domingo, 25 de outubro de 2026

A luta de classes é o motor mais decisivo da história!

 



A luta de classes é o motor mais decisivo da história!


Ridha Klouche

 


« Quando se afasta a luta de classes como um fenómeno penoso e «vulgar», ao socialismo não lhe resta mais nada a não ser fundamentar-se no «verdadeiro amor pela humanidade» e nas frases ocas sobre a «justiça». 

É um fenómeno inevitável, inerente ao progresso e à evolução, que indivíduos da classe dominante venham juntar-se ao proletariado em luta e lhe tragam elementos constitutivos. Já o dissemos no Manifesto Comunista, mas aqui há duas observações a fazer:

 

Primeiro: esses indivíduos, para serem úteis ao movimento proletário, devem realmente trazer-lhe elementos constitutivos de um valor real. No entanto, esse não é o caso da grande maioria dos convertidos burgueses alemães. Nem o Avenir nem a Société Nouvelle (1) trouxeram algo que tivesse feito avançar de um passo o nosso movimento. Os elementos constitutivos de um verdadeiro valor prático ou teórico estão totalmente em falta. Em vez disso, as tentativas de harmonizar as ideias socialistas superficialmente assimiladas com as opiniões teóricas mais diversas que estes senhores trouxeram da universidade ou de outro lugar, e das quais uma é mais confusa do que a outra, graças ao processo de decomposição que actualmente atravessa o que resta da filosofia alemã. Em vez de estudar seriamente a nova ciência, cada um prefere ajustá-la para que concilie com as suas opiniões aprendidas, fabricando-se sem cerimónia uma ciência própria e exibindo imediatamente a pretensão de o ensinar aos outros. É por isso que entre esses senhores há quase tantos pontos de vista quantas cabeças...

Em segundo lugar: quando esses indivíduos vindos de outras classes se juntam ao movimento proletário, a primeira coisa a exigir é que não tragam consigo os resquícios dos seus preconceitos burgueses, pequeno-burgueses, etc., mas que adoptem, sem reservas, as concepções proletárias... 

Quanto a nós, com base em todo o nosso passado, só nos resta um caminho. Há quase quarenta anos que apontamos a luta de classes como o motor mais decisivo da história e, em particular, destacámos a luta social entre a burguesia e o proletariado como a grande alavanca da revolução social moderna. Portanto, de forma nenhuma podemos associar-nos a pessoas que queiram eliminar do movimento esta luta de classes. Quando da criação da Internacional, formulámos o lema do nosso combate: a emancipação da classe operária será obra da própria classe operária. Por conseguinte, não podemos seguir o mesmo caminho de pessoas que declaram abertamente que os operários são demasiado incultos para se libertarem sozinhos, e que devem ser libertados por cima, ou seja, por grandes e pequenos burgueses filantrópicos...

Rascunho da carta-circular de Marx e Engels a Bebel, Liebknecht, Bracke e outros, Setembro de 1879. A relação de todos os estados e das formações sociais é determinada pelo modo de produção bifurcado, que é mundial, problemático, ingovernável e criminoso: 2 carnificinas mundiais, depois mais de 700 guerras, e isso continua.

«Quando se rejeita a luta de classes como um fenómeno penoso e “vulgar”, ao socialismo não resta mais nada a não ser basear-se no “verdadeiro amor à humanidade” e nas frases feitas sobre a “justiça”. «A fraternidade das classes antagonistas, em que uma explora a outra, essa fraternidade proclamada em Fevereiro, inscrita a grandes letras na frente de Paris, em cada prisão, em cada quartel, - a sua expressão verdadeira, autêntica, prosaica, é a guerra civil, a guerra civil na sua forma mais terrível, a guerra entre o trabalho e o Capital. Essa fraternidade ardia em todas as janelas de Paris, na noite de 25 de Junho, quando Paris... da burguesia iluminava, enquanto o Paris do proletariado queimava, sangrava, gemia. » Nova Gazeta Renana, 29 de Junho de 1848

« Não só a igualdade e a liberdade são respeitadas na troca baseada em valores, como a troca de valores é a base produtiva e real de todas as liberdades e da igualdade. (...) Como o dinheiro não é nada mais do que a concretização do valor de troca, e que o sistema monetário deve ser desenvolvido para que se realize o sistema dos valores de troca (ou vice-versa), o sistema monetário significa a realização do reino da liberdade e da igualdade.

Aliás, acontece que alguns socialistas retomam essas tolices, nomeadamente em França. Eles pretendem demonstrar que o socialismo é a realização das ideias da sociedade burguesa enunciadas pela Revolução francesa. Eles afirmam, entre outras coisas, que, originalmente, a troca, o valor, etc..., representavam (sob uma forma adequada) o reino da liberdade e da igualdade para todos, mas que tudo isso foi corrompido pelo dinheiro, pelo capital, etc.

A história teria tentado em vão até hoje realizar essas ideias de acordo com a sua essência verdadeira (que Proudhon, por exemplo, tal como Jacob, descobriu): a história falsa dessas ideias pode, portanto, dar lugar agora à história verdadeira.

É preciso responder-lhes: o valor de troca, e melhor ainda o sistema monetário, constituem na verdade o fundamento da igualdade e da liberdade; as perturbações surgidas na evolução moderna não são senão distúrbios imanentes a este sistema; noutras palavras, a realização da igualdade e da liberdade provoca a desigualdade e o despotismo. Querer que o valor de troca não se desenvolva em capital, ou que o trabalho que produz valores de troca não conduza ao assalariamento, é um desejo tão piedoso quanto ingénuo.

Aqui está o que distingue estes senhores dos apologistas burgueses: por um lado, eles têm o sentimento das contradições internas do sistema social; e por outro, lançam-se em utopias, sem discernir a diferença que existe necessariamente entre a forma real e a forma ideal da sociedade burguesa, o que os leva a querer empreender tarefas vãs, como a implementação dos ideais desta sociedade, que na verdade não passam de uma imagem reflectida da realidade presente."

Karl Marx, "Grundrisse"

Os «direitos do homem» assumem a aparência de «direitos naturais», porque a actividade consciente se centra no acto político. O homem egoísta é o resultado passivo, simplesmente dado, da sociedade decomposta, objecto da certeza imediata, portanto objecto natural. A revolução política decompõe a vida burguesa nos seus elementos, sem revolucionar esses elementos em si mesmos e submetê-los à crítica. Ela está para a sociedade burguesa, para o mundo das necessidades, do trabalho, dos interesses privados, do direito privado, como para a base da sua existência, como para uma hipótese que não precisa ser fundamentada, portanto, como para a sua base natural. Finalmente, o homem tal como é, membro da sociedade burguesa, é considerado como o homem propriamente dito, o homem em oposição ao cidadão, porque é o homem na sua existência imediata, sensível e individual, enquanto o homem político não é senão o homem abstracto, artificial, o homem enquanto pessoa alegórica, moral. O homem verdadeiro,  só se reconhece primeiro sob a forma do indivíduo egoísta, e o homem real sob a forma do cidadão abstracto.

Karl Marx, A Questão Judaica, 1843

 

 

Fonte: Página do Facebook de Ridha Klouche

Este texto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice


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