terça-feira, 20 de outubro de 2026

Seguindo o Movimento dos Estudantes do Ensino Secundário, Vamos Todos Lutar contra a Austeridade e os Sacrifícios Planeados para Preparar uma Guerra Generalizada!


Seguindo o Movimento dos Estudantes do Ensino Secundário, Vamos Todos Lutar contra a Austeridade e os Sacrifícios Planeados para Preparar uma Guerra Generalizada!

20 de Outubro de 2026 Robert Bibeau


Pelo  GIGC-Révolution ou guerre, 16 de Outubro de 2026, em  Révolution ou Guerre – Revolução ou Guerra

Seguindo o Movimento dos Estudantes do Ensino Secundário, Vamos Todos Lutar contra a Austeridade e os Sacrifícios Planeados para Preparar uma Guerra Generalizada!

Abaixo está o folheto que distribuímos durante os protestos de 17 de Outubro de 2026, em França, que reuniu quase um milhão de pessoas — oficialmente 800.000 — nas ruas de várias cidades, grandes e pequenas, bem como em rotundas, etc.

Muitos estudantes do secundário e universitários, bem como muitos operários — vindos directa ou indirectamente do movimento dos Coletes Amarelos ou agindo por conta própria — juntaram-se e protestaram lado a lado contra o elevado custo de vida e a deterioração geral das condições de vida e de trabalho para todos.

A violenta repressão policial durante a mobilização dos estudantes do secundário — com 9.000 estudantes detidos pela polícia e muitos feridos, alguns cegos ou mutilados — continuou ao longo destes protestos. Os leitores que não residem em França certamente ouviram falar disto através da imprensa, que centra toda a sua propaganda na violência e nos saques, para evitar destacar o verdadeiro significado desta mobilização: uma raiva de classe que está cada vez mais amplamente difundida em França e internacionalmente, como podemos ver na Bélgica, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha e Albânia.

Em acordo sobre a dinâmica, potencial e limitações desta mobilização de estudantes do ensino secundário — e propondo as mesmas orientações e palavras de ordem imediatas — agimos em conjunto com o grupo ICT em França, o Grupo Revolucionário Internacionalista (GRI), e com simpatizantes dos nossos respectivos grupos [1]:

- nas assembleias gerais estudantis e nas delegações que as assembleias gerais decidiram enviar aos locais de trabalho para tentar convencer os operários a juntar-se também à luta;

- distribuindo e republicando o folheto que o GRI tinha elaborado para o dia de protesto de 13 de Outubro, cuja orientação e palavras de ordem partilhávamos.

Na sequência desse dia e à medida que a situação evoluiu, nós da IGCL achámos necessário ajustar a orientação proposta para o dia 13, que já não parecia abordar totalmente os desafios imediatos da situação como tinham sido desde 17 de Outubro em particular. Embora o folheto de 13 de Outubro estivesse ainda, de forma geral, correcto, ficava atrás do ritmo que se tinha criado a partir do dia 14 e do impacto que os acontecimentos do dia 13 tiveram tanto entre os estudantes como entre a classe operária.

O facto é que havia, e ainda há, muita raiva e preocupação entre a classe operária e a população em geral. Além disso, a classe operária, incluindo os seus sectores mais combativos, hesitou, e ainda hesita, em entrar em luta "aberta", ou seja, colectiva. Os operários, como indivíduos, apoiam a mobilização e as exigências dos estudantes, mas ainda não entraram em acção colectiva. O nosso folheto datado de 16 de Outubro, reproduzido abaixo, pretende abordar essa hesitação. A baixa probabilidade de que as nossas orientações fossem seguidas e concretamente adoptadas por partes da classe operária não elimina a necessidade de os grupos comunistas assumirem a tarefa de liderança política, avançando orientações necessárias para o desenvolvimento da luta e que tenham utilidade concreta nas lutas imediatas.

Para nós, este dia só podia marcar uma viragem: ou abria o caminho para uma entrada em luta mais ou menos rápida de sectores da classe operária, aproveitando a porta que os liceais tinham aberto, e assim abrir uma nova perspectiva para esta mobilização; ou então os operários não passariam de simpatias e apoios individuais – certamente numerosos, mas não colectivos – e esperariam pelo dia de acção dos sindicatos previsto para 5 de Novembro e cujo objectivo, toda a gente sabe, é apenas enquadrar a mobilização, deixar escapar o vapor, trazer toda a gente para o âmbito sindical e assim apagar o incêndio.

Era portanto necessário modificar ligeiramente a estratégia pensada para o dia 13 — que se dirigia a estudantes do ensino secundário e universitários mobilizados e que avançava a necessidade de procurarem a solidariedade activa da classe operária. Tornou-se então apropriado apelar a toda a classe operária para que corresse para a brecha. É por isso que, no último dia antes da mobilização do dia 17, decidimos produzir o folheto que reproduzimos e traduzimos abaixo.

No momento em que escrevemos, após o dia 17 e o bombardear mediático e governamental sobre as violências e os saqueadores, por um lado, e a substituição de um dia de acção sindical no dia 5 de Novembro em vez de uma entrada imediata em luta dos operários sobre as suas reivindicações, nas quais todos se reconhecem, parece pouco provável – esperamos estar enganados – que sectores significativos do proletariado entrem em luta imediata e massiva. Para isso, seria necessário não só que saíssem da atitude de espera e hesitação manifestada até agora, mas sobretudo que assumissem conscientemente o confronto político com os sindicatos que se opõem, e vão opor-se, a qualquer greve imediata sob o pretexto de preparar o dia 5 de Novembro. As palavras de ordem e orientações do nosso folheto continuam sempre válidas no momento em que escrevemos.

