Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano
Pelo GIGC/IGCL & PCI. Em Communiqué sur la guerre en Iran et au Liban (6 mars 2026) –
Révolution ou Guerre
La revue Révolution ou Guerre No. 33 (mai 2026) está accessivel aqui: fr_rg33_260424
O brutal ataque americano e israelita ao Irão e ao Líbano não é senão um novo momento, ou etapa, da dinâmica que leva o mundo capitalista à guerra imperialista generalizada. Por enquanto, não há nenhum facto particular que indique nem que seja uma pausa nessa dinâmica mortífera. Após o massacre dos palestinianos, é o terror que recai sobre as populações civis iranianas e libanesas. O proletariado no Irão assim como a população é incapaz de se levantar contra o poder da burguesia iraniana e de ganhar as ruas sob os bombardeamentos massivos dos americanos. O mesmo acontece no Líbano. Cada um procura fugir ou proteger-se das bombas. Para já, a China e a Rússia imperialistas, sendo a primeira o alvo principal que os Estados Unidos têm em mente quando atacam o Irão, como fizeram ontem com a Venezuela, não podem reagir directamente e devem suportar os reveses imperialistas que lhes são impostos. Não há dúvida de que a China será forçada a reagir de uma forma ou de outra – sem mencionar as potências imperialistas europeias que se tornaram secundárias. É por isso que dizemos que a guerra actual é um produto e um factor adicional da corrida para a guerra generalizada.
Os principais
grupos comunistas do campo proletário já tomaram posição exibindo um
internacionalismo proletário mais ou menos afirmado, mas indubitável. Da mesma
forma, excepto o CCI para quem «o
caos vai aumentar [1] »,
a TCI e o PCI, ao publicarem Le Prolétaire em francês, indicam claramente as
suas posições e análises dos acontecimentos como «uma nova etapa rumo à
guerra capitalista mundial» [2] ». Poderíamos
ter retomado um ou outro. Optámos por retomar o folheto do grupo bordiguista
chamado Programma comunista, que publica em francês os Cahiers
internationalistes. Ele é aquele que destaca mais claramente – parece-nos –
a orientação que os comunistas devem avançar hoje: a do « derrotismo
revolucionário » enquanto « prática de luta que deve partir da
constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado »
e que passa pela recusa « de aceitar sacrifícios económicos e sociais
em nome da economia nacional. » E da preparação para a guerra
generalizada, acrescentaríamos.
É extremamente
provável, no entanto, que não tenhamos a mesma compreensão da própria dinâmica
da resposta proletária, aquela da greve de massas, e não da greve geral que
remete à posição anarquista. Apesar disso, e o que precisa ser verificado, o
folheto centra-se na orientação principal a destacar hoje, aquela que é de
facto a chave da situação histórica.
O GIGC, 6 de Março
de 2026
Contra as guerras imperialistas, sempre e em todo o
lado o derrotismo revolucionário
Sob a pressão da crise
mundial do modo de produção capitalista, a situação no Médio Oriente torna-se,
dia após dia, cada vez mais crítica. A guerra entre Israel e Estados Unidos e o
Irão, qualquer que seja a sua evolução num futuro imediato, é ao mesmo tempo um
sintoma e um factor de aceleração e agravamento.
O Estado de Israel cumpre plenamente a função e o papel que lhe foram
atribuídos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, pelas potências
imperialistas vencedoras (os Estados Unidos e a URSS à cabeça): a de polícia
armado, pago e apoiado pelos interesses do capitalismo mundial, no coração de
uma região rica em petróleo, gás e outras matérias-primas preciosas, e ponto de
encontro das trocas internacionais. Por seu lado, as burguesias locais (árabes e
outras), laicas ou devotas, corruptas e reaccionárias, receosas face aos
imperialismos mais poderosos, não fizeram e não fazem senão agarrar-se aos
depósitos de ouro negro e seguir o cheiro do dinheiro: dólares, rublos,
euros ou ienes, tanto faz.
No contexto da crise
mundial, todos esses factores apenas lançam as bases de um conflito
inter-imperialista alargado, destinado a desembocar finalmente numa terceira
guerra mundial. Os proletários já são (e serão cada vez mais) as vítimas destes
cenários sangrentos, presentes e futuros. A sobreprodução de mercadorias e de
capitais, típica desta fase imperialista, é na verdade também uma sobreprodução
de seres humanos: vítimas a sacrificar no altar da preservação a qualquer custo
do capitalismo. Os proletários e as massas em processo de proletarização de
Gaza, da Cisjordânia, do Líbano, da Síria, do Irão, abandonados por todos,
traídos por todos, martirizados por todos, e que além disso estão presos na
armadilha infame dos nacionalismos anti-históricos, sabem-no bem pela sua
terrível experiência directa.
