sexta-feira, 23 de outubro de 2026

SOBRE A MISTIFICAÇÃO DEMOCRÁTICA

 


SOBRE A MISTIFICAÇÃO DEMOCRÁTICA


Ridha Klouche
·

 Sobre a mistificação democrática:

Jacques Camatte a Bordiga

Paris, 18 de Junho de 1965

Caro Amadeo,

Aqui está uma primeira parte sobre as obras de juventude de Marx, ainda chamadas de obras filosóficas, embora aí se encontrem todos os elementos da obra da maturidade e, portanto, não existam um Marx jovem e um Marx velho.

É um resumo e um comentário da "Crítica à filosofia do Estado de Hegel". Isto tem interesse:

- Para mostrar que desde o início Marx tem a solução para todos os antagonismos, para todos os enigmas: é a comunidade (Gemeinwesen); que a sociedade burguesa é a última sociedade política; que a democracia é a última forma política. Isto quer dizer que é na sociedade burguesa que pela última vez se coloca o problema de organizar os homens.

 A democracia sendo a solução, "o enigma resolvido de todas as constituições" e portanto ao mesmo tempo o fim da política.

- Para evidenciar a crítica à vontade e à burocracia, encontrarás incluídas as cartas sobre este assunto que te tinha escrito no ano passado. Acho que este ponto é fundamental: todos aqueles que teorizam a vontade acabam por precisar da burocracia porque esta nasce no plano da transmissão de ordens e na hierarquia do conhecimento.

Por outro lado, Marx polemizando com Hegel declara: qual é o ser da constituição? Hegel responde: o povo.

É aí que se encontra a mistificação que Marx irá revelar em todos os seus trabalhos posteriores, mostrando que é o capital. Marx encontrou a solução na Gemeinwesen comunista. Ele vai demonstrar a génese do Estado, portanto a destruição da antiga comunidade e depois a reformação da comunidade. Pode-se demonstrar que esta foi a preocupação fundamental de Marx. De facto, ele abordou O Capital de quatro formas diferentes:


  1. Os Manuscritos de 1844: ele insiste sobretudo no trabalho alienado e assalariado na sociedade capitalista.
  2. A Contribuição para a Crítica da Economia Política: ele parte da relação material, a mercadoria, depois o capital. As conclusões são as mesmas. Apenas Marx queria por um lado demonstrar como o processo social se tinha efectivamente produzido e como se tinha apresentado no homem: as várias escolas económicas. Daí um plano duplo, por um lado os dados puramente teóricos, por outro as considerações históricas.
  3. As formas que precedem a forma de produção capitalista. Nos dois primeiros textos tentava-se ver como o trabalhador assalariado era produzido, como o capital se tinha constituído. A diferença entre as duas obras resulta do ponto colocado no centro: o trabalho assalariado ou o capital. Aqui, Marx explica que o capitalismo só pôde constituir-se destruindo a comunidade natural, depois a comunidade mediada pela terra, etc. O ponto central é a comunidade.
  4. O Urtext que não é senão um fragmento da versão primitiva da Contribuição à Crítica. Aqui Marx coloca a questão da autonomia do valor de troca e demonstra que o ouro não pode realizar isso, só o capital podia. No entanto, ele indica ainda que agora o capital pode ser a comunidade material. Só ele pode substituir a antiga comunidade que foi destruída ao longo das várias revoluções que representam os diversos tempos da expropriação, até ao homem totalmente rejeitado – mesmo do processo de produção e, portanto, do trabalho – o proletário. 

Isto é importante porque complementa a investigação das Formas e, por outro lado, permite unir toda a obra em torno da questão fundamental da comunidade, ou seja, do comunismo.

Marx percebeu que não conseguiria construir toda a obra integrando os diversos dados. Por outro lado, o fracasso da Contribuição mostrou-lhe que era necessário 'ser mais simples' (vamos dizer assim), razão pela qual, dado o carácter urgente de fornecer uma arma de luta ao proletariado, publicou o 1.º livro do Capital, que é um todo e é ao mesmo tempo o programa da classe revolucionária e a desmistificação de todas as relações sociais. É por isso que encontramos a mesma 'terminologia', o mesmo estilo no VI Capítulo, no Urtext, na Contribuição ou nas partes do Capital não publicadas em vida do autor. Quando não o é, a substância é a mesma, por exemplo: no VI Capítulo fala-se da mistificação da mercadoria e depois do capital (como na Contribuição), no I livro do Capital fala-se do 'carácter fetiche da mercadoria'. Vamos agora para a mistificação das relações sociais e, portanto, da democracia, aqui está uma das frases-chave que se encontra na Contribuição:

"É necessário que uma relação social de produção se apresente sob a forma de um objecto existente fora dos indivíduos e que as relações determinadas, nas quais eles entram no processo de produção da sua vida social, se apresentem como propriedades específicas de um objecto. É esta inversão, esta mistificação não imaginária, mas de uma realidade prosaica, que caracteriza todas as formas sociais do trabalho criador de valor de troca." 

