sexta-feira, 6 de abril de 2018

Cultura: Exigir ou mendigar?!





Decorreram hoje em várias cidades de Portugal – Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal, Beja, Ponta Delgada – acções de protesto convocadas pelos Profissionais das Artes Cénicas, pelo CENA-STE e pelo Manifesto em Defesa da Cultura, contra as verbas que o governo destinou para as artes, bem como contra o modelo e os critérios de selecção das candidaturas que se apresentaram ao concurso de apoio sustentado.

Este apoio, cujo reforço de 2,2 milhões de euros foi esta 6ª feira anunciado pelo governo na Assembleia da República, totaliza agora um montante de 81,5 milhões de euros e destina-se “... aos concursos de apoio sustentado para o ciclo de 2018-2021...”, de acordo com uma nota hoje emitida pelo Ministério da Cultura.

Ou seja, durante o quadriénio de 2018-2021, António Costa e o governo PS dispõem-se a apoiar as artes perfomativas e cénicas com o correspondente a  pouco mais de 20 milhões de euros anuais, enquanto obriga os contribuintes a pagar mais de 9 mil milhões de euros por ano de juros da dívida soberana. Isto é, no quadriénio, enquanto desembolsa contrariado 81,5 milhões de euros, paga sem qualquer rebuço ... 40 mil milhões de euros de juros (mais ou menos 9,7 mil milhões de euros por ano)!!!

Para pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, uma dívida que cresce anualmente, tendo atingido os 250 mil milhões de euros no final de 2017 – 130% do PIB -, abrem-se os cordões à bolsa e já nem o PCP, o BE e Os Verdes incluem nas suas agendas políticas uma reclamação que lhes era muito querida até há cerca de 2 anos, que era a da reestruturação ou renegociação da dita.

Comportamento que já não surpreende, tanto mais que estes partidos da chamada esquerda formal , com assento parlamentar, já se dão por satisfeitos se o seu aliado António Costa destinar 25 milhões de euros por ano ao sector das artes, o que corresponde a mais ou menos 1% do valor inscrito na Lei do Orçamento Geral do Estado para 2018.

Também, o que esperar de quem recorrentemente mendiga alteração de políticas, com a pretensão de fazer o povo acreditar que é possível que aqueles que prosseguem recorrentemente políticas de direita possam ser os mesmos que abracem soluções democráticas, patrióticas ou, sequer, de esquerda?!


O que os trabalhadores das artes têm de tomar consciência é de que não podem persistir na estratégia de mendigar verbas para produzirem e desenvolverem actividades que induzem a criatividade, a discussão democrática, promovendo a construção de uma massa crítica essencial para que Portugal se torne um país desenvolvido, progressista e culto. Isto é, actividades que acrescentam valor, ao contrário dos juros da dívida que destroem valor e acarretam miséria, precariedade e humilhação para o povo e quem trabalha.

O que os trabalhadores das artes têm de resolver é o modelo de unidade, de organização e de direcção que os tire do patamar da indignidade, da precariedade e da mendicidade ao qual pretendem amarráa-los para sempre.

Os trabalhadores das artes devem discutir de forma ampla, aberta e democrática o programa de acção e de luta que inverta o paradigma que os tem empurrado para a mendicidade,  que possibilite que seja o sector a definir os programas, os cadernos de encargo de cada acção e as verbas que, cada ano, devem ser destinadas, bem como identificar as estruturas que a essas verbas podem aceder.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Guerra do Povo à Guerra Imperialista!








O oportunismo que as abordagens e visões empíricas sobre a análise dos fenómenos encerram, acabam sempre por levar os incautos a abordar os mesmos pela rama ou recorrendo à fulanização.

Assim, somos confrontados com a visão daqueles que confundem a árvore com a floresta, reduzindo a discussão à apreciação que fazem da acção ou do pensamento de um protagonista (a árvore) qualquer, escamoteando que essa acção – ou acções – e esse pensamento, surgem num contexto mais global (a floresta).

Ou seja, o que esta corrente nos tenta impor é uma visão contrária à abordagem científica, em que o meio ou o fenómeno precede a consciência que dele temos ou a idéia que fazemos sobre a possibilidade de o transformarmos,  recusando a interdependência dialéctica que existe entre os dois patamares.

