sábado, 17 de outubro de 2026

A burguesia palestiniana denunciou o fascismo israelita à custa da aniquilação do povo de Gaza

 


A burguesia palestiniana denunciou o fascismo israelita à custa da aniquilação do povo de Gaza

17 de Outubro de 2026 Robert Bibeau

 


Por Normand Bibeau et Robert Bibeau.

Continuação do artigo de 15 de outubro de 2026 intitulado A burguesia palestiniana desmascarou… disponível no seguinte endereço:

Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A burguesia palestiniana desmascarou o fascismo da entidade israelita à custa da sobrevivência do povo de Gaza

Com esta série de artigos, queremos colocar a chamada «Questão judaica» racista e colonial, assim como a chamada «Questão palestiniana» nacionalista e anti-colonial, no seu devido lugar numa perspectiva materialista histórica e dialéctica, numa perspectiva de luta de classes marxista.


Assim, a 7 de Outubro de 2023, o assalto do grupo islâmico Hamas a alguns colonatos de ocupantes israelitas na periferia da prisão a céu aberto de Gaza, onde mais de dois milhões de prisioneiros palestinianos estavam encurralados há anos, foi uma conspiração «kamikaze» imposta ao povo palestiniano sem o seu consentimento.

Compreendemos que a história do genocídio do povo palestiniano não começa a 7 de Outubro de 2023, mas sim em 1948 com a grande NAKBA. Pouco importa que o ataque do Hamas a 7 de Outubro seja uma resposta à opressão, à ocupação, às destruições de 78 anos de ocupação, ao aprisionamento e à eliminação de milhões de mulheres, crianças e homens palestinianos. A questão é antes, esta táctica kamikaze poderia permitir atingir os objectivos de emancipação popular na Palestina ocupada?

NÃO!

Assim como pouco importa para a grande história deste conflito que a resposta da entidade israelita fascista e racista tenha assumido proporções de crimes de guerra, de um genocídio horrível e de crimes contra a humanidade.

O que importa à classe proletária é constatar que este conflito inter-imperialista, que opõe o império americano hegemónico, o seu proxy israelita racista, fascista e explorador do proletariado supostamente «judeu» (sic); enfrentando o imperialismo árabe dos emires, dos visires e dos bilionários do petróleo, exploradores do proletariado da região… é constatar que esta guerra permanente tem espezinhado há anos os direitos inalienáveis de milhões de oprimidos.


O trabalhador do Próximo e Médio Oriente, seja qual for a sua língua, etnia, nacionalidade ou religião, é ora «carne para patrões» e ora «carne para canhão», o que não lhe convém. O interesse do proletariado desta região duramente atingida pelas guerras dos senhores do mundo capitalista é travar a guerra de classes anti-capitalista dentro da sua própria entidade «nacional», em coordenação com as lutas internacionalistas dos trabalhadores do mundo pela sua emancipação. Ver: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: As revoltas populares chamam a atenção do proletariado: elas colocam-no perante a sua responsabilidade histórica

O MUNDO NÃO SERÁ DESTRUÍDO APENAS POR AQUELES QUE FAZEM O MAL, MAS TAMBÉM POR AQUELES QUE SABEM E NÃO FAZEM NADA» (Albert Einstein)

 Mike Whiney escreveu que o objectivo procurado por Yhya Sinwar teria sido:

 «Dentro de alguns meses – […] obrigaremos o ocupante a enfrentar 2 opções: ou o forçamos a aplicar o direito internacional, a respeitar as resoluções internacionais, a retirar-se da Cisjordânia e de Jerusalém […] permitindo a criação de um Estado nos territórios ocupados em 1967, incluindo Jerusalém. OU COLOCAREMOS ESTA OCUPAÇÃO NUM ESTADO DE CONTRADIÇÃO OU DE CONFRONTO COM A ORDEM INTERNACIONAL NO SEU CONJUNTO, ISOLAREMO-LA DE FORMA EXTREMA E RADICAL, E POREMOS FIM À SUA INTEGRAÇÃO NA REGIÃO E NO MUNDO INTEIRO REMEDIANDO O COLAPSO QUE OCORREU EM TODAS AS FRENTES» (diz Yahya Sinwar, 14/12/2022, durante um discurso anunciando publicamente o programa do Hamas, 10 meses antes do início da Operação «Dilúvio de Al-AQSA» por Mohammed Deif, chefe do ramo militar do Hamas, seguida «imediatamente» da operação SIONAZI ISRAELITA: «Espada de Ferro», com as consequências que conhecemos).

