Conselhos Operários e Partidos Operários
31 de Maio de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau e Robert
Bibeau.
Sobre os Conselhos Operários ‘Que o Silêncio dos Justos não
Mate Inocentes: "Os conselhos operários e o partido de classe": ou
como o conselhismo, expulso pela porta, volta pela janela’
«AS IDEIAS DOS
HOMENS FICAM SEMPRE ATRÁS DA REALIDADE."
(Karl Marx, Friedrich Engels).
"As ideias da classe dominante são também, em todas as épocas, as
ideias dominantes, ou seja, a classe que é o poder material dominante da
sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante [...] A classe
que dispõe dos meios de produção material dispõe, ao mesmo tempo, dos meios de
produção intelectual. As ideias dominantes não são outra coisa senão a
expressão ideal das relações materiais dominantes." (Karl Marx, Friedrich
Engels, "A Ideologia Alemã").
"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é, pelo contrário, o seu ser social que determina a sua consciência." (Karl Marx, "Contribuição para a Crítica da Economia Política").
"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente,
sob condições escolhidas apenas por eles (...)".
(Karl Marx, "O 18 do Brumário de Luís Bonaparte").
"A liberdade é a compreensão da necessidade." (Friedrich Engels,
o "Anti-Durhing").
"Segundo a concepção materialista da história, o factor determinante
na história é, em última instância, a produção e reprodução da vida real."
(Friedrich Engels, "Carta a Bloch (1890)").
"A consciência socialista contemporânea só pode surgir com base num
profundo conhecimento científico [...] Ainda não podia haver uma consciência
social-democrata entre os operários (e ainda menos entre camponeses e
soldados). Isto só poderia vir de fora [...] de um partido comunista,
resolutamente revolucionário." (Lenine, "O Que Fazer?").
"A filosofia moderna é tão partidária como a de há 2000 anos. As
partes em conflito são, no fundo—apesar dos novos apelidos ou da lamentável
falta de espírito dos conciliadores—o materialismo e o idealismo. O idealismo é
apenas uma forma subtil e refinada de fideísmo, que permanece totalmente
armada, tem imensas organizações à sua disposição e continua a agir sobre as
massas, transformando a seu favor a mais pequena hesitação do pensamento
filosófico. Por detrás da escolástica epistemológica do empiriocríticismo,
devemos ser capazes de discernir a luta das partes na filosofia, uma luta que,
em última análise, traduz as tendências e ideologias das classes inimigas da
sociedade moderna." (Lenine, "Materialismo e Empiriocríticismo"
escrito em 1908 por Lenine para repudiar o "subjectivismo filosófico"
anti-marxista de Avenarius e Mach).
Em conclusão, para todo autêntico materialismo dialéctico e histórico: a moral, a
religião, a cultura, a filosofia, o direito, o «patriotismo», o «nacionalismo»,
o «socialismo», o «comunismo», a economia, as finanças, etc., etc., em suma, a
totalidade do «pensamento» humano não é «neutra», cada «ideia» que os humanos
têm sobre qualquer coisa e qualquer assunto que orienta as suas acções é
condicionada, desde o nascimento, pela «ideologia dominante» que os bombardeia
a cada instante da sua existência material sob a ditadura da burguesia e isso,
em contradição com a experiência vivida na luta de classes onde o trabalho é
explorado e oprimido pelo capital, escrito de outra forma: «todas as formas de
pensamento de um estágio de desenvolvimento «subjectivo» da sociedade humana
são condicionadas pela infraestrutura económica dessa época» e, é preciso ser
«angélico», metafísico ou idealista para acreditar que uma «guerra», uma
«crise» ou uma «revolução», por mais desejável e
radical que seja, faça passar a «concepção burguesa ou feudal ou mística» do
mundo que impregna profundamente cada célula do cérebro dos «revolucionários» e
a «metamorfose» por magia, numa «concepção proletária» do mundo e isso, pela
simples participação num «comité operário» ou num «soviete».