É por isso que, em vez de abordarem o terrorismo de forma a que haja uma compreensão científica do que é que o provocou ou promove, se cai na armadilha de se focar sobre os efeitos – mortíferos, alguns – dos actos de terror praticados. Ingenuidade? Claro que não! Tentativa manca de branquear a acção dos verdadeiros responsáveis, a montante, do caos. Isto é, o imperialismo, estadio supremo do capitalismo.

Estes oportunistas alinham na tese imperialista que justifica a invasão, pilhagem e domínio das nações, ou porque são dirigidas por ditadores, ou porque possuem armas de destruição maciça, ou porque, fundamentalmente, os povos dessas nações ousam opor-se ao domínio imperial que lhes querem impôr.

Vertem lágrimas de crocodilo pelas dezenas de vítimas de atentados que clamam ser terroristas, que ocorram nas capitais e cidades dos países agressores, escamoteando que foi a agressão imperialista às nações vítimas dela – e o negócio do armamento – que alimentou a guerra nesses países e fez florescer os alegados grupos terroristas.

Entretanto, nem uma palavra sobre as vítimas dos atentados diários que as potências imperialistas promovem – só na Síria, desde que a guerra cívil, promovida e financeiramente apoiada pelos imperialistas, matou mais de 500 mil elementos do povo.

Vem isto a propósito da recente escalada na chamada guerra diplomática que opõem os aliados das potências imperialistas americana e britânica à Federação Russa e que já levou à expulsão de dezenas de diplomatas russos de várias embaixadas desta Federação em todo o mundo e respectiva resposta revanchista por parte da diplomacia russa.

Enquanto os oportunistas – sobretudo aqueles que se reclamam de esquerda – persistem na visão empírica, que assenta na fulanização, atribuindo a Trump ou  a Putin a responsabilidade de tal escalada, os marxistas entendem que estes são episódios próprios da fase imperialista do capitalismo que é a da permanente guerra, quer pelo domínio das fontes de matéria-prima, quer pelo controlo dos mercados de escoamento dos seus produtos, excedentários ou não.

São estes oportunistas que vêem a terreiro defender a sua burguesia, aplaudindo a atitude prudente do governo de António Costa e do PS, quando este se recusa a secundar e replicar a decisão dos seus aliados imperialistas em expulsar diplomatas da Federação Russa, em vez de entrarem em ruptura com as práticas protagonizadas pelas diferentes potências imperialistas envolvidas no processo.

São estes oportunistas que nunca compreenderam o que é o imperialismo e o que foi o social-imperialismo nos tempos da ex-União Soviética . Porque não compreenderam o facto de, não tendo sido destruídas, com a Revolução de Outubro de 1917, as relações de produção e o modo de produção capitalistas, rapidamente as nacionalizações redundaram em capitalismo de estado.

Assim como não compreendem como é que um partido que se afirmava comunista, se tornou num partido burguês que arrastou a ex-União Soviética – particularmente a partir do XXII Congresso do PCUS, protagonizado pela clique revisionista de Kruchev – para o restaurar do sistema capitalista e para a ferocidade criminosa imperialista.

Porque é importante colocar esta questão nestes termos? Porque, só assim, a classe operária e os trabalhadores em todos os países do mundo – incluindo os imperialistas – podem ganhar consciência de que o imperialismo é a guerra e, como a história o tem comprovado, operários e trabalhadores não devem associar-se a uns para combater os outros, mas sim aproveitar-se das contradições no seu seio para fazer avançar a revolução. Nunca, como hoje, fazem tanto sentido as palavras de Mao – Guerra do Povo à Guerra Imperialista!

Aliás, essa foi a grande lição que os verdadeiros comunistas retiraram dos conflitos interimperialistas – mormente as I e II Guerras Mundiais -, organizando-se para liderar as revoluções que se oporiam a essas guerras e impondo as sociedades socialistas, quer na União Soviética, quer na China.

