quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A ameaça da inteligência artificial está na sociedade comercial que desvaloriza o pensamento humano


A ameaça da inteligência artificial está na sociedade comercial que desvaloriza o pensamento humano

8 de Outubro de 2026 Robert Bibeau

Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.

No seu artigo, o camarada Mesloub demonstrou-nos dialeticamente que a IA burguesa é apenas "[O] último fetiche de um capitalismo em decadência". Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Inteligência Artificial e Robótica, último recurso do Capital

Considerando que:

"[O] sistema social historicamente exaurido transforma esse poder colectivo da humanidade num instrumento para a valorização do capital e acaba por se apresentar como o elemento obsoleto do processo. Assim, a ameaça fundamental não está na inteligência artificial, que se tornaria superior aos seres humanos, mas na sociedade de mercadorias que passa a desvalorizar o pensamento humano a ponto de torná-lo supérfluo ou obsoleto. Esse sistema tem um nome: capitalismo.» (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Inteligência Artificial e Robótica, último recurso do Capital)

Como explicamos no nosso comentário:

A "IA" pelas suas fontes "filtradas e exfiltradas"; os seus algoritmos patenteados e aprendizado tendencioso" de forma alguma escapam à luta de classes entre a burguesia e o proletariado, tanto pela sua posse quanto pelo seu propósito de "regurgitar" na forma de uma "avaliação ou conclusão fundamentada", a ideologia da classe dominante dos exploradores de todos os tempos para perpetuar a sua ditadura de classe.» (re: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Inteligência Artificial e Robótica, último recurso do Capital ).

Os bilionários capitalistas e os "nacional-socialistas chauvinistas", mestres do mundo imperialista, seus KAPOS a soldo e seus lacaios políticos, enganam a humanidade explorando, pilhando, roubando, explorando-a e mentindo descaradamente que a "IA", por ser uma "máquina automática",  está acima da luta de classes e que fornecerá a "solução" final para a tendência descendente da taxa de lucro, às crises sistémicas de sobreprodução, às guerras imperialistas intermináveis tornando o proletariado "supérfluo" antes de atomizá-lo numa guerra mundial termonuclear apocalíptica (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Inteligência Artificial e Robótica, último recurso do Capital).

NADA poderia ser mais FALSO, como Marx e Engels demonstraram cientificamente na sua obra revolucionária proletária, e especialmente no Livro III, Secção III, Capítulos XIII e XV, do DAS CAPITAL. (re: marxists.org, Capital Volume Três)

Marx distinguiu duas partes constituintes principais do capital investido pelos capitalistas no processo de produção:

·         Capital constante ('c'): capital investido em máquinas, edifícios, matérias-primas, energia, etc. Do ponto de vista económico, "IA" é apenas uma "máquina", admitidamente muito sofisticada, mas apenas uma máquina e, consequentemente, capital constante;

·         capital variável ("V"): capital "investido" no aluguer da força de trabalho, o escravo assalariado, o proletário.

A distinção económica fundamental é que o "capital constante" ("c"), que não passa de "trabalho morto", cristalizado na forma de mercadorias que não cria nenhum novo valor capaz de produzir "mais-valia" ("s") e "lucros" ("p+"), ele apenas transmite à mercadoria produzida "o seu próprio valor" na forma de "custo de produção" e, é apenas o "capital variável" ("V"), ou seja, salários, que cria novo valor enquanto sempre é menor que os seus próprios "custos de produção":

p+ = s/c + v ou lucro = mais-valia dividido por capital constante + capital variável

que constitui a fórmula económica fundamental a partir da qual se demonstra que o investimento, por maior que seja, na "IA" capitalista, que é capital constante a ser adicionado ao capital variável para determinar o lucro, nunca resolverá a "tendência da taxa de lucro a cair" e apenas agravará as crises de sobreprodução e as guerras sistémicas do capitalismo ao reduzir os assalariados/escravos consumidores ao desemprego.

A anarquia da produção capitalista condena inexoravelmente os capitalistas a aumentar a produtividade do trabalho para produzir mais barato que os seus concorrentes, a fim de tomar participação de mercado e acumular riqueza = capital.

Para isso, fazem com que os seus escravos assalariados produzam "máquinas" cada vez mais eficientes e caras que exigem mais matérias-primas, energia, transporte, logística, manutenção, aumentando constantemente a participação do capital investido em capital constante (c) e reduzindo a participação do capital variável (v) na composição orgânica do capital.

