segunda-feira, 12 de março de 2018

O Eixo do Mal!!!






Existe um programa da televisão por cabo em Portugal que dedica cerca de uma hora da sua programação dominical a atacar a classe operária e os trabalhadores portugueses, destilando todo o tipo de provocações e ataques sobre aqueles que trabalham e produzem riqueza.

Do seu painel de comentadores, uns destacam-se por um discurso fascista e trauliteiro e outros – como é o caso de Daniel de Oliveira -, mascararam-no com algumas tiradas de esquerda para tentar enganar tolos.

Neste último domingo, todos se uniram para defender o direito de Passos Coelho – apesar de só possuir uma licenciatura, e até essa de duvidosa qualidade académica – a leccionar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), como professor catedrático convidado, com um salário equiparada ao de um professor catedrático no topo de carreira!!!

Esta decisão – que mais não constitui do que um prémio que a classe dominante dá a um dos  mais lídimos executores das políticas que mais a beneficiam – tem levantado um coro de protestos em largos sectores da sociedade, particularmente nos meios universitários.

O problema das análises empíricas, tão do grado de uma certa pequena-burguesia pseudo-intelectual – onde se inclui Daniel de Oliveira – é precisamente assentarem o seu discurso crítico no pressuposto da incompetência, ou da competência, da legalidade ou ilegalidade, da  posição de CLASSE.

Não interessa tanto para a classe operária e os trabalhadores portugueses que se classifique o governo de Passos/Portas de incompetente, contra a legalidade constitucional ou impositor de uma profunda imoralidade na distribuição da riqueza.

Para uma classe – a grande burguesia, sobretudo aquela que está associada aos interesses imperialistas alemães
 -, o governo de coligação da direita com a extrema-direita, que foi o governo de Passos e Portas, tutelado pelo imbecil de Boliqueime – Cavaco Silva – foi de uma extraordinária competência, tendo sido classificado pela sua patroa Merkel e restantes apaniguados europeus como ... bom aluno!

Classificação que só foi ultrapassada por aquela que foi atribuída por esse sector da  burguesia imperialista, ao actual governo de Costa e suas muletas do PCP/BE/Verdes. Quem não se lembra do antigo ministro das finanças alemão, essa sinistra figura que dá pelo nome de Schauble,  ter classificado Centeno como o Ronaldo das finanças ?!!!

Tal como Marx nos ensinou, “a luta de classes é o motor da história”. E é à luz desse ensinamento que devemos fazer toda e qualquer análise, política, cultural, social, científica, social. É à luz desta tese marxista que devemos compreender que Daniel Oliveira faz parte daquele sector pequeno-burguês cobarde e poltrão que se dispõe, sempre, a ser capacho dos interesses da burguesia!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Costa & Marcelo – Geometrias variáveis e continuidade!

Na política e na chuva...um abrigo comum!
Foi sem qualquer espanto ou admiração que ouvimos, esta 4ª e 5ª feira, da boca dos principais responsáveis políticos de Portugal – António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa -, a assumpção de que todas as promessas políticas que os interesses que representam propuseram ao longo de mais de 4 décadas, estão falidas e o seu conteúdo oportunista e traidor dos interesses do povo português estão meridianamente expostos.

O Costa ao defender em Davos, na Suíça, nesse que é o forum por excelência do imperialismo internacional, que aceita uma Europa a mais do que uma velocidade o que contraria em toda a linha o projecto original da CEE, mais tarde União Europeia, que anunciava a união dos países europeus como paradigma de uma Europa inclusiva, em que as desigualdades fossem ultrapassadas e o continente se tornasse, para todos os que a esse projecto aderissem, uma terra de abundância, uma espécie de terra do leite e do mel de contornos biblicos.
Nem com rezas...