Mike Whiney PROSSEGUE:

«Então o que significa a declaração de Sinwar? Em primeiro lugar, indica-nos que Sinwar é um REALISTA sem qualquer ilusão quanto à possibilidade de derrotar Israel militarmente. Isso nunca foi seriamente considerado. […] Depois, a sua intenção não era 'empurrar os judeus para o mar'.

Como é que se pode dizer que o Sinwar «é um REALISTA», quando o seu plano de operação militar kamikaze «Dilúvio de al Aqsa» ignorou completamente TODA A HISTÓRIA VIVIDA PELO POVO PALESTINIANO MÁRTIR DESDE A CRIAÇÃO DA PRIMEIRA COLÓNIA SIONISTA NA PALESTINA OCUPADA, E QUE SEMPRE TEVE COMO OBJECTIVO O GENOCÍDIO DOS ÁRABES AUTÓCTONES E A CUMPLICIDADE DO DIREITO INTERNACIONAL E DO IMPERIALISMO MUNDIAL?

Histórico do genocídio imperialista ocidental contra os povos do Médio Oriente

Assim, já em 1878, com o estabelecimento da 1.ª colónia de povoamento 'judaica' da Europa de Leste, em Petah Tikva, no 'sandjak de Jerusalém' da Palestina ocupada pelo império otomano, o projecto SIONISTA TEOCRÁTICO já era o de criar um Estado TEOCRÁTICO e racista 'judaico', excluindo 'muçulmanos, cristãos e todas as outras religiões', como 'lar nacional judeu' para aqueles que praticavam a religião judaica.

Entre 1881 e 1903, a 1.ª «Aliyah» («Conquista de Israel») na Palestina foi organizada entre os imigrantes «judeus» que fugiam dos pogroms czaristas na Rússia e na Roménia, para «colonizar» as terras agrícolas palestinianas exclusivamente com colonos «judeus» e com a expulsão dos praticantes de outras religiões presentes nas terras colonizadas (re: un.org, 1930; palquest.palestine-studies.org, «The Jewish National Fund», 22/92/2017; un.org, 1917-1947).

Em 1897 realiza-se o 1.º CONGRESSO SIONISTA em Basileia, na Suíça, sob a direcção de Theodor Herzl. Este movimento «teocrático», reaccionário, colonialista e racista proclama oficialmente ter como objectivo implantar «um lar nacional teocrático judaico na Palestina», à exclusão de todas as outras confissões religiosas, em particular islâmica e cristã.

Em 1901, é criado o «Fundo Nacional Judaico» (Keren Kayemeh Lelsrael), reservado exclusivamente aos «judeus», para angariar o dinheiro necessário à compra de terras na Palestina para a instalação de colónias «judaicas» (sic) de povoamento exclusivo, com vista à criação deste «lar nacional judeu» racista à custa da destruição do «moustassarifat de Jerusalém e dos sanjaks de Nablus e de Acre».

Em 1909, Telavive foi fundada com o nome de «Ahuzat Bayit» como «bairro comunitário e cultural exclusivamente hebraico e núcleo de uma entidade urbana judaica e SIONISTA à exclusão de todas as outras religiões, como um gueto judaico por 66 famílias judias, subúrbio de Jaffa, para se tornar a capital deste «lar nacional judeu» racista de colonização na Palestina ocupada (re: cambridge.org, 5/05/2022; nli.org.il, «The Second Aliyah», Zionism-history).

Em 1914, na alvorada da Primeira Guerra Mundial, que opôs a Alemanha, o império austro-húngaro e o Império Otomano aos impérios coloniais britânico, francês, russo e americano, os «judeus» representavam 6% do «governo otomano da Palestina» (re: france-palestine.org, cronologia 1878-1949)

Apesar dessa percentagem insignificante de «judeus» na Palestina de 1917, o ignóbil racista colonizador Arthur James Balfour, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, escreveu ao líder sionista, o banqueiro bilionário Rothschild, que o seu império racista e colonizador: apoia «o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu» («national home for the Jewish people») embora esta «nação judaica» não exista em lado nenhum além da vontade dos sionistas e dos seus mentores, os imperialistas mundiais, para servir os seus desígnios de dominação regional.

