sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Número recorde de jornalistas assassinados em 2025, dois terços atribuídos a Israel.


Número recorde de jornalistas assassinados em 2025, dois terços atribuídos a Israel.

27 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

Por Agence France-Presse

(Nova Iorque) Cento e vinte e nove jornalistas e trabalhadores da imprensa foram mortos ao longo do ano de 2025 em todo o mundo, afirma o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), atribuindo dois terços dos homicídios a Israel, que rejeita essas «alegações».

«O exército israelita cometeu agora mais assassinatos selectivos de membros da imprensa do que qualquer outro exército governamental até hoje, sendo a esmagadora maioria das pessoas mortas jornalistas e trabalhadores mediáticos palestinianos em Gaza», escreve a ONG americana.


O exército israelita rejeita « veementemente as alegações apresentadas no relatório » do CPJ, declarou à AFP um porta-voz militar israelita, afirmando que as forças israelitas não visam « intencionalmente jornalistas ou membros das suas famílias e [implementam] todos os meios possíveis para reduzir os danos a civis, incluindo jornalistas ».


« Ao longo da guerra, houve muitos casos em que terroristas operaram disfarçados de civis, incluindo fazendo-se passar por jornalistas, com o objectivo de promover actividades terroristas », acrescentou o porta-voz, afirmando que « nesses casos, qualquer acção empreendida por [o exército] contra eles deveu-se à sua participação em actividades terroristas e por nenhuma outra razão ».

 

Após 124 mortes em 2024, o ano de 2025 marca, com 129 jornalistas assassinados, o segundo recorde anual consecutivo nos 30 anos em que o CPJ mantém essa contagem.

Além da guerra em Gaza (86 jornalistas mortos), os outros dois conflitos mais mortais para a imprensa foram a Ucrânia (quatro mortos) e o Sudão (nove mortos), observa o CPJ.

"Todos estão em perigo"


"Uma das constatações mais marcantes dos últimos anos é o aumento do uso de drones", com 39 casos documentados, em comparação com apenas dois em 2023, disse à AFP Carlos Martinez de la Serna, gestor de projectos da organização.

Além dos conflitos armados, o crime organizado também tem sido particularmente letal para membros da imprensa. No México, seis jornalistas foram assassinados em 2025. Vários casos foram registados na Índia e no Peru.

Na Arábia Saudita, o colunista de renome Turki al-Jasser foi executado pelo Estado em Junho, após ser condenado por diversas acusações que o CPJ descreveu como "alegações fabricadas" usadas para punir jornalistas.

Este é o primeiro assassinato documentado de um jornalista no país do Golfo desde a morte de Jamal Khashoggi em 2018.

« Jornalistas estão a ser mortos em número recorde num momento em que o acesso à informação é mais importante do que nunca », considera Jodie Ginsberg, directora geral do CPJ.

« Os ataques aos media são um indicador importante de violações de outras liberdades, e é necessário fazer muito mais para impedir estes assassinatos e punir os seus autores. Estamos todos em perigo quando jornalistas são mortos por cobrirem a actualidade », acrescenta.

Criado em 1981 em Nova Iorque para defender a liberdade de imprensa e os jornalistas em todo o mundo, o CPJ, financiado por fundos privados e fundações, é dirigido por um conselho composto por membros da imprensa e personalidades da sociedade civil.

 

Fonte: Nombre record de journalistes assassinés en 2025, les deux tiers imputés à Israël – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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