A Soft War e as ONGs: aqui estão os principais actores
da indústria das ONGs no mundo
28 de Outubro de 2026
Robert Bibeau
Por René Naba. Em Liban – Estados-Unidoss Softwar 4/5 : Os principais actores de Soft
War – Madaniya
Entre os principais actores desta soft
war estão as grandes agências dos países da NATO: USAID, Ford Foundation, UK
AID e BBN Media Action, Agência
Francesa para o Desenvolvimento (AFD), apoiadas pela Open Society Foundation
do bilionário George Soros, que se destacou na Europa de Leste, assim como as
três grandes fundações alemãs: Heinrich Böll Stiftung, Frederic Naumann
Stiftung e Frederic Ebert Stiftung.
Os Estados Unidos
A grande democracia americana está habituada a mudanças de regime pela força, sob o pretexto da «democracia». Grandes fundações filantrópicas empenham-se em impor a democracia pela força a países para que estes adoptem políticas de acordo com os interesses americanos.
Foi o caso na América Latina, na Guatemala em 1954, onde o golpe de Estado foi manobrado pela CIA em ligação com a United Fruit Company e resultou na destituição do presidente Jacobo Árbenz Guzmán; ou ainda na tentativa de invasão de Cuba contra o regime marxista de Fidel Castro, em 1961, ou no Chile, em 1973, contra o presidente socialista Salvador Allende, ou, finalmente, no sinistro plano Condor, na década de 1970.
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Para ir mais longe neste tema, ver este link:
https://www.renenaba.com/hispaniland-un-role-galvanisateur-dans-la-dynamique-contestataire-de-lordre-mondial/
O mesmo aconteceu na zona petrolífera do Médio Oriente, com a operação Ajax, em 1953, destinada a destituir o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, artífice da primeira nacionalização do petróleo no terceiro mundo, com o objectivo de restaurar no trono o Xá do Irão, na década de 2010; na Líbia e na Síria, dois países aliados da Rússia e sem endividamento externo, – sob o pretexto da «Primavera Árabe» –. Por fim, no Líbano, durante a «Revolução Laranja» que se seguiu ao assassinato do primeiro-ministro líbano-saudita Rafic Hariri, em 2005, provocando como consequência a retirada do exército sírio do Líbano. Desde o fim da Guerra Fria soviético-americana, os Estados Unidos formaram assim dissidentes em potencial por todo o mundo, e em particular no mundo árabe, na aplicação da resistência individual não violenta. Uma ideologia teorizada pelo filósofo e cientista político americano Gene Sharp, cujo livro «From Dictatorship to Democracy» (Da ditadura à democracia) esteve na base de todas as revoluções coloridas e da «primavera» árabe.
Os diferentes movimentos dissidentes beneficiaram assim da ajuda de muitas
organizações americanas de «exportação» da democracia, como a USAID (Agência
dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), a NED (National
Endowment for Democracy), o IRI (International Republican Institute), o NDI
(National Democratic Institute for International Affairs), a Freedom House e a
OSI (Open Society Institute).
No Líbano, ponto alto da contestação
árabe, a nova embaixada dos Estados Unidos situada em Awkar, na antiga redoma
cristã do Metn, reduto do clã Gemayel, no Líbano, ocupa uma área de noventa mil
metros quadrados (90.000 m²) de edifícios cobertos e 120.000 metros quadrados
de construções em áreas abertas, onde se encontram as salas destinadas às actividades
habituais das embaixadas: Consulado, Imprensa, Cultura, Serviço Económico, etc.
A nova embaixada alberga centros de
estudos equipados com tecnologia sofisticada, protegidos por um dispositivo de
grande segurança, bem como postos de comando para a direcção de operações
militares.
Hybrid Warfare ou as guerras assimétricas
Tudo construído com material composto (uma combinação de betão armado e
ferro), coroado com placas ultra-sensíveis de pré-alerta para detectar
eventuais ameaças. A embaixada foi equipada com um duplo sistema de detecção
BMS e BAS (detectores quânticos por micro-ondas), usados em locais nucleares e
nos postos de comando das bases militares americanas. Para acompanhar os
tempos, a embaixada alberga também um centro de monitorização e hacking
informático dedicado ao mundo virtual e às redes sociais, assim como um centro
de decifração de dados electrónicos recolhidos pelas brigadas electrónicas que
operam desde a embaixada.