Ensinamentos que têm de ser retomados à luz da visão que Marx nos deixou, de que a Revolução Comunista implica a destruição do modo e das relações de produção capitalistas, se não quisermos ver replicados os revezes nas revoluções socialistas, que determinaram o assalto e domínio da burguesia ao aparelho e superestrutura do estado, bem como à infraestrutra económica – primeiro por parte da burguesia de estado, mais tarde por parte da burguesia tradicional .



quarta-feira, 14 de março de 2018

Lei das Rendas: O tacticismo oportunista do Bloco de Esquerda




Numa visita que efectuada esta 3ª feira, dia 13 de Março, a um bairro da Costa de Caparica, no concelho de Almada, onde 28 famílias foram intimadas a deixar as casas que habitam há mais de 40 anos, ameaçadas de despejo por um fundo imobiliário, Catarina Martins, do BE, reclamou ser este “...o momento do ponto de vista nacional de dar os passos decisivos para revogar a lei dos despejos de Assunção Cristas...”
 
Perante esta manobra taticista do BE, há que denunciar de forma veemente que este partido/movimento apenas pretende cavalgar a justa luta dos moradores, obrigados ao pagamento de rendas insustentáveis para os seus parcos rendimentos, como moeda de troca para negociar com Costa e o governo PS pontos da sua agenda política.

Convém recordar que a iníqua Lei dos Despejos foi fruto de um upgrade, realizado na vigência do governo de coligação da direita com a extrema direita, de uma outra lei, essa apresentada e aprovada na Assembleia da República pelo PS,  durante um governo de Sócrates.

Porque é que, somente volvidos 2 anos de governo do PS, sustentado pelas muletas do BE/PCP/Verdes, vem Catarina Martins afirmar que “...é preciso rever a lei das rendas de Assunção Cristas que desprotege os inquilinos..." ?! Ou seja, o que o BE vem propor não é, como pretende fazer crer, a revogação da referida lei mas, apenas e tão só...a sua revisão!

Ainda durante a vigência do governo de coligação da direita com a extrema direita, protagonizado por Passos e Portas, e tutelado por Cavaco, o PCTP/MRPP exigia a revogação imediata da mesma.

Numa concorrida Assembleia de Inquilinos – organizada pela Associação Lisbonense de Inquilinos, mas em que participaram Associações Empresariais em defesa dos inquilinos comerciais, industriais e associativos – tive a oportunidade de apresentar, em representação daquele Partido,  uma moção, que foi aprovada por unanimidade, em que se exigia a imediata revogação da Lei dos Despejos.

Qual foi a atitude, então, de BE e PCP? Assobiar para o lado, criando a ilusão perigosa de que, assim que o governo PSD/CDS tombasse, tudo fariam para a revogar, intenção que seria secundada pelo PS.

Esta esquerda parlamentar, mesmo que formal, sabia que tinha quorum mais que suficiente na Assembleia da República – e por maioria de razão, hoje viram ampliado esse quorum – para, junto do Tribunal Constitucional, suscitar a fiscalização sucessiva da lei, pelo facto de ela assentar em pressupostos anti-constitucionais, ferindo de morte o Direito à Habitação que aquela Lei pressupõe. Ainda assim, nada fizeram para a revogar!

Portanto, esta reclamação de revisão – mascarada de exigência de revogação -, proposta pelo BE é puro cinismo e oportunismo. Tanto mais que, apenas nos 2 anos que leva de vigência um governo apoiado pelo BE, foram despejadas – e somente na capital, Lisboa – mais de 40.000 pessoas.

O BE sabe que, desde que começou a ser aplicada a Lei, a nível nacional é de 5 a média diária de despejos. Só na cidade de Lisboa foram despejadas, neste período, mais de 100 mil habitantes. Mais, o BE sabe que os bairros populares das grandes cidades – mormente o Porto e Lisboa – estão a ser descarectrizados, virtude dos despejos em massa.

Despejos que visam beneficiar Fundos de Investimento, isentos de IMI e outros impostos, à pala de um projecto de reabilitação urbana que visa, não a melhoria das condições de habitabilidade e dignidade para os moradores mas, pura e simplesmente, a ganância e o lucro.

O BE sabe que, na base disto tudo estão os PDMs (Planos Directores Municipais) – sobretudo das grandes cidades – que priviligiam a liberalização, em vez da municipalização dos solos. Municipalização que deveria assentar em modelos que já são aplicados em países como a Holanda ou a Suécia e que determinam que quem gere os solos urbanos  e o que neles pode – e a que preços – ser implantado, são as Câmaras Municipais.

