« Aquele que controla as energias domina as nações » (Henry Kissinger)
28 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau e Robert Bibeau .
“ A energia tornou-se a força vital do mundo industrial” ( Henry Kissinger, Anos de Revolta ), uma afirmação que pode ser
traduzida popularmente como “ Quem controla a energia
governa as nações ”.
Essa afirmação permanece válida mesmo com a perda gradual da importância económica
estratégica dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) para o urânio, a
bio-energia, os gases nobres e as energias renováveis (hidroeléctrica,
eólica, solar, etc.). Esses desenvolvimentos tecnológicos são de suma
importância para a compreensão do mundo capitalista decadente. Esse ditame
explica, em parte, a actual reconfiguração geo-estratégica mundial.
Assim, ao longo da história, o império ocidental americano lutou militarmente, economicamente, politicamente e ideologicamente para dominar o mercado mundial de hidrocarbonetos, principalmente petróleo, porque esse domínio energético garante a sua dominação sobre as nações consumidoras de hidrocarbonetos e alimenta a sua própria indústria.
Para alcançar o domínio energético, os EUA
primeiro garantiram ser o principal produtor de petróleo, com uma produção de
20 milhões de barris por dia. Em seguida, garantiram o controlo do maior número
possível de países produtores: Arábia Saudita (2º); Canadá (4º); Iraque (6º);
Emirados Árabes Unidos (8º); e Kuwait (10º).
Na prática, apenas três dos 10 maiores
produtores escapam ao domínio americano: Rússia (3º), China (5º) e Brasil (7º).
Em termos de reservas, apenas a Venezuela (com as maiores reservas conhecidas)
e o Irão escapam ao domínio dos EUA.
Todos esses países ( BRICS ) têm em comum o facto de serem alvos de agressões e ameaças dos Estados Unidos/Ocidente Colectivo.
Portanto, quem quer que seja minimamente
honesto intelectualmente e cujo QI seja superior à temperatura ambiente, pode
não concluir que TODAS AS GUERRAS, AS AMEAÇAS E A PROPAGANDA
Americano-Ocidental visam à dominação do mercado de petróleo e gás: o «sangue
vital da indústria»?
Como ignorar inteligentemente que em relação à Federação da Rússia, os EUA e o
Ocidente colectivo fomentaram a guerra na Ucrânia para balkanizar este país e
apoderar-se dos seus múltiplos recursos? Como ignorar inteligentemente que no
Brasil, eles subverteram o parlamento e colocaram o presidente Lula
em minoria?
Como é possível ignorar tão astutamente o facto de que os EUA atacaram a Venezuela para se apoderarem do seu petróleo e privar o seu concorrente chinês, a principal superpotência industrial do mundo, tão ávida por todas as formas de energia? Como é possível ignorar tão astutamente que a "Guerra dos Doze Dias", o ataque à moeda iraniana, a tentativa de golpe de Estado e as actuais ameaças de agressão contra o Irão visam todos apoderar-se dos seus recursos de petróleo e gás?
Ninguém que seja sensato e
intelectualmente honesto, o que exclui imediatamente todos os jornalistas e
auto-proclamados especialistas da grande media, a media pertencente a
bilionários, pode obscurecer inteligentemente o facto de que o fio condutor de
todas essas guerras, agressões e ameaças pode ser resumido como: " roubo, pilhagem e saque " (Lenine) do petróleo e do
mercado de cada uma dessas vítimas da hegemonia ocidental decadente para o
" controlo das nações " na mais
pura tradição do imperialismo mundial.
Esse desejo beligerante de dominação pelo
petróleo coincide com uma grande crise de sobreprodução de capital, bens e
trabalho, que sufoca a economia capitalista mundial em declínio e a leva a uma
guerra mundial, assim como a crise económica de 1929 levou à Segunda Guerra
Mundial de 1939-1945 e a crise de 1870-1880 levou à Primeira Guerra Mundial de
1914-1918: "As mesmas causas produzem os mesmos efeitos", ensina a
ciência.
Para se convencer do objectivo final da
dominação energética e comercial em TODAS AS GUERRAS E AMEAÇAS ACTUAIS, basta,
entre outras coisas, analisar as necessidades petrolíferas do mundo capitalista
actual.