Uma secção especial é atribuída à Sociedade Civil e às ONG (Organizações
Não Governamentais), a nova paixão da diplomacia americana, bem como aos
partidos políticos e figuras políticas, e aos jornalistas aliados dos
americanos.
Estas organizações são financiadas pelo orçamento americano ou por capitais
privados americanos. Por exemplo, a NED é financiada por um orçamento aprovado
pelo Congresso e os fundos são geridos por um conselho de administração onde
estão representados o Partido Republicano, o Partido Democrata, a Câmara de
Comércio dos Estados Unidos e o sindicato American Federation of Labor-Congress
of Industrial Organization (AFL-CIO), enquanto a OSI faz parte da Fundação Soros,
chamada assim por seu fundador George Soros, o milionário americano e famoso
especulador financeiro.
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Para ir mais longe sobre este tema, ver este link https://www.madaniya.info/2016/02/26/liban-2005-2015-d-une-revolution-coloree-a-l-autre/
A Fundação Ford
Pioneira nesta área, tradicional veículo de apoio à estratégia americana, a
Ford Foundation dedicou 238 milhões de dólares, entre 2012 e 2022, ao Médio
Oriente. Um terço das despesas começou com o início da «Primavera Árabe». O Egipto
foi o principal beneficiário das subvenções (80,6 milhões de dólares). O Líbano
beneficiou de 14,6 milhões de dólares entre 2006 e 2021. Na verdade, um estudo
detalhado das declarações fiscais da Ford Foundation revela que o Líbano, na
verdade, beneficiou de 63,7 milhões de dólares.
Para recordar, a Sra. Basma Kodmani, primeira porta-voz da oposição síria
off shore, dirigiu de 1999 a 2005 o programa «Governação e Cooperação Internacional
para o Médio Oriente», financiada pela Fundação Ford e baseada no Egipto, com a
missão de apoiar as instituições de investigação árabes no Médio Oriente e no
Norte de África. Em Setembro de 2005, fundou e tornou-se directora executiva da
Iniciativa de Reforma Árabe, um consórcio de institutos de investigação do
mundo árabe iniciado pelo think tank americano Council on Foreign Relations e
que trabalhava em parceria com institutos europeus e americanos nas questões de
reforma e transição democrática no mundo árabe.
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A propósito de Basma Kodmani e do seu papel na «primavera árabe» https://www.madaniya.info/2016/02/01/la-controverse-a-propos-de-basma-kodmani/
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A propos de la Ford Foundation, ce lien.
Open Society Foundation de George Soros
George Soros está entre os maiores contribuintes das organizações da
sociedade civil do Médio Oriente, com um orçamento de 50 milhões de dólares em
2020, e o Líbano foi o principal beneficiário das subvenções do bilionário
americano-húngaro. Em 4 anos, as organizações civis libanesas (2017-2021)
receberam 19,2 milhões de dólares em subvenções. Desde o lançamento do seu
proselitismo ultra liberal, em 1979, George Soros destinou um orçamento de 16,8
mil milhões de dólares ao financiamento das sociedades civis em sete regiões
geográficas do planeta: África, Ásia-Pacífico, Eurásia, América Latina, Médio
Oriente, Norte de África, Europa.
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A ler este link.
No Médio Oriente, a «Open Society Foundation» de George Soros atacou em primeiro lugar a Liga Árabe, sob o domínio das monarquias árabes, onde estas têm a maioria dos votos: Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Catar, Sultanato de Omã), além de dois pequenos territórios do antigo império francês, Djibuti e Comores, totalizando 11 membros em 20 que compõem a organização pan-árabe. Monarquias petrolíferas que passaram sem esforço da tutela britânica para a tutela americana. A Liga Árabe distinguiu-se, especialmente por iniciativa do Catar, pela expulsão da Síria da organização, sendo que este país, que travou quatro guerras contra Israel, era um membro fundador.