Só a municipalização dos solos potencia um combate sério à corrupção e permite que seja residual a especulação imobiliária, neste momento absolutamente desenfreada. A única “...cooperação entre o Estado e as autarquias...” deve resumir-se, pois, à revogação imediata da Lei das Rendas – já que existe um maioria parlamentar dita de esquerda – e à aplicação do princípio da municipalização dos solos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

O Eixo do Mal!!!






Existe um programa da televisão por cabo em Portugal que dedica cerca de uma hora da sua programação dominical a atacar a classe operária e os trabalhadores portugueses, destilando todo o tipo de provocações e ataques sobre aqueles que trabalham e produzem riqueza.

Do seu painel de comentadores, uns destacam-se por um discurso fascista e trauliteiro e outros – como é o caso de Daniel de Oliveira -, mascararam-no com algumas tiradas de esquerda para tentar enganar tolos.

Neste último domingo, todos se uniram para defender o direito de Passos Coelho – apesar de só possuir uma licenciatura, e até essa de duvidosa qualidade académica – a leccionar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), como professor catedrático convidado, com um salário equiparada ao de um professor catedrático no topo de carreira!!!

Esta decisão – que mais não constitui do que um prémio que a classe dominante dá a um dos  mais lídimos executores das políticas que mais a beneficiam – tem levantado um coro de protestos em largos sectores da sociedade, particularmente nos meios universitários.

O problema das análises empíricas, tão do grado de uma certa pequena-burguesia pseudo-intelectual – onde se inclui Daniel de Oliveira – é precisamente assentarem o seu discurso crítico no pressuposto da incompetência, ou da competência, da legalidade ou ilegalidade, da  posição de CLASSE.

Não interessa tanto para a classe operária e os trabalhadores portugueses que se classifique o governo de Passos/Portas de incompetente, contra a legalidade constitucional ou impositor de uma profunda imoralidade na distribuição da riqueza.

Para uma classe – a grande burguesia, sobretudo aquela que está associada aos interesses imperialistas alemães
 -, o governo de coligação da direita com a extrema-direita, que foi o governo de Passos e Portas, tutelado pelo imbecil de Boliqueime – Cavaco Silva – foi de uma extraordinária competência, tendo sido classificado pela sua patroa Merkel e restantes apaniguados europeus como ... bom aluno!

Classificação que só foi ultrapassada por aquela que foi atribuída por esse sector da  burguesia imperialista, ao actual governo de Costa e suas muletas do PCP/BE/Verdes. Quem não se lembra do antigo ministro das finanças alemão, essa sinistra figura que dá pelo nome de Schauble,  ter classificado Centeno como o Ronaldo das finanças ?!!!

Tal como Marx nos ensinou, “a luta de classes é o motor da história”. E é à luz desse ensinamento que devemos fazer toda e qualquer análise, política, cultural, social, científica, social. É à luz desta tese marxista que devemos compreender que Daniel Oliveira faz parte daquele sector pequeno-burguês cobarde e poltrão que se dispõe, sempre, a ser capacho dos interesses da burguesia!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Costa & Marcelo – Geometrias variáveis e continuidade!

Na política e na chuva...um abrigo comum!
Foi sem qualquer espanto ou admiração que ouvimos, esta 4ª e 5ª feira, da boca dos principais responsáveis políticos de Portugal – António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa -, a assumpção de que todas as promessas políticas que os interesses que representam propuseram ao longo de mais de 4 décadas, estão falidas e o seu conteúdo oportunista e traidor dos interesses do povo português estão meridianamente expostos.

O Costa ao defender em Davos, na Suíça, nesse que é o forum por excelência do imperialismo internacional, que aceita uma Europa a mais do que uma velocidade o que contraria em toda a linha o projecto original da CEE, mais tarde União Europeia, que anunciava a união dos países europeus como paradigma de uma Europa inclusiva, em que as desigualdades fossem ultrapassadas e o continente se tornasse, para todos os que a esse projecto aderissem, uma terra de abundância, uma espécie de terra do leite e do mel de contornos biblicos.
Nem com rezas...

Já Lenine afirmava que, no quadro do imperialismo, estadio supremo do capitalismo, os Estados Unidos da Europa ou são uma impossibilidade ou um projecto eminentemente oportunista e reaccionário. O que Costa vem agora afirmar confirma isso mesmo. E confirma, também, que o que esta Europa a várias velocidades prenuncia é aquilo que o imperialismo melhor tem para oferecer aos povos – da Europa ou de outros continentes -, isto é, a guerra!