A chamada «Questão Judaica» («Zur Judenfrage»), tal como MARX explicou, diz respeito essencialmente às relações sociais e políticas que fazem com que a religião, tal como a língua, a cultura, a raça, o sexo e todas as «diferenças» que distinguem os humanos entre si, em qualquer sociedade dividida em classes sociais antagónicas, se transformem em fontes de separação, desigualdade e conflitos, de modo a perpetuar a exploração do homem pelo homem em benefício das classes dominantes. A «nacionalidade judaica» baseada na religião «judaica» não passa de uma quimera da sociedade dividida em classes sociais antagónicas para «dividir as populações para reinar» e explorar esta minoria religiosa, onde «[O] judaísmo se conservou, não apesar da história, mas pela história», como todas as religiões, aliás, «fósseis» ideológicos que remontam às calendas gregas e repudiados pela ciência (re:classiques.uqam.ca, «La question juive», 1844)

Foi com esse objectivo «divisionista» de dominação que o imperialismo britânico, com a cumplicidade do imperialismo árabe e mundial, implantou no coração do mundo «árabe e islâmico» o «ponto divisor» mortal de um «lar nacional judaico» (sic), destinado a provocar e enfraquecer os árabes dominados e assegurar a dominação imperialista para «roubar, saquear, pilhar e explorar» os recursos naturais e os povos árabes, em particular o trigo, as rotas comerciais e o petróleo descoberto no Irão, os «acordos Sykes-Picot» de 1916 sobre a partilha do Médio Oriente e as promessas falsas feitas aos árabes, reveladas por LENINE em 1917; (larousse.fr;openwarstudies.org) (re: a Conferência de Paris de 1909).

Após a derrota otomana de 1918, os imperialistas britânicos assumem o controlo do «governo otomano da Palestina» e em 1920 impõem aí a sua administração, para depois obter um «mandato» de ocupação da Sociedade das Nações (1922 com entrada em vigor em 1923) para, ao abrigo do artigo 6 do mandato:

facilitar a imigração «judaica» na Palestina mandatária;

encorajar a fixação dos «judeus» nas terras palestinianas;

desenvolver instituições «judaicas» e tudo isso em detrimento dos árabes autóctones.

Desde essa data fatídica sucederam-se sem fim:

– os atentados terroristas (1922 – 1947);

– a ignóbil resolução 181 da Assembleia Geral da ONU que concedia 55% do território palestiniano aos «30% de judeus da Palestina possuindo 15% das terras» e 45% aos «66% de árabes possuindo 85% das terras», um roubo puro e simples das terras palestinianas e uma violação abominável dos direitos do povo palestiniano;

– a criação ilegal da entidade israelita racista e teocrática, a 14 de Maio de 1948;

– a guerra de agressão «SIONAZI» para expulsar mais de metade dos árabes das suas terras ancestrais;

– a NAKBA com a deportação manu militari de 760.000 palestinianos da Palestina;


- 1956, a guerra de agressão de Suez e a invasão do Sinai e de Gaza;

- 1967, a guerra de agressão dos 6 dias que começou com o bombardeamento do Egipto;

- 1967-1973, colonização dos territórios ocupados por mercenários «judeus» vindos do Ocidente;

- 1973, agressão do Yom Kippur e capitulação do Egipto e da Síria;

- 1978-1982, acordos renegados de «Camp David» e traição dos fascistas egípcios e agressão ao Líbano;

- 1981, anexação do Golan;

- 1987-1993, 1.ª Intifada e os «Acordos de Oslo»;

 

o    Em 2016, resolução falida 2334 do Conselho de Segurança da ONU reafirmando que os colonatos ‘judeus’ no território palestiniano ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não têm nenhum valor jurídico e constituem uma violação flagrante do DIREITO INTERNACIONAL. Esta resolução pérfida e perniciosa significa que a colonização dos territórios palestinianos anteriores a 1967 é ‘validada’ ao abrigo do ‘direito internacional’, alterando unilateral e ilegalmente a resolução 181 da Assembleia Geral de 1947 e reconhecendo o ESTADO SIONAZI ISRAELITA dentro das fronteiras anteriores a 1967, uma violação até do DIREITO INTERNACIONAL IMPERIALISTA. Pior ainda, nenhum dos Estados imperialistas do Conselho de Segurança, EUA, China, Rússia, França, Grã-Bretanha;