Que MARXISTA pode
ignorar que o campesinato iletrado que só conheceu a escravidão-servil, o
proletariado que só conheceu a escravidão-assalariada e o soldado que só
conheceu a ditadura militar burguesa, possam «espontaneamente», sem um Partido
comunista revolucionário de vanguarda, implementar com sucesso uma sociedade
socialista dotada de uma economia socialista, de uma política socialista e de
uma ideologia socialista? Isto não pode ser, na melhor das hipóteses, senão um
desejo piedoso, na pior, uma artimanha para reintroduzir o «capitalismo
burguês» pela porta de trás, quando foi expulso pela porta da frente.
Os camaradas da GIGC/IGCL apresentam-nos
neste texto (Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Contribuição para os conselhos
operários e o partido de classe, e neste: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: "Os conselhos operários e o
partido de classe": ou como o conselhismo, expulso pela porta, volta pela
janela) uma análise da Revolução de Outubro de 1917 e da sua culminação num
desprezível "Estado estalinista", culminando no
revisionismo khrushchevista e no neo-czarismo putinista que se opõe ao materialismo dialéctico e histórico ao
"pôr a verdade do avesso": atribuindo às acções dos
"bolcheviques" o estado objectivo e subjectivo da infraestrutura
económica, a superestrutura política e ideológica da URSS e de todo o mundo
enquanto este estado existia e se impunha aos povos pela força do hábito
histórico do capitalismo hegemónico.
De facto, nas décadas de vinte e trinta do século XX, a economia soviética
estava profundamente enraizada no feudalismo e na ideologia e política feudais,
com camponeses "85%", capitalistas compradores "5%",
feudais e funcionários czaristas e um proletariado emergente de apenas 10% dos
trabalhadores.
Como podem os MARXISTAS diagnosticar o estado de uma "revolução"
abstraindo da composição desta sociedade em termos de classes sociais em luta,
de modo a analisar apenas os aspetos "subjectivos" e a
"opinião" daqueles que a vivem, dos que a apoiam, dos que a combatem?
Lenine, confrontado com toda
a força da Primeira Guerra Mundial, decidiu concluir a "derrota" do
Estado czarista pelo Tratado de Brest-Listock de 1919; depois a vitória na Guerra Civil e a agressão imperialista das
catorze potências da Entente (1919-1923);
lutaram contra o mortal isolamento económico e as actividades subversivas dos
estados capitalistas, mas mais do que tudo, perante a incapacidade ideológica
do proletariado de implementar um programa MARXISTA de reprodução social e
organização social mundial, Lenine e o Partido Bolchevique resignaram-se ao
estabelecimento da "Nova Política Económica" ("NEP")") em 1928, que correspondia ao estado real do desenvolvimento
das forças produtivas e das relações sociais de produção da sociedade soviética
para sair do feudalismo e aceder ao social-capitalismo (que a esquerda em todo
o mundo chamaria de "socialismo soviético" e "socialismo reformista"), uma escolha
dolorosa e conturbada, mas inevitável.
Os camaradas da GIGC/IGCL (Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Contribuição para os conselhos
operários e o partido de classe), ao apostar em "comités operários", "greves de massas"
e outros substitutos "operários" em detrimento do partido de classe,
da disciplina partidária, do centralismo democrático, da ditadura do
proletariado e do papel dominante da ideologia MARXISTA na revolução
proletária, sobrestimam a capacidade da classe social proletária para superar
espontaneamente a sua sujeição à ditadura da revolução proletária. A "ideologia
hegemónica burguesa" que o bombardeia constantemente em todas as formas
concebíveis desde o seu nascimento, através da família, religião, educação,
exploração, cultura, drogas, álcool, lazer e tutti quanti, até à exaustão.
A SEGUIR: Da Insurreição Popular à Revolução Proletária – Robert Bibeau,
Khider Mesloub
Da insurreição popular à revolução proletária
Versão em Língua Portuguesa:
Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Da Insurreição popular à revolução
proletária
Fonte: Conseils
Ouvriers et Partis ouvriers – les 7 du quebec
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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