domingo, 18 de outubro de 2026

A INSURREIÇÃO POPULAR INTERPELA A VANGUARDA DO PROLETARIADO

 


A INSURREIÇÃO POPULAR INTERPELA A VANGUARDA DO PROLETARIADO

18 de Outubro de  2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau et Robert Bibeau.

Enquanto as manifestações operárias se espalhavam como um rastilho de pólvora na Rússia czarista, especialmente a partir das manifestações das operárias têxteis de Petrogrado, LENINE e o Partido Comunista (bolchevique) da Rússia, já a partir de 23 de Fevereiro de 1917, lançam o slogan popular: «PAO PARA O POVO!» e «ABAIXO O CZARISMO!».

Esta insurreição popular levou à demissão do czar Nicolau II e ao regresso de LENINE à Rússia que, logo à sua chegada, em Abril de 1917, se opôs firmemente «ao governo provisório» e proclamou:

O FIM DA GUERRA IMPERIALISTA!

A CONFISCAÇÃO DAS TERRAS DOS GRANDES PROPRIÉTARIOS!

O CONTROLO DA PRODUÇÃO PELOS OPERÁRIOS!

TODO O PODER AOS SOVIETES DE OPERÁRIOS, CAMPORES E SOLDADOS!

(re:tile.loc.gov: «Lenin and the Making of the Soviet State»; socialistproject.ca: «All Power to the Soviets»)

Em Junho-Julho de 1917, fortalecidos pelas vitórias retumbantes da campanha pelo «fim da guerra», LENINE e o PC(b)R organizaram, a 18 de Junho de 1917, em Petrogrado, uma manifestação gigante com a palavra de ordem: «ABAIXO OS 10 MINISTROS CAPITALISTAS DO GOVERNO PROVISÓRIO E TODO O PODER AOS SOVIETES DE OPERÁRIOS, CAMPORESSES E SOLDADOS!» que foi seguida pelos dias de greves de 3 e 4 de Julho, nas quais dezenas de milhares de operários e soldados armados participaram (re: openstax. marxists.info; marxists.org,5/07/1917: «Where Is State Power and Where Is Counter Revolution»).

Após a tentativa de golpe de Estado reaccionário do general czarista Kornilov, em agosto, LENINE e os bolcheviques ganharam influência e, em OUTUBRO, apelaram ao derrube do governo provisório e à tomada do poder pelos SOVIETES DE OPERÁRIOS, CAMPONESSES E SOLDADOS SOB O PROGRAMA REVOLUCIONÁRIO: PAZ, PÃO, TERRA. Os três lemas últimos do povo revolucionário russo, esmagado pela guerra imperialista, pela fome capitalista e pela opressão feudal (re: Lenine, «As tarefas do proletariado na nossa Revolução (Teses de Abril)»; «Sobre as palavras de ordem»; marxists.org; Lenin.public-archives.com, 14 e 17/07/1917).

O ensinamento de LENINE e do Partido Comunista (b) da Rússia demonstra que a acção revolucionária proletária não consiste em «interpretar o mundo de diversas maneiras, mas em transformá-lo» e que, para o transformar, ele deve dotar-se de uma organização revolucionária armada de palavras de ordem revolucionárias que correspondam aos imperativos concretos do movimento revolucionário contemporâneo, que esteja preparada para o combate e pronta para todos os sacrifícios para vencer o inimigo de classe e derrubar a sua ditadura.

Parece correcto que a conjuntura internacional que os camaradas do GIGC descrevem sumariamente, uma conjuntura que nós próprios descrevemos nos nossos comentários de 11, 13 e 15 de Outubro de 2026 nas páginas do webmagazine les7duquebec.net, «interpela o proletariado face à sua missão histórica», mas antes mesmo de interpelares a massa do proletariado espancado, gaseado e atordoado pela propaganda debilitante da burguesia, as insurreições populares interpela primeiro os MARXISTAS para que assumam a sua responsabilidade revolucionária. (Ver estes artigos aqui : Résultats de recherche pour « enseignement  » – les 7 du quebec )

Chamar “os proletários mais combativos a juntarem-se e a participar nas manifestações e assembleias de liceus e universidades. [incentivar] a agruparem-se e a formarem comités de luta […] sobre as reivindicações mais amplas e unitárias possíveis”, não responde completamente à missão histórica da “vanguarda proletária mais combativa”.


Assim, sem PALAVRAS DE ORDEM REVOLUCIONÁRIAS que galvanizem a juventude e a mobilizem contra a burguesia, “os proletários mais combativos” submetidos às organizações pequeno-burguesas acabarão por contribuir para conduzir a revolta estudantil para a colaboração de classes, as reformas sem futuro e o esmorecimento do movimento.

«Os proletários mais combativos» têm o dever de elevar o nível de consciência dos alunos do secundário, universitários, professores, funcionários de apoio, pais e de todos aqueles que lutam ao seu lado, para os convencer a lutar até ao fim para impedir que a burguesia transfira o dinheiro dos impostos e das taxas dos trabalhadores para o armamento.

Todos os agentes do Estado, de extrema-direita, direita, centro, centro-extremo, assim como de esquerda e extrema-esquerda caviar; do governo assim como dos partidos políticos burgueses, RENAISSANCE, RN como a LFI; de MACRON, NŪNEZ, LE PEN, MÉLENCHON e todos os outros, «oferecem» «negociar» um «acordo» com os estudantes, mas nenhum destes renegados diz onde vai buscar o dinheiro necessário para financiar este «acordo». Será da saúde? Das pensões dos reformados? Dos apoios sociais? Do endividamento? Tirar a roupa a João para vestir o Pedro?

Com certeza, já que «nada se perde, nada se cria» e o Estado capitalista francês está falido, o dinheiro que supostamente será «investido» na educação, ou não o será, ou virá de outro orçamento social. 

É por isso que nós, MARXISTAS, declaramos alto e bom som que «os proletários mais combativos» devem juntar-se ao movimento estudantil com o lema: NEM UM CÊNTIMO PARA O ARMAMENTO, TODO O DINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO!

Esta palavra de ordem conjuntural, se levada a cabo, atinge dois objectivos: 

traz ao sistema educativo em decadência o dinheiro necessário para a sua restauração de uma forma socialmente desejável; 

combate concretamente o desvio capitalista do dinheiro dos impostos e taxas dos operários para o complexo militar-industrial dos capitalistas que prepara a Terceira Guerra Mundial termonuclear apocalíptica.


NEM UM CÊNTIMO PARA O ARMAMENTO, TODO ODINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO

 

Fonte: L’INSURRECTION POPULAIRE INTERPELLE L’AVANT-GARDE DU PROLÉTARIAT – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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