Os Estados não têm amigos, apenas interesses, e são os
interesses que ditam as acções!
20 de Maio de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau .
René Naba oferece-nos, mais uma vez (o artigo
está aqui: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A lei da Guerra ou a guerra à Lei
(2/2) ),
uma análise muito bem documentada da situação da guerra internacional e, com
deferência, confunde "a substância com a sua sombra", ao analisar
essa situação a partir da "opinião que os protagonistas têm de si
mesmos" e das suas próprias declarações, em vez de a partir dos
determinismos económicos capitalistas e das consequências das suas acções,
segundo os princípios de que " os Estados não têm
amigos, apenas interesses " (Charles De Gaulle) e que
" o interesse comanda a acção ".
MARX, ENGELS e LENINE demonstraram de forma convincente que a "infraestrutura económica" sempre dominou as "superestruturas políticas, jurídicas e ideológicas" na determinação do curso das acções humanas, o que constitui o corpus do materialismo histórico.
Assim, Marx resumiu essa inescapável lei
histórica na sua " Contribuição à Crítica
da Economia Política " (1859), nestes termos:
“ Na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações
definidas e necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que
correspondem a um determinado estágio de desenvolvimento das suas forças
produtivas materiais . A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura económica da
sociedade, a base concreta sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e
política e à qual correspondem formas definidas de consciência social. O modo
de vida de produção da vida material condiciona o processo da vida social,
política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o
seu ser; é, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência .”
Marx e Engels completaram esse princípio
fundamental da organização social humana em " A Ideologia Alemã " (1845-1846), nestes termos:
"As
ideias da classe dominante são também, em todas as épocas, as ideias
dominantes; noutras palavras, a classe que detém o poder material dominante na
sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante."
ENGELS, na sua carta a Joseph Bloch (1890), escreveu:
"De acordo com a concepção
materialista da história, o factor determinante da história é, em última
análise, a produção e reprodução da vida real."
Nem Marx nem eu jamais afirmamos nada além
disso.
Se alguém distorcer essa proposição para
afirmar que o factor económico é o único factor determinante, transforma-a numa
frase vazia, abstracta e absurda (...) A situação económica é a base, mas os
vários elementos da superestrutura (...) também exercem a sua influência no
curso das lutas históricas.”
Em " Anti-Dühring ",
ENGELS escreveu:
"As
causas últimas de todas as mudanças sociais e convulsões políticas devem ser procuradas
não na mente dos homens, na ideia eterna de verdade e justiça, mas nas
transformações do modo de produção e troca."
Lenine prosseguiu e completou a análise
materialista histórica da realidade material dos homens nestes termos
igualmente científicos:
"O
materialismo forneceu um critério absolutamente objectivo ao destacar as
'relações de produção' como a estrutura da sociedade e ao permitir que o
critério científico geral da repetição fosse aplicado a essas relações."
Em seguida, em " O Estado e a Revolução ":
"O Estado é o produto e a manifestação do facto de que as contradições de classe são irreconciliáveis."
E, como amplamente ilustrado pelas guerras
que marcaram o mundo capitalista ao longo da história e continuam a fazê-lo hoje, essas guerras intermináveis têm como PROPÓSITO FINAL: "roubo,
pilhagem e banditismo", a apropriação de recursos naturais, mercados e do
trabalho de assalariados para benefício dos capitalistas, a classe
dominante que se enriquece com essas guerras travadas pela sua "carne para
patrões" transformada em "carne para canhão".
O que é característico de TODAS as
análises idealistas burguesas é que elas ocultam a questão fundamental: A QUEM
BENEFICIAM AS GUERRAS? QUEM SE ENRIQUECE E QUEM SE EMPOBRECE E MORRE DURANTE
ESSAS GUERRAS?
Embora TODOS os ideólogos burgueses se esforcem para interpretar as causas das guerras de maneiras diferentes, culpando ora Trump, ora Putin, Netanyahu, Maduro, a Guarda Revolucionária Islâmica, os cristãos sionistas, os judeus sionistas e todos os demais, ad nauseam, nenhum deles examina de facto: QUEM BENEFICIA COM O CRIME?
