não cessa de aumentar e que não teremos sucesso se não recusarmos o pagamento dessa dívida.

Ao contrário do que Passos Coelho declarava no parlamento sobre o estado da nação, não tardará a sentir mais de perto o estado da revolta dos que todos os dias espezinha e esmaga, não numa assembleia imprestável, mas na rua!


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terça-feira, 10 de julho de 2012

Greve dos médicos dias 11 e 12 de Julho


Uma justa luta que as manobras fascistas do ministro não conseguirá travar!


Os médicos decidiram, e bem, realizar uma greve nos próximos dias 11 e 12 de Julho. No caso, em sintonia com a própria Ordem dos Médicos.

Estes trabalhadores da saúde, para além de terem sido vítimas, tal como os restantes trabalhadores da função pública, do confisco dos subsídios de férias e de Natal, têm sido alvo de uma política de particular vexame e de indignidade prosseguida por este governo de traição nacional.

Política essa que, tendo como única justificação a submissão aos ditames da Tróica e a necessidade de pagar uma dívida que o povo português não contraiu, assume como seu objectivo a liquidação do actual sistema nacional de saúde e a progressiva transferência da assistência médica e prestação de cuidados de saúde para os privados, de que as parcerias público-privadas são o actual modelo, com a concomitante degradação da qualidade destes serviços e restrição ao respectivo acesso pelos trabalhadores e suas famílias, cada vez mais empobrecidos.

Mal os sindicatos se puseram de acordo e anunciaram a convocatória da greve, a histeria e o desespero apoderaram-se do gestor da Tróica para o sector, que tudo tem tentado, da demagogia à chantagem, ao suborno e às ameaças, para fazer vergar os médicos.

Tanto mais que a determinação revelada por estes tem contado simultaneamente com manifestações de uma crescente revolta popular contra as medidas da chamada reorganização hospitalar e de redução de despesas imposta pela Tróica que tem conduzido à eliminação de serviços de assistência e a uma intransponível dificuldade de aceder a esses serviços.

O ministro da saúde, a exemplo do que já o Álvaro havia deixado transparecer relativamente aos trabalhadores dos transportes, acabou por revelar a sua faceta fascista de um ódio incontrolado ao exercício do direito à greve pelos trabalhadores e, em particular, àqueles que ousam opor-se e resistir à sua política devastadora no sector da saúde.

Desde a ameaça chantagista do recurso à requisição civil até uma manipulatória e desesperada campanha demagógica, passando pela tentativa de suborno dos dirigentes sindicais - convocando-os para uma reunião armadilhada na véspera da greve e acenando com a apresentação de propostas de novas grelhas salariais para os comprar e levá-los a desistirem daquilo que constituirá uma derrota fragorosa para o governo - a tudo lançaram mão, sem êxito, o gestor ministerial e da Tróica para a saúde e o seu secretário de estado.

O sucesso desta luta está muito dependente, não apenas da unidade dos médicos no seu seio, mas principalmente da sua unidade com a luta dos enfermeiros e restantes trabalhadores do sector e muito em particular com a luta dos trabalhadores que utilizam o serviço nacional de saúde contra a sua progressiva amputação e liquidação.

E, acima de tudo, é absolutamente indispensável ter presente que toda a política deste governo está exclusivamente condicionada pela aplicação do memorando da Tróica, pelo que só será possível vencê-lo (derrubá-lo) se se exigir e impuser o não pagamento de uma dívida que é impagável e não cessa de crescer.


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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A partícula de Deus

Nos últimos três dias, os olhos e os ouvidos do País foram bombardeados até à oclusão por uma espécie de míssil ideológico verbal denominado a partícula de deus.

Noite e dia, os órgãos de comunicação social, nomeadamente os da radiodifusão e os da radiotelevisão, papagueavam a ridícula ideia de que um grupo de patetas andaria nas fraldas dos Alpes, ali perto de Genebra onde em tempos diferentes labutaram Rousseau, Calvino e Lenine, encafuados os patetas num longuíssimo labirinto subterrâneo à procura da partícula de deus.

É claro que nunca ocorreu aos papagaios da notícia a lógica conclusão de que, se uns quantos andavam de cócoras à cata da partícula de Deus, então todas as outras partículas, já encontradas, teriam de ser partículas de Satanás, conclusão que decerto não abonaria muito a favor da pretendida omnipotência do proprietário da última partícula.

O que é que está por detrás deste assalto demencial da teologia à ciência?

No Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN, na sigla francesa), instalado na fronteira franco-suíça, perto de Genebra, decorrem duas séries de experiências no Grande Colisor de Partículas, denominadas ATLAS e CMS.

Entre outros objectivos, essas experiências propõem-se resolver o problema de saber se existe ou não o bosão do modelo standard de Higgs.

O bosão é um tipo de partículas elementares da matéria, assim designado em homenagem ao físico indiano Satyendra Nath Bose.

No modelo actualmente aceite das partículas elementares, estão identificados três bosões, mas o físico Peter Higgs entende que existirá uma outra partícula, relacionada com a massa da matéria, e a que, mesmo sem ter sido definitivamente detectada e definida, já se dá o nome de partícula de Higgs.

Na informação fornecida à imprensa no passado dia 13 de Dezembro, o CERN apresentou o balanço actual da colaboração entre as experiências ATLAS e CMS sobre o estado actual da pesquisa científica do bosão de Higgs: se o bosão de Higgs existe, informa o CERN, então o mais provável é que a sua massa esteja circunscrita, pela experiência ATLAS, nos limites entre 116-130 GeV (gigaelectrões vóltio) e, pela experiência CMS, nos limites entre 115-127 GeV.

Em resumo: fizeram-se notáveis avanços, mas ainda não se encontrou a partícula de Higgs.

Em virtude, por um lado, da subida do nível educativo das massas e do desenvolvimento dos meios de comunicação social nos tempos de hoje, os avanços da ciência e da tecnologia constituem notícias que as multidões devoram com prazer.

Os jornalistas, cuja ignorância é cada vez mais crassa, em consonância aliás com os salários cada vez mais vis, publicitam as notícias sobre as pesquisas fundamentais das ciências e sobre os progressos da tecnologia de uma maneira incorrecta e muitas vezes falsa, invocando sempre a necessidade de serem entendidos por um ouvinte ou leitor, que eles, jornalistas tendem também a considerar ignorante.

É esta relação de ignorância recíproca que é aproveitada pela religião e pela teologia para introduzir manhosamente o nome de deus onde ele não existe nem é chamado.

Para a religião, cada vez mais agonizante, é uma sorte que jornalistas ignorantes, incapazes de compreender e de explicar concretamente às massas a pesquisa em curso sobre o bosão de Higgs, lhe chamem, para arrumar o assunto e vender jornais, revistas e horas de televisão, a partícula de deus.

Assim, uma notabilíssima investigação acerca de uma das partículas fundamentais da matéria, que contribuirá poderosamente para ir arrumando as religiões no caixote do lixo da história, é aproveitada, pela teologia e pela ignorância, para dar um último fôlego às ideologias e às práticas religiosas.

Diga-se, de passagem, que o termo partícula de deus foi cunhado, em 1993, num livro de divulgação popular de ciência escrito pelo físico Leon Lederman, o qual, com notável olho para o negócio editorial, compreendeu que o título dado ao livro: "A Partícula de Deus: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta", venderia muito mais exemplares que o título que respeitasse a verdade: "O bosão de Higgs: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta".

A partícula em causa era pois o bosão de Higgs, título que, naquela época, não venderia um único livro.
O que é que o bosão de Higgs tem a ver com Deus? Absolutamente nada. Foi simplesmente um nome, irritante mas vendível, para ilustrar os efeitos ubíquos da partícula no campo de Higgs, gerador dessas partículas, e a sua importância na determinação da massa dos corpos.

Como a ubiquidade – estar em dois lugares do campo ao mesmo tempo – foi sempre considerada pela teologia um atributo exclusivo de Deus, o Sr. Leon Lederman, melhor vendedor de livros do que de ciência, chamou-lhe, para efeitos comerciais, partícula de deus, quando, para ser inteiramente lógico, deveria talvez ter dito não que a partícula era de Deus, mas que Deus era a partícula, ou seja, que Deus era o bosão de Higgs...

Como é óbvio, no mundo da ciência, não há um único físico que chame ao bosão de Higgs a partícula de deus.

Peter Higgs, quando se apercebeu que o bosão que andava à procura tinha recebido aquele cognome teísta de a partícula de deus, não gostou nada da brincadeira e não deixou de protestar: “acho-o embaraçoso, porque embora eu não seja um crente, penso que se trata daquele tipo de uso de terminologia incorrecta que poderá ofender algumas pessoas”.

Apeteceria dizer: deixem Deus em paz, para os que são religiosos; e, se puderem, expliquem-lhes, de passagem, a natureza e a beleza do bosão de Higgs, que está prestes a ser apanhado por notáveis homens e mulheres de ciência dentro de um túnel no sopé dos Alpes.


