domingo, 2 de junho de 2013

A presidente da assembleia da república e o protesto popular no parlamento

estamos a pagar debateComo é sabido, a presidente da assembleia da república nunca revelou a mínima preocupação com a destruição dos direitos dos cidadãos e com a fome e a miséria que sobre eles se abate, em consequência das leis que ela põe à votação e são aprovadas no parlamento.
Mas quando o povo manifesta com firmeza a sua revolta no próprio parlamento que ela dirige, a senhora não consegue conter-se.
É que a presidente da assembleia da república está lá é para defender a normalidade das grosseiras, provocatórias e sucessivas violações da constituição da república praticadas descaradamente pelo governo, e das medidas terroristas contra os trabalhadores que a coligação fascista no poder adopta sistematicamente no parlamento para satisfazer os apetites insaciáveis dos ocupantes da tróica.
Quando, como agora sucedeu, o povo resolve quebrar esta normalidade e irrompe neste antro que gera diariamente os instrumentos da opressão, do empobrecimento, do roubo do salário e do trabalho, a senhora presidente, apercebendo-se da inevitável subida de tom da revolta popular na casa do que tentam impingir como da sacrossanta democracia, aí, a senhora presidente deixa estilhaçar o verniz democrático que ainda ostentava e, possuída de um verdadeiro pavor, não hesita em responder aos protestos - proibidos na casa da democracia -, bramando desesperadamente que é a revolução que começa a surgir, o que, para os democratas da sua laia, se impõe evitar de forma pidesca ou reprimir mais brutalmente antes que alastre.
Para a senhora presidente da assembleia de uma república como esta em que um governo ilegítimo se pode manter no poder e legislar naquela casa contra o povo, inclusive contra os incautos e iludidos que o elegeram, aos trabalhadores, desempregados, reformados e jovens sem futuro apenas resta sofrer democraticamente em silêncio ou, quando muito, abrir a boca para pedir esmola.
Mas, ao menos, tem de reconhecer-se que a senhora presidente da república numa coisa acertou – é que, na verdade, perante um presidente da república que, como ela, dá cobertura a um governo ilegítimo e de traição nacional e se recusa a demiti-lo, os trabalhadores vão ganhando consciência de que os métodos para pôr este governo na rua têm de passar a ser revolucionários.

Retirado de:

Libertar Portugal da austeridade ou a urgência de alargar e reforçar a luta pelo derrube do governo de traição nacional PSD/CDS.

O êxito em que se traduziu a conferência promovida por Mário Soares e outros democratas e patriotas, realizada na passada 5ª feira, dia 30 de Maio, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa sob o tema Libertar Portugal da austeridade, e a que o Partido se associou e em que participou, deve ser visto como um passo importante no sentido de corporizar e aprofundar um movimento que una todas as forças políticas, sociais e cívicas, personalidades democratas e patriotas de todos os quadrantes, susceptíveis de serem unidas em torno de um objectivo que urge atingir rapidamente – o derrube por todas as formas do governo de traição nacional PSD/CDS.

Sem obviamente se pôr de lado as divergências quanto à alternativa correcta em termos governativos e de solução estratégica para o país, o que é certo é que sem se apear este governo, de nada valerá, dentro de algum tempo, estar a discutir-se o que quer que seja, perante a liquidação da classe operária e da nossa soberania e independência nacional.

Por outro lado, quanto maior for a abrangência e unidade desta frente pelo derrube do governo, maior será a base social e política para a formação de um governo democrático patriótico, com força para adoptar medidas radicais, como a da suspensão imediata do pagamento da dívida, com vista ao seu repúdio, ou mesmo, para a sua renegociação.

Por tudo isto, ficou patente naquele encontro que será um erro com consequências desastrosas insistir, numa ocasião em que se discute a unidade na luta contra governo,  na defesa de um governo patriótico de esquerda, ainda por cima, como condição para o estabelecimento da frente única para o derrube do actual governo.

É que, pôr de lado patriotas e democratas que, não sendo de esquerda, se opõem com determinação à continuação do governo é ter uma perspectiva perigosamente redutora na concretização urgente desta tarefa política.