Essa lei fundamental do capitalismo dá origem a uma das suas contradições fatais. Ao ter que aumentar constantemente a sua competitividade para dominar o mercado, o capitalismo substitui o capital variável, seus escravos assalariados, os únicos produtores de mais valia, por máquinas que não produzem mais valia, o que aumenta a participação do capital constante (que não produz mais valia) e, assim, leva a uma tendência da taxa de lucro a cair, e, consequentemente, a lucratividade da empresa e sua única razão capitalista de existir.

Um cálculo matemático simples comprova isso claramente:

Situação A: c = 50; v = 50; s = 50; então p+ = 50 / 50 + 50 = 50%;
Situação B: c = 90; v = 10; s = 10; então p+ = 10 / 90 + 10 = 10%,

Esse exemplo simplificado do cálculo exposto por Marx em O Capital permite-nos visualizar matematicamente como ocorre a tendência da taxa de lucro a cair, algo que nenhum economista, nem qualquer "IA" burguesa, jamais conseguiu refutar cientificamente.


(Veja nosso artigo apresentando estes conceitos económicos: CRISE ECONÓMICA E AUSTERIDADE ORÇAMENTÁRIA – os 7 de Quebec https://les7duquebec.net/archives/306630 - dentro em breve haverá uma versão em Língua Portuguesa )


Marx refutou as "explicações" capitalistas da sua demonstração da "tendência da taxa de lucro a cair" pelo aumento do capital constante em relação ao capital variável, no Capítulo XIV do Livro III do Capital, onde explica que os capitalistas podem, temporariamente, "contrabalançar" o efeito, mas apenas até certo ponto e por um determinado tempo:

«Prolongando a jornada de trabalho e aumentando a intensidade da exploração do trabalho, o que têm a ignomínia de chamar de "ganhos de produtividade" e, ao reduzir os custos necessários para a reprodução da força de trabalho, o que têm a desumanidade de chamar de "poupanças" ao cortar a saúde, educação e lazer dos proletários e seus descendentes. Cortes no orçamento que estudantes do ensino médio estão a rejeitar por toda a França neste momento: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A revolta estudantil em França, todos seguindo a infame e abjecta propaganda de "criar RIQUEZA" para os ricos, a única forma de acumular o capital essencial para a expansão e sobrevivência do sistema capitalista.

Marx expôs as monstruosidades desumanas que a burguesia implementou para superar "a tendência da taxa de lucro a cair":

O aumento do grau de exploração dos escravos assalariados; a compressão abaixo do seu valor salarial; diminuição dos custos do capital constante pelo « roubo, saque e pirataria» dos países sub-desenvolvidos; a exploração da «sobre-população relativa»; a criação de uma «sobre-população relativa» por emigração forçada através da escravatura e guerras sem fim; o comércio exterior sujeito a guerras tarifárias injustas; a destruição acelerada da natureza para extrair os recursos naturais ao menor custo e ao preço da sua aniquilação, tudo passa por aí e, a longo prazo, nenhum desses cataplasmas muda o curso da «queda tendencial da taxa de lucro».

Outra consequência científica que MARX descobriu ao estudar o modo de produção capitalista:

«As crises da sobreprodução sistémica e endémica do capitalismo que resultam inexoravelmente do aumento do capital constante e da redução correlativa do capital variável, ou seja, transformando os proletários no lumpenproletariado e destruindo-os através de drogas, álcool, ociosidade e, por fim, guerras intermináveis."

A «IA» capitalista não é mais do que a nova táctica dos capitalistas para reduzir os custos do capital variável, substituindo os escravos assalariados clericais (trabalhadores de colarinho branco nos escritórios) por robôs, porque a «IA» capitalista tem apenas um verdadeiro objectivo sob a ditadura dos capitalistas: aumentar a rentabilidade do capital através da automação/robotização.

Como MARX demonstrou cientificamente: a «IA» capitalista aumenta o capital constante cujo custo é transferido integralmente e sem majoração para a mercadoria produzida, pois o seu custo equivale ao da sua manutenção, substituição e desenvolvimento, o que significa:

P = + c + v + s = P – ou lucro = + capital constante + – capital variável + – mais valia = menos lucro

Como na situação «B» do nosso cálculo anterior, o aumento do capital constante levou a uma redução matemática da percentagem de lucro.