No Líbano, a «Open Society Foundation» dedicou-se a mobilizar a juventude
contra o poder para impedir a exploração directa dos recursos petrolíferos
libaneses pelo Líbano, sob o pretexto da sua corrupção, num contexto de avanço
gradual de Israel nas áreas offshore de petróleo libanês e das pressões
americanas sobre o Líbano para negociar uma delimitação das fronteiras entre o
Líbano e Israel, segundo um traçado favorável ao Estado Hebreu.
Natacha Torbey, num artigo publicado em meados de Maio de 2023 na
plataforma mediática francófona Ici Beyrouth, analisa assim a influência
adquirida desde 2019 pela fundação de George Soros no Líbano. Aproveitando a
deficiência dos poderes públicos, o organismo globalista investiu de forma
significativa em muitas associações locais para infiltrar a sociedade civil,
oferecendo à população serviços que já não eram garantidos pelas instituições
estatais. Dos media à justiça, passando pela cultura.
As verbas investidas pela fundação são distribuídas entre os media (9%), a
justiça (5%), as associações de defesa dos direitos humanos (7%), a cultura e a
arte (7%), o ensino superior (5%), a economia (17%), a igualdade e a luta
contra toda a forma de discriminação (17%), a saúde (10%), a infância e o
direito à educação (8%). Entre os beneficiários, podemos citar: Legal Agenda, o
Fundo Árabe para Artes e Cultura (AFAC), a Associação Libanesa para Eleições
Democráticas (LADE) e Kulluna Irada, o media Daraj, a Universidade Americana de
Beirute (AUB), a associação Helem (sonho) pelo direito dos homossexuais no
Líbano, as associações CARE (Cooperative for Assistance and Relief Everywhere)
e Basmeh&Zeitooneh pelos direitos dos refugiados, os media The Public Source
e Megaphone…
Sobre as ONG e a Soft war no Líbano. Para
o leitor árae, ver este link : Al Akhbar Lundi 10 Janvier 2022
O Reino Unido
Menos estrondoso que a França, mas mais pérfido e de longe mais eficaz, o
Reino Unido assumiu um papel formidável na desestabilização da Síria e do
Líbano, os dois antigos territórios de influência franceses no Levante,
aproveitando a sequência da “primavera árabe”, sem precisar criminalizar os
contestatários da sua estratégia, sem ser relegado ao estatuto de “afectivo”,
sanção pelo seu fracasso, como aconteceu com o seu parceiro francês. Esta é a
principal revelação do “Anonymous”, que conseguiu a proeza de piratear os
documentos confidenciais do “governo de Sua Majestade”.
Anonymous é um colectivo de internautas activistas especializado em
pirataria informática (hacker) que se manifesta sobretudo na Internet, agindo
de forma anónima e que se apresenta como defensor da liberdade de expressão. O
Reino Unido concebeu assim uma guerra total no domínio da propaganda contra a
Síria com o objectivo de domesticar o regime baasista, mobilizando várias
empresas de relações públicas que operam sob o disfarce de organizações sem
fins lucrativos para conquistar o apoio ocidental à oposição síria nas suas
duas vertentes, política e militar.
Em 2014, o Foreign Office, o ministério da defesa e o ministério da
Commonwealth lançaram uma campanha conjunta para apoiar a oposição síria
através de contactos estratégicos, construindo uma rede de relações entre os
Media e os grupos sírios.
A- ARK (Analysis Research Knowledge), The Global Strategy Network (TGSN),
Albany
Para estabelecer uma infraestrutura capaz de gerir a blitz de propaganda, o
Reino Unido pagou uma série de empreiteiros do governo, incluindo ARK (Analysis
Research Knowledge), The Global Strategy Network (TGSN), Innovative
Communication & Strategies (InCoStrat) e Albany. O trabalho destas empresas
foi feito em colaboração com membros da oposição síria.
Uma das principais empresas do governo britânico por trás do regime de
mudança de regime na Síria chama-se ARK (Analysis Research Knowledge). A ARK
tocou os meios de comunicação como um violino. A ARK está sediada no Dubai, nos
Emirados Árabes Unidos. Apresenta-se como uma ONG humanitária. Na realidade, a
ARK é uma agência de inteligência cujas funções estão integradas nas
intervenções armadas ocidentais.