E os proletários dos
imperialismos mais poderosos, euro-asiáticos e americanos? Que ajuda podem dar
aos seus irmãos hoje, depois de quase um século de contra-revolução,
democrática ou fascista, que os paralisou na ilusão de que, afinal, é "o
melhor e mais reformável de todos os mundos possíveis"? Nas guerras
imperialistas, ensinou-nos Lenine, não existem "agredidos" nem
"agressores": todos são agressores e há apenas um agredido — o proletariado
mundial.
A encosta é longa e
íngreme para subir, mas não há outro caminho. Os factos materiais por si mesmos
encarregar-se-ão de abalar o muro até aqui compacto que separava os proletários
das principais potências imperialistas dos outros contingentes de um
proletariado em crescimento numérico por todo o mundo. Mas isso não é
suficiente: é necessário que a tomada de consciência da necessidade de passar
para um modo de produção superior volte a emergir, implicando assim o caminho
difícil e longo para lá chegar. Esta é a tarefa principal das vanguardas da
luta, dos revolucionários que não se deixaram enganar pelas mil ilusões
semeadas ao longo de décadas de práticas reformistas e democráticas,
anti-proletárias e contra-revolucionárias.
No coração desta tarefa
colossal encontra-se a reivindicação do derrotismo revolucionário.
Não se trata de uma palavra de ordem, mas de uma prática de
luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o
único a ser atacado é o proletariado: não há «frentes» a escolher, não há
«inimigos principais» ou «amigos privilegiados». É necessário lutar contra
todas as burguesias e os seus Estados, e em primeiro lugar contra a sua
própria burguesia e o seu próprio Estado.
Organizar-se em todos os
lugares para uma luta de classes radical contra o Estado capitalista, as suas
instituições e todos os seus partidos! Desenvolver uma verdadeira luta pela
defesa das condições de vida e de trabalho, de forma a dar um golpe duro aos
interesses económicos e políticos da burguesia.
Recusar aceitar
sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. Quebrar
abertamente a paz social, com um regresso resoluto aos métodos e objectivos da
luta de classes, a única verdadeira solidariedade internacionalista, tanto nas
metrópoles imperialistas como nos subúrbios. Recusar qualquer apoio cúmplice
(nacionalista, religioso, patriótico, mercenário, humanitário, socializador,
pacifista...) em favor de um ou outro dos estados ou frentes envolvidos em
guerras. Organizar acções de greve económica e social que conduzam a greves
gerais reais para paralisar a vida nacional e abrir caminho a greves políticas,
provavelmente para abrandar e impedir qualquer mobilização e propaganda de
guerra.
Só será possível
preparar-nos para acções abertamente anti-militaristas e derrotistas anti-patrióticas
se as vanguardas de luta da nossa classe se organizarem em torno destes temas
(e não apenas em torno das questões sindicais, ambientais, sociais, etc.,
certamente necessárias, mas limitadas) e se juntarem e reforçarem o partido da
revolução comunista. Noutras palavras:
Deixar que o seu
próprio Estado e os seus aliados sejam derrotados, desobedecer de forma
organizada às hierarquias militares, fraternizar com os nossos irmãos de classe
(eles também presos na sua « pátria »), segurar firmemente as armas e os
sistemas de armamento para se defender em primeiro lugar, e depois libertar-se
dos tentáculos das instituições burguesas: transformar a guerra entre Estados
em guerra dentro dos Estados, em guerra civil, em guerra revolucionária.
São os próprios factos
da realidade capitalista actual que gritam tragicamente a urgência deste
trabalho e a necessidade desta perspectiva.
Partido comunista
internacional – Programa comunista, Cahiers internationalistes, 28/2/2026
(https://internationalcommunistparty.org/index.php/fr)
Notas:
[1] . https://fr.internationalism.org/content/11740/guerre-iran-capitalisme-cest-guerre-il-faut-renverser-capitalisme
[2] . https://www.leftcom.org/en/articles/2026-03-05/middle-east-in-flames-next-step-toward-global-capitalist-war (tomada
de posição da TCI somente em inglês à hora em que escrevemos. E o PCI : https://www.pcint.org/.
Fonte : Communiqué sur la guerre en Iran et au Liban (GIGC/IGCL) – les 7 du quebec
Este comunicado foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice


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