Os EUA são o principal país consumidor, com entre 20 e 21 milhões de barris por dia, seguidos pela China, com um consumo de 15 a 16 milhões de barris por dia. A Índia ocupa o terceiro lugar, com 5 a 6 milhões de barris por dia, o Japão o quarto, com 3 a 3,5 milhões de barris por dia, e a Alemanha o nono, com 2,3 a 2,5 milhões de barris por dia.
Assim, a China tem um défice de 12 milhões de barris
por dia; a Índia, de 5 milhões de barris por dia; o Japão, de 3,3 milhões de
barris por dia; a Alemanha, de 2,3 milhões de barris por dia; a França, de 1,5
milhão de barris por dia; a Itália, de 1,2 milhão de barris por dia; e a
Espanha, de 1,2 milhão de barris por dia.
À luz deste quadro e considerando a firme
vontade do colectivo EUA/Ocidente de derrotar a China, como não concluir que as
guerras e ameaças de guerra travadas pelo império colectivo EUA/Ocidente contra a Rússia, principal
fornecedora de petróleo da China; a guerra travada contra o Irão, oficialmente
o 6º e na realidade o 2º; a guerra travada contra a Venezuela, o Iraque (3º) e
o Brasil (5º) são simplesmente elementos tácticos desta guerra do império
contra a China, a
principal concorrente das potências imperialistas ocidentais ?
É notável que nenhum analista burguês explique essas
guerras e ameaças de forma racional e lógica; todos se reduzem a conjecturas
estúpidas sobre o ego de Trump, seus humores, suas amizades e outras
debilidades burguesas.
Ainda há pouco tempo, esses mesmos
jornalistas e «analistas» a soldo mentiam com igual descaramento ao alegar
estúpidamente que essas guerras tinham como objectivo trazer a «democracia» e a «liberdade» às suas vítimas. Os massacres que delas
resultaram, as ditaduras que surgiram, o caos económico e comercial que
impuseram e, sobretudo, «o roubo, o saque e a pilhagem» (Lenine) dos recursos e
do comércio dos Estados «democratizados» à baioneta e que só enriqueceram os agressores
capitalistas, cobriram-nos de ridículo e demonstraram a verdadeira finalidade
da sua propaganda demagógica: servir os seus mestres capitalistas.
O proletariado deve saber que todas estas guerras têm apenas um único objectivo que a burguesia nos esconde: roubar, saquear e pilhar; fazer com que os pobres, que não se conhecem, se matem uns aos outros para enriquecer os ricos que se conhecem; transformar a «carne de patrões em carne para canhão» para perpetuar o sistema assassino e genocida capitalista, toda outra explicação não passa de mentira, engano, poeira nos olhos e nevoeiro de guerra.
PROLETÁRIOS
DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS
E DESTRUAM ESTE SISTEMA CAPITALISTA, FONTE
DE TODAS AS GUERRAS E DE TODAS AS INFÂMIAS.
Publicado pelas Éditions L'Harmattan em Paris, o volume de Robert Bibeau e Khider Mesloub:
" DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO
PROLETÁRIA ". Colecção de Temas
Contemporâneos. 220 páginas.
Para encomendar online de L'Harmattan : Da Insurreição Popular à Revolução Proletária – Robert Bibeau, Khider Mesloub , disponível na AMAZON: https://www.amazon.ca/-/fr/linsurrection-populaire-%C3%A0-r%C3%A9volution-prol%C3%A9tarienne/dp/2336478714/ref=sr_1_8?
Versão em Língua Portuguesa:
Que o Silêncio dos
Justos não Mate Inocentes: Da Insurreição popular à revolução proletária
Uma revolução social é um movimento de classe pelo
qual a classe dominante de um modo de produção obsoleto é derrubada, as suas
infraestruturas económicas e materiais e as suas superestruturas sociais,
políticas e ideológicas destruídas para serem substituídas por um novo modo de
produção.
Fonte: « Celui qui contrôle les
énergies domine les nations » (Henry Kissinger) – les 7 du quebec

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