Assim, esses renegados burgueses jamais
lhe dirão que, ao atacar traiçoeiramente a República Islâmica do Irão, o
segundo maior exportador de petróleo do mundo, a partir das petro-monarquias
vassalas do Golfo Pérsico, seguido por um falso "cessar-fogo",
"negociações" de submissão e o bloqueio dos portos iranianos —
levando ao encerramento "completo" do Estreito de Ormuz, além da
destruição massiva da infraestrutura petrolífera iraniana e árabe —, os accionistas
capitalistas das companhias petrolíferas IANQUES/COLECTIVO
OCIDENTAL expulsaram
os seus concorrentes iranianos e árabes dos mercados de hidrocarbonetos,
petroquímicos, fertilizantes nitrogenados, hélio, alumínio e IA, e prejudicaram
os seus clientes asiáticos e europeus, forçando-os a comprar os seus próprios
produtos petrolíferos a preços inflaccionados com lucros exorbitantes ou a
construir as suas fábricas de alto consumo energético na FORTALEZA
AMÉRICA/MAGA INC/UNIPOLAR . (Veja alguns artigos sobre este tópico
aqui: https://les7duquebec.net/archives/304978 ).
Nunca vos dirão que, ao apoderarem-se das reservas petrolíferas venezuelanas através de um «golpe de Estado palaciano», os accionistas apátridas das companhias petrolíferas ianques dos EUA e do Ocidente colectivo, por intermédio dos seus lacaios políticos e ideológicos, enriqueceram em várias dezenas de milhares de milhões de dólares americanos em capitalização e dividendos.
Esses ideólogos a soldo do capital também não vos dirão que, com a guerra na Ucrânia, as sanções suicidas contra a Rússia e o ataque terrorista contra o gasoduto Nordstream, os mesmos accionistas apátridas dessas mesmas companhias petrolíferas já se tinham enriquecido com milhares de milhões e milhares de milhões de ganhos de capital e dividendos sub-tributados, ao substituir o gás natural russo barato pelo seu próprio gás de xisto a preços proibitivos.
Estes são apenas alguns exemplos do objectivo último das guerras de classes de todos os tempos: ENRIQUECER A CLASSE DOMINANTE com «a carne, o sangue, o suor e as lágrimas» das CLASSES DOMINADAS, que são as únicas a fornecer a «carne para canhão» morta, ferida, mutilada, incapacitada e arruinada pela guerra.
Quando René Naba se refere à «dominação branca» do mundo sob a ditadura do Ocidente, que estaria em guerra com a «ascensão asiática» — e, portanto, «amarela» —, ele recorre a uma interpretação «racista» da história, uma variação «actualizada» das explicações da «guerra das raças» entre «a raça ariana, branca e superior» e «a raça judaica e todas as raças inferiores» a serem reduzidas à escravidão, segundo os racistas. A história demonstrou a falsidade desta teoria e atirou-a para o caixote do lixo da história.
As massas trabalhadoras e exploradas europeias «brancas» que viveram as fomes, a peste negra, as expropriações bárbaras e mortíferas para a conversão das suas terras ancestrais em pastagens para o gado dos capitalistas, a fim de ACUMULAR CAPITAL, a limpeza étnica por ocasião das deportações genocidas para colonizar as terras roubadas aos indígenas a fim de enriquecer a nobreza e a burguesia, não «dominaram» de forma alguma o mundo, tal como os indígenas massacrados, eles foram as vítimas e os autores forçados desses crimes contra a humanidade; atribuir-lhes a responsabilidade por esses crimes desumanos serve apenas para ilibar a nobreza, o clero e a burguesia dos seus próprios crimes, eles que, no Ocidente, viviam numa opulência indecente enquanto os seus escravos guerreavam e definhavam longe da sua terra natal e das suas famílias.
Enganar as massas trabalhadoras populares, confundindo o enriquecimento das classes dominantes e das classes dominadas através da guerra, sob uma retórica falaciosa da «civilização branca» contra as «civilizações amarela, negra ou vermelha»; «europeia» versus «asiática, africana e sul-americana» não passa de cortina de fumo, manobra de diversão e propaganda burguesa para desviar o proletariado da sua ideologia proletária revolucionária: o MARXISMO e da luta de classes, para transformá-lo em «carne para canhão» na Terceira Guerra Mundial termonuclear apocalíptica que a burguesia mundial trama como saída para a crise sistémica do capitalismo no seu estádio supremo e final: o imperialismo.
PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS E
COMBATEI AS TEORIAS BURGUESAS QUE VOS
DIVIDEM!
Este
artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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