Na mesma linha, o homem dos afectos, Marcelo Rebelo de Sousa, ao dirigir-se aos diplomatas que apresentavam no Palácio de Belém as suas credenciais, afirmou algo que os marxistas-leninistas há muito denunciam. Que em Portugal, e desde o 25 de Abril de 1974, se instalou uma persistente política de continuidade, assegurada por um bloco central protagonizado por PS e PSD, às vezes coadjuvados pelas muletas de serviço, isto é, ou CDS, ou PCP/BE/Verdes.

Cenário político que, pretende Marcelo – e aplaude Costa -, será o ideal para as potências com tiques imperialistas investirem...em segurança! Escamoteando que essa continuidade e essa segurança resultaram, para a classe operária e o povo português na perda de soberania, na sujeição a uma moeda que representa uma tenaz para a economia e numa união bancária, fiscal e aduaneira que transformaram o país numa colónia ou protectorado do imperialismo germânico.


Um espanto...
O que Marcelo afectuosamente confirma é a sua concordância e o seu apoio determinado a uma política continuada de liquidação do tecido produtivo português – que foi a moeda de troca e de traição para que Portugal fosse aceite num clube dominado pelo imperialismo -, da venda a pataco dos principais activos – ANA, EDP, TAP, CTT, PT, etc.-, políticas que favoreceram o negócio da dívida que o povo português continua a ser obrigado a pagar, apesar de não ter sido o responsável por ela, nem dela ter retirado qualquer benefício.

Romper com o passado, não permitir a continuidade de uma política de desemprego, salários de miséria e de precariedade, colapso das políticas de saúde, educação, transportes e habitação, é uma luta que há que ousar empreender. Uma dura e prolongada luta que exige unidade na base dos princípios e na acção.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

As cambalhotas de Cristas e Robles!

Não sei se poderão ser classificadas de ingenuidade política as afirmações feitas por Ricardo Robles– o vereador que o BE fez eleger em Lisboa, nas recentes eleições autárquicas - em recente entrevista que deu à RTP 1, a propósito das acusações de cambalhota política que Assunção Cristas fez ao seu partido movimento.

Segundo aquela dirigente da extrema direita, o BE estaria a comportar-se como uma autêntica tábua de salvação do PS e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, agora que Fernando Medina foi confrontado com a decisão do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucional a taxa de protecção cívil que havia lançado há mais de uma ano.

Ao propor o aumento para 2 euros – o dobro da actual – da taxa turística, segundo Cristas, o BE estaria a compensar a perda de receita da inconstitucional taxa de protecção cívil.



Reagindo a esta acusação, Ricardo Robles, com um ar absolutamente seráfico, de menino do coro, revelou que a proposta de taxa turística que o CDS agora apresentou seria, ipsis verbis (palavras suas), a mesma que o seu partido/movimento havia apresentado um mês antes, tendo o CDS decidido abster-se quando a mesma foi apresentada pelo seu partido.


A verdadeira cambalhota política, neste caso, é persistir na classificação de partido de extrema esquerda para o BE quando é cada vez mais evidente o pendor reaccionário e a praxis social-democrata deste partido!  


Em política, o que parece...é! Neste, como em outros casos, quando são os próprios protagonistas a admitir não haver qualquer diferenciação de políticas entre ambos, não há como contrariar as evidências! Ficamos todos a perceber que CDS e BE, para casos concretos e soluções concretas – que envolvam, claro está, o ataque aos interesses do povo – estão empenhados numa santa e democrática aliança.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Indústria da Caridade, a verdade da mentira!

...Ou a única indústria que progride em Portugal!

Contrariando de forma insofismável o anúncio da chegada à terra do leite e do mel anunciada ao povo português, todos os dias, com pompa e circunstância, pelo governo de António Costa e do PS, fomos confrontados, este primeiro fim se semana de Novembro, com mais uma Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome.

Números que reflectem a miséria e pobreza crescentes a que o povo português está a ser sujeito, fruto da persistência numa política de submissão ao euro e à dívida que este, como o anterior governo de coligação entre a direita e a extrema direita, impuseram!