Já Lenine afirmava que, no quadro do imperialismo, estadio supremo do capitalismo, os Estados Unidos da Europa ou são uma impossibilidade ou um projecto eminentemente oportunista e reaccionário. O que Costa vem agora afirmar confirma isso mesmo. E confirma, também, que o que esta Europa a várias velocidades prenuncia é aquilo que o imperialismo melhor tem para oferecer aos povos – da Europa ou de outros continentes -, isto é, a guerra!

Na mesma linha, o homem dos afectos, Marcelo Rebelo de Sousa, ao dirigir-se aos diplomatas que apresentavam no Palácio de Belém as suas credenciais, afirmou algo que os marxistas-leninistas há muito denunciam. Que em Portugal, e desde o 25 de Abril de 1974, se instalou uma persistente política de continuidade, assegurada por um bloco central protagonizado por PS e PSD, às vezes coadjuvados pelas muletas de serviço, isto é, ou CDS, ou PCP/BE/Verdes.

Cenário político que, pretende Marcelo – e aplaude Costa -, será o ideal para as potências com tiques imperialistas investirem...em segurança! Escamoteando que essa continuidade e essa segurança resultaram, para a classe operária e o povo português na perda de soberania, na sujeição a uma moeda que representa uma tenaz para a economia e numa união bancária, fiscal e aduaneira que transformaram o país numa colónia ou protectorado do imperialismo germânico.


Um espanto...
O que Marcelo afectuosamente confirma é a sua concordância e o seu apoio determinado a uma política continuada de liquidação do tecido produtivo português – que foi a moeda de troca e de traição para que Portugal fosse aceite num clube dominado pelo imperialismo -, da venda a pataco dos principais activos – ANA, EDP, TAP, CTT, PT, etc.-, políticas que favoreceram o negócio da dívida que o povo português continua a ser obrigado a pagar, apesar de não ter sido o responsável por ela, nem dela ter retirado qualquer benefício.

Romper com o passado, não permitir a continuidade de uma política de desemprego, salários de miséria e de precariedade, colapso das políticas de saúde, educação, transportes e habitação, é uma luta que há que ousar empreender. Uma dura e prolongada luta que exige unidade na base dos princípios e na acção.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

As cambalhotas de Cristas e Robles!

Não sei se poderão ser classificadas de ingenuidade política as afirmações feitas por Ricardo Robles– o vereador que o BE fez eleger em Lisboa, nas recentes eleições autárquicas - em recente entrevista que deu à RTP 1, a propósito das acusações de cambalhota política que Assunção Cristas fez ao seu partido movimento.

Segundo aquela dirigente da extrema direita, o BE estaria a comportar-se como uma autêntica tábua de salvação do PS e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, agora que Fernando Medina foi confrontado com a decisão do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucional a taxa de protecção cívil que havia lançado há mais de uma ano.

Ao propor o aumento para 2 euros – o dobro da actual – da taxa turística, segundo Cristas, o BE estaria a compensar a perda de receita da inconstitucional taxa de protecção cívil.



Reagindo a esta acusação, Ricardo Robles, com um ar absolutamente seráfico, de menino do coro, revelou que a proposta de taxa turística que o CDS agora apresentou seria, ipsis verbis (palavras suas), a mesma que o seu partido/movimento havia apresentado um mês antes, tendo o CDS decidido abster-se quando a mesma foi apresentada pelo seu partido.


A verdadeira cambalhota política, neste caso, é persistir na classificação de partido de extrema esquerda para o BE quando é cada vez mais evidente o pendor reaccionário e a praxis social-democrata deste partido!  


Em política, o que parece...é! Neste, como em outros casos, quando são os próprios protagonistas a admitir não haver qualquer diferenciação de políticas entre ambos, não há como contrariar as evidências! Ficamos todos a perceber que CDS e BE, para casos concretos e soluções concretas – que envolvam, claro está, o ataque aos interesses do povo – estão empenhados numa santa e democrática aliança.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Indústria da Caridade, a verdade da mentira!

...Ou a única indústria que progride em Portugal!

