Uns dias de protesto não vão
parar o rolo compressor capitalista! Contra todas as guerras imperialistas:
luta de classes!
Folhetos distribuídos pelo TCI durante a recente greve
do setor público em França e manifestações no terceiro aniversário de 7 de
outubro em Itália.
Alguns dias de protesto não vão parar o rolo
compressor capitalista! A única resposta à degradação das nossas condições de
vida é a luta autónoma e organizada do proletariado!
Fomos avisados. A
burguesia está desesperadamente à procura de 54 mil milhões de euros em
poupanças para o seu orçamento de 2027. Foi isto que o governo Lecornu anunciou
com grande alarido no dia 17 de Setembro. Cuidado com o que dizes: não é um
orçamento de 'austeridade', mas sim de 'rigor' e 'justiça', segundo o ministro!
O neo-linguajar da
burguesia pouco faz para esconder a dura realidade com que a classe operária se
depara, presa entre o aumento do custo de vida e a diminuição dos salários. O
objectivo é claro: fazer a classe operária pagar não só pela redução do défice
do Estado para satisfazer os mercados financeiros e as agências de rating, de
modo a limitar o aumento da taxa de juro da dívida, mas sobretudo empurrar os operários
a aceitar estes sacrifícios em nome do interesse nacional, ou seja, o interesse
da burguesia, que é avançar para o rearmamento e a re-militarização. É neste
contexto que o orçamento prevê um aumento de mais de seis mil milhões de euros
em despesas militares. A burguesia procura transformar a economia francesa numa
economia de guerra, com o apoio de todos os partidos políticos, desde a
extrema-direita à extrema-esquerda, para se preparar para os futuros conflitos
inter-imperialistas entre os blocos Atlântico e Russo-Chinês. Vemos os
primeiros sinais com os conflitos na Ucrânia ou no Irão, manifestações
perigosas da marcha para a guerra em que todas as burguesias imperialistas se
estão a precipitar, com o objectivo de redistribuir os despojos a seu favor.
Perante estas crises, a
burguesia quer intensificar os seus ataques de austeridade contra os operários:
congelar os salários dos funcionários públicos, congelar os apoios à habitação
e vários outros benefícios, desindexar as pensões, reduzir as baixas médicas e
os despedimentos por acordo mútuo, atrasar o acesso a certos benefícios para as
populações imigrantes. Segundo estes senhores, o capital contribuiu demasiado
para a solidariedade colectiva: agora é a nossa vez de pagar.
E aqui os sindicatos,
como de costume, procuram conter o movimento. Propondo dias simbólicos de
greve, e apenas para o serviço civil, e alguns protestos sonolentos sem futuro,
isolados do resto da classe operária por palavras de ordem puramente
corporativistas, estas organizações dividem e enfraquecem a classe. A luta deve
ser levada a cabo fora destas instituições reaccionárias, organizando-nos em
Assembleias Gerais e em comités de greve, procurando generalizar e estender a
luta a todos os sectores em torno de palavras de ordem unitárias, incluindo
toda a classe operária, tanto no sector público como no privado.
Não devemos apenas
defender-nos contra os ataques da burguesia às pensões, à saúde, aos subsídios
de desemprego, devemos acima de tudo tomar as nossas lutas nas nossas próprias
mãos para impor uma nova dinâmica de poder, obter uma redução do tempo de
trabalho e um aumento dos salários.
Em todo o mundo, a
guerra de classes levada a cabo pela burguesia contra a classe operária está a
intensificar-se. Na Alemanha, Finlândia, Estados Unidos, Argentina, Canadá ou
Bélgica, todos os governos, sejam de esquerda ou de direita, procuram reanimar
a economia explorando o proletariado até ao osso, sendo o impulso de restaurar
a rentabilidade do capital o seu único guia.
Mas não vamos deixar que
passem por cima de nós. Perante a degradação das nossas condições de vida e de
trabalho, intrinsecamente ligada à crise estrutural do capital, devemos
resistir a estes ataques. Em Espanha, os operários da Airbus mostram-nos o
caminho ao confrontar o capital assim como os sindicatos colaboracionistas, tal
como os operários na Bolívia e na Índia alguns meses antes. Mesmo que este
renascimento da actividade da classe operária seja hesitante e não esteja
isento de limites, mostra, no entanto, que a classe operária, como classe
revolucionária, é a única capaz de resistir à decadência do capitalismo e à sua
queda na barbárie.
