sábado, 31 de outubro de 2026

[PANFLETO] O DRAMA DA HABITAÇÃO SÓ ACABARÁ COM O FIM DO CAPITALISMO

[PANFLETO] O DRAMA DA HABITAÇÃO SÓ ACABARÁ COM O FIM DO CAPITALISMO

 

Há poucas coisas mais violentas do que ser expulso da própria casa, ou ter de a deixar para evitar que o façam. Também é violento demorar uma ou duas horas a chegar ao trabalho ou viver com desconhecidos numa divisão alugada. Ou nunca saber quando será o próximo aumento que nos obrigue a deixar o apartamento. Dizem-nos que a habitação é um direito, mas os direitos são concedidos pelo Estado e este problema não pode ser resolvido por nenhum governo, seja ele de que cor for. Quem nos tenta convencer de que votando em uns ou noutros podemos acabar com o aumento do custo de vida, o desemprego e a precariedade, simplesmente mente-nos. Os Estados são parte do problema, não da solução.

A situação dramática que vivemos com a habitação é um problema para a nossa classe a nível mundial: Reino Unido, França, China, Estados Unidos, por toda a parte sofremos por querer ter um tecto. Entretanto, a inflação ultrapassa de longe o magro aumento de salários e estes igualam-se para baixo: o salário médio já está muito perto do salário mínimo.

No capitalismo, o trabalho não se organiza em torno das pessoas, mas o contrário: os investimentos concentram-se nas grandes cidades e nós, o proletariado, a força de trabalho, amontoamo-nos nelas com a esperança de conseguir um salário estável. As rendas sobem nas cidades que vão bem, porque é onde está o trabalho. Também sobem nas cidades que, como vão menos bem, se vendem como mercadorias turísticas ao melhor comprador. Só nas zonas economicamente deprimidas, como essa Espanha vazia, o preço da habitação se mantém ou desce ligeiramente.

Esta tendência é imparável e acelera à medida que avança a crise do capitalismo: quanto mais trabalho a automatização expulsa da economia, maior é a concentração de quem procura emprego nas grandes cidades. O tecto do arrendamento apenas reduz a oferta de habitação e aumenta o seu preço. A construção de habitação pública não pode ter um grande impacto na oferta e, se o tivesse, seria apenas temporário: preços mais baixos chamariam de volta aqueles que já foram expulsos para os confins da área metropolitana. A regulamentação contra aumentos “abusivos” das rendas mal toca a superfície do drama da habitação, porque os aumentos “não abusivos” acompanham a descida dos salários e o aumento do desemprego, os despejos e as habitações precárias.

PSOE, Podemos, Sumar, Más Madrid, CCOO, UGT: os mesmos que sancionam e maquilham a precariedade com a reforma laboral, os mesmos que aumentam a idade de reforma às escondidas e que querem “flexibilizar” as baixas médicas para continuarmos a trabalhar doentes, dizem-nos que vão resolver o problema da habitação. Mas eles são parte do problema, e não são direitos, mas repressão o que nos aplicam quando nos rebelamos contra isso.

O drama da habitação com os seus despejos, suicídios, pessoas sem casa ou eternamente na casa da família só acabará se desenvolvermos a luta pelas nossas necessidades imediatas de forma unida, como uma mesma classe, auto-organizada e com uma perspectiva internacional e internacionalista. Isto não se pode provocar artificialmente, nem se pode fazer com um movimento parcial pela habitação. Para mudar algo teremos que mudar tudo. Faremos isso através de movimentos massivos de classe que não podemos desencadear à vontade, mas que explodem devido às contradições históricas do sistema. E, ao mesmo tempo, para que essas explosões triunfem, devem-nos encontrar preparados: preparados para empreender não a exigência de reformas ou direitos, mas uma luta revolucionária contra o Estado, o capital e os seus gestores.

Fonte:https://barbaria.net/2024/10/07/octavilla-el-drama-de-la-vivienda-solo-acabara-con-el-final-del-capitalismo/

Este panfleto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Sem comentários:

Enviar um comentário