Três das empresas mencionadas (ARK, TGSN e Albany), cujas equipas eram formadas por contratados do governo britânico, foram encarregadas desta guerra psicológica total em colaboração com os Estados Unidos, o Canadá, os Países Baixos e as Nações Unidas.
No seu site, a ARK elaborou uma lista onde todos estes governos são mencionados como clientes, bem como as Nações Unidas. A ARK gabou-se de ter supervisionado contratos no valor de 66 milhões de dólares para apoiar os esforços da oposição na Síria. A ARK formou, assim, 150 activistas no manuseio de câmeras, iluminação e som. Duzentas organizações sem fins lucrativos, formadas em 130 workshops, beneficiaram de subsídios relacionados com este programa antes de serem infiltradas no território sírio para lá realizar acções de agitação política.
No Líbano, os britânicos focaram-se especialmente nos jovens, nas mulheres
e nos campos de refugiados palestinianos do país. Instalaram também Miradores
ao longo da fronteira sírio-libanesa para a vigilância tanto do tráfico como do
transporte de armamento para o Hezbollah. Os Miradores estão equipados com
câmeras que transmitem directamente as imagens para PCs operacionais americanos
e britânicos.
James Le Masurier e os Capacetes brancos.
Para além deste impressionante
dispositivo de propaganda, o Reino Unido pôs em órbita dois projectos
particularmente perniciosos: os Capacetes Brancos e o Observatório Sírio dos
Direitos Humanos
Este colectivo de emergência humanitária destacou-se pela sua teatralidade,
mas rapidamente perdeu credibilidade devido às suas ligações com o terrorismo e
ao seu fundador, que morreu em circunstâncias misteriosas em 2019 na Turquia,
numa operação que se assemelhou à eliminação de uma testemunha incómoda.
Ex-oficial do exército britânico que se tornou director de uma ONG
holandesa, a Mayday Rescue Foundation, James Le Masurier, o fundador dos
«Capacetes Brancos» da Síria, nascido a 25 de Maio de 1971 em Singapura,
faleceu a 11 de Novembro de 2019 em Istambul em circunstâncias misteriosas. Foi
encontrado morto aos pés do prédio onde morava, com múltiplas fracturas. Este
antigo agente do MI6 foi notado principalmente nos Balcãs e no Médio Oriente.
As suas relações com grupos terroristas foram relatadas durante a sua missão no
Kosovo.
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Para ir mais longe sobre este tema, ver este link : https://www.madaniya.info/2016/10/20/casques-blancs-a-lelysee-tapage-mediatique-compensatoire-a-relegation-diplomatique/
Esta estrutura supervisionava dois sub-contratados do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico que trabalhavam sob a supervisão do Ministério da Defesa. Era responsável pela comunicação com os «grupos armados moderados» na Síria. A sua missão era produzir elementos de linguagem e material de propaganda: vídeos, fotos, relatórios militares, brochuras com os logotipos dos grupos combatentes.
(CF. a este respeito «How Britain Funds
the Propaganda War against ISIS in Syria», IAN Cobain, Alice Ross, Rob Evans,
Mona Mahmoudht - The Guardian, 3 de Maio de 2006.
E também: Charles Skelton: Quem produz o
discurso? https://www.theguardian.com/commentisfree/2012/jul/12/syrian-opposition-doing-the-talking.
A Alemanha: Um novo jogador sobre a cena do Médio Oriente
A Alemanha está presente no Líbano através de quatro fundações principais:
Heinrich Böll Stiftung, Friedrich Naumann Stiftung, Frederic Ebert Stiftung e
Konrad Adenauer Stiftung. Ao contrário do seu vizinho francês, sem alaridos nem
anúncios. Sem pompa nem circunstância. Discretamente. De forma eficaz.
A presença das grandes fundações alemãs pode surpreender. Mas não é o caso.