 

-2005 -2023, aceleração e intensificação da colonização com a CUMPLICIDADE da comunidade internacional: 166 colonatos reconhecidos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental com 737.332 colonos mercenários ilegais e 271 «postos avançados coloniais» na Cisjordânia ocupada com ~ 60.000 habitações ilegais autorizadas (re: Alto Comissariado da ONU, 4/02/2026);

– 7 de Outubro de 2023, Operação «Dilúvio de al Aqsa» da Resistência palestiniana;

– 8 de Outubro de 2023-2026, «Operação Espada de Ferro» dos mercenários genocidas SIONAZIS ISRAELITAS com 75.200 palestinianos assassinados; + de 175.000 feridos; ~ 2 milhões de deslocados; 81% da construção de Gaza destruída; 16.500 vítimas de fome, doenças e execuções sumárias sem julgamento. 


No momento de fazer o seu discurso em Dezembro de 2022 e de desencadear a Operação «Dilúvio de al Aqsa», em 7 de Outubro de 2023, Sinwar poderia honestamente:

1- IGNORAR que o imperialismo mundial através dos SIONISTAS «judeus», e depois a entidade racista israelita, desde 1878 ASSASSINOU, FERIU E EXPULSOU DAS SUAS TERRAS ANCESTRAIS:

~ 750.000 a 957.000 palestinianos foram expulsos de suas terras ancestrais, sob bombas, atentados terroristas e à baioneta durante a NAKBA;

~ 200.000 expulsos após a guerra de 1967;

~ 5,9 milhões de palestinianos inscritos e elegíveis aos serviços da UNRWA;

~ 154.000 palestinianos foram assassinados pelos «judeus israelitas» desde 1948;

~ 101.000 palestinianos feridos pelo exército israelita fascista entre 2009-2018;

provocou fomes, epidemias infecciosas, mortalidade infantil, malária, tuberculose, em suma, TODAS as técnicas de genocídio foram empregues em algum momento da guerra de extermínio conduzida pelos mercenários israelitas desde o seu mandato de implantar uma colónia «judaica» racista na Palestina como posto avançado do imperialismo

2- Ignorar que TODOS os líderes sionistas e os seus «patrocinadores» imperialistas sempre afirmaram publicamente que não recuariam perante qualquer crime, qualquer massacre, qualquer genocídio para criar e impor a sua colónia de mercenários «judeus» na Palestina, ou mesmo «do Nilo ao Eufrates» para servir o imperialismo mundial;

3- IGNORAR que a «comunidade internacional» dos imperialistas mundiais reunida na ONU sabe desde 1878 que o projecto SIONISTA consiste em exterminar ou expulsar os árabes do Estado teocrático racista «judeu» para construir um «ponto divisor» no coração do mundo árabe para o dominar e explorá-lo;

4- IGNORAR que o DIREITO INTERNACIONAL é uma farsa total inventada para impor a ditadura das potências imperialistas dominantes sobre os Estados dominados;

5- IGNORAR que os «líderes capitalistas» de todo o mundo sabem que o povo palestiniano e todos os povos árabes, iranianos e iemenitas são explorados e massacrados pelas burguesias locais em conluio com a burguesia compradora israelita em favor do imperialismo mundial para os «roubar, pilhar e saquear» e que esses ricos ocidentais ou árabes são os SEUS CÚMPLICES ACTIVOS, como prova o comércio que mantêm com a entidade sionista.

Sabendo de tudo isto, como é que Sinwar e os movimentos de resistência palestinianos conseguiram atirar os gazenses à boca do lobo americano-israelita e do imperialismo mundial sem pátria? Esta é a questão última à qual eles têm de responder aos gazenses, ao heroico povo palestiniano e aos revolucionários de todo o mundo.

Para nós, proletários revolucionários, não existe a “Questão Judaica”, não existe a “Questão Palestiniana”. Existe apenas uma “Questão Proletária” onde a classe proletária internacional, unida para lá das diferenças étnicas, linguísticas, religiosas ou nacionais, enfrenta a classe burguesa mundializada, desunida, caótica e decadente.

Proletários do mundo inteiro, uní-vos contra o Capital distópico!


Fonte: La bourgeoisie palestinienne a démasqué le fascisme israélien au prix de l’anéantissement du peuple gazaouï – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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