Outra citação importante: "Como o dinheiro não é produto da reflexão ou da convenção, mas constitui-se instintivamente no processo de troca, mercadorias muito diversas, mais ou menos inadequadas, podem perfeitamente funcionar como dinheiro."

Portanto, a democracia não é um simples subterfúgio das classes dominantes para enganar as massas. Por outro lado, pode ter havido várias formas de democracia. A busca pela democracia ideal - a democracia renovada dos excrementos estalinistas - é tão inútil quanto a da moeda ideal..

Isto colocou-nos no caminho da compreensão – em profundidade – da mistificação democrática. O Roger vai escrever-te precisamente sobre o Capital de Marx e a democracia.

Mais tarde, vou enviar-te o trabalho sobre A Questão Judaica e A Contribuição para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel[1], sempre abordado com a mesma perspectiva. Estou a enviar-te tudo isto que é "matéria para trabalhar" e não um produto elaborado, para te manter a par do trabalho que estamos a fazer sobre a mistificação. É quase certo que num futuro próximo teremos chegado ao fim de tudo e poderemos sintetizar como pedes e submeter-te o texto.

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Para que as máscaras intercambiáveis não possam mais personificar nada, é absolutamente necessário que os SEM-RESERVAS fraternizem e lutem como classe, ou seja, partido comunista que, por sua função, é planetário.

Para dissolver à escala planetária:

Todos os estados

Depois

O processo de produção

O processo de circulação

O processo de reprodução de todo o lixo

Dissolução também

De todos os SACRIFÍCIOS económicos, políticos, militares, jurídicos, filosóficos e religiosos

Quem tem ferro

Tem pão

https://www.facebook.com/share/p/17eG9qVB6h/ CfJutta Matzner: O conceito de máscara de caráter em Karl Marx

In: SOCIALE WELT : Revista de Ciências Sociais

Forschung und Praxis

JAHRGANG 15 1964 HEFT 2

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Eu não pinto de cor-de-rosa, muito longe disso, a personagem do capitalista e do proprietário de terras. Mas essas pessoas aqui só aparecem como personificação de categorias económicas, como portadoras de relações de classe e de interesses determinados. Menos do que qualquer outra perspectiva, a minha, que consiste em compreender o desenvolvimento da formação económico-social como um processo histórico natural, não pode responsabilizar um indivíduo singular por relações e condições das quais é socialmente produto, mesmo que consiga elevar-se, subjetivamente, acima delas. Karl Marx: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10228120662755908&id=1655649564https://www.facebook.com/share/p/17eG9qVB6h/CfJuttahttps://www.facebook.com/share/p/18T1Yqv2xy/

« A mercadoria em si e para si está acima de qualquer barreira religiosa, política, nacional e linguística. A sua língua universal é o preço, e a sua comunidade, o dinheiro. Mas, com o desenvolvimento da moeda universal em oposição à moeda nacional, desenvolve-se o cosmopolitismo do possuidor de mercadorias sob a forma de religião da razão prática em oposição aos preconceitos hereditários religiosos, nacionais e outros, que impedem a troca de substância entre os homens » Karl Marx 1859, a América desencadeará a 3.ª guerra mundial quando o centro de gravidade se deslocar definitivamente para a Ásia, a América já implantou o cavalo de Troia em Marrocos.

A relação de todos os estados e de todas as formações sociais é determinada pelo modo de produção capitalista que é mundial, problemático, ingovernável e criminoso: 2 matanças mundiais, depois mais de 700 guerras, e continua. Os SEM-RESERVAS devem fraternizar e unir-se para lutar como classe, ou seja, partido comunista histórico que, pela sua função, é planetário. A fim de dissolver todos os estados, bem como o processo de produção, o processo de circulação, o processo de reprodução e a dissolução de todos os SUPRA-SACRIFÍCIOS económicos, políticos, militares, jurídicos, filosóficos e religiosos.

Para Rosa Luxemburgo, o modo de produção capitalista não pode ser mundial porque precisa ter à sua volta na sua periferia outros modos de produção, cuja destruição lhe daria o impulso que é fundamentalmente necessário. Portanto, para Rosa Luxemburgo, tal como para os maoístas, não deve desaparecer pelo efeito da contradição entre N e N-1, e não entre N e N+1. A China, tal como a Rússia, estava abaixo do modo de produção capitalista mundial e, portanto, não podia ir além. Mas estar abaixo do problema e querer ir além do problema é uma contradição in adjecto.

A dissolução de todos os N-1, 

Ou seja, os modos de produção pré-capitalistas, 

leva necessariamente   AO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA MUNDIAL. 

Se N se impõe uma vez, continuará a impor-se tantas vezes à escala planetária até à sua dissolução e ao nascimento de N+1. 

A DISSOLUÇÃO DE N   LEVA NECESSARIAMENTE  A N+1 A COMUNIDADE HUMANA PLANETÁRIA DO SER  PORQUE  N ESTÁ GRÁVIDO DE 18 MESES DE N+1,  OU SEJA,  DO PROLETARIADO MUNDIAL.

 

Fonte: Página do Facebook de Ridha Klouche

Este texto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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