Apenas os ingénuos podem realmente pensar que uma potência como a Alemanha
teria abandonado toda a vontade de poder após o colapso da máquina nazi,
dedicando-se simplesmente a fabricar electrodomésticos e tubos de escape no seu
cantinho. Na verdade, já em 2004, a Alemanha ofereceu bons ofícios para uma troca
de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah: mais de 400 palestinianos, em troca
de um empresário israelita, Elhanan Tannenbaum. Um sucesso para a diplomacia
secreta alemã. E o nome da Alemanha é regularmente mencionado para uma nova
troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas palestiniano desta vez.
Em 2006, a chanceler Angela Merkel enviou um contingente muito importante
para participar na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) após a
guerra empreendida por Israel contra o país do Cedro no Verão de 2006. Os 2.400
soldados alemães controlam o dispositivo marítimo para impedir o fornecimento
de armas à Resistência através do Mediterrâneo. No mar, isto poupa aos soldados
alemães atritos com a população xiita do sul do Líbano.
Ao contrário também do exagero intelectual da casta académica francesa, que
se desorientou terrivelmente na guerra da Síria (2011-2022), provocando o
desastre da diplomacia francesa, a investigação alemã foi pioneira nos estudos
sobre o fenómeno dos «lobos solitários». Dietmar Loch, docente e investigador
na universidade de Bielefeld (Renânia do Norte-Vestfália), membro do Grupo de
Investigação Interdisciplinar sobre Conflitos Multiétnicos dirigido pelo
professor Wilhelm Heitmeyer, tinha de facto dedicou as suas pesquisas ao
percurso de Khaled Kelkal.
A preparação de uma tese que ele conclui sob a orientação do professor
Claus Leggewie, titular da cadeira Max Weber do Center for European Studies de
Nova Iorque, levou o Sr. Loch a passar quase um ano, em 1992, em Lyon e
Vaulx-en-Velin, para um estudo de campo e a recolha de entrevistas. Tratava-se
de uma contribuição para uma pesquisa mais ampla dedicada às políticas
municipais de integração e aos conflitos entre comunidades.
É nesse contexto que ele entrou em contacto com um jovem em liberdade
condicional, que não só aceitou falar com ele como também lhe concedeu uma das
entrevistas mais longas das cerca de trinta recolhidas pelo Sr. Loch.
Tratava-se, por mero acaso, obviamente, de Khaled Kelkal.
Para saber mais sobre este assunto, veja este link: Le Monde publica o
texto de uma entrevista com Khaled Kelkal, realizada a 3 de Outubro de 1992 em
Vaulx-en-Velin por um investigador alemão em ciências sociais e políticas,
Dietmar Loch
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https://www.lemonde.fr/archives/article/1995/10/07/moi-khaled-kelkal_3887393_1819218.html
A Alemanha de facto dedica muita energia a conquistar o mundo
árabe-muçulmano, em detrimento da União Europeia. Os alemães são muito activos
no Mediterrâneo com a sua própria política.
Eles financiam imenso ONGs e centros de investigação sobre relações
internacionais, trans-mediterrânicas ou sobre o terrorismo. Em cada colóquio,
académicos da Alemanha marcam presença.
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https://www.marianne.net/debattons/billets/comment-l-allemagne-lorgne-sur-le-monde-mediterraneen
Para lembrar, a Alemanha também ajudou a Frente de Libertação Nacional na
Argélia, para grande desgosto da França. Possui um verdadeiro conhecimento
desses territórios; académicos entre os mais perspicazes da Europa no mundo
muçulmano, especialmente em matéria de teologia política, como o falecido Anton
Spitaler e, sobretudo, Reinhart Schulze, ou ainda Udo Steinbach.
Berlim quer reforçar o seu papel como potência mundial, sem gestos
pomposos, mas com cinismo. Os alemães perceberam que o mar Mediterrâneo é a
fronteira mais importante da Europa e não apenas para Itália, França ou
Espanha. Após acolher refugiados sírios, os alemães tiveram um revés de
realismo sobre um espaço geográfico em que, no entanto, não têm presença directa.
Jogaram a sua carta sozinhos, tendo em conta uma demografia envelhecida.
O eixo Berlim-Ankara continua bem ligado através de uma diáspora muito
forte. Pouco importam as diferenças entre «o novo Sultão» e os países membros
como a Grécia ou Chipre.