Em suma: o que esta iniciativa veio revelar é que existem condições para alargar e reforçar a frente de luta pelo derrubamento deste governo, que esse alargamento e reforço é indispensável e urgente e que as formas de luta para atingir aquele objectivo de apear o governo têm de intensificar-se e      radicalizar-se, principalmente tendo em conta o recrudescimento dos ataques e medidas terroristas lançados pelo governo.


Retirado de:

Governo alimenta novela dos “swaps”:

Preparando impunidade para executantes e mandantes deste negócio ruinoso para o povo!
Na sequência de uma denúncia feita pelos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, o nosso camarada Garcia Pereira apresentou na Procuradoria Geral da República, no passado dia 10 de Maio, uma queixa-crime a instar o Ministério Público a investigar e apurar responsabilidades na assinatura de contratos “swaps” por várias empresas públicas, investigação que leve ao pronunciamento, acusação e condenação de todos os responsáveis envolvidos nessa economia de casino altamente criminosa que, só no caso do Metro de Lisboa -  que na passada 5ª feira esteve encerrado por causa da greve convocada pelos trabalhadores -, dariam para suportar os custos dos transportes para todos os seus utentes durante mais de 20 anos!
Certamente acreditando que lançando poeira para os olhos desviaria a atenção e quebraria a firmeza com que, quer os trabalhadores do Metro de Lisboa, quer o povo em geral, querem ver criminalizados e politicamente isolados e derrubados os  autores de tais desmandos e os seus mandantes, vem o governo anunciar, com pompa e circunstância que tomou a decisão de afastar todos os executivos envolvidos nas operações “swap”.
Desengane-se o governo de traição nacional, liderado por Coelho, Portas e Cavaco, se pensa que os trabalhadores e o povo se darão por satisfeitos, apenas por ver presidentes executivos, administradores e gestores financeiros das empresas públicas de transportes, Metro de Lisboa e do Porto, Carris, STCP, CP e EGREP - Entidade Gestora de Reservas de Produtos Petrolíferos, afastados dos seus cargos por se terem envolvido na contratação de “swaps tóxicos”, mesmo que entre esses gestores esteja uma figura tão odiada pelos trabalhadores como é o caso de Silva Rodrigues, presidente conjunto da Carris e do Metro de Lisboa.
Nada disso! Os verdadeiros responsáveis, aqueles que zurzem todos os dias os ouvidos e roubam o povo e quem trabalha para que paguem uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício, afirmando que o povo esteve a viver acima das suas possibilidades, o governo serventuário da tróica germano-imperialista e dos grandes grupos financeiros e bancários que esta defende e que beneficiaram com este negócio dos “swaps”, não sairá impune.
Se julgam que os trabalhadores e o povo ficarão satisfeitos com a condenação de alguns dos  homens de mão deste e doutros governos por terem desviado alguns milhões, desenganem-se! É que os trabalhadores e o povo português já não nutrem qualquer ilusão de que o que está em preparação é, com a nomeação de alguns bodes expiatórios, se preparar a impunidade quer para executores, quer para mandantes.
Só que, desta vez, o governo de traição nacional encontra pela frente uma ampla plataforma de patriotas, democratas que, aliados à classe operária e demais trabalhadores, composta de partidos e plataformas cidadãs, sindicatos, personalidades, estudantes, reformados, estão dispostos a derrubar um governo que mais não tem feito do que exaurir de recursos Portugal e aprofundar a miséria, o desemprego e a precariedade do povo, enquanto enche os bolsos dos grandes grupos financeiros e bancários – sobretudo alemães – com negócios chorudos como os que representaram estes “swaps”.

Uma ampla plataforma que será, certamente, o sustentáculo de um Governo Democrático Patriótico capaz de se impor, expulsando a tróica germano-imperialista do país, suspendendo de imediato o pagamento da dívida e dos juros e preparando o país para a saída do euro e da União Europeia que se têm revelado autênticos instrumentos de rapina e denegação da nossa soberania nacional.

sábado, 1 de junho de 2013

Estação dos CTT dos Anjos encerrada: A luta de trabalhadores da empresa e utentes tem de se fundir!

