O «Clube de leitura progressista» no
Canadá e a nossa intervenção
Pelo GIGC/IGCL Em http://www.igcl.org/Club-de-lecture-progressiste-au
A revista Révolution ou Guerre No. 33 (Maio de 2026) está acessível aqui: fr_rg33_260424 
Um dos nossos
camaradas interveio no « Clube de leitura progressista do Suroît »
(Salaberry-de-Valleyfield, uma cidade industrial a cerca de 90 km a sul de
Montreal). O tema da reunião era o Manifesto do Partido Comunista. Estavam
presentes cerca de vinte pessoas. Eis o seu relato.
Em resposta àqueles que achavam que Marx
tinha destacado a luta de classes, o camarada citou uma carta a J. Weydemeyer
(Março de 1852): «Agora, no que me diz respeito, não me cabe a mim o mérito
de ter descoberto a existência das classes na sociedade moderna, nem a luta que
nelas ocorre. Historiadores burgueses tinham exposto muito antes de mim a
evolução histórica desta luta de classes e economistas burgueses tinham
descrito a sua anatomia económica. O que eu trouxe de novo foi: 1. demonstrar que a existência das
classes só está ligada a fases históricas determinadas do desenvolvimento da
produção; 2. que a luta de
classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado; 3. que esta ditadura, ela própria, não
representa senão uma transição para a abolição de todas as classes e para uma
sociedade sem classes.
É de importância primordial insistir na ditadura do
proletariado em Marx, salientou uma participante. Defendi que a burguesia nunca
aceitará perder o seu poder, os seus meios de produção, e que resistirá em
todos os níveis políticos, económicos, ideológicos e militares. Daí a
importância da ditadura proletária sobre esta classe parasitária. Um anarquista
opunha-se a esta, sobretudo se fosse dirigida por um partido comunista, que ele
assimilava aos partidos estalinistas e maoístas. Para a Esquerda comunista, a
Rússia de Estaline, a China, Cuba, o Vietname, são ou foram apenas formas
particularmente brutais de capitalismo de Estado. Qualquer apoio, mesmo
crítico, ao carácter supostamente socialista ou progressista destes países é
contra-revolucionário. É preciso discutir francamente com os anarquistas e mostrar que as suas
posições políticas conduzem à derrota do proletariado e não são
revolucionárias, mesmo que alguns deles pensem que partir os vidros de um banco
o é.
Outra intervenção foi dar um exemplo sobre o
materialismo histórico, com base na questão eleitoral. Na época de Marx e até à
Primeira Guerra Mundial, os partidos operários deviam participar nas eleições
parlamentares. Mas desde a 1.ª Guerra Mundial, o parlamento e as campanhas
eleitorais, e de forma geral a democracia burguesa, já não podem ser utilizados
pelo proletariado para a sua afirmação enquanto classe e para o desenvolvimento
das suas lutas. Qualquer apelo a participar no jogo eleitoral e a votar, como
faz o Québec Solidaire [1]
(QS), não faz mais do que reforçar a mistificação que apresenta estas eleições
como uma verdadeira escolha para a classe operária. Nesse sentido, o QS
prejudica mais o desenvolvimento da consciência comunista do que um
Mathieu-Bock Côté [2].
Também abordei o papel dos sindicatos como sabotadores
das lutas. Perante a nossa denúncia dos sindicatos como sabotadores das lutas,
uma sindicalista apresentou o argumento em defesa dos sindicatos segundo o qual
estes tinham conquistado instrução gratuita e creches subsidiadas,
esquecendo-se de que isso se tinha feito sob pressão da base dos militantes e
numa altura em que a crise do capitalismo não era tão profunda, bem como a
marcha para a guerra generalizada. Ao contrário de várias das pessoas
presentes, esta mesma sindicalista afirmou que ninguém esperava a grande
revolução (sic).
A defesa dos sindicatos é reaccionária.
Os líderes sindicais foram recompensados pelo seu trabalho de reforma do
capitalismo em crise e pela manutenção do isolamento das lutas: Louis Laberge
(FTQ) teve direito a funerais nacionais, Yvon Charbonneau (CEQ) foi nomeado
embaixador da Unesco e Marcel Pépin (CSN) professor universitário. Os
sindicatos do Québec participaram na modernização da economia capitalista
enquanto apoiavam a lei contra o défice zero. Em Março de 1996, durante uma
primeira cimeira económica sem precedentes: o governo, os sindicatos, os
patrões e os grupos sociais participaram num consenso em torno do equilíbrio
orçamental e numa lei para o alcançar. Isto permitiu mais tarde realizar cortes
drásticos na educação e nos cuidados de saúde. Os sindicatos foram
«recompensados» pelo seu apoio ao campo do imperialismo americano após a
segunda guerra mundial através da fórmula Rand [3]. No Canadá, eles
destacam greves isoladas por sector, por sindicato, por pequenas greves de
algumas horas a dois ou três dias. Por exemplo, a greve isolada dos carteiros,
dos comissários de bordo da Air Canada, dos trabalhadores ferroviários. [4]
Embora esta reunião possa parecer relativamente «
limitada », tanto do ponto de vista local como, sobretudo, político, parece-nos
que ela exprime uma tendência nascente no seio do proletariado, certamente
através de minorias mais ou menos alargadas, e mais ou menos claras, de querer
retomar os princípios e os métodos da luta de classes. Não há dúvida de que a
situação internacional marcada pela guerra e pelas suas consequências em todos
os países sobre o proletariado contribui para este despertar no seio da classe
operária. O Clube progressista de leitura não pretende
situar-se no terreno do comunismo e ainda menos da Esquerda comunista. No
entanto, tende a expressar uma necessidade entre os proletários: reunir-se
e compreender colectivamente os desafios históricos da situação para poder
responder a eles. Da nossa parte, é o que chamamos de «círculo de discussão».
Consideramos que, na medida das nossas forças e capacidades, pretendemos
intervir para defender as posições de classe e o programa comunista e
incentivar a reapropriação das lições históricas do proletariado.
Normand, Março de 2026
Notas:
[1] . Québec Solidaire partido
social-democrata na província canadiana de Québec que defende a soberania da
província.
[2] . Cronista de
extrema-direita canadiano.
[3] . « A
fórmula Rand é uma medida
legislativa ou uma cláusula de convenção colectiva que permite a um sindicato
que representa os trabalhadores incluídos numa unidade de negociação exigir que
o empregador faça a retenção na fonte das contribuições sindicais devidas
obrigatoriamente por todos os trabalhadores membros dessa unidade de
acreditação, mesmo aqueles que não fazem parte do sindicato.» (wikipedia)
[4] . Mobilizações proletárias no
Canadá e intervenção dos revolucionários
igcl.org/Mobilisations-proletariennes-au
Fonte: «Club de
lecture progressiste» au Canada et notre intervention – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
Pelo 
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