Contrariando de forma insofismável o anúncio da chegada à terra do leite e do mel anunciada ao povo português, todos os dias, com pompa e circunstância, pelo governo de António Costa e do PS, fomos confrontados, este primeiro fim se semana de Novembro, com mais uma Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome.

Números que reflectem a miséria e pobreza crescentes a que o povo português está a ser sujeito, fruto da persistência numa política de submissão ao euro e à dívida que este, como o anterior governo de coligação entre a direita e a extrema direita, impuseram!


Segundo a organização de mais este evento promovido pelo Banco Alimentar, estiveram envolvidos mais de 40 mil voluntários que desde a passada 6ª feira, dia 1 de Dezembro, até ao final  deste domingo recolheram, em mais de 2 mil estabelecimentos comerciais – hiper e supermercados -, mais de 2.220 toneladas de alimentos , que serão entregues, como donativos, a 2.645 instituições que promovem a assistência a 426 mil pessoas!

Tendo em conta que a organização considera que os valores recolhidos até à data, nas diferentes iniciativas que levou a cabo durante o corrente ano, são idênticos aos registados em 2016, tudo indica que no ano de 2017 o Banco Alimentar distribuirá cerca de 30 toneladas de alimentos, num valor superior a 37 milhões de euros!

A falta de vergonha do PS e de António Costa já não nos surpreende. Um semeador profissional de promessas nunca cumpridas, só anunciadas com o fito de recolher o máximo número de votos que lhe permita um cheque em branco para as suas políticas reaccionárias e vende pátrias. E, surpreendidos, só ficarão os incautos que acreditam que PCP, BE e Verdes, constituídos em muletas deste governo, conseguirão amenizar os efeitos dessa política.

Os números impressionantes e dramáticos desta Campanha, revelam que a pobreza e os pobres têm aumentado em Portugal, contrariando a euforia da esquerda parlamentar de que a maioria terá proporcionado a retoma de rendimentos para o povo, escamoteando que, aquilo que António Costa tem dado com uma mão, retira, em dobro, com a outra, sob a forma de impostos e taxas – directos e indirectos -, verbas orçamentais cativadas que mascaram desenvergonhadamente que as sucessivas Leis Orçamentais são aprovadas por esta maioria de esquerda com a noção de que, pelo caminho, nunca serão cumpridas!

Euforia que, nem o facto de o Ronaldo das Finanças europeu - o sempre a rir ministro Mário Centeno - estar prestes a ser indigitado como presidente do Eurogrupo - essa quadrilha que visa impor aos outros países a política que mais convém ao imperialismo germânico e a todos os que orbitam em torno do negócio da dívida -, conseguirá contrariar o facto de a pobreza e o número de pobres se estar a agravar no nosso país, apesar das loas que cantam em torno de um salário mínimo que, nem para exercer a função de repositor de energia e assegurar da reprodução de força laboral serve!

 
Estes números revelam, também, que afinal o milagre económico anunciado pelo governo é uma miragem que falseia a realidade de uma quebra nas exportações, de uma cada vez maior dependência do exterior, num aprofundar da precariedade, num aumento dramático dos despejos – sobretudo nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto -, no exponenciar de calamidades naturais, onde centenas de elementos do povo encontram a morte, a destruição e o aprofundar das suas condições miseráveis de vida, por virtude do desinvestimento em políticas de segurança e prevenção, para se acorrer à fogueira da dívida e do déficite!

A caridadezinha burguesa em que assentam iniciativas deste tipo, mas não só, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inebriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de piedosas almas, as Jonets, as santas casas disto e daquilo, as caritas, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para aliviar o sofrimento dos pobres da terra.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – desde os bancos alimentares à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que  quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de desculpabilizar o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.

Isto, para além de o controlo da esmola ser, por si só, um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do Banco Alimentar contra a Fome, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos Pingo Doce e Continentes do nosso descontentamento, que vislumbram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se disponibilizam de imediato para aderir a estas campanhas –, quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos como e IVA e como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatário da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita sorte, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!


Àqueles mais piedosos que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativo!