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domingo, 8 de julho de 2012

…E as vaias e os apupos continuam

Estes riachos de contestação darão lugar ao rio da imparável revolta popular!

Lembrar-se-ão certamente de que ao comentarmos as vaias e os apupos de que têm sido sistemáticamente alvo o primeiro-ministro Passos Coelho, Cavaco Silva, o “licenciado” Relvas ou o sorridente Alvaro Santos Pereira, entre outros, sempre afirmámos que esta crescente contestação popular mais não se tratava do que o exercitar das forças e capacidades do povo para realizar o objectivo de derrubar este governo serventuário da tróica germano-imperialista.
Pois bem, a confirmar que temos razão nas apreciações que fazemos, aí está o movimento a ganhar amplitude, força, organização e originalidade, de tal modo que já nenhum ministro, secretário de estado ou representante deste governo, escapa aos apupos e vaias do povo, onde quer que decida ir. Muito provavelmente, num futuro mais próximo que longínquo, pensarão mesmo se deverão sair à rua. Até que a rua seja o destino que os trabalhadores e o povo lhe reservem em definitivo!
No passado dia 4 de Julho foi Passos Coelho que teve de evitar o confronto com sindicalistas e trabalhadores que se concentraram à frente das instalações da Bosch para lhe manifestarem o seu repúdio pelas medidas terroristas e fascistas que ele e o seu governo persistem em lançar contra os trabalhadores, a mando da tróica germano-imperialista, para os obrigar a pagar uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício, à custa de um galopante desemprego, de uma massiva destruição das forças produtivas e do nosso tecido produtivo, de uma profunda recessão, da facilitação e embaratecimento dos despedimentos, do brutal corte das prestações sociais e de todo um arsenal de medidas que lançam um cada vez maior número de elementos do povo na fome e na miséria.
No dia 6 de Julho, Passos Coelho viria a ser de novo vaiado e apupado, desta feita na Figueira da Foz, por mais de uma centena de trabalhadores, aquando da sua visita a uma empresa vidreira daquela cidade que comemora um quarto de século de existência.
No mesmo dia, foi o secretário de estado do (Des) Emprego, Pedro Silva Martins, a merecer uma condigna recepção de sindicalistas e representantes da Comissão de Utentes da Via do Infante (a A22), tendo sido profusamente vaiado e apupado à sua chegada à Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António, onde ia participar na cerimónia da apresentação do Plano Municipal de Emprego, o que não deixa de ser uma provocação miserável quando sabemos que o Algarve é a região do país onde se registam os maiores índices de desemprego e precariedade do país.
Neste mesmo dia, que representou uma autêntica “hecatombe” de vaias e apupos para os membros do governo, Miguel Relvas foi vibrantemente assobiado pelos elementos do povo presentes na cerimónia de abertura da VIII edição dos Jogos da CPLP durante todos os cerca de dois minutos da sua intervenção.
A encerrar esta sexta-feira negra para a classe dominante e seu sistema político, foi a vez de Cavaco Silva ser vaiado e apupado em Vila Nova da Barquinha, Santarém, durante uma visita ao Parque de Escultura Contemporânea onde teve a distinta lata, respondendo às questões que vários jornalistas lhe colocaram acerca do Acórdão do Tribunal Constitucional que considerou inconstitucional o confisco dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores da função pública e aos pensionistas (apesar de ter “perdoado” esse roubo para o corrente ano), de afirmar que não suscitou a fiscalização preventiva do OE para 2012 porque…temia que o país pudesse ficar sem esse instrumento! Um instrumento que se revela de exploração terrorista e fascista sobre o povo e sobre quem trabalha, claro!
Sendo certo que esta forma de luta, que apoiamos, ajudamos a organizar e nela participamos activamente, é correcta, não menos certo é de que ela tem de ser entendida não como um fim em si mesmo, mas como um exercício para ganhar músculo e levar a luta para outros patamares. Estas lutas têm de representar os milhares de riachos da contestação popular que terão de confluir no grande rio da revolta dos trabalhadores e do povo, cuja corrente possua a energia e a força para derrubar este governo de traição, levando à constituição de um governo democrático patriótico, cuja primeira medida seria o REPÚDIO DA DÍVIDA, afectando todos os recursos financeiros que neste momento o governo de traição está a desviar para alimentar os grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo alemães, pagando-lhes juros faraónicos, para um plano económico ao serviço de quem trabalha, e controlado pelos trabalhadores, que promovesse emprego, bem-estar e independência nacional.