Ao nível político, mais especificamente, os serviços alemães retomaram
muito rapidamente o diálogo, de forma bastante discreta, com Damasco. Inclusive
com o marechal Khalifa Haftar na Líbia, mesmo enquanto a União Europeia apoia
Trípoli.
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https://www.marianne.net/debattons/billets/comment-l-allemagne-lorgne-sur-le-monde-mediterraneen
As Fundações alemãs : 318 milhões de euros de 2010 a 2018 nos países árabes.
As fundações alemãs atribuíram a quantia de 318,9 milhões de euros a operações de apoio à democratização da vida política nos países árabes entre 2010 e 2018, durante o período conhecido como a "Primavera Árabe".
Extensão dos grandes partidos políticos alemães, as ONG alemãs que são
subsidiadas em 90% pelo governo federal declaram-se, paradoxalmente, como
Organizações Não Governamentais, embora constituam o seu braço armado. Em 2019,
o orçamento global dessas Fundações atingiu 700 milhões de euros, dos quais 660
milhões provêm do orçamento federal… O que é contraditório com o conceito de
ONG. Se a Fundação Konrad Adenauer, que deve o seu nome ao primeiro chanceler
democrata-cristão da RFA pós-guerra, tem uma colaboração privilegiada com os
partidos cristãos libaneses – como as Forças Libanesas de Samir Geagea ou os
Falangistas do clã Gemayel –, a Fundação Rosa Luxemburgo coopera, por sua vez,
com os movimentos a reclamar-se do socialismo democrático.
A contagem das contribuições é a seguinte:
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Friedrich Ebert: 112,02 milhões de euros
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Konrad Adenauer: 73,2 milhões
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Heinrich Boll: 40, 6 milhões
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Friedrich Neumann: 35,9 milhões
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Hans Redel: 32,7 milhões
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Rosa Luxembourg: 25,1 milhões
Friedrich Ebert Stiftung: Fundada em 1925, esta fundação dispõe de uma rede em cerca de cem países. Começou a operar no Líbano em 1966, tornando-se a fundação alemã mais antiga presente no Líbano. Quando o antigo primeiro-ministro Rafic Hariri foi assassinado, a Friedrich Ebert Stiftung trabalhou para a criação de um Tribunal Especial para o Líbano, destinado a julgar os assassinos do milionário libanês-saudita. Um tribunal que se desacreditou pela parcialidade do comportamento do primeiro investigador – alemão, como era de esperar – Detlev Mehlis.
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Fundação Konrad Adenauer: Ligada à CDU, o partido democrata-cristão alemão,
a Fundação está presente em Beirute desde 2016. O seu programa regional foca-se
na democratização da vida política e na prevenção de conflitos no Mediterrâneo.
Dá prioridade ao seu apoio aos partidos cristãos libaneses, como as Forças
Libanesas de Samir Geagea, que, no entanto, foram um dos grandes derrubadores
da liderança cristã libanesa, e ao Partido Falangista do Clã Gemayel, a matriz
original das milícias cristãs libanesas, que se distinguiram por uma aliança
absoluta com Israel durante a guerra civil libanesa.
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Fundação Friedrich Naumann: Esta fundação tem apoiado os partidos árabes
que favorecem a promoção da ideologia liberal nos países árabes e apoia os
institutos de gestão administrativa que promovem o desenvolvimento de um
pensamento liberal na região.
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Fundação Heinrich Böll: Esta fundação inaugurou as suas actividades no
Médio Oriente com a abertura, em 1998, de um escritório em Israel – devido ao
genocídio hitleriano –, com o objectivo de «promover um diálogo entre a
Alemanha e Israel e fortalecer a democracia». Quatro escritórios adicionais
foram criados em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, em 1999, em Beirute,
2004, Túnis, 2013, e Marrocos em 2014 «para responder às aspirações dos povos
árabes, tal como se manifestaram na Primavera Árabe». A Fundação Heinrich Böll,
dedicada à promoção da democracia em todo o Mundo, no entanto não considerou
pertinente abrir escritórios nas monarquias petrolíferas do Golfo, que, como
todos sabem, são «oásis de democracia»...