A administração dos CTT, uma entidade que, sendo pública, deveria empenhar-se em servir o povo, está no entanto firmemente decidida em prosseguir esta sua cruzada pelo encerramento de estações de correio por todo o país, a fim de tornar mais apetecível para os grandes grupos privados adquirirem, a preços de saldo, este activo. E, pelos vistos, parece ter “aprendido” a lição de outras acções populares (a última das quais em Carnide) e, antes que os protestos e ocupações ocorram, encerra, na calada da noite mais um posto.
Foi o que aconteceu na estação de Correios dos Anjos, em Lisboa. Com encerramento previsto para a próxima 2ª feira, dia 3 de Junho, a administração dos CTT, alertada para a possibilidade de ocorrerem “distúrbios” populares contra esse encerramento, decidiu antecipar a acção e, para espanto geral, a estação tinha as portas fechadas e papéis nas montras a impedir que se tivesse uma visão do interior da mesma, nesta 6ª feira, dia 30 de Maio, ou seja, no dia para o qual estava prevista uma concentração de protesto em frente daquela estação.
Para além de um “nado morto” que se arrogou auto-intitular de “Comissão de Moradores do Bairro das Colónias”, apenas porque, como confessou, tinha criado um blogue na internet a reclamar tal condição, no local compareceram a candidata do PS à nova Junta de Freguesia de Arroios (que resulta da fusão da juntas de freguesia dos Anjos, S. Jorge de Arroios e Pena),  tal como um elemento da CDU que distribuía comunicados sobre o encerramento da Estação dos CTT dos Anjos que, no entanto, mais não produziram do que declarações de repúdio e intenção de os seus partidos e coligações se oporem a esta política.
Esteve também presente  o Presidente da Junta de Freguesia dos Anjos que, questionado sobre se tinha tido conhecimento sobre a antecipação do encerramento da estação dos CTT, respondeu que foi, também, apanhado de surpresa, pois desconhecia completamente a decisão do encerramento do balcão, que fora anunciado pela administração dos CTT para o dia 3 de Junho (mas que, de facto, ocorreu às 19 horas do dia 29 de Maio).
Só para se ter uma ideia da dimensão dos problemas que este encerramento acarreta – tal como o encerramento de outras estações – esta estação serve um bairro onde residem milhares de idosos que se verão agora obrigados a deslocar-se aos balcões dos CTT do Socorro (perto do Intendente) ou da Morais Soares. Para além de questões de falta de segurança associadas ao levantamento das suas pensões e reformas, estes moradores terão, agora, de fazer percursos muito maiores e difíceis para a sua condição física, debilitada pela idade ou pela doença.
A esta manobra traiçoeira da administração dos CTT, que tomou a decisão de encerrar o balcão dos Anjos argumentando “racionalidade e novos condicionalismos de mercado” - o que demonstra a sua arrogância e total desprezo pelas necessidades do povo -, a resposta a dar terá de ser firme e decidida.  Desde logo, fazendo apelo aos trabalhadores dos CTT e aos seus sindicatos e Comissões de Trabalhadores, que integrem a luta do povo contra o encerramento de todas as estações dos CTT – exigindo a reabertura das que já foram encerradas - , pois esta é a única saída possível de garantir, por um lado, que não haverá despedimentos e, por outro, que as populações que são servidas por tais estações não verão ainda mais depreciado um serviço a que têm direito.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Greve é um instrumento de libertação do Trabalho

No seu afã egoísta e criminoso de implementar o caótico processo de acumulação capitalista, que só visa o sacrossanto lucro não importa à custa do quê nem de quem e que só beneficia o detentor do capital e dos meios de produção, a burguesia tende a fazer-se “esquecida” do facto de o único artífice da criação de riqueza, o único produtor de mais-valia, é aquele que não tendo a posse desses meios – por enquanto – nem do capital – financeiro, bancário ou industrial – tem para vender a sua força de trabalho braçal ou intelectual, força essa que é a única geradora da riqueza que, afinal, é ilegitimamente apropriada pela burguesia e o capital.