A solidariedade operária é bem diversa da caridadezinha burguesa. Assenta na solidariedade militante e activa às lutas que em todo o mundo se organizam e desenrolam precisamente para destruir um sistema que atira para a fome, a miséria e a humilhação quem trabalha ou trabalhou toda uma vida.


A sua cura, em Portugal, passa por uma luta sem tréguas a todos os governos que se dispuserem a ser meros obedientes serventuários dos ditames da tróica germano-imperialista. Passa pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia, ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.


Um governo que tenha a coragem de expulsar do nosso país a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações a recusa do pagamento da dívida e dos juros dela decorrentes, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro e da união europeia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Porto Sofrido!


O modelo de liberalização dos solos que os principais centros urbanos incorporaram nos seus Planos Directores Municipais tem promovido, por um lado, a crescente degradação do imobiliário – com os proprietários à espera que a especulação faça o seu caminho e viva melhores dias, isto é, proporcione maiores lucros e dividendos – e, por outro, a expulsão massiva dos seus habitantes.

Se em Lisboa mais de metade da sua população foi expulsa desde 1960 até à data – processo que nem o abocanhar ao Concelho de Loures da actual freguesia do Parque das Nações conseguiu amenizar -, a cidade do Porto registou a expulsão de mais de um quarto da sua população entre 1981 e 2011, data em que foi realizado o último Censo populacional no concelho.

Em 1981, a Invicta contava com 327.368 habitantes para, em 2011, registar 237.591, isto é, quase menos de 90 mil habitantes! Tendo em conta os crimes que foram cometidos pelos sucessivos executivos camarários desde 2011 a esta data – sobretudo por  Rui Rio – é nosso entender que, quando se realizar novo censo no Concelho da capital do Norte, o número de habitantes expulsos seja dramáticamente superior ao que foi registado em 2011!

E, não é preciso ser muito criativo para concluir sobre quem beneficia desta liberalização dos solos! Uma notícia recente, publicada num jornal com distribuição nacional, dá-nos conta de que uma sociedade imobiliária – daquelas que foram bafejadas, primeiro pelo governo de Sócrates e, actualmente, com a cumplicidade de António Costa e suas muletas parlamentares (PCP, BE e Verdes), com generosos benefícios fiscais-, adquiriu o Bairro da Tapada, sito nas escarpas das Fontaínhas, um bairro popular com 35 casas e habitado por cerca de 50 moradores!

Esta sociedade propõe-se – como já terá feito noutras zonas do concelho do Porto – realizar uma reabilitação urbana no supracitado bairro, assim que os contratos de arrendamento ainda em vigor atinjam o seu término ou quando, uma legislação como a actual,  favorável ao despejo, lhes permita expulsar os moradores que resistam a sair.

Mas, tal como acontece nos principais centros urbanos do país – sobretudo Lisboa e Porto – o que esta sociedade se propõe é replicar o modelo que priviligia o alojamento local e as tipologias T0 e T1, aumentando o número de casas destinadas ao turismo e ao alojamento local, em vez da habitação de longa duração, a preços controlados, uma habitação destinada a satisfazer as necessidades de jovens e famílias trabalhadoras.


É absolutamente necessário alterar este paradigma. Desde logo impondo o modelo de municipalização dos solos. Depois, não permitindo que casas licenciadas para habitação possam vir a ser transformadas em alojamento local. É absolutamente necessário discutir um Plano Director Municipal para o Porto – como para outras cidades –, o que determina que haja um debate democrático e lúcido com os cidadãos e se envolvam as universidades e a massa crítica dessas cidades na discussão do modelo a implantar.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Alargou-se o circulo de amigos da tróica!

Durante a vigência do governo de coligação entre a direita e a extrema direita, isto é, do PSD com o CDS/PP, do compadrio entre Passos e Portas, denunciei nestas páginas a estapafúrdia idéia da existência de uma linha de troiquistas de direita por oposição a uma linha de troiquistas de esquerda, na altura, e pelos vistos, protagonizada pelo PS.

