quinta-feira, 11 de junho de 2026

A propósito do CORGOV

 


A propósito do CORGOV

Dois mil e vinte é o ano em que o fascismo se reforça a nível nacional e internacional com o total apoio da esquerda. A esquerda em Portugal é mais direita que a própria direita. Apoiou e propôs medidas que violavam direitos e garantias constitucionais e permitiu que os seus militantes, com assento no parlamento e nos programas dos canais de televisão e jornais, como comentadores fossem os maiores provocadores a soldo para insultar a oposição às medidas pandémicas.

É importante lembrar o comportamento que a esquerda teve, e tem, quando ela hoje fala em combater os fascistas portugueses. E como é que a esquerda quer combater o fascismo? Tenham um pouco de paciência que já falamos nisso. O governo aprovou, pela calada do dia e a portas fechadas, em Conselho de Ministros uma resolução (Resolução nº202/2025, de 24 de Dezembro) que cria o CORGOV – Centro de Operações e Resposta do Governo - supostamente para gestão de crises.

Invoca, como justificação para a criação deste Centro de Operações três questões: A pandemia; a guerra na Europa; e “a queda generalizada de energia” (apagão). “O CORGOV é activado por decisão do Primeiro Ministro” e o “manual de procedimento” é classificado como “confidencial” ao abrigo da Lei Orgânica nº 2/2014 de 6 de Agosto, Lei do segredo de Estado.

Portanto, o CORGOV é um órgão secreto protegido pela Lei de segredo de Estado e activado por decisão do Primeiro Ministro. O conceito de “crise” é vago, tudo cabe lá, inclusive o Governo pode considerar que uma greve está a criar uma situação de crise.

Isto é fascismo. O primeiro argumento invocado pelo Governo são as pandemias. Isto faz-nos voltar ao ano de 2020 e lembrar o que fizeram e o que não se deveria ter permitido que fizessem. O governo invoca a pandemia de 2020 para criar um órgão confidencial protegido por segredo de Estado. Em 2020 já havia vários indicadores, uns políticos outros epidemiológicos, que apontavam estar-se perante uma fraude.

Quando o Estado capitalista coloca na rua as forças armadas (militares e policiais) e cria uma task force com militares a chefiar; impõe o recolher obrigatório, manda ficar em casa, obriga a confinamento, e impõe limitações de acesso, circulação e permanência na via pública, das três, uma: ou é um golpe de Estado, ou é uma guerra, ou é uma fraude. Quando a DGS – Direcção Geral de Saúde - contrata cinco mil influenciadores e os coloca nos “meios de comunicação social” tradicionais e alternativos, é indicador de fraude.

Qual foi o papel da esquerda perante a falsa operação pandémica. Aqui, também, a esquerda do capital cumpriu, como sempre cumpre, o seu papel de braço direito da direita do capital, amarrar os operários e restantes escravos assalariados aos capitalistas. Agora temos a esquerda capitalista a berrar contra a “besta imunda” – o fascismo.

Não, certamente, contra este órgão fascista que a o governo criou – o CORGOV – pois sobre o CORGOV mantem o silêncio, mas porque os fascistas disputam com eles lugares no parlamento burguês. A mesma esquerda do capital do Otelo Saraiva de Carvalho e do Vasco Gonçalves que em Abril de 1974 deu cobertura aos fascistas e se comportou como tal, desde ter retirado do quartel do Carmo, numa viatura militar blindada, o fascista Marcelo Caetano, protegendo-o das massas que esperavam pelo fascista para lhe dar uma valente surra; a esquerda capitalista que ajudou a prender mais de quatro centenas de militantes do PCTP/MRPP entre eles Arnaldo Matos, Secretário-Geral do Partido; a esquerda capitalista, mais aqueles que agora se passaram para o seu lado, que nos plenários (Assembleias de fábrica) sabotavam, silenciavam e ameaçavam os operários com opiniões diferentes das deles; diz querer combater o fascismo e o partido fascista CHEGA.

E como é que querem estes trauliteiros “combater” o fascismo? A esquerda capitalista quer “combater” o fascismo com “Petições Públicas” e afirma que “a extrema-direita nasceu com o beneplácito do Tribunal Constitucional” (sic). Ora esta esquerda além de burra é ignorante. Mas podia esta esquerda ser inteligente quando diz ser “socialista revolucionária romântica” (sic) confundido luta de classes com cupido?

Portanto, para a esquerda capitalista o fascismo não se combate, combatendo o capitalismo, mas amarrando os operários ao capitalismo. Na fase superior do capitalismo – o imperialismo – não há como atribuir uma característica que possa diferenciar o fascismo nacional, português, do fascismo nacional de outros países. A esquerda capitalista mostra claramente que não quer mudar nada, que os seus objectivos são conquistar lugares no parlamento e gerir a sociedade capitalista e para conquistar votos ameaça com o bicho-papão, essa “besta imunda fascista”.

Valentim Martins

11 de Junho de 2026

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