Numa reacção à entrevista que a Ministra da (In)cultura,
Graça Fonseca, deu à RTP 1, a propósito da “resposta” que o governo que integra
pretende dar à crise no sector provocada pela pandemia de COVID-19, os meus
camaradas Sofronisco e Viriato escreveram este texto cujo conteúdo deve
despoletar um debate sério na sociedade àcerca do que o sector da cultura deve
exigir para que se torne independente e um contributo para o elevar da
consciência política, social e cultural dos operários e dos trabalhadores.

1 milhão para os artistas (chega para dar o salário mínimo a 1500 artistas aprox.)
600 mil para os livreiros.
É só fazermos as contas, sabemos quais são as prioridades...
A lógica do dinheiro no cerne de de tudo. Se tiver fins
lucrativos, comercializar se facilmente, abranger as massas haverá esse
investimento do poder político e da indústria em si, promotores, agentes,
entidades etc. É uma espiral, por isso compete a muita gente essa revolução de
mentalidades.
Aqueles ditos artistas da alcatifa da fama que andam à boleia,
que dominam as ditas rádios, ditas televisões, e ditos festivais, mas não
dominam de música ironicamente. Monopolizam a indústria de tal forma que só não
vê quem não quer o saque, os interesses e os empurrões. Talvez se as pessoas
soubessem dessas ascensões duvidosas os mandassem bugiar, ou talvez até
gostassem mais.
E um sistema político que é complacente com isto é tão ou mais culpado. Um serviço público que não tem um sistema de candidatura para as diversas áreas do meio artístico, e insere quem se chega à frente ou quem tem padrinhos, é um serviço podre. Que não existe. Tal e qual aquele festival daquele partido revisionista, que se diz (meramente à toa) defensor de um ideal onde a igualdade e a justiça são critérios prioritários, e isso é tudo falso e prestam a mesma vassalagem. Como se vê aliás na acção que têm no (des)governo.
...Assim vai o país na área da música. A diferença existe
naqueles que não compactuam, que não andam à boleia e sabem um pouquinho mais
de música. Sendo que ler livros vai no batalha, curiosamente é quem mais falha
na hora da batalha. Quem é farinha deste saco a seco engolirá, quem não é um
sorriso bradará.

E aqueles que têm amiguinhos com dinheiro e Dick Tracys? Tocam
nos bares da vizinhança e enchem a pança com o mesmo consumo rápido dos
enchidos sem fome de renome.
Para ”nós “ a cultura tem uma importância determinante no
processo civilizacional. A cultura é uma forma superior de comunicação e
relacionamento humano. É através dela que é possível identificar as relações
sociais de uma determinada época porquanto a consciência do artista, associada
à sua capacidade criativa, procedem do movimento que tem por base as relações
de produção estabelecidas entre as classes num determinado sistema de
organização social.
Em Portugal, assim como em todo o mundo do capitalismo
globalizado, a cultura que predomina é a da classe dominante – a burguesia
capitalista –, que com o objectivo de perpetuar a sua dominação, utiliza todos
os meios para impor uma concepção metafísica do mundo, no intuito de justificar
a ordem estabelecida e afastar as massas populares da luta pela sua própria
emancipação.
Não temos qualquer perspectiva e postura de carácter
serventuário nem de submissão, como os partidos da burguesia que são bengalas e
reboque do dinheiro, e como tal defenderemos sempre e acima de tudo os direitos
das massas populares contribuindo para uma autêntica afirmação e valorização de
uma autêntica cultura popular e progressista.

A partir do momento em que é usada como meio de marketing, explorando assim tudo que é susceptível de defraudar, como meio comercial eclodindo no mainstream e monopolizando os meios que a difundem e vice versa, em que determinados artistas têm privilégios e asseguram favores, limitando e condicionando assim outros artistas silenciando e não permitindo a sua entrada na indústria, e que a partir do momento em que a música e movida por grupos, lobbies cujo o principal objectivo é a divulgação rápida e contínua, até à exaustão, da arte sonora, e ela é pré concebida nesses moldes comerciais, ela está moribunda. Deixa de ser música. Uma das nossas propostas nesse sentido seria a criação e implementação (para o público e privado) de uma comissão de análise isenta imparcial e com elementos de variados estilos de música de forma a atender e evitar o boicote dos artistas na sua amplitude. Através de uma análise séria e equitativa, combatendo assim o actual modelo totalmente parcial e injusto , controlado e minado por alguns músicos, promotoras/editoras e directores de emissão (rádio e televisão). Só assim haveria uma revolução justa na cultura e digna do próprio nome. Se continuarmos assim, viveremos numa ditadura artística, além de económica que aliás está na génese do problema.
Sofronisco e Viriato
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