No preciso momento em que é anunciada, com pompa e circunstância, a injecção de ATÉ 1.200 milhões de euros da UE na TAP – resultante das consequências da crise pandémica que afectou a actividade aeronáutica em todo o mundo - , quatro dos mais representativos sindicatos dos trabalhadores daquela Companhia aérea emitiram um comunicado a “garantir” que o Conselho de Administração que com eles esteve reunido “tudo terá feito para viabilizar a empresa e a manutenção dos postos de trabalho”!!!

Como não existem almoços grátis, e o directório europeu
queria privilegiar a concorrência alemã e do norte da Europa, o supracitado
Plano – que levou 4 anos a ser executado – conduziu, na altura, ao despedimento
de cerca de 40% dos trabalhadores da TAP – cerca de 2.600 -, ao congelamento de
salários, supressão de rotas, encerramento de delegações e a menos 6 aeronaves.

Sobre tudo isto, os 4 sindicatos que esta segunda-feira, dia
15 de Junho, reuniram com o Conselho de Administração da TAP, fazem vista
grossa. É importante dar rosto e nome à traição e aos traidores. Os sindicatos em
questão são os seguinte:
·
SITAVA (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e
Aeroportos)
·
SNPVAC (Sindicatos Nacional do Pessoal de Voo da
Aviação Cívil)
·
SITEMA (Sindicato dos Técnicos de Manutenção de
Aeronaves)
·
SNEET (Sindicato Nacional dos Engenheiros e
Engenheiros Técnicos)
Sempre preocupados com a premissa reformista e revisionista
- que trai os interesses e a autonomia dos trabalhadores – de que “sem
rentabilidade não existe emprego” (como se a responsabilidade pela
rentabilidade da empresa seja dos trabalhadores), os dirigentes sindicais
destes quatro sindicatos limitaram-se a questionar “...o Conselho de
Administração sobre a continuação do regime de lay off “, por entenderem que esta medida “está a penalizar fortemente os trabalhadores”. Em nenhum momento
denunciaram que as medidas de lay off não
foram da responsabilidade de quem trabalha e que, ademais, está a servir
para o grande capital “reconfigurar” o seu modo de produção, uma vez mais à
custa dos trabalhadores.
Nem uma palavra para exigir que, quando a TAP receber os
fundos agora anunciados, devem ser repostas, imediatamente, as verbas que foram
roubadas aos salários dos trabalhadores, no âmbito do lay off. Os trabalhadores da TAP têm o direito de saber que, se tal
não acontecer, o que se segue vai ser um alinhamento dos salários por baixo. O
sonho de qualquer capitalista: reduzir uma parte dos chamados “custos de
contexto”, com a “justificação” de que, afinal, os trabalhadores conseguem
sobreviver com 70% dos seus salários!
Claro que sindicatos desta natureza não servem os
trabalhadores porque é impossível servir a dois senhores e eles já servem, há
muito tempo, um deles – o grande capital e o governo que gere os seus
interesses de classe. Como podem sair
satisfeitos de uma reunião com o Conselho de Administração, quando já se dá
como certa uma reestruturação da TAP, com o corolário de despedimentos que lhe
é habitual, que imporá a perda de emprego a um quinto da massa trabalhadora, isto
é, cerca de 2 mil assalariados?
Como podem os trabalhadores da TAP ficar satisfeitos com
estes auto-proclamados representantes e dirigentes quando, uma vez mais, se
preparam para “negociar” despedimentos e redução de salários e outras regalias?

Só sindicatos traidores e uma Comissão de Trabalhadores a
fazer o papel de “bela adormecida”, poderão
fazer crer aos trabalhadores que “esperam que da parte do accionista maioritário
(o Estado) tudo seja feito no sentido de
garantir a continuidade de todas as empresas do Grupo TAP (vejam como eles têm o cuidado de referir
“todas as empresas”, mas não “todos os trabalhadores”), mantendo a sua capacidade de modo a poder
servir o país e a diáspora, alimentando o importante sector do turismo e assim
cumprir o seu desígnio nacional de contribuir para a melhoria das condições
económicas do país”
Mas, por onde tem andado esta gente? Na Lua? Em Marte?
Confiar num governo que abandonou criminosamente a estratégia de construir um
grande aeroporto internacional de Lisboa – que tudo indicava poder vir a ser
construído em Alcochete – em vez de manter o apeadeiro aeroportuário que é a
fórmula Portela + 1 (Montijo)? Confiar num governo que “ameaça” uma alteração
no quadro accionista da TAP pelo facto de, eventualmente, investir 1.200
milhões de euros, ao mesmo tempo que “abdica” de ter um papel executivo de
relevo e preponderância na empresa?
Confiar num governo que mantém a privatização da ANA e de
outras companhias essenciais a um adequado planeamento da gestão aeroportuária
ao serviço dos trabalhadores e sob o seu controlo, impedindo uma sinergia mais
adequada dos recursos para poder transformar a capital do país, Lisboa, e o seu
aeroporto internacional, como uma das principais portas de entrada e de saída
do essencial dos passageiros, correio e mercadorias, que cruzam o nosso espaço
aéreo para se dirigirem a uma grande parte dos destinos internacionais?

Retirado de: http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/2734-traicao-dos-dirigentes-sindicais-anuncia-se-de-novo-aos-trabalhadores-da-tap
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