A menos que sejam caçadoras de recompensas americanas. Muito activa nas redes sociais, a Heinrich Böll Stiftung criou, nomeadamente, uma conta em 2011 durante o início da guerra na Síria, especialmente junto dos digitalistas do Líbano e da Síria, cuja mensagens amplifica particularmente de dois órgãos da sociedade civil que subvenciona, «Mégaphone» e «Bloc notes Juridique» (Al Mofakkara al Qanoynyia).
-Rosa Luxemburg Stiftung: De tendência
de uma corrente de pensamento do socialismo democrático, está presente em
Beirute desde 2017. O seu programa centra-se na noção de «paz positiva» e nos
meios a implementar para combater a violência estrutural das sociedades árabes
no Líbano, Síria e Iraque.
Entre os outros operadores alemães no Líbano estão o Goethe Institute, Deutsche Welle Academy, SWP, o instituto alemão para a segurança e o GIL.
O total das contribuições das fundações alemãs no mundo árabe (2010-2018), ver este link.
Noruega: Aluna modelo dos Estados Unidos, a Noruega apresenta-se como um
grande país humanitário
A Noruega é um lugar carregado de um simbolismo pesado, particularmente.
Oslo, a sua capital, o local de atribuição do mais prestigiado Prémio Nobel, o
«Prémio Nobel da Paz», ficou para a posteridade por ter servido também de
cenário às negociações que levaram aos primeiros acordos directos
israelo-palestinianos, os acordos de Oslo, a 13 de Setembro de 1993. Oslo é
também o local de um terrível massacre, em Julho de 2011, sintoma dos desvios
do pensamento intelectual ocidental ao revelar publicamente a aliança entre a
extrema-direita europeia e Israel: uma impostura moral da aliança entre os
descendentes das vítimas do genocídio hitleriano e os herdeiros espirituais dos
seus antigos carrascos.
O massacre de Anders Behring Breivik, que provocou 76 mortos, ocorreu no
dia seguinte ao compromisso do governo norueguês de agir em favor do
«reconhecimento do Estado palestiniano» por ocasião da próxima assembleia geral
da ONU que se realizaria em Setembro próximo, enquanto os jovens do partido
trabalhista norueguês, num congresso na ilha vizinha da capital, defendiam uma
acção mais radical, chegando mesmo ao boicote económico a Israel.
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Ver este link https://www.renenaba.com/le-carnage-doslo-un-symptome-des-derives-de-la-pensee-intellectuelle-occidentale/
Mas como aluno modelo dos Estados Unidos, a Noruega participou na sabotagem dos gasodutos Nord Stream que transportam gás russo para a Europa Ocidental, segundo o jornalista americano Seymour Hersh, vencedor do Pulitzer e autor das revelações sobre o massacre de Mỹ Lai no Vietname, assim como sobre os actos de tortura em Abu Ghraib (Iraque) ou ainda sobre o falso ataque com gás sarin na Síria. Em Junho de 2022, com a cumplicidade da Noruega, membro da NATO, mergulhadores americanos altamente treinados da equipa de Panama City (na Flórida, não no Panamá) colocam, com a ajuda de noruegueses, explosivos nos gasodutos. A operação ficou coberta pelas manobras navais anuais da NATO Baltic Operations 22, que aconteceram de 5 a 17 de Junho. Três meses depois, a 26 de Setembro de 2022, um navio de vigilância P8 da marinha norueguesa solta uma boia sonar que pouco depois transmite um sinal às cargas que explodem, libertando um fluxo de metano. Fim do Nord Stream 1 e 2, escreve nomeadamente o jornalista americano na New Yorker.
Apesar do seu papel controverso, a Noruega apresenta-se ainda assim como um
grande país humanitário, fortemente envolvido na acção humanitária
internacional e participa, neste sentido, activamente no activismo filantrópico
ocidental no âmbito da guerra suave (soft war) da NATO contra o Líbano. Não é
irrelevante notar, a este respeito, que o antigo primeiro-ministro norueguês
Jens Stoltenberg ocupou o cargo de secretário-geral da NATO de 2013 a 2022, ou
seja, durante toda a sequência ucraniana, desde a anexação da Crimeia pela
Rússia até à própria guerra na Ucrânia, antes de assumir a liderança do Banco
Central da Noruega.