O modo de produção capitalista (MPC), que se baseia na «mercadoria», obriga-o a valorizá-la através da sua transformação em «dinheiro» pelo mercado, sendo comprada por um consumidor. Ora, esses «consumidores» só podem ser os capitalistas, que também são proletários, pequenos burgueses, lumpenproletários e toda a sua descendência, que têm de satisfazer as suas necessidades para sobreviver e reproduzir-se, a fim de garantir o ciclo da produção.

Uma das consequências directas do aumento da «automação/robotização» da produção e do consumo pela «IA» capitalista é a redução do capital variável (v), ou seja, o despedimento dos escravos assalariados e, por consequência, dos escravos consumidores.

O sistema capitalista (o modo de produção capitalista – MPC) depara-se com outro paradoxo: há mais mercadorias para consumir, mas com menos consumidores com capacidade para o fazer, uma vez que perderam o salário com o qual poderiam consumir, surge uma crise de sobreprodução e, sob o regime capitalista, não há nenhuma maneira de resolver esta contradição, a não ser adiar o seu prazo:

1- consumindo sem fim e desperdiçando sem limites pelos capitalistas que têm os meios: castelos em Espanha, barcos caríssimos, aviões privados, viagens ao espaço, sexo, droga e rock and roll, nada é demasiado caro para os bilionários mestres do mundo e os seus Kapos obedientes

– 0,001% ou 56.000 bilionários possuindo 3 vezes mais riqueza planetária só para eles do que os 4,5 mil milhões de humanos mais pobres, que consomem ~0,5% do consumo mundial contra cerca de 12% para 2,8 mil milhões de humanos mais pobres;

– o 1% mais rico ou 56 milhões de humanos que possuem ~36% da riqueza planetária total e recebem 20% dos rendimentos mundiais consomem sozinhos tanto quanto os 2,8 mil milhões mais pobres, com cada grupo a representar ~12% do consumo mundial (re: datacatalog.worldbank.org, 21/09/2026 e 32 outras fontes);

2- investindo nos sectores financeiros (dívida de 90.000 mil milhões de dólares U$ para 25% da dívida mundial);

3- investindo nos sectores de alta rentabilidade como os complexos financeiros, militar-industriais e petroquímicos (dívidas das empresas capitalistas não financeiras = 110.000 mil milhões de dólares US = 27% da dívida mundial;

4- endividando os Estados com opção sobre as riquezas públicas para obter o dinheiro necessário para consumir ou fazer consumir (Estados mundiais = dívida total de 110.000 mil milhões de dólares US ou 30% da dívida mundial);

5- endividando os consumidores comuns com opção sobre a sua vida e o seu futuro (consumidores mundiais = 65.000 mil milhões de dólares US ou 18% da dívida mundial); para uma dívida planetária mundial de 365.000 mil milhões de dólares US ou 311% do Produto Interno Bruto mundial, em aumento estratosférico constante (re: Financial Times, ft.com, 30/09/2026; Institute of International Finance (IIF), 1.º semestre de 2026; reuters.com, 25/02/2026)

Mas quando o limite do crédito é atingido e os custos da nova revolução industrial se impõem, Shylock exige a sua libra de carne fresca: «[A] libra de carne que exijo dele foi comprada a caro preço; é minha e eu a terei» (folger.edu: O Mercador de Veneza) e os bilionários patenteiam conflitos étnicos, linguísticos, religiosos, raciais, clânicos, nacionalistas chauvinistas que geram guerras locais, depois regionais e finalmente mundiais de destruição dos excedentes de mercadorias, dos excedentes de meios de produção e dos escravos assalariados (que para o Capital não são mais que meios de produção). O sistema capitalista rejuvenece alimentando-se da carne e do sangue dos seus filhos, Cronos protege a sua ditadura. Assim como os planetas se atraem sob o efeito da gravitação a ponto de colidirem e transformarem, a burguesia e o proletariado atraem-se sob o efeito da tendência da taxa de lucro e da mercantilização colidirem e transformarem mutuamente através da revolução proletária, este é o único futuro da humanidade se quiser evitar seu desaparecimento: "TUDO O QUE NÃO AVANÇA RECUA" E DESAPARECE.


PROLETÁRIOS DO MUNDO INTEIRO CRIEM A VOSSA PRÓPRIA "IA" MATERIALISTA
e derrubem a ditadura da burguesia IDEALISTA
para estabelecer a vossa ditadura de classe, porque o futuro da humanidade está em jogo.

 

 


Fonte: La menace de l’intelligence artificielle réside dans la société marchande qui dévalorise la pensée humaine – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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