25 de Abril – em tempo de balanço impõe-se a visão autónoma do proletariado!
O discurso que António José Seguro proferiu na Assembleia da República, no âmbito das “comemorações” dos 52 anos sobre o golpe militar ocorrido a 25 de Abril de 1974, mereceu a unanimidade de TODOS os partidos do “arco parlamentar", incluindo o da extrema direita fascista.
Apesar de este facto parecer traduzir a derrota definitiva do proletariado revolucionário, bem pelo contrário, traduz um passo vitorioso para a Revolução comunista. Isto porque, é cada vez mais clara a aliança explícita e implícita entre todos os partidos que têm assento na Assembleia da República, no momento presente. Não haverá, como no passado recente, mais margem de manobra para toda a falsa esquerda escamotear as sucessivas traições que protagonizou contra os interesses da classe operária e seus aliados, nem poderão mais dizer que o seu objectivo é combater a burguesia, o capitalismo ou, mesmo, o imperialismo.
Mesmo que Seguro – que sempre representou a ala mais à
direita do Partido dito Socialista – venha uma vez mais afirmar que o que é
importante é preservar a liberdade “conquistada” no 25 de Abril. Ora, é cada
vez mais claro para a classe operária e para todos os escravos assalariados,
que os únicos a conquistar a liberdade após a “revolução dos cravos” foram os
torcionários da PIDE, o fascista Marcelo Caetano e seus sequazes, a alta
burguesia financeira e monopolista representadas pelos Melos, pelos Champalimaud,
entre muitos outros.
De que serve a liberdade que nos anunciam, oferecida
numa “bandeja dourada” pelos “capitães de Abril”. Já nem para exercer o direito
de opinião servem. Mesmo que ainda possamos defender alguns pontos de vista
distintos da classe dominante, a “opinião” expressa não tem qualquer peso nas
decisões que a burguesia vai impondo ao proletariado.
Os campos estão cada vez mais claros! De um lado da
barricada – TODOS os partidos do “arco parlamentar” – que representam os
interesses dos diferentes sectores da burguesia que, perante o colapso do
sistema capitalista e imperialista, a braços com uma profunda e sistémica crise
económica se sentem impelidos a uma espécie de “união nacional”, numa vã
tentativa de preservarem as suas mordomias, obtidas à custa da venda a pataco
do país e da brutal exploração dos operários e demais escravos assalariados.
Do outro lado da barricada, o proletariado
revolucionário, os marxistas, que lutam por uma sociedade livre da exploração
do homem pelo homem, da fome, da miséria, da humilhação, livres do imperialismo
e das guerras de genocídio que provocam para saquear as riquezas planetárias,
exaurindo os recursos e provocando danos irreversíveis à situação climática e à
bio-diversidade.
Nem mesmo o espectáculo da marcha fúnebre do 25 de
Abril, que ocorreu hoje, e uma vez mais, na Av. Da Liberdade, alterou, de
alguma forma, a questão principal – a de que, após várias fases, durante as
quais, fruto da traição miserável da falsa esquerda, a revolução se foi
extinguindo e a classe operária viu cada vez mais as suas conquistas serem
despedaçadas, entrámos na fase final do sistema capitalista, obsoleta e prenunciadora
da sua morte.
O 25 de Abril de 1974 caracterizou-se por ser um golpe
de estado que visava dar resposta a reclamações corporativas por parte da baixa
oficialagem – capitães, sobretudo – que se consideravam prejudicados pelos
facto de, aos oficiais milicianos serem proporcionadas as mesmas condições
salariais – e não só - que a eles próprios.
Hoje, qualquer um percebe que, só pelo facto de
naquele dia, há 52 anos, e contrariando as ordens do MFA, os operários e as
massas populares, terem vindo para a rua, é que aquilo que inicialmente foi
desenhado como um golpe que pretendia mudar um governo de um sector da
burguesia mais reaccionário e brutal, por outro governo burguês que afivelasse
uma máscara de “democrata”, não teve sucesso.
A onda revolucionária que se gerou naquele dia,
frustrou os intentos iniciais dos golpistas. Ainda assim, virtude da traição
miserável de revisionistas, neo-revisionistas e demais oportunistas – a esquerda
do capital -, o sector da pequena-burguesia que se opôs ao golpe
social-fascista em 25 de Novembro de 1975, criou as condições para que o
projecto inicialmente gizado pelo MFA, fosse retomado e prosseguido.
Tal como os verdadeiros comunistas sempre o
denunciaram, sendo a natureza de classe do golpe militar burguesa, bem como a
sua agenda política, os sucessivos Pactos Partidos/MFA só serviram para
alterar, a favor da burguesia, as relações de força que, fruto da onda
revolucionária que se gerou logo no dia 25 de Abril de 1974, estavam, então, a
favor dos interesses da classe operária e restantes escravos assalariados.
Os marxistas sempre afirmaram – e a história mundial
comprova-o com exemplos dramáticos - que nenhum golpe de estado gera o impulso
revolucionário necessário para que uma classe derrube outra e, ao fazê-lo,
destrua um modo de produção para o substituir por outro. E foi exactamente isso
que aconteceu a 25 de Abril de 1974. O modo de produção continuou a ser
capitalista, o Estado herdou, em muitos aspectos – sobretudo no plano jurídico
e judicial – a sua natureza fascista.
Morte aos pides e a quem os apoiar! |
Foram os revisionistas, os neo-revisionistas e demais
oportunistas – a esquerda do capital – que “arrefeceram” o momento
revolucionário que se gerou então e permitiram que a burguesia, de forma
paulatina mas crescente e consolidada, reforçasse um poder que nunca, na
realidade, perdeu.
Hoje, a classe operária e os demais trabalhadores
assalariados, devem retirar uma lição deste passado que os conduziu à derrota.
E essa lição é a de que uma sublevação popular como aquela que ocorreu a 25 de
Abril de 1974 tem de ter uma direcção operária, uma estratégia autónoma dos
interesses da burguesia, e deve ter por objectivo estratégico último a
destruição do modo de produção capitalista e a consequente construção do modo
de produção comunista e da ditadura do proletariado, para que este nunca mais sirva
de tropa de choque de um sector da burguesia contra outro sector dessa classe
exploradora.
Ao “romantismo” pequeno burguês que representa o cravo
– a “flor da revolução” falhada – o proletariado revolucionário e comunista deve
opor a estrela de cinco pontas que representa o seu programa internacionalista.
Para que, em vez de um novo 25 de Abril, a classe
operária afirme o seu 1º de Maio!
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