terça-feira, 26 de maio de 2026

Lições da Guerra do Iraque: Desconfie de Espiões e dos Seus Aliados... O velho traidor Tony Blair

 


Lições da Guerra do Iraque: Desconfie de Espiões e dos Seus Aliados... O velho traidor Tony Blair

26 de Maio de 2026 Robert Bibeau



Por René Naba. Sobre Lições da Guerra do Iraque: Desconfie de Espiões e dos Seus Melhores Aliados – Madaniya

A agressão bi-partida israelo-norte-americana de 2026 contra o Irão traz de volta memórias da agressão bipartida EUA-Reino Unido de 2003 contra o Iraque, há 23 anos. O diário britânico The Guardian retirou as amargas lições que https://www.madaniya.info/  submete aos seus leitores para meditações salutares (muito salutares).


"Cuidado com espiões e com os seus melhores aliados que o podem arrastar para a guerra." Esta é a principal recomendação do jornalista britânico Jonathan Saul Friedland num estudo publicado pelo diário The Guardian, por ocasião do 32.º aniversário da invasão americana do Iraque.


A primeira lição: Cuidado com argumentos falaciosos.

Os argumentos apresentados tanto pelo Presidente dos EUA George Bush Jr. como pelo Primeiro-Ministro britânico Tony Blair são numerosos, mas o tema principal que emergiu do seu argumento foi que "a intervenção foi do interesse exclusivo do povo iraquiano, que será libertado do domínio de um ditador feroz".

Saddam Hussein foi de facto deposto, mas a um preço exorbitante. 300.000 iraquianos, a maioria civis, pagaram o preço, nota o jornalista britânico. A invasão criou um vazio, preenchido por violência e derramamento de sangue, e para muitos iraquianos, a cura era pior do que a doença, disse ele.

Sobre o mesmo tema, veja este link: o desarmamento, uma mentira fundamental de Scott Ritter, antigo chefe da missão de inquérito das Nações Unidas..

https://www.mondialisation.ca/irak-le-desarmement-un-mensonge-fondamental/5676267

Jonathan Saul Friedland (nascido a 25 de Fevereiro de 1967) é um jornalista e cronista britânico do jornal The Guardian e do The Jewish Chronicle. É também colaborador regular do The New York Times e da The New York Review of Books. Apresentou a série "The Long View" na BBC Radio 4. Reconhecido como "Colunista do Ano" em 2002 pelo "What The Papers Say", ganhou o Prémio David Watt de Jornalismo em 2008 pelo seu ensaio Bush's Amazing Achievement.

O colunista britânico passou uma semana a analisar editoriais da imprensa britânica e programas televisivos dedicados à invasão americana. A versão árabe do seu estudo foi publicada no site online Ar Rai al Yom, datada de 17 de Março de 2023, cujo director é Abdel Bari Atwane.

Referindo-se às confidências de um alto oficial dos serviços secretos britânicos, Jonathan Friedland acrescenta: "Certamente, o regime de Saddam Hussein foi revoltante, mas a anarquia é pior."

2.ª lição: Cepticismo em relação aos serviços de informações.

O cepticismo deve estar na ordem do dia quando se trata dos serviços de informações, argumenta o jornalista.

Durante o debate sobre a conveniência da guerra contra o Iraque em 2003, Tony Blair baseou-se em relatórios de inteligência, confirmando que estes atestavam "sem a menor dúvida" a posse de armas de destruição maciça (ADM) por Saddam Hussein. No entanto, argumenta o jornalista, isso revelou-se falso. Não havia ADM. Tony Blair exagerou a ameaça iraquiana para justificar a invasão do Iraque. Este facto por si só já é suficiente para condenar Tony Blair à luz da história.

Lição 3: Sem apoio absoluto e total entre amigos

Mesmo os amigos mais próximos não devem dar apoio absoluto e total uns aos outros em circunstância alguma. Tony Blair justificou o seu apoio aos Estados Unidos argumentando que Londres era o aliado mais forte de Washington e que, por essa razão, o Reino Unido tinha sido arrastado para a invasão americana do Iraque.

Fatais para o seu destino foi a despreocupação com que George Bush tratou Tony Blair na cimeira dos países industrializados em São Petersburgo, em plena guerra de Israel contra o Líbano, em Julho de 2006 – o "Yo Blair" proferido por Bush, com a boca cheia, a mastigar um croissant, ao Primeiro-Ministro britânico que lhe pediu permissão para realizar uma missão diplomática no Médio Oriente, uma imagem amplificada pela televisão transcontinental, completou o descrédito do melhor aliado europeu da América e faz a ingratidão parecer em retrospectiva como um castigo merecido para cortesãos demasiado zelosos.

