A "síndrome de perturbação do Irão"
6 de Outubro de 2026 Robert Bibeau
Por René Naba.
Sobre a "síndrome de perturbação
do Irão" – Madaniya
A Síndrome de perturbação do Irão ou a narrativa de propaganda de financiamento destinada a normalizar as relações entre Israel e o Líbano.
"As palavras dos bastardos armam os braços dos tolos"
(Teorias das Teorias, p. 149) Charles Dantzig.
O banqueiro Antoine Sehnaoui e Jeremy
Chaabane, o conselheiro de comunicação de Bahaa Hariri, o filho mais velho do
antigo primeiro-ministro libanês, dois dos grandes financiadores da
campanha de
normalização libanesa-israelita.
Saleh Nihad Machnouk, filho do antigo Ministro do Interior, defensor da
rendição ao império israelita.
O Hezbollah combateu Israel cada vez mais tempo do que os quatro países árabes no campo de batalha, infligindo mais perdas materiais e humanas ao Estado judeu do que todos estes países juntos (Egipto, Síria, Jordânia, Líbano, além da OLP) durante os seus muitos confrontos com o Estado judeu (1982-2000, 2006, 2024-25 e 2026).
A "síndrome de perturbação do
Irão"
No contexto do controlo militar da NATO sobre o Líbano, foi lançada uma
campanha intitulada "O Líbano não quer guerra" para pressionar o
governo libanês e a opinião pública para promover a normalização das relações
entre o Líbano e Israel.
E com razão: o Líbano é o único país árabe a ter revogado um tratado de paz com o Estado judeu, concluído em 1983, sob o mandato do Presidente falangista Amine Gemayel, na sequência de uma revolta da população de Beirute.
O Líbano é também o único país árabe a ter conseguido a retirada israelita
do sul do Líbano no ano 2000, sem negociações ou tratados de paz, graças ao
Hezbollah.
Estes feitos explicam a determinação do campo pró-Israel no Líbano – a
liderança cristã e as personalidades muçulmanas a gravitar na órbita saudita –
em fazer o Hezbollah ceder.
A campanha foi lançada no início das
hostilidades israelo-libanesas, desencadeadas na sequência da operação do
movimento islamista palestiniano
Hamas, contra Israel a 7 de Outubro de 2023, revela o jornal libanês Al Akhbar,
datado de 24 de Março de 2026.
Painéis publicitários, sob a forma de cartazes publicitários, apareceram
nas ruas de Beirute com o slogan "O Líbano não quer guerra".
Este slogan, aparentemente pacifista,
destinava-se na verdade a incitar a população libanesa a dissociar-se do Hezbollah, a vanguarda da luta anti-israelita no Líbano, acrescenta o
diário libanês, explicando o conteúdo deste slogan: Travar uma guerra contra o
Hezbollah, a formação que defende a independência e soberania do Líbano, como
substituto ao fracasso do exército libanês, e não contra o inimigo oficial do
mundo árabe.
Sobre o exército libanês, veja estes links:
· https://www.madaniya.info/2026/01/04/liban-armee-une-armee-libanaise-problematique/
· https://www.madaniya.info/2026/01/12/la-problematique-du-chiisme-libanais/
· https://www.madaniya.info/2026/01/19/larmee-libanaise-dans-la-guerre-de-2024-2025-un
"Com que direito" foi um dos temas principais desta campanha
Em 2024, um dos cartazes publicitários
foi severamente criticado porque usou como ilustração, sem autorização, a foto
da família de Issam Abdallah, uma pessoa que caiu no campo de batalha. A
família do falecido exigiu a destruição do cartaz, proclamando o seu apoio à
resistência libanesa.
A campanha pró-normalização diminuiu
durante o período do cessar-fogo (final de 2024-2025). Um período que permitiu,
sob a tutela saudita-americana, a ascensão ao poder do presidente Joseph Aoun e
do primeiro-ministro Nawaf Salam, uma dupla favorável à celebração de um
tratado de paz com Israel.
As revelações da "Beirut
Revue"
Jeremy Chaabane é o assessor de comunicação de Bahaa Hariri, filho mais
velho do antigo primeiro-ministro libanês e um dos grandes financiadores da
campanha de normalização libano-israelita.
