19 de Outubro de 2026
O pequeno burguês tem medo. E quando tem medo, inventa palavras.
No sábado, a periferia saiu para a rua. As classes médias rapidamente reencontraram a sua vocação histórica: tremer e chamar a polícia.
O lojista, o empregado com o empréstimo, o progressista do apericena (aperitivo – NdT). Todos unidos, por uma tarde, no sagrado culto da montra intacta.
Era necessária uma palavra, e ela já estava pronta: maranza (sub-cultura juvenil – NdT).
Não é uma descrição. É um exorcismo.
Serve para não pronunciar outra, que assusta muito mais: proletariado.
Debaixo da bandana não está Marrocos nem o Egipto.
Está o cinturão urbano, o cimento, o salário que não chega.
A polícia, que de sociologia nada percebe, percebeu à primeira: reprimiram sem pedir o passaporte.
O Estado burguês conhece o seu inimigo melhor do que os seus jornais.
Um menor em cada oito em pobreza absoluta, certifica o Istat (instituto Nacional de Estatística).
O pequeno-burguês lê o dado, abana a cabeça e inscreve-se no comité pelo decoro.
Agora invoca a legalidade. Pobre alma.
Acredita que a lei é o árbitro do jogo. É o relatório do jogo já ganho.
A greve era um crime.
As prisões especiais foram testadas nos prisioneiros políticos, antes de se tornarem o orgulho anti-máfia da República.
E em Julho o governo já tinha preparado a detenção preventiva para os menores.
A regra chega sempre
antes da rua: a classe dominante lê o futuro melhor do que aqueles que o
sofrem.
Com o crime, o
Estado sempre negociou.
O que ele não tolera
é uma classe que deixa de questionar.
No sábado, essa classe
ainda não estava lá.
Estava a sua raiva:
cega, sem partido, sem programa.
As classes médias
consolam-se: "é só vandalismo".
Por agora, têm
razão.
Mas a história não pede permissão às classes médias. Ela ou os atropela, ou os recruta.

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