Denunciámos vezes sem conta, quer nas páginas do Luta Popular online, quer através da distribuição de comunicados sobre o tema, seguida de discussão com os operários de várias fábricas, de que, tal como Lenine afirmava no início do Século XX, os Estados Unidos da Europa ou são uma impossibilidade ou são reaccionários!
As bandeiras da convergência e da subsidariedade foram
vendidas como a salvação de uma Europa em decadência. Hoje, face às
consequências da pandemia de COVID-19, podemos ter uma consciência mais apurada
do que representam esses conceitos aparentemente atractivos, com que os Miguéis
de Vasconcelos nos sucessivos governos, venderam os activos de Portugal aos
interesses do imperialismo europeu.

Bem que pode a UE vir agora cagar milhões.. O dinheiro até
pode ser “faz de conta” (basta colocar as rotativas a funcionar em pleno), mas
as dívidas são reais e os credores não
as perdoarão.
Os credores, que há muito que vêem nas dívidas ditas
soberanas o maior negócio das suas vidas, num momento em que se regista uma das
maiores crises de sobre-produção (mais oferta de mercadorias do que procura) não
abrirão mão da sua boa cobrança. E os mecanismos que controla – FMI, Banco
Mundial, BCE, etc. - estarão lá para o
assegurar.
Bem podem Costa e Centeno vir afirmar que não haverá mais
austeridade e que já se pode vislumbrar a luz ao fim do túnel, no que são
acompanhados pelo presidente Marcelo. Dizer mesmo que, tendo estado no passado
contra ela, não faria sentido agora acolhê-la.
Com isto escamoteiam o principal. Os muitos mil de milhões
de euros que a União Europeia decidiu “libertar” para “ajudar” os países a
enfrentar a crise pandémica – fizeram questão de o sublinhar – terão de ser
pagos. Escondem que a tal luz ao fim do túnel nos encadeia e impede de vermos o
comboio desgovernado e a alta velocidade que nos vai albarroar.
Uma vez mais, quem fará chegar o dinheiro aos destinatários
serão os bancos, mas protegidos por um fiador de peso, o Estado! Estado que,
como no passado, transformará divida privada em dívida pública. Dívida que, uma
vez mais, será cobrada a quem trabalha.
A agravar o quadro, e devido a esta suicida política de
adesão e manutenção a uma Comunidade Europeia, onde os países industrializados
e ricos sujeitam os elos mais fracos do sistema capitalista e imperialista
europeu à divisão de trabalho que mais lhes convém, os países do sul serão
aqueles que sairão desta crise agravada pelo coronavirus, ainda mais pobres e
fragilizados.
O facto de terem destruído o seu tecido produtivo, a mando
do imperialismo europeu – com o imperialismo germânico à cabeça – deixa países
como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, numa situação de fragilidade total já
que a sua capacidade industrial e agrícola instalada, extremamente debilitadas,
prenuncia uma resposta à crise financeira e pandémica a anos luz de uma solução
aceitável para quem trabalha.

É o próprio FMI que, através da sua presidente, Kristalina Georgieva,
veio esta 4ª feira afirmar que a sua mensagem “...para os governos é: gastem tanto
quanto puderem, mas guardem os recibos", referindo que quer Portugal, quer outros países que integram a
UE caminham para a tempestade perfeita da dívida.
Quem não perceber que esta situação decorre, por um lado, da
política de destruição do nosso tecido produtivo e, por outro, da destruição
progressiva e sistemática do Serviço Nacional de Saúde que, não estando
preparado ou equipado para fazer face à pandemia do COVID-19, optou pelo
confinamento geral da população, nunca perceberá seja o que for.
A mesmíssima política que transformou Portugal e os
trabalhadores que no país vendem a sua força de trabalho, em criados de libré,
em força de trabalho não qualificada e precária, com salários baixos – o actual
salário mínimo passou a ser o salário máximo - , agrupados em call centers que servem os interesses
das grandes corporações europeias, a esmagadora maioria delas com sede social
fora do país, muito provavelmente em algum paraíso fiscal.
O papel dos operários e dos comunistas nunca poderá ser o de
se apresentarem como gestores do capital, apostados em apontar soluções para
“amenizar” a crise sistémica capitalista. O seu papel, ao contrário de toda o
leque partidário que se reclama da esquerda, mas que não passam de vendidos ao
sistema capitalista – PS, PCP, BE,
Verdes, PAN, aos quais se juntam os trotsquistas com a sua patética teoria
entrista de transformação do sistema e da UE, por dentro (?!!!) – é o de criar
as condições para que a revolução proletária faça o seu caminho que é o da
destruição do sistema capitalista, do seu modo de produção e das relações de
produção que produzem, é o de acabar com a escravatura assalariada.
Retirado de: http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/2706-virus-desfere-golpe-de-misericordia-sobre-uniao-europeia
Infelizmente, vai ser remédio já conhecido, quem paga é quem pede o resto e letra.
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