O site "Beirut Revue" revelou a 21 de Março de 2026 que a
campanha era alimentada por jornalistas e activistas que recebiam financiamento
externo com o objectivo de abolir a legislação que criminaliza a normalização
entre o Líbano e Israel. Esta campanha foi financiada pelo publicitário Tony
Boulos.
O "Beirut Review" baseou-se em informações obtidas junto dos
serviços de segurança libaneses.
Estas campanhas, esclarece o site, foram financiadas directamente por Ahmad
Maher Chaabane, mais conhecido pelo pseudónimo Jeremy Chaabane, assessor de
comunicação de Baha’ Rafic Hariri, filho mais velho do antigo primeiro-ministro
Rafic Hariri.
Decididamente pró-israelita, e eterno candidato a cargos governamentais em
substituição ao seu irmão mais novo, Saad Hariri, Baha’ Hariri fundou em 2011,
em Washington, o «Centro Rafic Hariri para Estudos do Médio Oriente» dentro do
«Atlantic Council», um importante lobby pró-israelita baseado em Washington, do
qual é membro do Conselho de Administração.
Segundo o «Beirut Review», o montante de uma das transferências ascendeu a
cem mil dólares (100.000). Assim, em 2024, os israelitas conseguiram colocar
nos media libaneses artigos redigidos pelo seu serviço através de um grupo a
operar no Reino Unido.
Os artigos publicados nos media libaneses são assim reproduzidos pelos
media israelitas para mostrar que a opinião libanesa é hostil ao Hezbollah.
Depois, por sua vez, os media libaneses repetem os comentários dos media
israelitas sobre este tema para justificar as suas próprias análises.
Bela ilustração da circulação circular da informação, segundo a famosa
fórmula do sociólogo francês Pierre Bourdieu.
Ou seja, Israel baseia-se nas suas fake news para credibilizar as suas
próprias teses. De forma mais crua, Israel cria uma mentira e acaba por
acreditar na sua própria mentira. Uma auto-intoxicação, em suma.
A empresa META, em 27 de agosto de 2024, tinha publicado um relatório no
qual desmentia formalmente a sua implicação na campanha de propaganda
derrotista articulada em torno do tema «O Líbano não quer a guerra».
A META tinha então esclarecido que esta campanha tinha sido lançada por uma
empresa vietnamita, a LT MEDIA, com um orçamento de 1,2 milhões de dólares,
direccionada ao Líbano, aos Estados Unidos, ao Reino Unido, à França e ao
Qatar, através de 69 páginas e 112 contas no Facebook, bem como 49 contas no
Instagram.
A META eliminou estas contas alegando que violavam a política da empresa
relativamente a acordos ilícitos.
Está mais uma vez provado que o Líbano geme sob a lei do Rei Dólar, sob o
pretexto de «democracia» e «livre empresa», conclui o diário libanês.
-Saleh Nihad Machnouk, filho do antigo ministro do Interior, defensor da
rendição ao império israelita
No dia seguinte ao cessar-fogo proclamado entre os Estados Unidos e o Irão,
a 8 de Abril de 2026, enquanto o Líbano se debatida sob uma chuva de obuses
lançados pela aviação israelita, Salah Nihad Machnouk, filho do antigo ministro
do Interior do governo de Saad Hariri, lançou um ataque virulento contra o
Hezbollah libanês.
“Beirute arde pela sobrevivência de Teerão”, acusava ele.
“Vocês não são agentes. As grandes potências protegem os seus agentes.
Vocês não passam de mercenários… Israel defende o seu povo. Vocês são
mercenários que defendem o regime de Khamenei”, exclamou Saleh Machnouk, que é
o herdeiro político de um clã sunita de Beirute.
Saleh Nihad Machnouk é o sobrinho-neto do fundador do clã, Mohammad
Machnouk, que na década de 1960 foi o líder da corrente pró-nasserista em
Beirute.
Outros digitalistas, incluindo Nadim Koteich, antigo director da versão
arabófona do canal britânico Sky News, propriedade dos Emirados Árabes Unidos,
e também cronista do jornal israelita Jerusalem Post, assim como Hadi Mrad e
Makram Rabah, seguiram o exemplo de Saleh Nihad Machnouk, estimando que “O
Líbano está sob ocupação iraniana”, justificando o massacre israelita ao
alegarem que os combatentes do Hezbollah se escondiam nas casas de civis.
