sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril – em tempo de balanço impõe-se a visão autónoma do proletariado!

 


25 de Abril – em tempo de balanço impõe-se a visão autónoma do proletariado! 

O discurso que António José Seguro proferiu na Assembleia da República, no âmbito das “comemorações” dos 52 anos sobre o golpe militar ocorrido a 25 de Abril de 1974, mereceu a unanimidade de TODOS os partidos do “arco parlamentar", incluindo o da extrema direita fascista.


Apesar de este facto parecer traduzir a derrota definitiva do proletariado revolucionário, bem pelo contrário, traduz um passo vitorioso para a Revolução comunista. Isto porque, é cada vez mais clara a aliança explícita e implícita entre todos os partidos que têm assento na Assembleia da República, no momento presente. Não haverá, como no passado recente, mais margem de manobra para toda a falsa esquerda escamotear as sucessivas traições que protagonizou contra os interesses da classe operária e seus aliados, nem poderão mais dizer que o seu objectivo é combater a burguesia, o capitalismo ou, mesmo, o imperialismo.

Mesmo que Seguro – que sempre representou a ala mais à direita do Partido dito Socialista – venha uma vez mais afirmar que o que é importante é preservar a liberdade “conquistada” no 25 de Abril. Ora, é cada vez mais claro para a classe operária e para todos os escravos assalariados, que os únicos a conquistar a liberdade após a “revolução dos cravos” foram os torcionários da PIDE, o fascista Marcelo Caetano e seus sequazes, a alta burguesia financeira e monopolista representadas pelos Melos, pelos Champalimaud, entre muitos outros.

De que serve a liberdade que nos anunciam, oferecida numa “bandeja dourada” pelos “capitães de Abril”. Já nem para exercer o direito de opinião servem. Mesmo que ainda possamos defender alguns pontos de vista distintos da classe dominante, a “opinião” expressa não tem qualquer peso nas decisões que a burguesia vai impondo ao proletariado.

Os campos estão cada vez mais claros! De um lado da barricada – TODOS os partidos do “arco parlamentar” – que representam os interesses dos diferentes sectores da burguesia que, perante o colapso do sistema capitalista e imperialista, a braços com uma profunda e sistémica crise económica se sentem impelidos a uma espécie de “união nacional”, numa vã tentativa de preservarem as suas mordomias, obtidas à custa da venda a pataco do país e da brutal exploração dos operários e demais escravos assalariados.

Do outro lado da barricada, o proletariado revolucionário, os marxistas, que lutam por uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, da fome, da miséria, da humilhação, livres do imperialismo e das guerras de genocídio que provocam para saquear as riquezas planetárias, exaurindo os recursos e provocando danos irreversíveis à situação climática e à bio-diversidade.

Nem mesmo o espectáculo da marcha fúnebre do 25 de Abril, que ocorreu hoje, e uma vez mais, na Av. Da Liberdade, alterou, de alguma forma, a questão principal – a de que, após várias fases, durante as quais, fruto da traição miserável da falsa esquerda, a revolução se foi extinguindo e a classe operária viu cada vez mais as suas conquistas serem despedaçadas, entrámos na fase final do sistema capitalista, obsoleta e prenunciadora da sua morte.


Operários e populares enquadram os seu irmãos de classe fardados

O 25 de Abril de 1974 caracterizou-se por ser um golpe de estado que visava dar resposta a reclamações corporativas por parte da baixa oficialagem – capitães, sobretudo – que se consideravam prejudicados pelos facto de, aos oficiais milicianos serem proporcionadas as mesmas condições salariais – e não só - que a eles próprios.

Hoje, qualquer um percebe que, só pelo facto de naquele dia, há 52 anos, e contrariando as ordens do MFA, os operários e as massas populares, terem vindo para a rua, é que aquilo que inicialmente foi desenhado como um golpe que pretendia mudar um governo de um sector da burguesia mais reaccionário e brutal, por outro governo burguês que afivelasse uma máscara de “democrata”, não teve sucesso.

A onda revolucionária que se gerou naquele dia, frustrou os intentos iniciais dos golpistas. Ainda assim, virtude da traição miserável de revisionistas, neo-revisionistas e demais oportunistas – a esquerda do capital -, o sector da pequena-burguesia que se opôs ao golpe social-fascista em 25 de Novembro de 1975, criou as condições para que o projecto inicialmente gizado pelo MFA, fosse retomado e prosseguido.

A classe operária e as massas populares invadiram a Av. dos Aliados no Porto

Tal como os verdadeiros comunistas sempre o denunciaram, sendo a natureza de classe do golpe militar burguesa, bem como a sua agenda política, os sucessivos Pactos Partidos/MFA só serviram para alterar, a favor da burguesia, as relações de força que, fruto da onda revolucionária que se gerou logo no dia 25 de Abril de 1974, estavam, então, a favor dos interesses da classe operária e restantes escravos assalariados.

Os marxistas sempre afirmaram – e a história mundial comprova-o com exemplos dramáticos - que nenhum golpe de estado gera o impulso revolucionário necessário para que uma classe derrube outra e, ao fazê-lo, destrua um modo de produção para o substituir por outro. E foi exactamente isso que aconteceu a 25 de Abril de 1974. O modo de produção continuou a ser capitalista, o Estado herdou, em muitos aspectos – sobretudo no plano jurídico e judicial – a sua natureza fascista.

                                           

                                                                 Morte aos pides e a quem os apoiar!

Foram os revisionistas, os neo-revisionistas e demais oportunistas – a esquerda do capital – que “arrefeceram” o momento revolucionário que se gerou então e permitiram que a burguesia, de forma paulatina mas crescente e consolidada, reforçasse um poder que nunca, na realidade, perdeu.

Hoje, a classe operária e os demais trabalhadores assalariados, devem retirar uma lição deste passado que os conduziu à derrota. E essa lição é a de que uma sublevação popular como aquela que ocorreu a 25 de Abril de 1974 tem de ter uma direcção operária, uma estratégia autónoma dos interesses da burguesia, e deve ter por objectivo estratégico último a destruição do modo de produção capitalista e a consequente construção do modo de produção comunista e da ditadura do proletariado, para que este nunca mais sirva de tropa de choque de um sector da burguesia contra outro sector dessa classe exploradora.

Ao “romantismo” pequeno burguês que representa o cravo – a “flor da revolução” falhada – o proletariado revolucionário e comunista deve opor a estrela de cinco pontas que representa o seu programa internacionalista.

Para que, em vez de um novo 25 de Abril, a classe operária afirme o seu 1º de Maio!

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