26 de Outubro 2026
Robert Bibeau
Por S. Nasser
Ao emprestar a sua voz àqueles que trabalham para enfraquecer o seu próprio país de origem, você não cria nada de novo. Está apenas a repetir uma velha tragédia histórica. A história nunca celebrou os intermediários. Apenas lembra a traição e o momento exacto em que uma pessoa escolhe separar-se dos seus.
Durante a guerra de Libertação, os traidores escondiam a sua identidade sob um saco de lona — o «bouchekara» — para denunciar os moudjahidine que se tinham levantado contra o exército colonial. Hoje, esse tecido grosseiro deu lugar aos ecrãs digitais e ao conforto enganoso das redes sociais e dos canais de televisão inimigos. As ferramentas evoluíram, mas o objectivo mantém-se: propagar a subversão em troca de algumas compensações financeiras ou de uma falsa sensação de segurança. Os seus espaços de fala efémeros e as suas poucas milhares de visualizações virtuais nunca conseguirão colmatar o abismo vertiginoso da sua ruína moral. A verdade vai apanhá-los inevitavelmente, e ela será implacável.
Ao violar o compromisso fundamental que o ligava ao seu país e à sua história, infligiu-se a si próprio a punição suprema: o afastamento perpétuo, o isolamento total e a desonra. Está condenado a vaguear por uma terra que nunca o reconhecerá, sentirá a amargura de não ser de lugar nenhum. Cortado definitivamente da realidade e da solidariedade do território argelino, não é mais do que um espectador, condenado à solidão na indiferença do seu país de acolhimento e dos seus próximos. Confundiu a sabotagem da pátria com oposição política. Mas desengane-se: a memória colectiva sabe fazer a diferença!
Guarde bem esta realidade psicológica: o traidor é sempre desprezado por quem o manipula. Para os gabinetes e potências que o remuneram, não é aliado, nem herói da liberdade, nem parceiro. É uma ferramenta descartável. Um instrumento de circunstância.
Quando a sua utilidade tiver desaparecido e a sua suposta capacidade de causar dano estiver exaurida, eles irão abandoná-lo com o desprezo reservado às coisas usadas.
Nesse dia, no seu exílio, irá perceber
que perdeu tudo por pessoas que nem sequer conhecem os seus nomes. Tornar-se-á
então um pária do exílio, um simples renegado errante preso entre uma terra de
acolhimento que o ignora e uma pátria que o rejeita.
No plano jurídico, o despertar é
igualmente brutal. Para o punhado de indivíduos que é, a sanção é sinónimo de
morte civil.
A lei prevê agora a perda da nacionalidade por alta traição. Isto implica a confiscacão dos seus bens, o retiro dos documentos de viagem e a impossibilidade de rever o solo dos seus pais e antepassados, salvo para comparecer perante um tribunal. As penas de prisão são severas para a espionagem comprovada com o inimigo.
Chegará o dia em que a raiva se apagará para dar lugar a uma nostalgia avassaladora e ao arrependimento. Compreenderão finalmente que o vosso nome está ligado à traição que os vossos filhos recordarão, que estão cortados para sempre do vosso país, e que morrerão sozinhos no estrangeiro, esquecidos pelos vossos mestres e rejeitados pelo vosso país e pelos vossos próximos.
S. Nasser
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice


Sem comentários:
Enviar um comentário