No final de dez anos no poder (1997-2007, o antigo jovem líder da política britânica deixou a cena pública afectado pelo quolibet (assobio de desaprovação – NdT) condenatório do "poodle inglês do presidente americano" e com um julgamento pouco lisonjeiro da sua acção, "o pior registo trabalhista desde Neville Chamberlain, em 1938, (responsável pelos acordos derrotistas de Munique contra a Alemanha de Hitler), e Anthony Eden, (mentor do fiasco de Suez, a agressão anglo-franco-israelita contra o Egipto nasserista), em 1956", segundo a expressão do jornalista inglês Richard Gott.

O pedido de desculpas de Tony Blair

O antigo primeiro-ministro trabalhista britânico reiterou um pedido parcial de desculpas pela guerra no Iraque, reconhecendo alguma responsabilidade pela ascensão da organização Estado Islâmico (EI), numa entrevista à CNN no domingo, 25 de Outubro de 2015, doze anos após a invasão.

Esta mea culpa surgiu no momento certo para a imprensa britânica, que liga estas declarações às conclusões da Comissão Chilcot, que está a investigar o controverso envolvimento do Reino Unido na guerra.

Epílogo: Iraque-Ucrânia: Duplo Padrão

O mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional contra o Presidente russo Vladimir Putin surgiu num momento oportuno. É, entre outras coisas, uma pequena distracção das más acções e crimes de outros líderes actuais e antigos. A Rússia, não sendo um país membro do TPI, não reconhece a jurisdição deste tribunal. Nem os Estados Unidos, aliás, apesar das evidentes gargalhadas do Presidente norte-americano Joe Biden.

Vinte anos depois, o ex-Presidente dos EUA George W. Bush, o antigo Primeiro-Ministro britânico Tony Blair e o australiano John Howard, a troika mais culpada não só pela invasão criminosa de um país estrangeiro, mas também pelo cataclismo regional e mundial que daí resultou, mantêm-se à distância. Desde então, George Bush Jr. dedicou-se à pintura, enquanto Tony Blair e John Howard tornaram-se conferencistas bem pagos, preferindo vender discursos de suposta sabedoria através de palestras.

https://www.lemonde.fr/europe/article/2015/10/26/les-excuses-de-tony-blair-pour-la-guerre-en-irak-une-operation-de-communication_4796990_3214.html

Sobre os resultados da guerra do Iraque

·         https://www.renenaba.com/l-hecatombe-des-faiseurs-de-guerre/

·         https://www.madaniya.info/2018/09/21/le-martyrologe-scientifique-irakien/

O saque dos sítios arqueológicos do Iraque: "um dos maiores desastres culturais na história recente do Médio Oriente".

Quando Bagdade caiu, os tesouros do Iraque perderam-se. As forças dos EUA falharam no seu dever de proteger o património do Iraque após a invasão de 2003, resultando na perda de milhares de artefactos antigos — um dos maiores desastres culturais da história recente do Médio Oriente.

O New York Times classificou o saque do museu e da sua inestimável colecção de artefactos arqueológicos — muitos dos quais datavam dos primeiros dias da cultura e civilização humanas — "um dos maiores desastres culturais da história recente do Médio Oriente."

Embora o pessoal do museu tenha conseguido obter mais de 8.000 artefactos com pouca ajuda externa, mais de 15.000 artefactos históricos desapareceram no espaço de dois dias.

A professora Elizabeth Stone, arqueóloga do Departamento de Antropologia da Universidade Stoney Brook, em Nova Iorque, utilizou imagens de satélite para estimar que mais de 40 por cento dos quase 1.500 sítios monitorizados no sul do Iraque apresentavam evidências de devastação em Dezembro de 2003.

O Estado Islâmico também realizou "saques massivos e metódicos" para afirmar o seu domínio sobre as minorias culturais do Iraque e gerar receitas ilícitas a partir de "antiguidades de sangue", que se estimava representarem 30 por cento dos rendimentos do grupo em determinado momento.

·         https://www.middleeasteye.net/fr/actu-et-enquetes/irak-guerre-invasion-americaine-pillage-antiquites-perte-patrimoine-culturel

·         Para falantes de árabe, veja este link الغارديان: الدرس الحقيققي لغزو العراق؟ احذر من الجواسيس والحلفاء الذين قد يجرونك إلى الحرب – Ar Rai Al Yom 18 de março de 2023

Ilustração

Stefan Rousseau / POOL / AFP

Fonte: Les Leçons de la guerre d’Irak : Méfiez-vous des espions et de vos alliés… Le vieux traitre Tony Blair – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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