Com o apoio das muletas do PCP, do BE e dos Verdes, o PS, apesar de não ter ganho as últimas eleições legislativas, mercê de um quadro parlamentar favorável ao surgimento de uma maioria de esquerda,  lá constituiu governo e fez aprovar, até à data, 3 Leis Gerais do Orçamento, com o alto patrocínio daqueles que num passado recente verberavam as políticas de direita recorrentemente prosseguidas pelo Partido dito Socialista.

O especialista em intrigas palacianas e inuendos políticos que dá pelo nome de António Costa, aplica agora no governo aquilo que foi ensaiando durante o seu reinado na capital do reino que é Lisboa. Isto é, o princípio de que tudo se promete e...nada se cumpre!

Vai daí, os labregos do PCP e do BE – aos quais se juntaram os tótós dos Verdes – cumprem o seu papel de fazer o povo acreditar que as Leis do Orçamento que vão sendo aprovadas na vigência do governo PS de António Costa, correspondem a um enorme esforço de convergência da esquerda parlamentar e uma retumbante vitória da visão de esquerda que sempre propuseram!!!

E, vai daí, verberam qualquer arremedo de luta – por mais inconsequente que seja a sua direcção – levada a cabo pelos trabalhadores, escamoteando o facto de que as condições que levam estes trabalhadores  agora a decidir-se pela luta, serem as mesmas que os levaram a fazer greves – incluindo 2 Greves Nacionais – durante a vigência do governo de Passos e Portas, tutelado por Cavaco, o palermóide de Boliqueime!

Compagnons de Route das grandiosas manifestações de 12 de Setembro e de 15 de Outubro, PCP, BE e Verdes que, na altura fingiam indignar-se contra a dívida e os efeitos dramáticos que a opção de pagamento da mesma – conjuntamente com o serviço da dívida (juros) -, configurada pelo Memorando de Entendimento assinado por PS, PSD e CDS/PP, impunham ao povo português, com esta sua aliança política com o PS deixaram cair definitivamente a máscara, tal como já o tinha feito António Costa e o seu PS.
 
Já o disse por mais de uma ocasião que de boas intenções está o inferno cheio! É que, não basta dizer que se está contra a política de cacete fiscal aplicado por Passos e Portas. É que, a política de dar folga à pancada a aplicar sobre os trabalhadores e o povo português em nada alterou, quer formal, quer substancialmente, o quadro que nos era oferecido pelo anterior governo de coligação entre a direita e a extrema direita.

Os trabalhadores portugueses continuam a ser obrigados a pagar uma dívida que não contraíram e da qual não retiraram qualquer benefício. Assim como continuam confrontados com o sequestro da independência do país, virtude dos tratados orçamental, bancário e fiscal, entre outros, que este e o anterior governo diligentemente assinaram, a mando da tróica germano imperialistas e que colocaram um autêntico garrote sobre a economia portuguesa e a possibilidade de ela prosseguir um modelo independente,  soberano, democrático e patriótico!

Os sucessivos orçamentos aprovados por essa maioria de esquerda têem tido o condão de dar com uma mão o que roubam com a outra! E, agora, utilizando a engenhariafinanceira desse Fitipaldi das Finanças, que dá pelo nome de Centeno, um personagem sinistro que caiu nas boas graças do imperialismo germânico, a ponto de este sugerir o seu nome para o cargo de presidente do Eurogrupo!

Os oportunistas do PCP, BE e Verdes, escamoteiam que os sucessivos orçamentos estão armadilhados por uma rede de cativações que descarecterizam por completo os mesmos – que já de si eram e são contra os interesses da classe operária, dos trabalhadores e do povo português -, fazendo com que o Ministro das Finanças possa determinar, durante a vigência dos ditos, que verbas – e em que ministérios – podem ser consolidadas ou, senão... cativadas!!!