 IGCL, 18 de Outubro de 2026

 

A situação económica, social e política é crítica; o navio está a meter água por todos os lados, e à primeira vista, é difícil ver qualquer saída.

Por um lado, nos liceus e escolas secundárias, ratos correm pelas salas de aula, o aquecimento não funciona no inverno, e os edifícios não isolados transformam-se em fornos assim que a temperatura sobe. Os alunos, especialmente nos bairros operários, não têm professores porque as faltas não são cobertas. E quando tentam protestar, o Estado envia a polícia, que não hesita em cegar ou mutilar as pessoas.

Por outro lado, os salários não acompanham a inflação; orçamentos cada vez mais austeros estão a apertar o pescoço aos operários com força crescente, e enquanto a indústria bélica arrecada lucros, o orçamento da segurança social está a ser cortado. Os capitalistas parecem ter feito a sua escolha: preferem investir em máquinas de matar do que em saúde.

De facto, em todos os países, a pobreza e a exploração estão a disparar justamente no momento em que o capitalismo se prepara para uma guerra generalizada, correndo o risco de destruir a civilização industrial moderna e de devastar ainda mais o ambiente do qual depende a nossa sobrevivência. Em todos os países, a raiva e a revolta estão prestes a explodir. O futuro que o capitalismo, em crise, nos está a preparar é sombrio. Toda a gente está mais ou menos consciente disso.

A manifestação deste sábado, 17 de Outubro, pode marcar um ponto de viragem no impulso da mobilização que se tem desenrolado nas últimas semanas; pode sinalizar a emergência dos operários na linha da frente. Isto é vital para garantir que a porta aberta pelos estudantes do ensino secundário não se feche, mas sim se mantenha escancarada.

Não só precisamos todos de nos juntar e contribuir, mas, acima de tudo, é a classe produtora de riqueza como um todo – a classe operária, os assalariados, o proletariado – que deve avançar, liderar estas revoltas e dar-lhes uma perspectiva de luta tanto contra os ataques imediatos às nossas condições de vida como… contra o próprio capitalismo, com o objectivo final de o derrubar. Não existe outro caminho perante a pobreza primeiro e a guerra depois. (Ver: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A INSURREIÇÃO POPULAR INTERPELA A VANGUARDA DO PROLETARIADO)

Neste sentido, as mobilizações em França e em todo o lado apelam ao proletariado como um todo: confrontam-no com a sua responsabilidade histórica. Esta observação não se limita a França; aplica-se também aos protestos contra o aumento exorbitante das rendas em Espanha, aos protestos de estudantes do ensino secundário e outros na Bélgica e Itália que estão a acontecer neste momento...

As mobilizações dos liceais e estudantes deixadas à sua sorte estão num impasse; só poderão ter uma saída segura através de uma acção massiva dos trabalhadores, que só poderá ocorrer no terreno da classe. Apenas simpatizar e apoiar os liceais e os estudantes não é suficiente. (Ver: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: As revoltas populares chamam a atenção do proletariado: elas colocam-no perante a sua responsabilidade histórica)

É preciso mobilizar-se e procurar entrar em luta e em greve de forma colectiva. As referências a Maio de 1968 são partilhadas por muitos. A força de Maio de 1968 foi precisamente devido ao facto de os trabalhadores terem entrado em luta massiva na sequência das manifestações estudantis e, convém precisarmos, apesar e, muitas vezes, contra a opinião dos sindicatos. Encorajamos todos aqueles que se reconhecem nesta constatação e desejam «fazer alguma coisa», a agruparem-se e formarem comités de luta, ou qualquer outra forma de agrupamento activo e militante, para poder:

- participar colectivamente em manifestações e assembleias; 

- preparar-se para agir e entrar em greve com base em reivindicações tão amplas e unificadas quanto possível; 

- e ir aos locais de trabalho e outros lugares para expandir e generalizar a luta.

O capitalismo prepara a guerra generalizada entre blocos imperialistas equipados com armas nucleares. Para isso, é preciso impor cada vez mais sacrifícios e miséria a todas as populações, e em primeiro lugar ao proletariado, e isso em todos os países. Perante esta perspectiva bárbara, só há um caminho: resistir coletivamente a todos os ataques às nossas condições de vida e de trabalho.

Contra a austeridade e os sacrifícios generalizados, contra a miséria que aumenta, operários, assalariados do público e do privado, reformados, estudantes, estudantes do ensino secundário, desempregados, trabalhadores «não-imigrantes» e imigrantes, mulheres e homens, todos em luta!


Le GIGC-Révolution ou guerre, 16 de Outubro de 2026.  (www.igcl.org, intleftcom@gmail.com)

 

[1]. Convém também salientar e mencionar que, ao nosso conhecimento, o PCI-O Proletário e o CCI intervieram nas assembleias estudantis defendendo, de forma geral, a mesma orientação. Noutras palavras, a Esquerda comunista como um todo interveio no mesmo sentido.

 

Fonte: Après le mouvement lycéen, tous en lutte contre l’austérité et les sacrifices visant à préparer la guerre généralisée ! – les 7 du quebec

Este panfleto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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