Esta imagem de 1900 de mineiros belgas obrigados a descer à mina num elevador sobrelotado deve servir para que se pondere qual tem sido o papel dos sindicatos nas sociedades modernas


E é este “esquecimento” que leva os operários e os camponeses, os trabalhadores e o povo em geral, ao longo dos últimos séculos, a disporem-se a organizar-se e a lutar, por vezes com recurso à violência, para fazer face à violência que a burguesia e as suas forças repressivas sobre eles faz abater, para que uma parte das mais-valias por si criadas sejam destinadas a proporcionar-lhes uma vida digna, os meios que lhes assegurem a subsistência quando eles, ou algum elemento da sua família, por doença ou invalidez ou, pura e simplesmente, por terem sido lançados no desemprego, tiverem ficado sem meios de subsistência.

Não fosse, portanto, esta luta secular, por vezes violenta e sangrenta, entre o TRABALHO e o CAPITAL, e viveríamos em autêntica barbárie e obscurantismo. Não fora os operários, os camponeses, os trabalhadores em geral, disporem-se a organizar-se e a lutar para impor os seus direitos e a burguesia e o seu sistema capitalista teriam acumulado capital “em roda livre” sobre os cadáveres de quem produz as mais-valias que permitem tal processo de acumulação.

Se esta contradição é uma evidência para um importante sector do mundo do trabalho, precisamente o sector mais consciente, cada vez mais numeroso, não menos certo é o facto de que, cada vez que se torna necessário convocar e realizar uma Greve Geral ou uma manifestação contra a presença da nova führer Merkel ou contra os seus inspectores coloniais (o correspondente aos antigos “inspectores do cacimbo” quando o regime salazarista mantinha o sistema colonial), cada vez que um novo surto de contestação, indignação ou luta justa se desencadeia, seja para salvaguardar as conquistas alcançadas à custa de muito suor, sangue e lágrimas, seja para levar os trabalhadores a imporem à burguesia novas conquistas, muitos trabalhadores, também eles explorados, muitos deles em situação de precariedade extrema, cedem à manipulação que a burguesia – através dos meios de comunicação de que é detentora – opera sobre as suas consciências, acabando por alinhar na condenação de qualquer tipo de luta, sobretudo lamentando os “inconvenientes” pessoais que estas lhes acarretam.

Quando confrontados com este tipo de comportamentos – e não devemos alimentar mais ilusões, pois, para derrubar este governo e impor a constituição de um Governo Democrático Patriótico, muitas greves serão necessárias realizar, muitas lutas serão necessárias travar, muitas delas com recurso à violência revolucionária que se contraponha à violência contrarrevolucionária – os trabalhadores mais conscientes, organizados e mobilizados para a necessidade de lutar para conseguir obter, manter ou consolidar as conquistas a que têm direito, devem, com alguma paciência e muita firmeza, colocar a esses seus companheiros, explorados tal como eles, a questão de saber se eles estão dispostos a prescindir dos direitos que as lutas que o movimento operário e popular foi assegurando ao longo de séculos.

E, de forma clara e incisiva, devem confrontar esses seus companheiros, por enquanto iludidos - pelo menos a esmagadora maioria que é recuperável, não perdendo tempo com a minoria fervorosamente adepta do campo do inimigo de classe e confabulada com ele -, com o elencar das principais conquistas que, se fossem coerentes, ao manifestarem-se contra as greves que as possibilitaram no passado, delas deveriam abdicar:



·         Desde logo, e à cabeça, o direito à Greve;

·         Mas, também, o direito a ter opinião e a defendê-la em público sem receio de ser perseguido, preso ou morto por virtude de a defender;

·         O direito às 40 horas de trabalho semanais (8 horas diárias), e em alguns casos horários inferiores a este, passando a concordar que lhe seja imposta a jornada de 15 horas diárias que vigorava anteriormente a esta conquista;