Apesar da sua reputação de exemplaridade, a Noruega não hesita em recorrer
a práticas tortuosas, tal como os regimes autocráticos que tanto critica. Para
aprofundar este tema, confere este dossiê em três partes sobre o seu
comportamento em relação a uma ONG, silenciando-a, porque contrariava os
interesses conjuntos dos Estados Unidos, de Israel e do Qatar
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https://www.madaniya.info/2016/09/01/fifa-qatar-haro-sur-une-ong-phare-le-gnrd-1-3/
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https://www.madaniya.info/2016/09/06/fifa-qatar-gnrd-alternative-aux-prescripteurs-occidentaux-2-3/
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https://www.madaniya.info/2016/09/11/fifa-qatar-norvege-gnrd-epilogue-3-3/
Para memória, o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, ganhou 1501 mil milhões de coroas norueguesas (131 mil milhões de euros) no primeiro semestre, impulsionado pelos mercados de acções, anunciou terça-feira o banco central norueguês, responsável pela sua gestão. Este desempenho representa um retorno de 10% e contribuiu para elevar o valor do fundo à soma vertiginosa de 15.299 mil milhões de coroas (1332 mil milhões de euros) no final de Junho.
No Líbano, a Noruega esforça-se por enraizar a presença de refugiados sírios no território libanês para lhes impedir o regresso ao seu país de origem. Uma política que visa conceder densidade demográfica aos sunitas, a confissão maioritária dos refugiados sírios, para fazer contrapeso à população xiita, majoritária no Líbano, segundo estatísticas oficiosas. Refugiados sírios susceptíveis, tal como os refugiados palestinianos no Líbano, de serem mobilizados perante o poderio militar do Hezbollah, na eventualidade de uma prova de força ou mesmo de uma guerra confessionária no Líbano.
O Líbano conta oficialmente com 839.000 refugiados sírios e 210.000
refugiados palestinianos, totalizando 1,049 milhão de refugiados para uma
população líbia total de 5,5 milhões de habitantes, ou seja, 1/5 da população
total a viver no Líbano. Sob o pretexto de «Direitos Humanos», «Boa governação»
e «Transparência», a Noruega participa através do financiamento de ONG no
reforço da amputação da soberania libanesa pelas suas ingerências repetidas no
funcionamento do sistema político libanês. A Noruega desembolsou assim a
quantia de 534,5 milhões de dólares no Líbano entre 2006 e 2022. Antes da
guerra na Síria, a ajuda norueguesa era destinada aos refugiados palestinianos
através do ‘Norwegian Aid Committee’.
A actividade humanitária norueguesa foi realizada sob o manto do sector
educativo da UNRWA (Agência de Socorro da ONU para os Refugiados
Palestinianos). A ajuda norueguesa começou a aumentar em 2012 com a chegada de
refugiados sírios ao Líbano. De 13 milhões de dólares em 2012, a ajuda
triplicou em 2015, atingindo 38 milhões de dólares, e chegou a 79 milhões em
2018, ou seja, seis vezes mais. Por sua vez, a NORAD (Ajuda Norueguesa)
destinou 319 milhões de dólares de 2015 a 2022, dos quais 70 por cento foram
para os refugiados sírios; 12,7 por cento para «Boa Governação» e
«Transparência»; 5,6 por cento para segurança; 5,5 por cento para saúde e
alimentação; 3,5 por cento para educação e cultura. Onze milhões de dólares
foram atribuídos a prospecções de recursos naturais do Líbano e às suas
infraestruturas ao longo de 7 anos (2015-2022), ou seja, 1,5 milhões por ano;
índice de um interesse discreto da Noruega numa possível exploração dos jazigos
offshore libaneses. Finalmente, em em 2018, foram desembolsados 722.000 dólares
em «apoio às forças de segurança interna» libanesas para ajudar as autoridades
libanesas a combater a tortura e as violações dos Direitos Humanos.
Para o leitor árabe, este dois links do jornal libanês Al Akhbar
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Link n°1
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Link n°2
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice



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