A situação em França: O estado das coisas é
catastrófico (Jacob Cohen)
26 de Outubro de 2026
Robert Bibeau
Por ALGERIE54.
Numa entrevista dada ao Algérie54, o autor, jornalista e especialista em geopolítica Jacob Cohen, fala sobre a repressão que acompanha os protestos sociais em França, as acusações falsas desta "elite" francesa contra certos países, as próximas eleições da entidade sionista e as de meio-mandato nos EUA, bem como a escalada militar no Médio Oriente.
Algérie54: a
França vive ao ritmo da contestação social, da violência e do espectro do
colapso da sua economia. Que retrato faz sobre a situação poucos meses antes
das presidenciais de 2027?
Jacob Cohen: A situação é catastrófica em todos os níveis, mas não é por acaso. Os países ocidentais foram colocados sob o controle de diversos lobbies e multimilionários que exigem levar uma fatia maior da riqueza nacional, em detrimento dos trabalhadores e dos serviços públicos que lhes são dedicados. Além disso, essas forças, nem tão ocultas assim, exigiram desses países ocidentais que desembolsassem centenas de milhares de milhões para a Ucrânia sem esperança de recuperar, e que se cortassem das energias russas, correndo o risco de ver as suas economias colapsarem. Tudo isso só poderá terminar em conflitos devastadores ou em crises sociais que poderiam levar a violência interna e destruir o país.
Algérie54: Para muitos observadores, a persistência de uma narrativa neo-colonial transmitida por esta «elite» francesa levaria à queda da V República. O que pensa sobre isso?
Jacob Cohen: A França está longe das condições que viram nascer a V República e que a levaram ao auge praticamente em todos os domínios. Podemos ter as melhores instituições que um país possa sonhar, mas é preciso que existam políticos dignos de as fazer viver. Esta decadência e esta corrupção mostram até que ponto a classe política traiu os seus compromissos patrióticos. E cada governo é pior. O de Macron acabou de destruir a França e seriam necessários não sei que milagres ou sacrifícios para a restaurar. Começamos a perceber a dimensão do desastre, mas não sabemos por onde começar para o reparar.
Algérie54: Esta «elite» francesa acusou na semana passada países como a Argélia, a Rússia e o Irão de ingerência estrangeira, após as manifestações de 17 de Outubro. Macron considerava que Trump e Netanyahu estavam a usar a situação em França para fins eleitorais. O que acha disso?
Jacob Cohen: Recorrer ao estrangeiro, fonte de todos os males e de todas as perfídias, é uma técnica tão velha como o mundo para se livrar das culpas. Que outros pretextos poderia procurar esta «elite» francesa, da qual se pode dizer que falhou em todos os aspectos? É verdade que a pressão contra estes três países, com a Rússia no topo seguida do Irão, é de uma intensidade rara e totalmente constante, o que nos surpreende pelo seu efeito. Acrescentaram a Argélia para diversificar o quadro e para se conformar a uma histeria islamófoba que acompanha os meios de comunicação franceses.
Algérie54: As eleições gerais na Palestina ocupada, e as de meio de mandato nos EUA, estão a atrair cada vez mais atenção, dada a situação explosiva no Médio Oriente, o espectro de uma retoma da agressão contra o Irão, e a escalada militar entre os houthis e a Arábia Saudita. Que impacto terão estas eleições na situação a curto prazo?
Jacob Cohen: Estas eleições constituíram um factor importante na oportunidade deste ataque ao Irão – que a maioria dos observadores americanos considera mais do que provável – antes de ele acontecer, de forma a ganhar uma vantagem decisiva junto dos eleitores. Sim, mas, se o resultado não fosse convincente, isso poderia ter o efeito contrário. Parece que os governos americano e sionista adiaram este ataque para depois das eleições. A não ser que estas lhes trouxessem um desaire contundente. Enfim, como estes dois governos não podem admitir uma resolução que significasse a sua derrota, e como o regime sionista nunca permitirá que o Irão se desenvolva de forma independente, as hostilidades irão recomeçar de uma forma ou de outra, uma vez que é Telavive que dita as regras em Washington.
Algérie54: O preço do barril de petróleo atingiu na sexta-feira 117 dólares, suscitando cada vez mais preocupações sobre a progressão da inflação e a chegada do Inverno, que se anuncia rigoroso nos países ocidentais. Acha que a chegada de quantidades de gasóleo russo aos EUA poderia ser uma solução?
Jacob Cohen: Esta questão do gasóleo russo parece mais uma operação de propaganda. Ou melhor, uma operação para acalmar os mercados, manipulados com grande mestria por Trump, que, aliás, fez frutificar a sua fortuna e a da sua família, especulando com os preços do petróleo. Primeiro, a Rússia só pode fornecer pequenas quantidades. As quantidades mencionadas representavam alguns dias de consumo. E a Rússia tem compromissos com clientes importantes e fiáveis, como a China e a Índia. O problema é mais vasto. O gasóleo não é o único problema do bloqueio do estreito de Ormuz. Há também o gás, os fertilizantes, certos ácidos vitais… Temos de procurar uma solução global e razoável, e isso é algo que o Trump não quer.
Algérie54: Fontes ocidentais anunciam uma cimeira tripartida entre EUA, China e Rússia em meados de novembro. Seria uma nova Ialta?
Jacob Cohen: É provável que os três líderes se encontrem na China em Novembro. A princípio, para falar sobre a Ucrânia. Mas nada impede de pensar que vão abordar outros problemas. Agora, falar de uma nova Ialta é outra história, há uma grande distância. Em Ialta, as três potências que combatiam a Alemanha estavam unidas e planeavam as suas estratégias comuns. Hoje, Trump ataca a Rússia e a China através dos seus proxies. O líder americano ainda sonha em restaurar o império ianque, e nem sequer se esconde disso. Portanto, a China e a Rússia vão permanecer na defensiva. Há uma grande desconfiança em relação a Trump, incapaz de cumprir a palavra dada e vendo nos seus parceiros, incluindo os seus aliados, apenas potenciais vassalos. A China e a Rússia vão esperar a eleição de um novo presidente americano para considerar relações de confiança e de partilha.
Entrevista realizada por M. Messaoudi
Fonte: La
situation en France: L’état des lieux est catastrophique (Jacob Cohen) – les 7
du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice


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