·         O direito ao descanso semanal, passando a estar de acordo em trabalhar de domingo a domingo, tal como acontecia antes das lutas que levaram à imposição desta conquista;

·         O direito aos subsídios de férias, de Natal, ao subsídio de doença, de Maternidade, de Doença, de Desemprego, a maioria deles indispensáveis ao aumento da esperança média de vida de que hoje beneficiamos, conquistas alcançadas, também elas, à custa de sucessivas greves e paralisações, com a acção dos piquetes de greve a oporem-se aos fura-greves e às forças da repressão que os apoiavam muitas das vezes de forma violenta;

·         O direito à Saúde, à Educação e à Justiça que, apesar de serem hoje alvo de um ataque sem precedentes que visa a sua privatização e a dificultação do acesso aos mesmos por parte dos trabalhadores e do povo, e seus familiares, foram conquistas arrancadas à burguesia à custa de muita luta, entre as quais as que obrigaram ao recurso da greve, sendo que hoje, se desejamos manter e ampliar tais direitos e conquistas, devemos prosseguir e aprofundar essas lutas. Estão esses companheiros dispostos a abdicar da educação para os seus filhos, da saúde para eles e seus familiares, bem como de uma justiça independente, que essas lutas proporcionaram?



Muitos mais direitos, muitas mais conquistas, poderiam ser elencadas. Mas, o que é urgente, o que é importante, com paciência, com firmeza, evidenciar perante todos os trabalhadores que estão iludidos quanto ao meio que os levará a obter uma vida com dignidade, é que a burguesia nada deu de mão beijada a quem trabalha. É necessário responsabilizar os sindicatos que, por laxismo, oportunismo ou capitulação perante o inimigo de classe, foram desertando de uma das principais funções para que foram criados: elevar a consciência dos trabalhadores e prepará-los para a necessidade de enquadrar todas as suas lutas na luta mais geral, aquela que levará à destruição de uma sociedade assente na exploração do homem pelo homem.

E é tão mais importante responsabilizar os sindicatos e as centrais sindicais quando, na situação política actual, a Greve Geral nacional, por tempo indeterminado e com ocupação dos locais de trabalho, é a principal arma de que dispõem os operários, os trabalhadores e o povo em geral para derrubar este governo de traição nacional, liderado por Coelho e Portas, mas tutelado por Cavaco Silva, com o propósito de constituir um governo democrático patriótico cuja primeira medida seria a suspensão, no mínimo, do pagamento da dívida e a preparação da saída de Portugal da União Europeia e do euro para garantir a recuperação da independência nacional e o implementar de um novo paradigma de economia, ao serviço e controlada por quem trabalha.


28 de Maio de 1975:

Um ataque desesperado da contra-revolução contra o 

seu principal inimigo




A 28 de Maio de 1975, as tropas do COPCON, na época a 5ª coluna e o braço armado dos social fascistas do PCP, lideradas pelo pistoleiro Otelo Saraiva de Carvalho e comandadas pelo falecido - e tão elogiado pela burguesia que sempre serviu - facínora e fascista Jaime Neves, , invadiram e destruíram, com base num plano meticulosamente levado a cabo, várias sedes do MRPP por todo o país, prendendo mais de 400 dos seus militantes, incluindo o seu Secretário-Geral, o camarada Arnaldo Matos.

Não certamente por acaso, a data escolhida para o efeito coincidiu com a célebre, famigerada e negra data em que, quase meio século antes, havia ocorrido o golpe militar que colocaria Salazar no poder, primeiro como Ministro das Finanças  e, depois, como presidente do conselho, de um regime colonial e fascista, que em nada difere, no essencial, daquilo que hoje vivenciamos relativamente ao governo Coelho/Portas.