Para nos prepararmos
para os futuros conflitos de classe decisivos, devemos organizar-nos hoje e participar
na construção do partido internacional do amanhã, o partido de classe
necessário ao proletariado para a sua vitória. É esta tarefa que nos propomos
cumprir, apesar das dificuldades, conscientes da urgência da situação.
Guerra contra a guerra, guerra contra a burguesia!
Grupo revolucionário internacionalista
Contra Todas as Guerras Imperialistas: Luta de
Classes!
Agora já se passaram
três anos de massacre e violência sangrenta em Gaza e na Cisjordânia enquanto o
mundo observa. Ou melhor, a burguesia internacional – os seus Estados e blocos
imperialistas – está profundamente implicada na carnificina desencadeada por
Israel após o horrível massacre perpetrado pelo Hamas a 7 de Outubro de 2023. O
governo fascista-fundamentalista de Israel sabia o que estava para acontecer,
mas deixou que acontecesse, procurando um pretexto para ocupar a Faixa de Gaza
e a Cisjordânia – assumindo efectivamente o controlo de ambos – com o objectivo
final de exterminar os palestinianos.
O Hamas – uma força
fascista-islamista – tem usado consistentemente os fundos das burguesias do
Médio Oriente não para o povo de Gaza, mas para avançar a sua própria estratégia
político-militar. O dia 7 de Outubro foi mais uma confirmação – e a mais mortal
de todas – já que o Hamas não podia ignorar que o ataque iria desencadear a
fúria genocida de Israel.
O sofrimento
indescritível dos palestinos despertou, com razão, a indignação de muitos
contra a gangue criminosa liderada por Netanyahu e pelo seu chefe em
Washington; no entanto, a alternativa não é a criação de um estado
palestiniano. Tal estado serviria apenas como um braço do bloco imperialista
rival – China, Rússia e Irão – que não é menos opressivo. Representaria o
domínio da classe burguesa palestiniana, ansiosa por explorar “o seu próprio”
proletariado sem partilhar os despojos – ou partilhando o mínimo possível – com
outras burguesias.
Ainda assim, só uma
guerra mais ampla poderia realmente concretizar o cenário de “dois povos, dois
estados”. Seria uma guerra em que, como sempre, a classe operária e os
despossuídos pagariam a conta, enquanto a burguesia colhe os lucros.
A perspectiva de uma
guerra expandida – ou mesmo generalizada – é mais real do que a de um Estado
palestiniano. A crise estrutural do capitalismo está a conduzir os eventos
nesse sentido, e os conflitos – do Sudão à Ucrânia, e por todo o Médio Oriente
– surgem precisamente das dificuldades que a burguesia enfrenta em revitalizar
a sua economia, apesar da intensificação da exploração, da precariedade e do empobrecimento
a que sujeita a classe operária mundial. E apesar do saque e da devastação
acelerada do eco-sistema.
Não, o fim da barbárie
na Palestina e em todo o lado não passa pela criação de um novo Estado burguês,
mas pela luta contra as causas profundas desta selvajaria: contra o capital e
todos os Estados.
Só a classe assalariada
tem poder para fazer isto, pois a sociedade burguesa assenta na sua exploração.
Uma luta contra a
exploração e a opressão em todas as suas formas – fora e contra a 'Esquerda'
burguesa, e fora e contra o sindicalismo, seja ele integrado no Estado ou os
chamados sindicatos 'de base', que são inevitavelmente forçados a curvar-se aos
ditames do capital.
A luta de classes tem de
vir de baixo, organizada através de corpos de luta que surgem directamente da
própria luta. Ao lado de um partido revolucionário, alimentado por estas lutas
e actuando como seu guia político.
Este tem de ser o nosso
caminho; a alternativa é um mergulho desenfreado rumo ao abismo.
NÃO à guerra imperialista, SIM à guerra de classes!
Battaglia Comunista
Quarta-feira, 7 de Outubro de 2026
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice

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