
Por Marc
Rousset.
O CAC 40, que colapsou 14,90 pontos,
para 4.896,33, ao longo da semana, após a deterioração da situação económica e
sanitária, é um pouco mais realista do que Wall Street. Desde 18 de Março de
2020, o CAC 40 subiu 33%, mas ainda
está 17% abaixo dos 6.000 do final de Dezembro de 2019. Quanto ao índice de acções
americano S&P 500, ele subiu 55%
desde 23 de Março; o NASDAQ, por sua
vez, subiu 63%. Ainda assim, a Berkshire Hathaway, conglomerado de Warren Buffett,
reduziu as suas participações nos grandes bancos americanos Wells Fargo e
JPMorgan Chase. No entanto, e em contrapartida, investiu em ouro, um
activo que havia denegrido no passado.

A outra realidade é que a ascensão de Wall Street
corresponde, de facto, aos GAFAM: Google, Apple, Facebook, Amazon e
Microsoft, os únicos grandes vencedores da crise. A fabricante americana de
carros eléctricos Tesla, cujo preço de acção de 1.000 dólares há poucos meses já
estava além da imaginação, agora está acima de 2.000 dólares! As bio-tecnológicas e os fabricantes de
vacinas em potencial também deixam loucos os correctores de Wall Street. A
capitalização de mercado da Apple ultrapassa os 2.000 biliões de dólares, mais
do que o CAC 40, que tem uma capitalização de cerca de 1,8 trilião de dólares.
A realidade é que há uma bolha em algumas acções de Wall Street que acabará por
estourar.
E o CAC 40 mergulhará também uma destas quatro manhãs, se
pensarmos nos 900 mil cortes de empregos
previstos, na queda do PIB de 13,8% em 2020, na crise civilizacional,
social e migratória em França. Tanto mais quando cisnes negros podem aparecer a
qualquer momento no mundo. O Japão,
por si só, é uma bomba-relógio, com uma recessão histórica de 27,8% a um ritmo
anual, ou seja, a pior queda jamais registada no segundo trimestre desde 1955,
com um endividamento público recorde, um activo de balanço desmesurado já que
este país é o pioneiro da política monetária de flexibilização quantitativa.

O ouro, portanto, continuará a subir, com correcções
inevitáveis, para lá dos 2.100 dólares por onça, e os investidores
institucionais vão então lançar-se na corrida enquanto os fluxos de ouro físico
nos ETFs continuarão a aumentar. Em 1980, o preço do ouro representava 9,9% da
receita americana de 8.547 dólares. Com o rendimento médio americano disponível
é hoje 53.700 dólares, o ouro poderia teoricamente subir para 5.345 a onça.
Warren Buffett tem razão ao reconhecer hoje os seus erros.
Tudo está pronto para que ocorra um colapso, incluindo o “GAFAM”, com uma hiperinflação em jogo.
Como complemento à
análise, sugerimos a leitura de : https://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.com/2020/08/porque-e-que-as-bolsas-aumentam.html
Sem comentários:
Enviar um comentário