Evocar a data é importante, quer para relembrar que o MRPP - e posteriormente o PCTP/MRPP - foi o único partido a desmistificar o oportunismo daqueles que queriam fazer crer que com o 25 de Abril, a classe operária, os camponeses, os trabalhadores e o povo português tinham, finalmente, alcançado a Liberdade e a Democracia pelas quais tanto haviam lutado e sofrido, quer para evocar as semelhanças com o presente, quando não podem deixar de ser comparadas as semelhanças e circunstâncias em que o ditador e fascista Salazar chegou ao poder com aquelas que levaram à indigitação de Gaspar como ministro das finanças do governo de traição nacional encabeçado por Coelho e Portas e apadrinhado por Cavaco Silva.

Foi precisamente pelo facto de o MRPP se ter constituído e afirmado como vanguarda da classe operária e cabeça da luta revolucionária pela destruição completa do Estado fascista e pela construção do socialismo, que as suas sedes e os seus militantes e dirigentes foram atacados, não tendo sido assassinados porque uma onda de luta pela sua libertação se levantou por todo o país, com dezenas de milhar de democratas e patriotas a exigirem e a imporem a sua libertação. O Partido saiu mais forte e coeso desta luta vitoriosa contra a tentativa desesperada da contra-revolução para o aniquilar.

Apesar de a burguesia e os seus lacaios terem prosseguido a sua campanha de cerco, aniquilamento e amordaçar das opiniões e posições políticas do PCTP/MRPP, um cada vez maior número de operários, camponeses, trabalhadores, democratas e patriotas, ganham consciência de que, se chegámos à situação política actual foi precisamente porque as ilusões e o oportunismo tomaram conta da direcção do movimento revolucionário que, após o golpe militar de 25 de Abril, eclodiu em todo o país, tal como sempre e coerentemente afirmámos.

Assinalar a data é ainda conclamar a classe operária e os trabalhadores portugueses para que, na presente situação política, não se deixem enredar nas ilusões com que aqueles que, no passado, já lhes haviam indicado a aliança Povo/MFA ou as nacionalizações - sem que o estado burguês e fascista tivesse sido destruído nos seus fundamentos - nos levariam à sociedade socialista e ao socialismo, paralisando a sua acção e desviando-os dos seus objectivos, nos proponham agora a renegociação ou a reestruturação de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício.

Assinalar a data é apontar o caminho do derrube do governo Coelho/Portas e do seu tutor Cavaco Silva, da expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, da constituição de um Governo Democrático Patriótico que suspenda de imediato o pagamento da dívida e prepare a saída de Portugal, quer da União Europeia, quer do euro.


Pelo derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas!

Cavaco para a rua!

Tróica fora de Portugal!

Não Pagamos!


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma importante luta dos professores portugueses

