sexta-feira, 16 de outubro de 2026

As revoltas populares chamam a atenção do proletariado: elas colocam-no perante a sua responsabilidade histórica


As revoltas populares chamam a atenção do proletariado: elas colocam-no perante a sua responsabilidade histórica

16 de Outubro de 2026 Robert Bibeau



Pelo GIGC, 10 de Outubro de 2026.  Em  Révolution ou Guerre – Revolução ou Guerra

Comunicado internacional sobre as lutas em curso na Europa (10 de outubro de 2026)

As manifestações de liceais e estudantes que decorrem há três semanas em França não são uma expressão de revolta isolada. 

Os ratos correm nas salas de aula. Pedaços do tecto caem sobre os alunos. O aquecimento não funciona no Inverno e os edifícios sem isolamento transformam-se em fornos assim que a temperatura sobe. Os alunos, especialmente nos bairros operários, não têm professores porque não são substituídos em caso de ausência. Tudo isto acendeu a chama. E a repressão policial brutal e massiva deitou lenha na fogueira. Nessas condições, não é de estranhar que toda a população simpatize e apoie a mobilização dos liceais.


Mas as manifestações expressam sobretudo o descontentamento e a preocupação crescente, especialmente dos trabalhadores assalariados, face ao rumo que o capitalismo quer impor a toda a sociedade em França, como em todos os países. Por um lado, a miséria está a generalizar-se e a exploração laboral explode; por outro, os orçamentos militares destinados a preparar uma guerra imperialista generalizada também disparam.

Se não estão isoladas em França do resto da população, também não estão ao nível internacional. O mesmo tipo de movimento estudantil tem percorrido as ruas das principais cidades da Valónia, na Bélgica, nas últimas semanas [1]. O dia de acção sindical de sexta-feira, 9 de Outubro, contou com 50 000 manifestantes em Bruxelas contra o último plano de austeridade dirigido à classe operária. Esta manifestação terminou em confrontos com a polícia.

Ao mesmo tempo em Espanha, há apenas quinze dias, dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas das principais cidades espanholas para apoiar uma mulher de 87 anos expulsa da sua casa após um aumento de renda de 300%. Esta, conhecida pelo seu nome MariCarmen, faleceu desde então, provocando uma emoção e uma raiva renovadas que voltou a levar dezenas de milhares de pessoas às ruas.

Na verdade, é em todos os países que a miséria e a exploração explodem exactamente no momento em que o capitalismo se prepara para uma guerra generalizada, arriscando destruir a civilização industrial moderna e devastar ainda mais o ambiente do qual dependemos para sobreviver. Em Portugal, a 14 e 15 de Outubro. É em todos os países que a raiva e a revolta tendem a explodir. O futuro que o capitalismo em crise nos prepara é sombrio. Todos mais ou menos têm consciência disso.


Mesmo que sejam apoiadas individualmente pelos pais, professores e trabalhadores assalariados, as manifestações de liceu e universitárias deixadas à sua sorte estão condenadas a ser apenas um fogo de palha. Tanto em França como na Bélgica, ou em qualquer outro lugar. O mesmo vale para as manifestações contra a explosão das rendas em Espanha e noutros lados. Não se trata apenas de nos meter todos juntos, mas sobretudo é toda a classe que produz riqueza, a classe operária, os assalariados, o proletariado, que deve envolver-se e assumir a direcção das revoltas, dando-lhes uma perspectiva de luta tanto contra os ataques imediatos às nossas condições de vida; e… contra o capitalismo para, no fim, o derrubar. Não há outro caminho face à miséria primeiro e à guerra depoiss.

Nesse sentido, os estudantes do ensino secundário em França e na Bélgica, os manifestantes espanhóis e portugueses, assim como todas as revoltas ditas populares que surgem na maioria dos continentes, desafiam o proletariado como um todo: colocam-no diante da sua responsabilidade histórica.

Em França e na Bélgica, apelamos, portanto, a todos os proletários mais combativos para se juntarem e participarem nas manifestações e assembleias de estudantes do ensino secundário e universitárias. Incentivamo-los especialmente a agrupar-se e formar comités de luta, ou qualquer outra forma de agrupamento activo e militante, para poderem: intervir colectivamente nas manifestações e assembleias; e preparar a entrada em luta e em greve pelas reivindicações mais amplas e unitárias possíveis. Chamamos em particular aos professores para não se limitarem a apoiar os seus alunos, mas a envolverem-se na luta pelas suas reivindicações que, na sua essência, coincidem com as dos estudantes do secundário.[2].

O capitalismo prepara a guerra generalizada entre blocos imperialistas armados com armas nucleares. Para isso, tem de impor cada vez mais sacrifícios e misérias a todas as populações, e em primeiro lugar ao proletariado. E isso em todos os países. Por outras palavras, é obrigado a provocar confrontos massivos contra a classe operária em todos os países. Estamos aí.


Notas

[1] . Também em Itália, ao que parece (https://www.ilfattoquotidiano.it/2026/10/07/occupazioni-scolastiche-italia-proteste-francesinotizie/8531059/ )

[2] . Em França e de forma imediata, as manifestações convocadas pelos sindicatos previstas para terça-feira, 13 de Outubro, e sábado, 17, podem ser a oportunidade de transformar esses dias em verdadeiros momentos e ocasiões para iniciar uma resposta aberta e colectiva de sectores significativos da classe operária.

 

Fonte: Les révoltes populaires interpellent le prolétariat: elles le mettent devant sa responsabilité historique – les 7 du quebec

Este comunicado foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Sem comentários:

Enviar um comentário