· Palavras de Saleh Nihad Machnouk, neste link
· Nadim Koteich fala hebraico, veja este link
O esquema de perturbação do Irão
“Sayyed Hassan Nasrallah foi assassinado, enquanto Teerão passa noites
tranquilas”, exclamava, de forma demagógica, um dos digitalistas durante o
assassinato do mítico líder da formação paramilitar xiita, apagando da sua
memória os repetidos ataques israelo-americanos de Junho de 2025.
O Hezbollah suicidou o Líbano em favor do Irão, como afirmava, sem
consistência, o Orient-Le Jour, o diário da grande burguesia libanesa — um
público francófono ultra minoritário — no reinício das hostilidades em Fevereiro
de 2026?
Ou será que o Hezbollah se substituiu à passividade do exército libanês
para defender a integridade do território nacional, a soberania do Líbano e a
sua independência? Ou, melhor ainda, será que a reptação de uma parte da
população libanesa, particularmente o tandem executivo, perante os diktats
israelo-americano-sauditas, está a sabotar de forma segura o Líbano em
benefício de uma casta mercantil, que tem gangrenado o Líbano desde a sua
independência?
A abertura das negociações directas entre o Líbano e Israel em Washington,
na data altamente simbólica de 14 de Abril de 2026, que marca o início da guerra
civil libanesa de 13 de Abril de 1975, reaviva o espectro da guerra civil que
devastou o Líbano durante 15 anos (1975-2000), enquanto Samir Geagea, líder das
Forças Libanesas, o coveiro da liderança cristã, antigo aliado de Israel e
agora aliado da Arábia Saudita, sopra sobre as brasas incandescentes da dissensão
inter-confessional.
Sobre Samir Geagea, veja este link
Numa clara indicação da cegueira total de uma grande fracção da liderança
tradicional libanesa, os palestinianos, nunca tão desprezados, abriram os seus
campos de refugiados decadentes para acolher os libaneses expulsos das suas
casas pelas incessantes incursões da força aérea israelita.
Sobre este ponto, veja este link
· https://orientxxi.info/Au-Liban-les-refugies-palestiniens-accueillent-les-deplaces
Ah, a síndrome de Vichy, a colaboração da França petainista com a Alemanha
nazi, que gangrena uma boa fracção da liderança libanesa e que mancha "a
terna mãe dos libaneses" com estigmas indeléveis.
O acordo iraniano-americano, concluído a 19 de Junho de 2026, incluindo o
Líbano, foi uma retumbante afronta à liderança libanesa, mergulhando a dupla
formada pelo Presidente Joseph Aoun e pelo Primeiro-Ministro Nawaf Salam num
coma político, ao revelar a evidente aberração mental do tandem governante, que
está a romper relações com o Irão, que o apoia na sua resistência à agressão
israelita repetida, e a negociar com o Estado judeu, apesar das agressões
israelitas repetidas.
Melhor ainda, a recusa israelita em retirar-se do Líbano corre o risco,
muito provavelmente, de fortalecer o Hezbollah em vez de o enfraquecer, pois a
presença israelita no sul do Líbano torna qualquer possibilidade de
desarmamento do Hezbollah problemática, para grande desagrado dos "soberanistas"libaneses.
Epílogo
….“Sob o governo de Vichy, eles tinham-se tornado mestres numa única arte,
a da negociação. Negociavam enquanto os tanques alemães passavam atrás e à
frente deles e subiam os Champs-Élysées com a confiança do vencedor.
…” Sentavam-se à volta da mesa, ajustavam bem os nós da gravata,
borrifavam-se com um leve perfume parisiense e assinavam papel após papel,
depois levantavam os olhos com leveza e piscavam maliciosamente para o
ocupante. Do outro lado, havia aquela maldição que eles chamavam na altura de
terror ou banditismo, a mesma que mais tarde se chamaria resistência.
Era a Resistência francesa, que não era convidada para nenhum jantar, e
claro, para nenhuma negociação, aquela que pagava com sangue, era deportada,
executada em praças públicas, julgada, e a quem se colavam as etiquetas mais
infames…
Para avançar mais sobre o mesmo tema, consulte estes links
· https://www.madaniya.info/2024/09/24/les-medias-arabes-sous-controle-israelien
Sobre a colaboração entre Israel e milícias cristãs libanesas durante a
guerra civil (1975-2000)
· http://www.renenaba.com/al-qods-pelerinage-la-normalisation-par-la-theologie
Fonte: Le
syndrome « Iran derangement syndrom » – les 7 du quebec

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