greve 01Por iniciativa da Federação Nacional de Professores (FENPROF), foi constituída uma plataforma de todos os sindicatos dos professores do ensino básico e secundário, com o objectivo de conter e derrotar o novo pacote de medidas terroristas do governo de traição nacional de Passos Coelho contra a educação pública e os profissionais que desenvolvem a sua actividade neste sector.
A primeira decisão desta plataforma sindical foi a de convocar uma greve às avaliações finais, entre 7 e 14 de Junho, e ao primeiro dia de exames do ensino secundário, a 17 de Junho. Pelo meio, foi também convocada uma manifestação nacional de professores, a realizar em 15 de Junho, em Lisboa.
O objectivo principal imediato da luta dos professores é impedir a aplicação de duas medidas que o governo pretende impor: o aumento do horário de trabalho (das 35 actuais para as 40 horas semanais) e o lançamento de um processo de despedimento em massa de professores do quadro, que se pretende tornar possível através de um golpe legislativo inteiramente celerado e fascista.
Para além do que representa em termos estritamente laborais, esta luta dos professores portugueses reveste-se de uma assinalável importância política geral, por vários motivos.
Em primeiro lugar, porque confronta o governo Coelho/Portas, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional num ponto decisivo, que é a privatização acelerada de educação pública que estas entidades pretendem promover, com o objectivo de entregar aos grandes grupos económicos capitalistas a exploração de um sector que representa, entre gastos públicos e privados, um valor próximo dos 10% do Produto Interno Bruto. A diminuição drástica dos custos com o trabalho nas escolas e a sobre-exploração dos respectivos profissionais (via despedimentos em massa, cortes salariais sucessivos e aumento brutal do horário de trabalho), constitui um elemento fulcral do objectivo de transformação capitalista do sector educativo e de liquidação da escola pública e democrática, com todas as consequências extremamente negativas a tal associadas.
Em segundo lugar, esta luta dos professores configura uma nova frente de resistência à tentativa, por parte do governo e da tróica, de aumentar por via legislativa o horário de trabalho em Portugal. Através da sua luta, os trabalhadores portugueses impediram, em 2012, que esse horário sofresse um aumento de meia-hora, como então se pretendeu impor. É preciso agora infligir uma nova derrota ao governo e à tróica e fazer dessa derrota uma alavanca para alcançar o objectivo central imediato da luta dos trabalhadores e de todo o povo português, que é o derrube desse governo e a constituição de um governo alternativo, democrático patriótico.
Em terceiro lugar, a presente luta dos professores (e a dos funcionários públicos, em geral) estabelece, pela primeira vez desde a greve geral de Novembro de 2011, uma unidade ampla entre as centrais sindicais e respectivos sindicatos, que abrange também as organizações sindicais que não integram aquelas centrais. Isto resulta do facto de nenhuma organização se poder colocar fora desta luta, sob pena de ser completamente abandonada e desprezada pelas massas que diz representar, e reflecte uma situação geral de mobilização popular cada vez mais intensa para derrubar o governo PSD/CDS, rejeitar frontalmente as políticas da tróica e construir uma alternativa.
Por todas estas razões, a luta actual dos professores portugueses (associada à dos demais funcionários públicos) tem de ser fortemente apoiada por todos os trabalhadores e sectores democráticos e patrióticos e requer, de todos os que no terreno a estão a organizar e dirigir, o máximo empenho e discernimento. O país tem os olhos postos nesta luta e no seu desfecho imediato. O governo e a tróica alemã desencadearam já, e vão intensificar a cada dia que passa, toda a espécie de ameaças para intimidar os professores e demais trabalhadores em luta e tentar impedir o êxito da greve.
Pela sua natureza, uma greve às avaliações e aos exames exige uma organização particularmente cuidada e meticulosa. Nem todos os professores estarão envolvidos directamente nessas greves em todos os dias da sua realização. Poderá haver professores chamados a fazer greve por vários dias, enquanto que outros, por não estarem escalados para serviços de avaliação ou exames, não farão nenhum dia de greve ou farão muito menos que outros. Isto exige uma repartição dos custos salariais da greve por todos, excluídos aqueles que se assumam como fura-greves e se coloquem do lado do governo e dos inimigos do povo português. Por outro lado, a resistência aos “serviços mínimos”, já anunciados pelo ministro Crato para o dia da greve aos exames (os quais o governo pretende que sejam “serviços máximos”, já que o seu objectivo é garantir a “normalidade” dos exames), exige igualmente uma organização rigorosa e uma atitude de grande firmeza para fazer face a tal manobra.
Os professores não estão sozinhos neste combate. A campanha intensa e miserável, por parte do governo e seus lacaios, para voltar os pais dos alunos contra os professores não surtirá efeito, devendo no entanto ser seriamente considerada e contra-atacada. É preciso suscitar o apoio à greve junto das associações de pais em cada escola. O mesmo deverá ser feito em relação às associações de estudantes. Esta greve dos professores representa uma batalha decisiva pela defesa da escola pública e da qualidade da educação. Ela é também uma trincheira no combate de todos os trabalhadores e do povo português contra o aumento dos horários de trabalho, contra os despedimentos e contra o roubo dos salários e das pensões. Finalmente, a presente greve dos professores assume-se igualmente como uma importante frente da luta de todo o povo português pelo derrube do governo fascista de traição nacional Coelho/portas e, como tal, deve ser firmemente apoiada por todos os que se identificam com este objectivo.
Viva a justa greve dos professores portugueses! Os professores vencerão porque o povo vencerá!