Isto é, para a opinião pública e publicada os orçamentos apresentam investimentos nos sectores da educação, da saúde, dos transportes, etc., que presumem a retoma dos valores investidos no passado, antes da crise do subprime e das dívidas soberanas. Mas, as cativações, na prática, reduzem essas verbas à mesma expresssão das que foram alocadas por Passos e Portas, em boa hora corridos do governo.

É esta escumalha que se afirma de esquerda que, ao mínimo sinal de resistência e de luta por parte da classe operária, dos trabalhadores e do povo português- como ficou demonstrado na luta dos enfermeiros e, mais recentemente, dos professores – se indigna e classifica essas lutas como favorecendo,  objectivamente, os interesses da direita e da burguesia!!!


O lobo pode até perder os dentes, mas não perde os intentos. António Costa, tal como havia conseguido enquanto foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa, consegue congregar em torno da sua estratégia oportunista, das suas mentiras e inuendos, agora como 1º ministro de um governo de maioria de esquerda, toda esta escumalha oportunista, que se arroga ser de esquerda!

É tempo de a esquerda, aquela que defende a saída de Portugal do euro e da União Europeia, aquela que rejeita o pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, a esquerda que pretende rasgar com todos os tratados que capturaram a independência e soberania do país e do povo;

A  esquerda que exige a retirada das tropas portuguesas de todos os teatros de guerra em que os imperialistas têm envolvido Portugal, a esquerda que exige a retirada de Portugal dessa aliança de agressão imperialista que dá pelo nome de NATO, saber congregar todas as forças democráticas e patrióticas para derrubarem este governo e imporem um executivo que aplique aquelas orientações e princípios que merecem o apoio e adesão da esmagadora maioria dos trabalhadores e do povo português.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Maria de Lurdes VS Manuel Maria Carrilho:

Uma justiça com 2 pesos e 2 medidas!




Manuel Maria Carrilho que, quando exerceu as funções de Ministro da Cultura do governo de António Guterres, protagonizou a desvio das verbas destinadas a uma bolsa de estudo para a investigadora Maria de Lurdes Lopes Rodrigues, acabou, hoje, de ser condenado pela Instância Central Criminal de Lisboa a 4 anos e seis mêses de prisão, com pena suspensa!

O crime pelo qual ía acusado, e pelo qual ora foi condenado, foi o de violência doméstica, ofensas à integridade física, ameaças e denúncia caluniosa contra a sua ex-mulher, a apresentadora de televisão Bárbara Guimarães.

Esta sentença e o articulado do seu acórdão são bem demonstrativos da dualidade de critérios em que assenta a justiça em Portugal. Para um finório arrogante e trauliteiro como Carrilho a medida da pena acolhe a suspensão da sua execução.

Já para a investigadora Maria de Lurdes Lopes Rodrigues, vítima do sistema corrupto que lhe roubou, durante o reinado de Carrilho no MEC, o direito a uma bolsa de longa duração no estrangeiro, a mesma justiça determinou 3 anos de prisão efectiva, por denúncia caluniosa e difamação, pena que se encontra a cumprir, há mais de 1 ano, no Estabelecimento Prisional de Tires, escamoteando que o que aquela intelectual fez foi exercer o seu direito constitucional à indignação e à liberdade de opinião.




Agredida por um sistema que, não satisfeito, patrocina as agressões de que tem sido alvo e vitima a mando da direcção prisional e da chefia dos guardas prisionais, segundo a própria tem recorrentemente denunciado nas notas que, clandestinamente, vai conseguindo passar para o exterior.

Até quando vamos compactuar com esta ilegalidade?! Até quando vamos fechar os olhos a esta prisão ilegitima?! Até quando vamos permitir uma lei anti-constitucional que, segundo várias instâncias europeiais devia ser imediatamente revogada por se tratar de um articulado medieval?!

Temos de exigir que TODOS os partidos com assento parlamentar incluam na agenda parlamentar a discussão da Lei Penal que permite a prisão por crimes de difamação e injúria, uma legislação que, manifestamente, serve para calar vozes discordantes com o status quo.