Após
o movimento dos liceus, todos em luta contra a austeridade e os sacrifícios
destinados a preparar a guerra generalizada!
A situação económica, social e política é crítica; o navio
está a meter água por todo o lado, e à primeira vista, é difícil ver qualquer
saída de emergência.
Por um lado, nos liceus e colégios, os ratos correm nas
salas de aula, o aquecimento não funciona no inverno e os edifícios sem
isolamento transformam-se em fornos assim que a temperatura sobe. Os alunos,
especialmente nos bairros operários, não têm professores porque não são
substituídos em caso de ausência. E quando tentam opor-se, o Estado envia-lhes
a sua milícia, sem hesitar em cegar ou mutilar.
Por outro lado, os salários não acompanham a inflação, os
orçamentos cada vez mais austeros apertam cada vez mais violentamente o nó à
garganta dos trabalhadores, e enquanto a indústria de armamento se farta,
corta-se o orçamento da segurança social. Os capitalistas parecem ter feito a
sua escolha: prefere-se investir em máquinas de matar do que em cuidados de
saúde.
Na verdade, é em todos os países que a miséria e a
exploração explodem precisamente no momento em que o capitalismo prepara a
guerra generalizada, correndo o risco de destruir a civilização industrial
moderna e devastar ainda mais o ambiente do qual dependemos para sobreviver. É
em todos os países que a raiva e a revolta tendem a explodir. O futuro que o
capitalismo em crise nos prepara é sombrio. Toda a gente está mais ou menos
consciente disso.
A manifestação deste sábado, 17 de Outubro, pode ser um
ponto de viragem na dinâmica de mobilização que acontece há várias semanas;
pode significar a entrada em cena dos trabalhadores e trabalhadoras. É uma
necessidade vital para que a porta aberta pelos alunos do secundário não se
feche, e, pelo contrário, se abra de par em par.
Não é apenas juntos que temos de nos envolver,
mas sobretudo é a totalidade da classe que produz riquezas, a classe operária,
os assalariados, o proletariado, que deve comprometer-se e tomar a direcção das
revoltas, dando-lhes uma perspectiva de luta tanto contra os ataques imediatos
às nossas condições de vida como… contra o capitalismo, para, no fim, o derrubar. Não há outro caminho
perante a miséria primeiro e a guerra depois.
Neste sentido, as mobilizações em França e em todo o lado chamam a atenção do proletariado como um
todo: colocam-no diante da sua responsabilidade histórica. Esta constatação não
se limita a França; aplica-se também às manifestações contra a explosão das
rendas em Espanha, às manifestações estudantis e outras na Bélgica, em Itália
que estão a decorrer neste momento...
As mobilizações de liceais e estudantes deixadas por conta
própria estão num beco sem saída; só poderão ter uma saída de emergência
através de uma acção massiva dos trabalhadores, que só poderá ocorrer no
terreno da classe. Simpatizar e apoiar os liceus e estudantes não basta. É
preciso mobilizar-se e procurar entrar em luta e em greve colectivamente. As
referências a Maio de 1968 são partilhadas por muitos. A força de Maio de 1968
deveu-se precisamente ao facto de os trabalhadores terem entrado em luta
massiva na sequência das manifestações estudantis e, convém salientar, apesar
e, muitas vezes, contra a opinião dos sindicatos. Encorajamos todos aqueles que
se reconhecem nesta constatação e desejam «fazer algo», a agirem em conjunto e
formar comités de luta, ou qualquer outra forma de agrupamento activo e
militante, para poder:
- intervir coletivamente em manifestações e assembleias;
- preparar a entrada em luta e greve sobre as reivindicações
mais amplas e unitárias possíveis;
- e ir aos locais de trabalho e outros para expandir e
generalizar a luta.
O capitalismo prepara a guerra generalizada entre blocos
imperialistas armados com armas nucleares. Para isso, tem de impor cada vez
mais sacrifícios e miséria a todas as populações, principalmente ao
proletariado, e isso em todos os países. Perante esta perspectiva bárbara, só
existe um caminho: resistir colectivamente a todos os ataques às nossas
condições de vida e de trabalho. Contra a austeridade e os sacrifícios
generalizados, contra o aumento da miséria, trabalhadores, empregados do sector
público e privado, reformados, estudantes, liceais, desempregados,
trabalhadores «não-imigrantes» e imigrantes, mulheres e homens, todos em luta!
O GIGC-Révolution ou guerre, 16 de Outubro de 2026 (www.igcl.org, intleftcom@gmail.com )


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