quarta-feira, 20 de maio de 2026

Os Talibãs: da misoginia à pedofilia

Os Talibãs: da misoginia à pedofilia

20 de Maio de 2026 Robert Bibeau


Por Movimento Espontâneo das Mulheres no Afeganistão (SMAW), afghanwomen2022@gmail.com

Os Talibãs: da misoginia à pedofilia

Em Maio de 2026, os talibãs superaram a misoginia e legitimaram oficialmente a pedofilia ao publicar o código de "separação conjugal" no Diário Oficial n.º 1489. O documento de 31 artigos, aprovado pelo líder talibã Hibatullah Akhundzada, legalizou o casamento infantil no Afeganistão. O documento afirma que, se um parente que não seja pai ou avô paterno organizar o casamento de um rapaz ou rapariga menor, o contrato é declarado "válido".

Actualmente, não existe uma idade mínima legal para casar no Afeganistão. Antes de os talibãs regressarem ao poder em 2021, a idade mínima para as raparigas casarem era 16 anos. No entanto, os talibãs aboliram esta restricção e estabeleceram a "maturidade física" como único critério, que pode ser determinado já aos 9 anos de idade.


No ano passado, as Nações Unidas noticiaram que a taxa de casamentos infantis e forçados no Afeganistão aumentou até 25 por cento. Algumas estimativas indicam que hoje, entre 28% e 57% das raparigas afegãs casam antes de atingirem os 18 anos.

Em Julho de 2025, um homem de 45 anos casou-se com uma rapariga de seis anos na província de Helmand. Depois de a notícia se tornar pública, os talibãs prenderam o homem — mas mais tarde libertaram-no numa decisão, pedindo-lhe que esperasse até que a menina tivesse nove anos antes de casar com ela!

A pobreza e as crises económicas forçaram as famílias afegãs a "vender" as suas filhas pequenas. Numa investigação de quatro meses nas províncias de Herat e Badghis, a ONU identificou pelo menos 161 crianças, com idades entre um mês e 16 anos, que tinham sido "vendidas" a outras famílias para pagar dívidas ou comprar alimentos.

Biologicamente, o corpo da criança não está preparado para a gravidez. As raparigas com menos de 15 anos têm cinco vezes mais probabilidade de morrer durante a gravidez e o parto do que as mulheres na casa dos 20 anos. O Afeganistão já tem uma das taxas de mortalidade materna mais elevadas do mundo — cerca de 620 mortes por 100.000 nascidos vivos — e o casamento infantil agrava esta estatística.

Estas noivas inocentes, elas próprias crianças necessitando de cuidados, tornam-se de repente mães, carregando a pesada responsabilidade de criar uma criança e servir a família do marido. A maternidade precoce causa danos físicos e psicológicos irreversíveis.


Outro factor chave que agrava o casamento infantil é a privação da educação das raparigas e a visão tradicional das raparigas como um "fardo económico". Quase 3,5 milhões de raparigas são privadas de educação para além do sexto ano. Quando as raparigas não podem ir à escola, dentro do quadro da cultura patriarcal e dos ensinamentos religiosos, o casamento precoce torna-se o único "caminho" restante para o seu futuro.

Desde o seu regresso ao poder, muitos membros talibãs envolveram-se em poligamia e casamentos forçados com raparigas jovens. Há inúmeros relatos de que comandantes talibãs estão a casar à força com raparigas de famílias que cooperaram com o antigo governo ou de classes sociais mais baixas. Nos últimos cinco anos, muitos membros deste grupo forçaram raparigas jovens a casar ameaçando os seus pais.

Quando estas raparigas ousam queixar-se de casamentos forçados ou de serem vendidas, enfrentam um muro frio e cruel de "justiça talibã". Os tribunais medievais dos talibãs, dominados inteiramente por juízes homens e interpretações anti-femininas da lei Sharia, recusam-se categoricamente a ouvir a queixa de uma jovem manifestante que foge do marido. Nestes tribunais, o marido está sempre "certo" e a esposa é sempre considerada "desobediente e culpada". Uma jovem que foge da casa do marido não é ouvida, mas é acusada de desobediência e enviada à força de volta para a casa do marido — onde certamente enfrentará espancamentos e até crimes de honra.

Sem qualquer organização de ajuda doméstica autorizada a operar e sem mecanismo de protecção legal em vigor, estas raparigas só veem uma saída desesperada: fugir das suas casas para um destino desconhecido. Estas raparigas azaradas caem facilmente nas mãos de traficantes de seres humanos e gangues criminosas, ou são presas, torturadas e presas pela polícia talibã por fugirem das suas casas ou, nos piores casos, levadas ao suicídio.

O Movimento Espontâneo das Mulheres Afegãs (SMAW) precisa do vosso apoio e solidariedade, bem como de organizações nacionais e internacionais de direitos humanos e de direitos das crianças, para alcançar as seguintes exigências:

1.      Esta regulamentação da pedofilia deve ser imediatamente removida e deve ser estabelecida uma idade mínima para casamento de 18 anos.

2.      "Casas Seguras" secretas e protegidas devem ser estabelecidas o mais rapidamente possível dentro do Afeganistão e nos países vizinhos.

3.      Que seja implementado um mecanismo de evacuação de emergência para raparigas cujas vidas estejam em perigo, através de corredores humanitários aéreos e terrestres.

4.      Deve ser prestado apoio financeiro e jurídico gratuito a estas raparigas para que possam solicitar asilo em terceiros países, e a sua segurança e educação devem ser priorizadas.

5.      Organizações internacionais de direitos humanos estão a pressionar os seus governos para não deportarem à força raparigas que fugiram do domínio talibã, ou famílias, especialmente aquelas com filhas pequenas.


O futuro do Afeganistão é construído com as crianças, não sacrificando-as no inferno da ignorância, pobreza e violência. O silêncio perante este crime é cumplicidade. Toda a rapariga que protesta contra as ordens misóginas e pedofílicas dos talibãs e que não foge para se submeter ao casamento forçado é uma heroína que merece apoio e protecção.

Movimento Espontâneo das Mulheres no Afeganistão (SMAW)

18 de Maio de 2026

Afeganistão

afghanwomen2022@gmail.com

 

Fonte: Les talibans : de la misogynie à la pédophilie – les 7 du quebec 

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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