Vaga de lutas operárias na Índia sobre as consequências económicas da guerra no Irão
Vaga de lutas
operárias na Índia sobre as consequências económicas da guerra no Irão
À hora em que enceramos este número, um camarada envia-nos notícias que
encontrou nos sites
Angry Workers of the World (em inglês) e Wildcat (em
alemão) [1] informando sobre uma vaga de
lutas operárias em massa na Índia. A realidade da dinâmica nacional de luta em
massa e "greve em massa" que o Angry Workers traça é amplamente
confirmada e, portanto, verificada pelo The Economic Times, que afirma na sua
manchete que "Não
é só em Noida que os operários estão a protestar em várias cidades da
Índia."
"Em 8 de Abril,
operários de Noida, um subúrbio de Delhi com uma população de 650.000,
juntaram-se ao protesto. Com milhares de empresas industriais, especialmente
nos sectores de suprimentos automóveis e electrónicos, o vasto cinturão
industrial de Noida e Delhi constitui um dos maiores polos industriais da Ásia.
Os trabalhadores exigiam um aumento de 35%. Durante uma semana, as suas
exigências foram ignoradas.
Em 13
de Abril, a raiva deles explodiu. Entre 40.000 e 45.000 operários foram às
ruas. "Trabalhadores de dezenas de fábricas na zona industrial de
Noida realizaram protestos violentos na segunda-feira para exigir melhores
salários e condições de trabalho. Eles atiraram pedras, destruíram veículos e
atearam fogo em vários deles", escreveu o Indian Express. Prédios
fabris também foram incendiados. Em muitos casos, as forças policiais ali
destacadas foram forçadas a recuar. Em vídeos postados pelos próprios
trabalhadores em plataformas como o Instagram, pode-se ver um protesto a
marchar pelo saguão de uma fábrica, com trabalhadores a gritar: "Respondam
às nossas exigências!" Noutra, operários da construção demoliram um
prédio. Outro ainda mostra uma greve num escritório de informática.
Em 14 de
Abril, trabalhadores domésticos juntaram-se ao movimento; em 15 de Abril,
trabalhadores autónomos reuniram-se e também fizeram reivindicações salariais.
A revolta espalhou-se para outras regiões: de Gurgaon a Noida e Faridabad, os
trabalhadores estão a lutar. Esta é a maior vaga de greves na região desde
2014/2015. E, diferente daquela época, não se limita aos sectores têxtil e
automóvel. Uma das diferenças entre 2014-2015 e hoje é que ainda não houve
ocupações industriais longas, mas sim bloqueios. Um factor interessante na
disseminação da revolta é o facto de que várias empresas possuem fábricas
localizadas em diferentes áreas industriais, muitas vezes bastante distantes
umas das outras. Quando os operários da empresa de vestuário Richa entraram em
greve, foram atacados pela polícia em Manesar e reagiram, os operários da
fábrica da NOIDA em Richa entraram em greve em solidariedade. A fábrica
Mothersons desempenhou um papel semelhante: os operários da NOIDA entraram em
greve primeiro, seguidos pelos operários da Motherson em Faridabad e Bhiwadi, a
cerca de 90 quilómetros de distância, no Rajastão. (Operários Irritados)
É difícil para nós avaliar a dinâmica real em andamento e as orientações
concretas que os comunistas deveriam ser capazes de apresentar nessas
mobilizações, de acordo com o local e o momento. No entanto, estamos a
testemunhar uma dinâmica de "greves em massa", greves, manifestações,
tumultos e confrontos com a polícia nos principais centros industriais do país.
É ainda mais significativo e importante para o proletariado mundial porque
constitui a primeira resposta proletária de massa às consequências económicas
da marcha para uma guerra imperialista generalizada contra as condições de vida
e trabalho. Na verdade, está a manifestar-se contra a inflação e outras
implicações directas da guerra EUA-Israel no Médio Oriente contra o Irão e o
Líbano, que afectam directa e brutalmente grande parte dos países da Ásia.
20 de Abril de 2026
Notas:
[1] . https://www.angryworkers.org/2026/04/15/meet-our-demands-workers-uprising-in-india/ e https://www.wildcat-www.de/aktuell/a129_indien.html.
Vamos rapidamente qualificar esses dois sites como sites
"councilist".
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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