As epidemias não esperaram pela globalização ou pela crise
do coronavírus para se espalharem pelo mundo. Desde os tempos antigos, as
doenças dizimaram populações inteiras no espaço de alguns meses ou mesmo dias,
provocando o terror entre os habitantes diante de um mal desconhecido.
Versão globalizada da epidemia, a pandemia (pandémie) é caracterizada por uma rápida disseminação e alta taxa de mortalidade. Transmitidas por vírus ou bactérias (virus ou bactéries) desconhecidas na sua época, essas pandemias mataram milhões de pessoas e marcaram a história da humanidade.
A peste de Atenas (-430 à -426 antes de Cristo)
A primeira pandemia (pandémie) documentada na história, a peste (peste) de Atenas é provavelmente
devida à febre tifóide (fièvre ). Descrita pelo
historiador Tucídides, ele próprio afectado pela doença, ela manifesta-se por
febres intensas, diarreias (diarrhées), vermelhidão e convulsões
(convulsions). Vinda da Etiópia, ataca o Egipto e a Líbia,
depois chega a Atenas no momento do cerco da cidade de Esparta, durante a
Guerra do Peloponeso (guerre du Péloponnèse).
Estima-se que um terço da cidade, ou 200.000 habitantes, pereceram durante esta
epidemia que marcará o início do declínio de Atenas.
A peste Antonina (165-166)
Aqui de novo, esta pandemia não se deve à peste, mas à
varíola (variole). Leva o nome da
dinastia Antonina, da qual se destacou o imperador Marc-Aurèle, que reinava
então sobre o Império Romano. A pandemia começou no final de 165 na
Mesopotâmia, durante a guerra contra os Parthes e chegou a Roma em menos de um
ano. Estima-se que tenha causado 10 milhões de mortes entre 166 e 189,
enfraquecendo consideravelmente a população romana (la population romaine). A varíola, causada por um vírus (virus )e caracterizada por
crostas (croûtes) avermelhadas, diarreia e vómito, foi
declarada erradicada no ano 180.
A peste negra (1347-1352)
Depois de ter
assolado a China, a pandemia da peste negra (peste) chegou em 1346 à Ásia Central, entre
as tropas mongóis que cercavam o porto de Caffa, no Mar Negro, mantido por
comerciantes genoveses. A doença, manifestada por horríveis bolhas (bubons), espalhou-se para o
norte de África e depois para a Itália e a França, onde chegou pelo porto de
Marselha através de navios genoveses. Estima-se que essa epidemia, também
apelidada de "a grande peste",
tenha causado entre 25 e 40 milhões de mortes na Europa, ou seja, entre um
terço a metade da sua população na época.
A gripe espanhola (1918-1919)
Causada por um vírus
do tipo A H1N1 particularmente virulento, a gripe espanhola (grippe espagnole) é na realidade de origem asiática. A seguir
chega aos Estados Unidos, depois atravessa o Atlântico trazida por soldados que
vieram ajudar a França. Se foi apodada de gripe espanhola (grippe), é porque o país, não
sujeito a censura e guerra, relata as primeiras notícias alarmantes. Quando se
extinguiu em Abril de 1919, o balanço foi terrível. A gripe espanhola matou 20
a 30 milhões de pessoas na Europa e até
50 milhões à escala mundial, não poupando quase nenhuma região do globo. Estima-se
que um terço da população mundial tenha sido infectada.
A cólera (1832-1932)
Endémica durante vários séculos no delta do Ganges, na
Índia, a cólera (choléra ) espalhou-se para a Rússia em 1930, depois
para a Polónia e Berlim. Desembarcou em França em Março de 1832, através do
porto de Calais, e depois chegou a Paris. Manifestando-se por diarreias brutais
e vómitos, a cólera (cuja causas desconhecemos, a bactéria Vibrio choleræ) (choléra) causa desidratação rápida (déshydratation), às vezes
levando à morte em poucas horas. A epidemia causará quase 100.000 mortes em
menos de seis meses em França, incluindo 20.000 em Paris. Chegará então ao
Quebec-Canadá através de imigrantes irlandeses, onde também causará estragos.
A gripe asiática (1956-1957)
Ligada ao virus influenza H2N2, a gripe de 1956 é a segunda pandemia
de gripe mais letal depois da ocorrida em 1918. Causará de dois a três milhões
de mortes em todo o mundo, incluindo 100.000 em França, 20 vezes mais do que a
gripe clássica sazonal (grippe saisonnière). Com
origem na China (daí o seu nome), o vírus espalha-se para Hong Kong, Singapura
e Bornéu, depois Austrália e América do Norte, antes de atingir a Europa e a
África. Alguns anos depois, transferiu-se para o H3N2 para causar uma nova
pandemia em 1968-1969, apelidada de "gripe de Hong Kong". Esta última marcará o início das primeiras
vacinas eficazes contra a influenza (vaccins antigrippaux).
A sida (1981-até aos dias de hoje)

Céline Deluzarche formou-se
no Institut Français de Presse em 2004. Criou e alimentou a rúbrica Ciência no site L'Internaute até 2007, antes de trabalhar para a secção de negócios
do Journal du Net.
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