Segundo a organização de mais este evento promovido pelo Banco Alimentar, estiveram envolvidos mais de 40 mil voluntários que desde a passada 6ª feira, dia 1 de Dezembro, até ao final  deste domingo recolheram, em mais de 2 mil estabelecimentos comerciais – hiper e supermercados -, mais de 2.220 toneladas de alimentos , que serão entregues, como donativos, a 2.645 instituições que promovem a assistência a 426 mil pessoas!

Tendo em conta que a organização considera que os valores recolhidos até à data, nas diferentes iniciativas que levou a cabo durante o corrente ano, são idênticos aos registados em 2016, tudo indica que no ano de 2017 o Banco Alimentar distribuirá cerca de 30 toneladas de alimentos, num valor superior a 37 milhões de euros!

A falta de vergonha do PS e de António Costa já não nos surpreende. Um semeador profissional de promessas nunca cumpridas, só anunciadas com o fito de recolher o máximo número de votos que lhe permita um cheque em branco para as suas políticas reaccionárias e vende pátrias. E, surpreendidos, só ficarão os incautos que acreditam que PCP, BE e Verdes, constituídos em muletas deste governo, conseguirão amenizar os efeitos dessa política.

Os números impressionantes e dramáticos desta Campanha, revelam que a pobreza e os pobres têm aumentado em Portugal, contrariando a euforia da esquerda parlamentar de que a maioria terá proporcionado a retoma de rendimentos para o povo, escamoteando que, aquilo que António Costa tem dado com uma mão, retira, em dobro, com a outra, sob a forma de impostos e taxas – directos e indirectos -, verbas orçamentais cativadas que mascaram desenvergonhadamente que as sucessivas Leis Orçamentais são aprovadas por esta maioria de esquerda com a noção de que, pelo caminho, nunca serão cumpridas!

Euforia que, nem o facto de o Ronaldo das Finanças europeu - o sempre a rir ministro Mário Centeno - estar prestes a ser indigitado como presidente do Eurogrupo - essa quadrilha que visa impor aos outros países a política que mais convém ao imperialismo germânico e a todos os que orbitam em torno do negócio da dívida -, conseguirá contrariar o facto de a pobreza e o número de pobres se estar a agravar no nosso país, apesar das loas que cantam em torno de um salário mínimo que, nem para exercer a função de repositor de energia e assegurar da reprodução de força laboral serve!

 
Estes números revelam, também, que afinal o milagre económico anunciado pelo governo é uma miragem que falseia a realidade de uma quebra nas exportações, de uma cada vez maior dependência do exterior, num aprofundar da precariedade, num aumento dramático dos despejos – sobretudo nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto -, no exponenciar de calamidades naturais, onde centenas de elementos do povo encontram a morte, a destruição e o aprofundar das suas condições miseráveis de vida, por virtude do desinvestimento em políticas de segurança e prevenção, para se acorrer à fogueira da dívida e do déficite!

A caridadezinha burguesa em que assentam iniciativas deste tipo, mas não só, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inebriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de piedosas almas, as Jonets, as santas casas disto e daquilo, as caritas, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para aliviar o sofrimento dos pobres da terra.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – desde os bancos alimentares à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que  quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de desculpabilizar o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.

Isto, para além de o controlo da esmola ser, por si só, um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do Banco Alimentar contra a Fome, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos Pingo Doce e Continentes do nosso descontentamento, que vislumbram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se disponibilizam de imediato para aderir a estas campanhas –, quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos como e IVA e como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatário da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita sorte, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!


Àqueles mais piedosos que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativo!

A solidariedade operária é bem diversa da caridadezinha burguesa. Assenta na solidariedade militante e activa às lutas que em todo o mundo se organizam e desenrolam precisamente para destruir um sistema que atira para a fome, a miséria e a humilhação quem trabalha ou trabalhou toda uma vida.


A sua cura, em Portugal, passa por uma luta sem tréguas a todos os governos que se dispuserem a ser meros obedientes serventuários dos ditames da tróica germano-imperialista. Passa pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia, ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.


Um governo que tenha a coragem de expulsar do nosso país a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações a recusa do pagamento da dívida e dos juros dela decorrentes, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro e da união europeia.